AGRONEGÓCIO
Marco Histórico: Austrália aprova a primeira banana transgênica do mundo
Publicado em
22 de fevereiro de 2024por
Da RedaçãoA Food Standards Australia New Zealand (FSANZ), agência reguladora australiana e neozelandesa, anunciou hoje à Reunião de Ministros de Alimentos (FMM) que deu aprovação ao evento de biotecnologia “QCAV-4” para bananas como seguro para o consumo humano. Agora, o FMM, composto por ministros dos governos estaduais e territoriais da Austrália, além dos governos da Austrália e Nova Zelândia, tem um prazo de 60 dias para ratificar a decisão da FSANZ ou solicitar uma revisão.
A banana QCAV-4 marca um avanço notável como a primeira banana geneticamente modificada do mundo a obter aprovação para produção comercial. Além disso, é a primeira fruta australiana geneticamente modificada aprovada para cultivo no país. Essa variedade de banana apresenta potencial para oferecer uma rede de segurança contra o fungo tropical devastador da raça 4, responsável pela Doença do Panamá (TR4), uma ameaça séria para a indústria global da banana, avaliada em 20 bilhões de dólares.
O professor James Dale, renomado pesquisador da Universidade de Tecnologia de Queensland (QUT), e sua equipe dedicaram mais de 20 anos ao desenvolvimento e cultivo de bananas Cavendish geneticamente modificadas. A aprovação do QCAV-4 representa um avanço significativo na pesquisa biotecnológica, oferecendo uma solução potencial para proteger a indústria da banana contra a ameaça constante da Doença do Panamá.
A decisão do FMM nos próximos 60 dias será crucial para determinar a implementação e aceitação efetiva dessa inovação biotecnológica na indústria agrícola australiana. “Este é um passo crucial para o QCAV-4 e ocorre após muitos anos de desenvolvimento”, afirmou o professor Dale.
“Acolhemos positivamente esta decisão, pois representa um avanço significativo na construção de uma rede de segurança para as bananas Cavendish em todo o mundo contra o TR4, que já causou impactos em diversas partes do globo.”
As bananas QCAV-4, resultado da colaboração entre academia, governo e indústria, passaram por testes de campo no Território do Norte por mais de sete anos, demonstrando alta resistência à Doença do Panamá TR4.
A propagação da Doença do Panamá TR4 já resultou na paralisação da produção de banana Cavendish na Ásia, começou a se disseminar na América do Sul e atualmente está presente na Austrália, abrangendo o Território do Norte e o norte de Queensland.
O QCAV-4 é uma variedade de banana Cavendish Grand Nain bioengenheirada com um único gene de resistência à banana, RGA2, proveniente de uma banana selvagem do sudeste asiático, Musa acuminata ssp malaccensis. Embora as bananas Cavendish já possuam o gene RGA2, ele se encontra inativo até a intervenção bioengenheirada.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Seguro rural mais forte pode evitar nova crise bilionária de dívidas no campo
Published
7 horas agoon
20 de agosto de 2026By
Da Redação
Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) articula mudanças na Medida Provisória 1.376/2026 e a aprovação de um novo marco para o seguro rural como parte de uma estratégia para enfrentar a crise de endividamento no campo. A bancada avalia que a renegociação é necessária, mas precisa ser acompanhada de mecanismos capazes de proteger o produtor contra novas perdas climáticas e impedir a repetição do problema nos próximos anos.
O debate ganhou força após estudo do Centro de Estudos em Agronegócios da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) mostrar que o impacto fiscal anual da renegociação, estimado pelo governo em até R$ 3,6 bilhões, permitiria proteger R$ 112,6 bilhões em produção caso o mesmo valor fosse aplicado no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).
A comparação não significa que o seguro possa substituir a renegociação. A conclusão dos pesquisadores é que a medida emergencial deve funcionar como uma ponte para uma política permanente de gestão de riscos. Sem essa mudança, o produtor pode voltar ao crédito com a mesma exposição às perdas climáticas e enfrentar novas dificuldades no próximo choque.
A FPA tem maioria entre os integrantes da comissão mista instalada pelo Congresso para analisar a MP. Dos 26 titulares, 14 pertencem à bancada. Integrantes da frente também apresentaram 126 das 144 emendas protocoladas, demonstrando a intenção de ampliar o alcance e corrigir limitações da medida.
A MP foi construída em uma negociação entre a FPA, o Ministério da Fazenda e a presidência da Câmara. O acordo prevê linhas para liquidação ou amortização de operações de crédito rural e Cédulas de Produto Rural (CPRs), além da participação da União em um fundo garantidor.
A expectativa inicial era de que aproximadamente R$ 100 bilhões pudessem ser renegociados. A portaria de equalização de juros publicada pelo governo, porém, autorizou R$ 25,8 bilhões, equivalentes a apenas 13% dos R$ 197,2 bilhões classificados pelo Banco Central como carteira problemática do setor. O cálculo não inclui dívidas privadas representadas por CPRs emitidas para fornecedores e empresas de comercialização.
Isan Rezende
INDISPENSÁVEL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende, a renegociação é indispensável para preservar produtores que sofreram perdas sucessivas, mas não pode ser tratada como solução definitiva. “O produtor não está pedindo perdão da dívida. Ele precisa de prazo, juros compatíveis e condições para continuar produzindo. Sem esse fôlego imediato, perde capacidade de financiar a safra, reduz investimentos e coloca em risco a própria continuidade da atividade”.
Segundo Rezende, a crise atual evidencia a fragilidade da política brasileira de proteção da produção. “Se renegociarmos o passivo e devolvermos o produtor ao campo sem seguro adequado, o próximo evento climático poderá criar exatamente o mesmo problema. A renegociação resolve a urgência; o seguro, a assistência técnica e uma política consistente de gestão de risco diminuem a possibilidade de uma nova crise”.
Rezende defende que os recursos para o seguro rural tenham estabilidade e não sejam submetidos a cortes no decorrer do ano. “Não existe seguro eficiente sem previsibilidade orçamentária. Produtores, seguradoras e resseguradoras precisam saber quanto estará disponível e quando a subvenção será liberada. Proteger a lavoura custa menos ao País do que socorrer repetidamente o produtor depois que a perda já ocorreu”.
O exercício realizado pela FGV Agro mostra o tamanho da diferença. Com base no desempenho do PSR em 2025, uma dotação de R$ 3,6 bilhões permitiria proteger 20,47 milhões de hectares, contratar cerca de 398 mil apólices e gerar R$ 10,16 bilhões em prêmios de seguro.
No ano passado, o programa alcançou somente 3,3 milhões de hectares e pouco mais de R$ 18,1 bilhões em importância segurada. A subvenção federal ficou em R$ 581,1 milhões. Em 2021, quando atingiu seu maior alcance, o PSR protegeu 14,23 milhões de hectares.
Os pesquisadores ressalvam que a expansão não ocorreria automaticamente. Seria necessário ampliar a capacidade de seguradoras e resseguradoras, garantir recursos no Orçamento e estimular a contratação pelos produtores. O custo fiscal da renegociação também pode variar ao longo do tempo, conforme o pagamento das parcelas.
Apesar dessas limitações, o estudo sustenta que políticas de valores semelhantes produzem resultados diferentes. A renegociação age depois da perda, reduzindo o peso do passivo. O seguro atua antes do choque e evita que parte do prejuízo se transforme em inadimplência, recuperação judicial, perda de garantias ou pressão por novo socorro público.
Além das mudanças na MP, a FPA trata como prioridade o Projeto de Lei 2.951/2024, que moderniza o seguro rural. A proposta impede o bloqueio dos recursos destinados à subvenção, oferece estímulos para produtores segurados e reformula o Fundo de Estabilidade do Seguro Rural, que passaria a funcionar como Fundo de Catástrofe.
Para a bancada, a saída da crise depende das duas frentes. A renegociação precisa chegar rapidamente aos produtores que perderam capacidade de pagamento, enquanto o fortalecimento do seguro deve reduzir a exposição das próximas safras. O objetivo é evitar que o País apenas adie o passivo atual e tenha de discutir, em poucos anos, uma nova renegociação das mesmas dívidas.
Fonte: Pensar Agro
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