AGRONEGÓCIO

Lucro da ADM supera estimativas com boas margens de etanol e exportações brasileiras

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A Archer-Daniels-Midland Co, comerciante global de grãos, superou as expectativas de Wall Street para o seu lucro do terceiro trimestre, devido às boas margens de etanol e adoçantes e às fortes exportações de grãos brasileiros, embora os resultados tenham sido menores em relação ao ano anterior.

A ADM, sediada em Chicago, disse nesta terça-feira (24) que estava elevando sua perspectiva de lucros para o ano inteiro, após três primeiros trimestres do ano fortes e um ambiente de mercado favorável.

A ADM capitalizou a boa demanda por alimentos, ração animal e biocombustível, ao passo que as safras recordes de milho e soja no Brasil compensaram a redução dos suprimentos da Argentina, atingida pela seca, e da Ucrânia, devastada pela guerra. A empresa ganha dinheiro com o processamento, o comércio e o transporte de safras em todo o mundo.

A empresa registrou um lucro ajustado de US$ 1,63 por ação nos três meses encerrados em 30 de setembro, acima da estimativa média dos analistas de US$ 1,52 por ação, mas abaixo do US$ 1,86 por ação registrados no forte terceiro trimestre do ano passado, de acordo com dados da LSEG.

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A unidade de Serviços Agrícolas e Sementes Oleaginosas da ADM, a maior da empresa em termos de receita, registrou uma queda de 21% no lucro operacional, uma vez que um aumento nas exportações de safras da América do Sul reduziu a demanda por suprimentos dos Estados Unidos, onde se concentra a maior parte das operações da empresa.

Os resultados mais baixos do esmagamento de sementes oleaginosas em relação ao ano anterior também afetaram o lucro.

Os resultados nitidamente inferiores da Wilmar International, listada em Cingapura, pressionaram o subsegmento de sementes oleaginosas da ADM.

A ADM detém uma participação acionária de 22,5% na Wilmar e é parceira de uma joint venture com a Wilmar na produtora de óleos vegetais Olenex.

As sólidas margens de etanol, adoçantes e amidos impulsionaram o segmento de Soluções em Carboidratos da ADM, que registrou um salto de 49% no lucro operacional.

O segmento de Nutrição da ADM apresentou resultados mais baixos, devido à fraca demanda por alternativas à proteína da carne e ao tempo de inatividade não planejado em uma grande unidade de processamento de soja, após um acidente em setembro.

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As ações da ADM subiram 0,8% nas negociações do pré-mercado.

Fonte: Forbes Brasil

Fonte: Portal do Agronegócio

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Uso de satélite para barrar crédito rural gera novo debate no setor

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A nova regra que condiciona o acesso ao crédito rural ao monitoramento ambiental por satélite abriu uma frente de tensão entre produtores, Congresso e governo federal. Desde 1º de abril, bancos que operam recursos do Plano Safra passaram a consultar automaticamente dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes) antes da liberação dos financiamentos agropecuários.

O centro da discussão está nos chamados “falsos positivos”, situações em que alterações na cobertura vegetal identificadas pelo sistema acabam sendo interpretadas como desmatamento irregular, mesmo quando decorrem de atividades produtivas permitidas ou manejos regulares dentro da propriedade.

Segundo a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), produtores vêm relatando dificuldades para acessar crédito em casos envolvendo limpeza de pastagem, manejo agrícola, renovação de áreas produtivas e até colheita de florestas plantadas, como eucalipto.

A preocupação do setor é que o sistema utilizado para monitoramento identifica mudanças na vegetação, mas não consegue, sozinho, diferenciar imediatamente uma atividade legal de um desmatamento irregular.

Com isso, o bloqueio ao crédito pode ocorrer antes mesmo de qualquer análise individualizada do caso. Isso inverte o ônus da prova e  obriga o produtor a comprovar posteriormente que a alteração apontada pelo satélite não configura infração ambiental. O processo pode envolver laudos técnicos, documentos fundiários, análises ambientais e procedimentos administrativos que levam semanas ou meses.

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O problema ganha peso porque o crédito rural continua sendo peça central do financiamento agropecuário brasileiro, especialmente em um momento de juros elevados, aumento do endividamento e custos ainda pressionados.

Dados citados pela consultoria Datagro mostram que mais de 5,4 milhões de apontamentos positivos estavam registrados no sistema Prodes até outubro de 2025. Parte dessas ocorrências, segundo o setor, pode estar associada justamente a interpretações equivocadas do monitoramento remoto.

As novas exigências estão previstas nas Resoluções nº 5.193/2024 e nº 5.268/2025, do Conselho Monetário Nacional (CMN), dentro do processo de endurecimento das regras ambientais para concessão de crédito rural.

A justificativa oficial é impedir que propriedades com irregularidades ambientais tenham acesso a recursos públicos subsidiados.

O avanço das restrições provocou reação imediata no Congresso Nacional. Parlamentares ligados à Frente Parlamentar da Agropecuária protocolaram projetos para suspender os efeitos das resoluções até que sejam criados mecanismos considerados mais precisos de validação ambiental.

As propostas também tentam impedir embargos automáticos baseados exclusivamente em imagens de satélite e estabelecer critérios técnicos mais claros para restrições ao financiamento rural.

Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende (foto), o principal problema está na automatização do processo sem análise técnica prévia. “O monitoramento ambiental é necessário e irreversível. O problema começa quando um apontamento preliminar feito por satélite passa a produzir efeito imediato sobre o crédito sem uma verificação individualizada da situação da propriedade”, afirma.

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Segundo Rezende, a insegurança aumenta porque o produtor depende do financiamento para manter o calendário agrícola e não consegue esperar meses por uma solução administrativa. “O crédito rural não financia apenas expansão. Ele financia custeio, compra de insumos, operação da safra e fluxo de caixa da propriedade. Quando o recurso trava por causa de um possível falso positivo, o impacto econômico acontece imediatamente dentro da porteira”, diz.

Ele avalia que o avanço das exigências ambientais tende a se intensificar nos próximos anos, principalmente pela pressão de bancos, mercados importadores e sistemas internacionais de rastreabilidade.

“A questão ambiental passou a fazer parte da análise de risco do crédito rural. Isso já não é mais uma discussão apenas regulatória. O produtor vai precisar cada vez mais de documentação organizada, regularidade ambiental e segurança jurídica para acessar financiamento e mercado”, afirma.

O episódio evidencia uma mudança estrutural no agro brasileiro. Critérios ambientais deixaram de afetar apenas fiscalização e passaram a interferir diretamente na capacidade de financiar produção, renegociar dívidas e manter competitividade no mercado internacional.

Fonte: Pensar Agro

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