AGRONEGÓCIO
JBS lança curso para mulheres produtoras de aves e suínos sobre empreendedorismo no agronegócio
Publicado em
13 de dezembro de 2023por
Da RedaçãoA JBS, uma das maiores empresas de alimentos do mundo, lançou no Rio Grande do Sul a primeira edição do Programa Mulheres SuperAgro, um curso de empreendedorismo para o agronegócio realizado em parceria com o Sebrae e com a Ourofino Saúde Animal. A iniciativa pioneira tem como principais objetivos oferecer ferramentas de gestão, incentivar o autoconhecimento e empoderar as produtoras integradas de aves e suínos que fazem parte da cadeia de abastecimento da Seara.
A primeira edição do projeto está promovendo a capacitação de 30 produtoras integradas da Seara que atuam em negócios agrícolas familiares nas cidades gaúchas de Trindade do Sul, Passo Fundo, Montenegro e Seberi. O programa terá duração de nove meses, até maio de 2024, e é organizado em quatro eixos temáticos: autoconhecimento, sustentabilidade, empreendedorismo e capacitação técnica. Para cada pilar, foram elaborados módulos com conteúdos específicos, totalizando 10 aulas, presenciais e à distância. As aulas in loco estão sendo realizadas em Passo Fundo (RS).
A primeira aula do programa, realizada em setembro, foi focada em conteúdos voltados para o autoconhecimento das mulheres produtoras, nos quais elas receberam informações de como identificar o perfil de cada uma e extrair a sua melhor versão em benefício dos seus empreendimentos. Já no segundo encontro, os temas abordados incluíam ferramentas de ESG, com foco na gestão nos âmbitos social, ambiental e econômico dos negócios.
O terceiro encontro, aconteceu no dia 30 de novembro, e contou com a presença de Joanita Maestri Karoleski, presidente do Conselho de Administração do Fundo JBS pela Amazônia e ex-presidente da Seara, que comandou um painel sobre liderança feminina e ferramentas de gestão. Outra convidada especial foi a produtora Luciana Dalmagro, diretora de Avicultura da Fazenda Alta Conquista e vencedora do Prêmio Mulheres do Agro em 2022.
O diretor-executivo de Agropecuária da Seara, José Ribas Junior, também esteve presente e abordou a importância do projeto para a Seara, iniciativa que vai ao encontro dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU). “A Seara tem muito orgulho da sua plataforma SuperAgro, e agora a gente está dando um passo adiante com esse importante projeto”, afirma o executivo.
Liderança feminina
O aumento da presença feminina em posições de liderança no agronegócio é evidenciado por números recentes. De acordo com os últimos censos no setor realizados pelo IBGE em 2006 e 2017, a liderança feminina aumentou 13% em um período de 11 anos. Indo ao encontro deste dado, a Seara aplica uma pesquisa anual para levantar o índice anual de sustentabilidade entre os produtores integrados da empresa. No último ano, o levantamento apontou que 41% das propriedades já são gerenciadas ou lideradas por mulheres.
As 30 participantes da primeira edição foram convidadas pela Seara com base nos seguintes critérios: atuar nos segmentos de suinocultura ou avicultura e exercer um cargo de liderança na propriedade. A produtora Aline Bordin é um bom exemplo desta mudança no perfil do agronegócio brasileiro. Uma das participantes do novo programa, Bordin gerencia há 8 anos o negócio criado pelo seu pai, fundado em 2000, e comenta que o projeto está superando em muito a expectativa inicial que ela tinha quando foi convidada a participar.
“Os encontros estão sendo maravilhosos. Os conteúdos são excelentes e conseguimos realmente aplicá-los na prática da gestão do nosso negócio. Estamos recebemos ferramentas que nos auxiliam a melhorar todos os nossos processos”, destaca Aline. A família Bordin atualmente conta com quatro aviários que produzem matrizes de ovos para a produção de aves, localizados no município de Estação (RS).
O empoderamento e representatividade feminina também se fazem presentes nos módulos do programa. Aline complementa que as palestrantes, além de importante fontes de conhecimento, são mulheres inspiradoras. “Elas nos passam muita informação, confiança e são verdadeiros exemplos em quem podemos nos espelhar para buscar nosso crescimento pessoal e profissional. Em suas palestras elas realmente nos mostram o caminho para sermos a nossa melhor versão”, finalizou a produtora.
A especialista de Sustentabilidade da Seara, Pauline Bellaver, explica que o propósito do Mulheres SuperAgro é abordar questões que influenciam na administração das propriedades no dia a dia, como rotinha de trabalho, gestão de funcionários, questões tributárias e jurídicas e bem-estar animal. “O programa foi cuidadosamente elaborado para oferecer suporte e ferramentas para que elas desenvolvam ainda mais os negócios de suas famílias, de forma cada mais sustentável e ampliando a qualidade e bem-estar que a JBS promove entre seus produtores integradas”, afirmou.
O Programa Mulheres SuperAgro é gratuito para os participantes e faz parte de um conjunto de ações do SuperAgro, projeto de relacionamento com os integrados desenvolvido pela Seara. Para 2024, a expectativa da área de Sustentabilidade da Seara é levar a iniciativa para outras regiões do País onde o negócio tem operações.
“A liderança feminina dentro no agro já é uma realidade e, mais do que isso, as mulheres vêm conquistando posições de destaque na gestão das cadeias, com algumas propriedades tendo os melhores indicadores de eficiência da produção. O Programa Mulheres SuperAgro vem para consolidar isso e disponibilizar mais ferramentas às lideranças femininas para que a gente possa seguir essa jornada, no qual todos têm espaço de cumprir o seu papel para transformar o agro da Seara no melhor agro do mundo”, afirma Ribas.
Fonte: JBS
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Pesquisas preparam agro para mercado de carbono que já gera R$ 556 bilhões por ano
Published
13 horas agoon
28 de setembro de 2026By
Da Redação
Pesquisas realizadas por universidades e pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) começam a dimensionar quanto o campo brasileiro pode reduzir de emissões e retirar de carbono da atmosfera por meio da recuperação de pastagens, do plantio direto, da rotação de culturas, dos sistemas integrados e do uso de microrganismos. Além do efeito ambiental, os resultados ajudam a construir as bases técnicas para a futura participação dos produtores no mercado de carbono.
As pesquisas ganham cada vez mais importância, dado o tamanho crescente do mercado mundial de carbono. Segundo o Banco Mundial, os sistemas de precificação de carbono geraram mais de R$ 556 bilhões em receitas públicas no mundo em 2025, considerando a conversão pela Ptax mais recente. O resultado reúne a arrecadação com impostos sobre emissões e sistemas regulados de comércio de carbono. Atualmente, 87 instrumentos desse tipo estão em funcionamento e alcançam pouco mais de 29% das emissões globais de gases de efeito estufa.
Uma dessas pesquisas reuniu cientistas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), da Embrapa Agricultura Digital e da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). O estudo conjunto, publicado em 2026 na revista científica Nature Communications, estimou que a conversão de áreas naturais para uso agropecuário retirou aproximadamente 1,4 bilhão de toneladas de carbono dos solos brasileiros.
O volume equivale a cerca de 5,2 bilhões de toneladas de dióxido de carbono. A estimativa foi calculada com base em 4.290 registros reunidos por 372 estudos realizados ao longo de três décadas, com informações dos seis biomas brasileiros.
Os pesquisadores chamam essa diferença de “dívida de carbono”: o espaço existente entre o estoque encontrado na vegetação nativa e o mantido atualmente nas áreas produtivas. Isso não significa que todo o volume possa ser recuperado, mas indica que o manejo pode devolver ao solo parte da matéria orgânica perdida.
Os resultados variam conforme o bioma e o sistema produtivo. No Cerrado, a substituição da monocultura por sistemas integrados apresentou potencial teórico de elevar em 15,3% o estoque de carbono no solo. Na Amazônia, a adoção da rotação ou do consórcio de culturas pode proporcionar incremento de 14,1%.
Parte desse potencial já foi observada em experimentos de campo. Em Sinop, no norte de Mato Grosso, a Embrapa Agrossilvipastoril e o Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo (Cena-USP) acompanharam durante quatro anos diferentes combinações de lavoura, pecuária e floresta.
Ao final do período, todos os sistemas avaliados apresentaram remoção de carbono superior às emissões contabilizadas. O melhor resultado foi registrado na integração pecuária-floresta, com saldo de 51,3 toneladas de dióxido de carbono equivalente por hectare. Na integração lavoura-pecuária-floresta, a diferença chegou a 39,5 toneladas por hectare.
Os valores correspondem ao resultado acumulado nos quatro anos, e não a uma taxa anual. As árvores armazenaram carbono nos troncos, galhos e raízes, enquanto as pastagens bem manejadas contribuíram para ampliar a matéria orgânica do solo. O aumento da produtividade também reduziu a emissão calculada por quilo de carne produzido.
Outro acompanhamento da Embrapa foi realizado na Fazenda Santa Brígida, em Ipameri, Goiás. A propriedade começou a adotar sistemas integrados em áreas de pastagens degradadas em 2006, combinando plantio direto, rotação de culturas, braquiária, milho, soja, pecuária e árvores.
Nos primeiros seis anos, o teor de matéria orgânica na camada de até 20 centímetros do solo passou de 1,8% para 2,8%. O aumento correspondeu à incorporação de mais de 11 toneladas de carbono orgânico por hectare.
O resultado ambiental ocorreu junto com o aumento da produção. A produtividade do milho saiu de aproximadamente 80 para 180 sacas por hectare, enquanto a produção de carne passou de duas para até 16 arrobas por hectare. O caso mostra que a recuperação do solo e o aumento do estoque de carbono podem acompanhar a elevação da produtividade.
Na pecuária, a Embrapa Gado de Corte desenvolveu os protocolos Carne Carbono Neutro e Carne Baixo Carbono. O primeiro utiliza árvores plantadas em sistemas integrados para compensar o metano liberado pelos bovinos durante a digestão.
Experimentos indicaram que cerca de 200 árvores em crescimento por hectare podem armazenar carbono suficiente para neutralizar as emissões anuais de metano entérico de 11 bovinos adultos. Isso não significa, porém, que toda a propriedade seja automaticamente neutra. A conta completa precisa incluir fertilizantes, combustível, energia, manejo do solo e todas as demais fontes relevantes de gases de efeito estufa.
Nas lavouras, outra frente de pesquisa utiliza microrganismos para reduzir a dependência de fertilizantes nitrogenados. A fixação biológica de nitrogênio, desenvolvida e aperfeiçoada no país por instituições como a Embrapa Agrobiologia e a Embrapa Soja, permite que bactérias associadas às raízes forneçam às plantas o nutriente retirado do ar.
Na soja, essa tecnologia praticamente elimina a necessidade de aplicação de nitrogênio mineral. A Embrapa estima que a substituição do fertilizante pela ação das bactérias evite a emissão de aproximadamente 12 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente por ano. A redução ocorre tanto na fabricação e no transporte do insumo quanto pela menor liberação de óxido nitroso no solo.
Essas medições ganham importância com o avanço dos mercados de carbono. Nesse sistema, cada crédito representa, em regra, uma tonelada de dióxido de carbono equivalente que deixou de ser emitida ou foi removida da atmosfera. O ativo pode ser comprado por empresas que precisam cumprir obrigações legais ou que assumiram voluntariamente metas de redução.
O mercado mundial está dividido entre sistemas regulados, nos quais governos estabelecem limites de emissão, e mercados voluntários, formados por negociações realizadas sem obrigação legal. Em 2026, o Banco Mundial contabilizou 87 políticas de precificação de carbono em funcionamento, sete a mais do que no ano anterior. Esses instrumentos alcançavam pouco mais de 29% das emissões globais de gases de efeito estufa.
A quantidade de créditos emitidos no mundo cresceu 8% entre 2024 e 2025, mas os preços médios recuaram. Projetos considerados mais confiáveis, com metodologias robustas e maior segurança sobre a permanência do carbono, continuaram recebendo valores superiores. Isso mostra que não basta afirmar que uma propriedade captura carbono: é necessário provar o resultado.
No Brasil, o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE) foi criado pela Lei nº 15.042, de 2024. A produção agropecuária primária e a infraestrutura diretamente associada aos imóveis rurais ficaram fora das obrigações impostas pelo mercado regulado.
A exclusão impede que o produtor seja obrigado a entregar cotas por causa das emissões da atividade primária, mas não o afasta das oportunidades econômicas. Projetos rurais poderão gerar créditos de carbono e, quando atenderem aos critérios oficiais, Certificados de Redução ou Remoção Verificada de Emissões, conhecidos pela sigla CRVE.
Para isso, será necessário adotar uma metodologia reconhecida, estabelecer quanto carbono havia antes do projeto, medir a redução ou a remoção obtida, demonstrar que o resultado não ocorreria sem a iniciativa e passar por verificação independente. Também será preciso garantir que o mesmo benefício ambiental não seja vendido ou contabilizado duas vezes.
O mercado regulado brasileiro ainda está em implantação. A proposta apresentada em 2026 prevê o início gradual do monitoramento, relato e verificação das emissões a partir de 2027, inicialmente em setores industriais e no transporte aéreo. As metodologias aceitas para transformar reduções e remoções em certificados oficiais ainda dependem de regulamentação.
Esse processo explica por que a pesquisa será determinante para a entrada do agro no mercado. Resultados obtidos em uma propriedade não podem ser transferidos automaticamente para outra, mesmo quando os sistemas produtivos parecem semelhantes. O estoque de carbono muda conforme o tipo de solo, o clima, a cultura, a profundidade analisada e o histórico de manejo.
Também é necessário diferenciar estoque, remoção e emissão evitada. Encontrar carbono em uma camada profunda do solo não demonstra, isoladamente, que ele tenha sido retirado da atmosfera pelo manejo atual. A comprovação exige uma linha de base, repetição das coletas ao longo dos anos e o desconto de todas as fontes relevantes de emissão.
A pesquisa brasileira avança justamente nessa direção. O objetivo não é apenas mostrar que o solo, as árvores e os microrganismos armazenam carbono, mas calcular quanto permanece, por quanto tempo e sob quais condições. Quanto mais confiável for essa medição, maior será a possibilidade de transformar o benefício ambiental em produtividade, acesso a mercados e renda adicional para o produtor.
Fonte: Pensar Agro
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