AGRONEGÓCIO
Irrigação por Gotejamento: Solução para Enfrentar a Seca e Garantir a Produção de Café
Publicado em
11 de dezembro de 2024por
Da Redação
O Brasil, maior produtor mundial de café há mais de 150 anos, enfrenta desafios climáticos que impactam diretamente a produção do grão, especialmente em Minas Gerais, onde as secas severas têm ameaçado a atividade. De acordo com o Diagnóstico Climático do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), a falta de chuvas no estado tem sido a mais grave em seis décadas. A estação chuvosa, que normalmente ocorre entre outubro e março, tem sido afetada pelo aumento global das temperaturas e pelas mudanças no ciclo hidrológico, o que tem reduzido a precipitação de forma alarmante.
“Em algumas áreas de Minas, a precipitação tem ficado até 50% abaixo dos níveis normais. O café, assim como outras culturas, depende de uma quantidade significativa de água para seu desenvolvimento e para manter a qualidade da produção”, afirma Eduardo Botelho, CEO da Gota Azul Irrigação, que atua em parceria com a multinacional israelense Rivulis na região. A redução na oferta de água ameaça não apenas a produção nacional, mas também pode impactar o abastecimento global, dada a importância do Brasil na cadeia produtiva do café, responsável por um terço da produção mundial.
Tecnologia de Irrigação por Gotejamento Aumenta a Produtividade
Em resposta à seca, a Rivulis, especializada em soluções de microirrigação, e a Gota Azul têm se empenhado em oferecer alternativas para os cafeicultores, especialmente os do Sul de Minas Gerais, uma das regiões mais afetadas. O sistema de irrigação por gotejamento é uma das tecnologias adotadas, proporcionando um aumento significativo na produtividade do café, que pode passar de 1.740 kg para 2.700 kg por hectare — um incremento de 55%.
“A seca pode comprometer o estágio de floração do cafeeiro, prejudicando o pegamento da florada e reduzindo a produtividade. A irrigação por gotejamento ajuda a mitigar esse impacto, garantindo que as plantas recebam a quantidade adequada de água durante esse período crítico”, explica Botelho.
Além disso, a irrigação por gotejamento permite a fertirrigação, prática que aplica fertilizantes solúveis na água, otimizando a nutrição das plantas de forma eficiente e econômica. Leandro Lance, diretor de vendas da Rivulis, destaca que a tecnologia não só maximiza o uso da água, mas também melhora a qualidade do café e aumenta a produtividade. “A irrigação sustentável que oferecemos aos cafeicultores do Sul de Minas tem impacto direto na qualidade e no rendimento da produção”, afirma Lance, ressaltando o suporte técnico local oferecido pelos revendedores parceiros da Rivulis.
Benefícios para a Produção de Cafés Especiais
A produção de cafés especiais, característica marcante de Minas Gerais, também se beneficia dessas inovações. O estado é o maior produtor nacional de cafés arábica, um grão de alta qualidade, reconhecido por sua suavidade e complexidade de sabor. A utilização de tecnologias de irrigação avançadas tem permitido que os produtores mantenham a qualidade dos cafés, mesmo em face das dificuldades climáticas.
“Cafés especiais podem ter um valor de mercado até 50% superior ao café de tipo commodity. Isso torna ainda mais urgente a adoção de soluções de irrigação que garantam não só a produtividade, mas também a excelência na qualidade do grão”, afirma Lance.
Sistemas de Irrigação Adaptados a Condições Adversas
Entre os produtos da Rivulis disponíveis aos produtores por meio da Gota Azul, destacam-se os filtros de areia e os tubos gotejadores D5000 PC, que são especialmente indicados para solos secos, terrenos inclinados ou áreas com água de menor qualidade. “Esses sistemas têm um mecanismo de compensação de pressão, garantindo uma irrigação uniforme, mesmo em terrenos desafiadores”, explica Botelho.
Com o apoio da multinacional Rivulis, os cafeicultores de Minas Gerais têm à disposição soluções de última geração que não apenas aumentam a produtividade, mas também asseguram a sustentabilidade das operações a longo prazo. “Investir em sistemas de irrigação eficientes é essencial para garantir a resiliência da cafeicultura e a competitividade do Brasil no mercado global”, conclui Botelho.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Bioinsumos ganham protagonismo diante da dependência de fertilizantes importados e reforçam soberania do agro brasileiro
Published
1 hora agoon
7 de julho de 2026By
Da Redação
A elevada dependência do Brasil de fertilizantes importados voltou ao centro das discussões sobre a competitividade e a segurança do agronegócio nacional. Em um cenário marcado pela alta dos preços internacionais, restrições logísticas e instabilidade geopolítica, os bioinsumos ganham espaço como uma alternativa estratégica para aumentar a eficiência das lavouras e reduzir a vulnerabilidade do setor.
Atualmente, cerca de 88% dos fertilizantes utilizados no país são importados, sobretudo de regiões sujeitas a conflitos e oscilações no comércio internacional. Diante desse contexto, a Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos (ANPII Bio) defende a ampliação do uso de tecnologias biológicas como complemento à adubação mineral e instrumento para fortalecer a soberania produtiva brasileira.
Crise logística pressiona custos dos fertilizantes
A preocupação do setor aumentou após as recentes restrições ao tráfego no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o comércio global de fertilizantes. O corredor concentra aproximadamente um terço do fluxo mundial desses insumos e passou a enfrentar novas dificuldades logísticas, agravando um cenário que já vinha sendo impactado pelos reflexos da guerra entre Rússia e Ucrânia.
Mesmo com expectativa de normalização gradual das operações, especialistas avaliam que os efeitos sobre preços, oferta e fretes deverão continuar influenciando o mercado nos próximos meses.
Dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) mostram que, entre fevereiro e abril de 2026, o Brasil importou 4% menos fertilizantes, mas desembolsou 16% a mais pelo volume adquirido. No mesmo período, o fertilizante fosfatado MAP acumulou valorização de 20%.
Bioinsumos aumentam eficiência sem substituir fertilizantes minerais
Segundo o presidente da ANPII Bio, Thiago Delgado, os bioinsumos não eliminam a necessidade dos fertilizantes convencionais, mas desempenham papel importante ao elevar o aproveitamento dos nutrientes disponíveis no solo e reduzir parte da dependência externa.
“O Brasil possui elevada dependência de nitrogênio, fósforo e potássio importados. Os bioinsumos contribuem para aumentar a eficiência nutricional das plantas, oferecendo maior estabilidade de custos e fortalecendo a segurança agrícola”, afirma.
Para a entidade, enquanto projetos destinados à ampliação da produção nacional de fertilizantes minerais exigem investimentos elevados e longo prazo para maturação, as tecnologias biológicas já estão disponíveis comercialmente e podem ser adotadas imediatamente pelos produtores.
Mercado brasileiro lidera desenvolvimento de tecnologias biológicas
O Brasil ocupa posição de destaque no mercado mundial de bioinsumos. De acordo com a ANPII Bio, o setor movimenta mais de R$ 7 bilhões por safra, concentra aproximadamente metade do mercado latino-americano e figura entre os três maiores mercados globais da atividade.
Além disso, cerca de 85% dos bioinsumos comercializados no país são produzidos pela própria indústria nacional, consolidando o Brasil como uma das principais referências internacionais no desenvolvimento de soluções biológicas voltadas ao agronegócio tropical.
O segmento reúne atualmente mais de 200 empresas registradas no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e contabiliza mais de 1.500 produtos registrados, apresentando crescimento superior a 50% entre 2022 e 2025.
Fixação biológica de nitrogênio é exemplo de sucesso no campo
Entre as principais aplicações dos bioinsumos estão a fixação biológica de nitrogênio (FBN), a solubilização de fósforo e potássio, o estímulo ao desenvolvimento radicular e o aumento da absorção de água e nutrientes pelas plantas.
O caso mais consolidado é o da soja brasileira. Segundo a Embrapa, a utilização de bactérias do gênero Bradyrhizobium permite suprir biologicamente a necessidade de nitrogênio da cultura, reduzindo drasticamente os custos com fertilização.
Enquanto a adubação nitrogenada convencional pode atingir cerca de R$ 906 por hectare, a inoculação biológica apresenta custo próximo de R$ 8 por hectare, mantendo elevada eficiência produtiva.
Hoje, aproximadamente 90% das áreas cultivadas com soja no Brasil utilizam essa tecnologia, gerando economia estimada entre US$ 25 bilhões e US$ 40 bilhões por ano aos produtores.
Outro microrganismo amplamente empregado é o Azospirillum brasilense, associado ao fortalecimento do sistema radicular, maior absorção de nutrientes e aumento da tolerância das plantas aos estresses climáticos.
Reconhecimento internacional fortalece pesquisa brasileira
O avanço da pesquisa nacional em bioinsumos ganhou destaque internacional em 2025, quando a pesquisadora da Embrapa Mariangela Hungria recebeu o World Food Prize, considerado o “Nobel da Agricultura”, pelo desenvolvimento de tecnologias ligadas à fixação biológica de nitrogênio.
Para a ANPII Bio, o reconhecimento reforça o protagonismo do Brasil na construção de soluções capazes de aumentar a produtividade agrícola com menor dependência de fertilizantes minerais importados.
Marco legal impulsiona expansão do setor
Outro fator considerado decisivo para o crescimento do segmento é a Lei dos Bioinsumos (Lei nº 15.070/2024), que estabelece um marco regulatório para estimular a inovação, ampliar a produção nacional e acelerar a adoção dessas tecnologias no campo.
Segundo a entidade, a regulamentação da legislação deverá fortalecer ainda mais a competitividade da indústria brasileira de bioinsumos, criando condições favoráveis para novos investimentos em pesquisa, desenvolvimento e produção.
Na avaliação da ANPII Bio, os bioinsumos não devem ser vistos como substitutos dos fertilizantes minerais, mas como ferramentas complementares para tornar os sistemas produtivos mais eficientes, resilientes e menos vulneráveis às oscilações do mercado internacional, contribuindo para a segurança alimentar e a competitividade do agronegócio brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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