AGRONEGÓCIO

Maranhão investe em pesquisa e desenvolvimento para impulsionar produtores rurais

Publicado em

O Produto Interno Bruto do Maranhão teve o maior crescimento entre os estados do Nordeste no ano passado, com uma contribuição significativa do setor agropecuário, especialmente devido à produção de soja e milho. A soja, uma cultura de grande expressão, ocupa uma área de aproximadamente 1,2 milhão de hectares no estado, e as estimativas da Conab para a safra 2023/2024 indicam que a produção maranhense ultrapassará 4 milhões de toneladas da oleaginosa.

Diante deste cenário promissor, é essencial aprimorar e expandir as iniciativas voltadas aos produtores rurais para garantir o crescimento econômico, social e ambiental contínuo. O papel da capacitação e da assistência técnica é crucial, especialmente em uma região de fronteira agrícola em plena expansão. Para atender a essa demanda, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (ABIOVE), a Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e a Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável (GIZ) firmaram um acordo de cooperação no âmbito do Agro Plus, o maior programa privado de assistência técnica agrícola do Brasil. A parceria visa mensurar, analisar e propor melhorias para uma gestão mais eficiente das propriedades rurais, conciliando crescimento econômico com responsabilidade socioambiental.

Leia Também:  Bolsa da China atinge maior nível em uma década com alta nos setores de chips e ouro após feriado

Segundo Bernardo Pires, diretor de Sustentabilidade da ABIOVE, o acordo é fundamental para o aumento da produtividade agrícola aliado à consciência ambiental. Ele ressalta a importância de cumprir as normas vigentes e manter a qualidade dos produtos, que são cada vez mais exigidas pelos mercados e consumidores.

A região do Maranhão, em grande parte situada no Bioma Cerrado, é conhecida por sua rica biodiversidade e é considerada o berço das águas brasileiras. Portanto, a produção agrícola precisa atender a rigorosas legislações, como o Código Florestal, e seguir regulamentos sociais e trabalhistas. Isso reforça a necessidade de apoio técnico que promova sistemas de produção economicamente viáveis, socialmente justos e ambientalmente sustentáveis, com base em pesquisa e ciência para orientar as decisões dos produtores rurais.

O Agro Plus, com 13 anos de existência, oferece suporte gratuito, prático e inclusivo a produtores de várias culturas. O programa distribui materiais didáticos, promove cursos sobre saúde e segurança no trabalho, adequação de construções rurais, regularização ambiental, qualidade do produto, governança das atividades produtivas e bem-estar social de trabalhadores e comunidades locais. Além disso, realiza dias de campo e visitas técnicas para análise e monitoramento dos indicadores de desempenho. O Agro Plus já atendeu mais de oito mil produtores em 12 estados brasileiros. Para mais informações sobre o programa, visite: Agro Plus.

Leia Também:  Inovações com Bionanomateriais Prometem Revolucionar Construção Civil, Agricultura e Produção de Biocombustíveis

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Advertisement

AGRONEGÓCIO

Matopiba desponta como nova fronteira da produtividade no Brasil

Published

on

O avanço do agronegócio está mudando o mapa da produtividade brasileira e levando parte do dinamismo econômico para o Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Enquanto o indicador nacional cresceu 18,7% entre 2002 e 2019, três Estados da região registraram alguns dos maiores aumentos do País.

O Piauí liderou o crescimento da produtividade do trabalho no período, com alta de 103%. O Maranhão avançou 86% e o Tocantins, 69,7%. Os resultados acompanham a expansão da fronteira agrícola e indicam que a transformação provocada pelo campo ultrapassou o aumento da área plantada e do volume colhido.

Os dados fazem parte do estudo “Missing the Productivity: Estimating Labor Productivity in Brazilian Municipalities (2002–2019)”, dos pesquisadores Alan Bueno e Diogo Ferraz. Divulgado em julho, o trabalho construiu uma base anual com informações dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros.

O levantamento é um pré-print, versão que ainda não passou pela etapa definitiva de revisão acadêmica. Embora tenha alcance nacional e não seja dedicado exclusivamente ao Matopiba, o estudo revela grandes ganhos de produtividade nas fronteiras agropecuárias e uma evolução mais lenta nos Estados historicamente industrializados.

A produtividade analisada não é o rendimento das lavouras por hectare. O indicador mede quanto valor é produzido por trabalhador. Ele aumenta quando a incorporação de máquinas, tecnologia, qualificação e métodos mais eficientes de gestão permite ampliar a produção sem elevar na mesma proporção o número de pessoas ocupadas.

No Brasil, a agropecuária foi o setor que apresentou o maior avanço entre 2002 e 2019. A produtividade do trabalho no campo cresceu 80,1%, diante de aumentos de 10,3% nos serviços e de apenas 5,4% na indústria.

O resultado ajuda a explicar por que regiões antes com menor participação na economia nacional passaram a atrair armazéns, transportadoras, revendas de máquinas e insumos, instituições financeiras, empresas de tecnologia, indústrias de alimentos e prestadores de serviços.

Leia Também:  Financia Agro SC destina mais de R$ 2 milhões para fortalecer cooperativas e associações rurais

Para Alan Bueno, professor da Universidade Estadual do Paraná e um dos autores do estudo, o avanço do Matopiba pode ser comparado à transformação ocorrida no Centro-Oeste a partir da segunda metade do século passado.

“O Matopiba é o novo ouro. É o que foi o Centro-Oeste nos anos 1950. Trata-se de um crescimento que faz mudar a realidade regional”, afirmou.

Segundo o pesquisador, o campo passou a funcionar como ponto de partida de uma rede econômica mais ampla. “O agro converteu-se no catalisador de uma vasta rede econômica, envolvendo transporte, comércio, construção civil, tecnologia, crédito e serviços”, explicou.

A expansão foi sustentada principalmente pela produção de soja, milho e algodão, além da pecuária. O desenvolvimento de sementes adaptadas ao Cerrado, a correção dos solos, a mecanização e a agricultura de precisão permitiram que a região ampliasse sua participação na produção nacional.

Os dados mais recentes indicam que o movimento continuou depois de 2019, último ano abrangido pelo estudo. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia colham juntos aproximadamente 41,4 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, aumento próximo de 9% sobre o ciclo anterior.

A Bahia deverá liderar a produção regional, com cerca de 15 milhões de toneladas. O Tocantins aparece em seguida, com 9,74 milhões, seguido pelo Maranhão, com 9,05 milhões, e pelo Piauí, com 7,58 milhões de toneladas.

Somente a soja deve alcançar 25,4 milhões de toneladas nos quatro Estados, o equivalente a aproximadamente 14% da produção brasileira da oleaginosa. O resultado consolida o Matopiba como fornecedor relevante para as indústrias de óleo, farelo, rações, carnes e biocombustíveis.

Leia Também:  Bolsa da China atinge maior nível em uma década com alta nos setores de chips e ouro após feriado

O avanço da produtividade, porém, não significa que os benefícios econômicos sejam distribuídos automaticamente. A mecanização reduz a necessidade de algumas tarefas manuais, ao mesmo tempo que amplia a procura por operadores de máquinas, técnicos agrícolas, engenheiros agrônomos, mecânicos e profissionais de tecnologia e logística.

Sem capacitação local, parte dessas vagas pode ser preenchida por trabalhadores vindos de outras regiões. O aumento da riqueza também depende da capacidade dos municípios de converter maior arrecadação em educação, saúde, saneamento e infraestrutura.

Outro desafio é evitar que o Matopiba permaneça apenas como fornecedor de produtos primários. A instalação de esmagadoras de soja, fábricas de rações, frigoríficos, usinas de biocombustíveis e indústrias de alimentos permitiria agregar valor à produção e manter uma parcela maior da renda na própria região.

O crescimento também aumenta a pressão sobre estradas, ferrovias, armazéns e terminais de exportação. Sem infraestrutura compatível, parte do ganho obtido dentro das propriedades pode ser perdida com fretes elevados, filas e demora no escoamento.

Há ainda o desafio de conciliar a expansão produtiva com a conservação do Cerrado, a regularização fundiária e a inclusão da agricultura familiar. A competitividade futura da região dependerá não apenas do volume produzido, mas também da capacidade de comprovar a origem e a sustentabilidade dos produtos.

O estudo mostra que a produtividade brasileira começou a mudar de endereço. O Matopiba já produz mais por trabalhador e movimenta uma cadeia econômica cada vez maior. O próximo passo será transformar essa eficiência em indústria, empregos qualificados e melhoria permanente da renda da população.

Fonte: Pensar Agro

Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA