AGRONEGÓCIO
Irrigação é chave para segurança alimentar, crescimento econômico e sustentabilidade no Brasil
Publicado em
11 de julho de 2025por
Da Redação
Irrigação: um pilar indispensável para o agronegócio brasileiro
O Brasil, reconhecido mundialmente pela sua forte agropecuária, enfrenta desafios significativos para garantir a segurança da produção alimentar, a estabilidade dos preços e o crescimento sustentável do setor. Conforme análise de Cristiano Gatti Del Nero, presidente da Câmara Setorial de Equipamentos de Irrigação (CSEI) da ABIMAQ e vice-presidente de Agricultura da Valmont Brasil, o clima é o principal fator incontrolável que ameaça esses pilares econômicos e sociais.
Mitigação dos impactos climáticos por meio da irrigação
Embora aspectos como câmbio e preço das commodities influenciem o mercado agrícola, são condições externas pouco controláveis. Por outro lado, o impacto das variações climáticas pode ser minimizado com tecnologias adequadas, e a irrigação destaca-se como ferramenta estratégica e essencial para essa mitigação.
Sistemas de irrigação garantem segurança hídrica às lavouras, aumentando a produtividade, reduzindo os riscos de quebras na safra e contribuindo para a estabilização dos preços dos alimentos — tudo isso sem a necessidade de ampliar áreas agrícolas, o que favorece a preservação ambiental.
Potencial inexplorado e comparação internacional
Atualmente, apenas 10% das áreas agrícolas brasileiras são irrigadas, índice bem inferior ao de outros países: 17% nos Estados Unidos, 34% na Índia e 51% na China. Esses dados evidenciam o grande potencial ainda a ser explorado no Brasil para alavancar a produção agrícola com sustentabilidade.
Impactos econômicos e sociais da expansão da irrigação
Estudos indicam que a ampliação em 6 milhões de hectares das áreas irrigadas até 2040 pode gerar um aumento de até 0,23% no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, elevar em quase 4% as exportações agrícolas, além de promover ganhos reais em salários e consumo das famílias.
Além disso, a expansão da irrigação impacta diretamente na redução dos preços dos alimentos, auxiliando no controle da inflação e contribuindo para a segurança alimentar da população.
Importância do apoio por meio do Plano Safra e financiamento adequado
A inclusão da irrigação como prioridade estratégica no Plano Safra é fundamental para o avanço do setor. Linhas de crédito com condições adequadas, prazos compatíveis, taxas competitivas e incentivos concretos para adoção de sistemas irrigados são essenciais.
A irrigação também reduz significativamente o risco de inadimplência dos produtores, o que deve ser considerado na formatação dos instrumentos financeiros, fortalecendo toda a cadeia produtiva e impulsionando o desenvolvimento regional.
Irrigação como oportunidade para o Brasil
Mais do que um custo, a irrigação deve ser vista como uma oportunidade para gerar segurança alimentar, ampliar a produção com sustentabilidade, proteger o meio ambiente, criar empregos e fortalecer a economia nacional.
O Brasil possui todas as condições naturais e tecnológicas para liderar essa transformação, mas é preciso elevar a irrigação ao status de prioridade estratégica, não apenas para o agronegócio, mas para a política nacional de desenvolvimento como um todo.
Um chamado à ação
Para um Brasil mais forte, competitivo, sustentável e socialmente justo, é urgente irrigar essa ideia e investir fortemente em tecnologias que assegurem o futuro do setor agrícola e o bem-estar da população.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Produção de grãos cresce mais que silos e déficit de armazenagem já supera 130 milhões de T.
Published
29 minutos agoon
21 de junho de 2026By
Da Redação
A deficiência da infraestrutura de armazenagem continua cobrando uma conta bilionária do agronegócio brasileiro. A defasagem entre a produção de grãos e a capacidade de armazenagem já supera 130 milhões de toneladas, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Levantamento divulgado esta semana, realizado pela empresa paranaense Cogo Inteligência, estimou que os produtores brasileiros de soja e milho perderam R$ 88,3 bilhões entre 2023 e 2025 por causa da falta de capacidade para estocar a produção, obrigando a comercialização em momentos de maior oferta e, consequentemente, de preços mais baixos.
O problema ocorre justamente em um momento em que a produção nacional de grãos avança em ritmo recorde. A Conab projeta uma colheita de 353,4 milhões de toneladas nesta safra 25/26, enquanto a capacidade estática de armazenagem do país continua em torno de 220 milhões de toneladas. Na prática, a estrutura disponível é suficiente para guardar pouco mais de 60% da produção nacional, deixando um déficit superior a 130 milhões de toneladas.
A maior parte das perdas não está relacionada à deterioração dos grãos, mas à perda de renda. Sem espaço para armazenar a safra, muitos produtores precisam vender soja e milho logo após a colheita, período em que a oferta é elevada e os preços tendem a sofrer pressão. O excesso de produto nos portos também afeta os prêmios de exportação, reduzindo ainda mais o valor recebido pelo agricultor.
A situação contrasta com a observada em países concorrentes, como Estados Unidos e Argentina, onde a maior disponibilidade de silos permite aos agricultores escalonar as vendas ao longo do ano e aproveitar momentos mais favoráveis do mercado.
Segundo dados históricos da Conab, a produção brasileira de grãos cresceu 134% entre 2010 e 2023, enquanto a capacidade de armazenagem avançou apenas 53%, evidenciando que os investimentos em infraestrutura ficaram atrás da expansão da agricultura nacional.
Nos últimos anos, houve crescimento dos armazéns instalados dentro das propriedades rurais. O volume de capacidade nas fazendas passou de 20,7 milhões de toneladas em 2010 para 35,6 milhões de toneladas em 2025, uma alta de mais de 72%. Apesar disso, o avanço ainda é insuficiente para acompanhar o ritmo de crescimento das safras.
Entidades do setor defendem que a armazenagem deixe de ser vista apenas como uma estrutura complementar e passe a ser tratada como ferramenta estratégica de gestão. Além de reduzir custos logísticos, a capacidade de estocar a produção permite ao produtor escolher melhor o momento da venda, preservar a qualidade dos grãos e aumentar a competitividade da atividade.
A preocupação tende a crescer nos próximos anos. Com o Brasil consolidado como maior exportador mundial de soja e um dos principais fornecedores globais de milho, a expectativa é de continuidade da expansão da produção, o que exigirá investimentos cada vez maiores em silos, armazéns e logística pós-colheita para evitar que parte da rentabilidade obtida dentro da porteira seja perdida fora dela.
PROBLEMA SEGUNDÁRIO – O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Engenheiro Agrônomo Isan Rezende (foto) lembrou que o déficit de armazenagem no Brasil não é novidade, mas segue sendo tratado como problema secundário dentro da política agrícola.
“O país já teve programas estruturados para expansão de silos e armazéns, como o Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA), no âmbito do Plano Safra, que previa aportes recorrentes para ampliar a capacidade estática, mas o volume efetivamente executado ficou abaixo da necessidade apontada pelo próprio setor, estimada em cerca de R$ 15 bilhões por ano para equilibrar o sistema”, comentou Rezende.
“O que se observa, na prática, é um descompasso entre o crescimento da produção e o ritmo dos investimentos em infraestrutura. Enquanto a safra de grãos avançou mais de 130% na última década, a capacidade de armazenagem cresceu em torno de 50%, segundo séries da Conab. Nesse intervalo, o déficit deixou de ser conjuntural e passou a ser estrutural, com impacto direto na formação de preços ao produtor”.
“Há programas públicos e linhas de crédito específicas voltadas ao setor, mas a execução ainda é insuficiente por representantes da cadeia. O PCA, principal instrumento federal para financiamento de armazenagem, prevê apoio à construção e modernização de estruturas, porém a demanda por crédito supera a oferta disponível em cada ciclo do Plano Safra, o que limita a expansão mais acelerada da capacidade instalada”, analisou o presidente do IA.
“O resultado desse desequilíbrio aparece na ponta. Sem espaço para estocar a produção, o produtor é obrigado a concentrar vendas no período de colheita, quando o mercado está mais pressionado. Na avaliação de entidades do setor, o tema segue sem coordenação de longo prazo entre governo, indústria e cooperativas, o que mantém o déficit de armazenagem como um dos principais gargalos logísticos do agronegócio brasileiro”.
O problema, na avaliação de Isan Rezende, é que falta execução coordenada e continuidade das políticas públicas. “Enquanto nós, produtores, seguimos produzindo safras recordes que empurram o país para frente, continuamos sem o apoio necessário para garantir a infraestrutura mínima. Isso não é falta de diagnóstico, é falta de prioridade na execução”, completou o presidente do IA.
Fonte: Pensar Agro
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