AGRONEGÓCIO

Jaíba avança: Governo de Minas entrega obras, títulos de regularização de terra e doa terrenos no maior perímetro irrigado da América Latina

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O maior perímetro irrigado da América do Sul e o segundo do mundo em área contínua, localizado no Norte de Minas, recebeu um pacote de entregas do Governo do Estado nesta quinta-feira (16/11). O término das obras para a contenção de vazamentos no canal principal, com investimento de R$ 4,15 milhões, e as cessões da CentralJai e de espaços pertencentes ao Executivo Estadual para a Prefeitura Municipal de Jaíba, além de entregas de títulos de regularização fundiária rural e urbana, estiveram na ordem do dia.

Com 29 mil hectares de área plantada, o Projeto Jaíba produz 1,6 milhão de toneladas de produtos agrícolas por ano, entre frutas, olerícolas, feijão, feno e cana-de-açúcar, e gera 32,8 mil empregos. A produção abastece com alimentos os mercados interno e externo e também serve de matéria-prima para o etanol.

Obras no canal

O principal canal do Projeto Jaíba, denominado CP3, situa-se na Etapa II, que compreende uma área irrigada de 19 mil hectares. Os reparos foram realizados em um trecho de 310 metros de extensão e seis de profundidade, com o objetivo de conter vazamentos que poderiam comprometer o abastecimento de água de 38 mil habitantes na sede do município de Jaíba e a produtividade das áreas irrigadas. O resultado atendeu plenamente às expectativas, corrigindo os vazamentos.

“Conseguimos concluir uma demanda solicitada desde 2019, que são as obras do canal CP3. Ele possui 32 km, abastece a cidade e traz água para irrigar esse grande projeto, fundamental para Minas Gerais e para o mundo. Fizemos uma retificação no canal com tecnologia avançada, utilizando mergulhadores. Um investimento importante do Governo de Minas, que contribui para fortalecer o agronegócio no estado”, destacou o secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Thales Fernandes.

Para não interromper o fluxo da água, as obras foram realizadas com maquinários e mergulhadores especializados, que cobriram o canal com uma espécie de manta. O trabalho teve início em março deste ano e garantiu a segurança necessária para que empresários do agro continuem investindo na região, gerando renda e empregos no Norte de Minas.

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CentralJai

A Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) oficializou também a doação da Central de Associações dos Produtores Rurais do Projeto Jaíba (CentralJai) ao Poder Público Municipal. Os espaços, que somam 18 hectares, pertenciam à extinta Fundação Rural Mineira (Ruralminas). Para ocorrer, a cessão passou anteriormente pelos trâmites legais de autorização legislativa.

“Temos aqui um patrimônio imenso. A estrutura que possuímos na Central é algo que poucos empresários têm no país e pertence ao povo de Jaíba. A Prefeitura assume esse empreendimento por meio de parcerias para que possamos desempenhar a devida função, que é apoiar o pequeno produtor da agricultura familiar”, afirmou o prefeito Reginaldo Silva.

A CentralJai é composta por unidades de beneficiamento, processamento e armazenamento da produção no Perímetro de Irrigação, em grande parte fruto da agricultura familiar e destinada a mercados institucionais, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

“Essa entrega é importante porque a Prefeitura Municipal terá mais condições de desfrutar e gerir esses espaços, melhor atendendo aos produtores. Um exemplo é a celebração de convênio com o Sesc, para o Programa Mesa Brasil, que facilita a comercialização”, explicou o subsecretário de Agricultura Familiar e Desenvolvimento Rural Sustentável da Seapa, Ricardo Peres Demicheli.

A estrutura para comercialização e apoio ao produtor rural da Central conta ainda com o Banco de Alimentos, que opera dentro do Projeto Jaíba. Segundo o balanço de 2023 até o momento, 11 municípios da região já foram beneficiados com a doação de 68.192 kg de produtos vegetais. As aquisições contemplaram cinco associações de produtores e três cooperativas, totalizando um valor aproximado de R$1,3 milhão.

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Doação de terrenos

Além da transferência da CentralJai ao município de Jaíba, a Secretaria de Agricultura oficializou a doação de 24,8 hectares da extinta Ruralminas ao Executivo Municipal. A cessão foi igualmente aprovada pelo Poder Legislativo do estado.

Estrategicamente situada, a área servirá à implantação de órgãos administrativos do Projeto Jaíba, estruturas educacionais e habitacionais, em benefício de toda a população local.

Títulos de terras

A quinta-feira (16/11) também foi marcada pela entrega simbólica do milésimo título de regularização fundiária rural e urbana no município de Jaíba, pelo Governo de Minas, em quatro anos. A solenidade aconteceu na Câmara Municipal.

O Programa Estadual de Regularização Fundiária foi retomado na cidade em 2020, após um acordo entre o Tribunal de Justiça de Minas Gerais, a Advocacia-Geral do Estado e a Secretaria de Agricultura. Antes disso, esteve paralisado desde a extinção da Ruralminas, em 2016.

“Alcançamos uma marca importante ao entregar o título de número mil. Esse documento proporciona dignidade às pessoas, que agora se tornam proprietárias de suas terras, garantindo tranquilidade. Este é um programa do Estado que tem obtido resultados fantásticos”, destacou o secretário Thales Fernandes.

Com a segurança jurídica da propriedade da terra, os cidadãos passam a ter acesso a políticas públicas e programas institucionais, como às diversas linhas do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), no caso dos agricultores familiares.

O produtor de bananas Ailsson Mendes Ramos, de 47 anos, esperava pelo título de suas terras desde 2012. “A primeira coisa que muda é a dignidade, eu ser o dono. Mas também ter acesso a documentos, acessar crédito, tudo isso vai facilitar minha atividade”, avalia.

Fonte: SEAPA MG – Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Comissão da Câmara aprova “escudo” para responder a barreiras ambientais

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A Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara dos Deputados aprovou, na última quarta-feira (1º), o parecer ao Projeto de Lei 3.838/2024, de autoria da deputada Rúbia Fernanda Díniz Robson Santos de Siqueira (integrante da Frente Parlamentar Agropecuária – FPA), conhecida publicamente como Coronel Fernanda. A proposta estabelece instrumentos legais para que o Brasil possa reagir de forma institucional a medidas ambientais unilaterais impostas por outros países ou blocos econômicos que prejudiquem a competitividade da produção nacional.

O projeto tem endereço certo: a crescente onda de normas ambientais externas, como o Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR), que na prática restringem a entrada de produtos brasileiros baseando-se em critérios definidos unilateralmente pelo bloco europeu.

O que o projeto muda para o produtor

Até hoje, quando um mercado consumidor impõe uma regra nova — como a exigência de rastreabilidade ou restrições de uso do solo que não fazem parte da legislação brasileira —, o setor produtivo nacional sofre o impacto direto no preço e na burocracia, enquanto o Estado brasileiro muitas vezes carece de um instrumento legal claro para responder na mesma moeda.

Caso este projeto se torne lei, o governo ganharia respaldo jurídico para utilizar o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) e a Lei da Reciprocidade Econômica como ferramentas de defesa comercial. Se um país bloqueia ou dificulta a entrada de grãos ou carne brasileira sob alegações ambientais que não possuem amparo no consenso internacional, o Brasil terá base legal para, por exemplo, exigir critérios equivalentes nas importações vindas desses mesmos mercados ou estabelecer medidas de compensação.

Exemplos práticos e a “Moratória”

O setor produtivo tem no radar casos como a chamada Moratória da Soja — um acordo privado, mas com forte influência de mercado, que restringe a comercialização de soja cultivada em áreas desmatadas no bioma Amazônico, mesmo que a lei brasileira permita o desmatamento legal em determinada percentagem da propriedade.

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A lei proposta por Fernanda Curti não anula acordos privados, mas cria um “escudo” para quando essas pressões se tornam políticas de Estado ou de blocos econômicos. O objetivo é evitar que o produtor rural seja submetido a um regime de “dupla penalidade”: cumprir o Código Florestal brasileiro e, ainda assim, ser punido por regras de terceiros que ignoram o sistema legal do país.

Segurança jurídica

A alteração no texto, que alinha a proposta ao marco legal de carbono já vigente no Brasil, busca garantir que a reação não seja apenas uma resposta diplomática, mas uma medida amparada pelo ordenamento jurídico nacional.

A ideia é transformar a “reciprocidade” — princípio básico do comércio internacional — em uma regra clara: se o mercado europeu ou norte-americano quer regular a produção brasileira via exigências ambientais, o Brasil se reserva o direito de auditar e exigir critérios de sustentabilidade e reciprocidade dos produtos que esses países nos enviam.

Para o produtor rural, a medida representa uma tentativa de equilibrar a balança. O projeto de lei, agora, segue para a análise do Plenário da Câmara, onde passará por novas discussões sobre a aplicação prática desse mecanismo de defesa frente às pressões dos mercados globais.

Na opinião do presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Engenheiro Agrônomo Isan Rezende (foto), a medida não é apenas uma questão de defesa comercial, mas de garantia da soberania nacional sobre a produção rural.

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“O que temos visto nos últimos anos é uma tentativa clara de países e blocos econômicos de exportarem suas próprias legislações para dentro do território brasileiro, ignorando o rigor do nosso Código Florestal e ferindo a nossa soberania. O produtor rural brasileiro não pode continuar refém de um protecionismo verde disfarçado de preocupação climática, que muda as regras comerciais unilateralmente apenas para minar a competitividade do nosso agronegócio lá fora”, avalia o presidente do IA.

“A aprovação deste projeto de lei deve trazer um equilíbrio indispensável para a balança comercial. Ao institucionalizarmos a reciprocidade, o Brasil abandona uma postura passiva e ganha um instrumento jurídico robusto para negociar de igual para igual. A mensagem passa a ser clara: se impuserem critérios que extrapolam acordos internacionais às nossas commodities, nós também aplicaremos exigências equivalentes aos produtos importados. Não se trata de revanchismo, mas de garantir um comércio justo e frear os abusos”, avalia Rezende.

“Para quem está na ponta, operando a fazenda, essa medida significa paz de espírito e segurança jurídica. O produtor que preserva suas áreas, respeita as leis ambientais brasileiras e produz com excelência precisa ter a garantia de que o Estado o defenderá de sanções externas injustas ou moratórias arbitrárias. Esse escudo legal mostra ao mercado global que o Brasil tem plena consciência do seu tamanho como potência agrícola e ambiental, e que não aceitaremos imposições que prejudiquem quem trabalha dentro da legalidade”, completou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

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