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Iridovírus acende alerta na tilapicultura durante transição de estação

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Motivo de atenção entre os produtores de tilápias no Brasil, o Iridovírus – também conhecido pela sigla ISKNV, referente ao termo em inglês Infectious Spleen and Kidney Necrosis Virus, traduzido como necrose infecciosa do baço e do rim – é comumente diagnosticado em períodos de transição de estação. Assim, neste início de outono, com a variação de temperatura da água, acende o alerta para que os criadores reforcem e sigam rigorosos protocolos de vacinação e biosseguridade.

A orientação é da médica-veterinária Talita Morgenstern, coordenadora técnica da unidade de negócios de Aquicultura da MSD Saúde Animal, que ainda ressalta que os prejuízos oriundos do patógeno reforçam a importância de se agir preventivamente contra o ISKNV.

O vírus é descrito desde a década de 90, no entanto, na tilapicultura nacional, o primeiro relato oficial se deu via uma publicação científica em agosto de 2020, com um caso descrito em São Simão, no estado de Goiás (Figueiredo et al., 2021). Hoje, está amplamente disseminado pelo território brasileiro, sendo que os animais jovens (alevinos e juvenis) são os mais acometidos pela doença.

Talita destaca que, após a infecção pelo Iridovírus, os peixes podem manifestar sinais clínicos como letargia, baço aumentado (esplenomegalia), brânquias pálidas e coloração escurecida, além de permanecer no fundo do tanque. “Também estão entre os impactos da doença taxas anormais de mortalidade, animais apáticos e olhos saltados (exoftalmia). Contudo, as manifestações clínicas são inespecíficas, o que dificulta o diagnóstico. Por isso, a prevenção é essencial, especialmente pela vacinação”, pontua.

Além das graves complicações que pode causar, o vírus pode funcionar como um facilitador para outras infecções bacterianas, o que por vezes explica a variação nas mortalidades dos lotes acometidos. O diagnóstico da infecção por ISKNV é realizado em geral por métodos moleculares, como a PCR (Reação da Polimerase em Cadeia) ou PCR em tempo real (qPCR). “O Iridovírus pode afetar qualquer modelo de criação de tilápias, como tanques-rede, viveiros escavados ou sistema de recirculação, e tem grandes impactos nessa cadeia produtiva. Além disso, as coinfecções são comuns e, quando não identificadas e tratadas, eleva a taxa de mortalidade de peixes, com relevantes prejuízos financeiros e sanitários”, diz Talita.

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Estudo comprova a eficácia da prevenção

Desde 2023, está disponível no mercado a primeira vacina brasileira específica para a prevenção e o controle da doença. A Aquavac® Irido V, da MSD Saúde Animal, é uma vacina inativada contendo Iridovírus com adjuvante oleoso, e os seus resultados foram comprovados em um ensaio de campo [i]em larga escala conduzido em tilápias no período do outono/23, no reservatório de Ilha Solteira/SP, que tem histórico de infecções por Iridovírus.

O objetivo do ensaio foi confirmar a segurança e eficácia da vacina combinada com a solução Aquavac® Strep Sa-Si, uma vacina bivalente para os sorotipos Streptococcus agalactiae 1b e S. Iniae. A médica-veterinária explica como se deram os testes: os juvenis de tilápia foram vacinados no viveiro escavado, fora do lago, em que estavam livres da doença. Dessa forma, o grupo controle (Aquavac® Strep Sa-Si) foi vacinado com peso médio de 31g, enquanto o grupo tratamento (Aquavac® Strep Sa-Si + Aquavac® Irido V) foi vacinado com peso médio de 17,5g. “Após a vacinação, os juvenis tiveram o período de descanso indicado em bula, e então transferidos para as gaiolas de crescimento no reservatório hidrelétrico, com cerca de 12 dias para o grupo tratamento e 22 dias o grupo controle”.

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Talita também ressalta que “os resultados dos estudos de campo revelaram diferenças significativas entre os grupos. O Percentual Relativo de Sobrevivência (RPS) foi de 95,29% no grupo tratamento (Aquavac® Strep Sa-Si + Aquavac® Irido V) durante os 116 dias de cultivo. Enquanto o grupo controle (Aquavac® Strep Sa-Si) demonstrou RPS de 71,90% durante 70 dias de cultivo, destacando um incremento de sobrevivência de 23,39% para os animais imunizados com Aquavac® Irido V, considerando as médias”.

Apesar de não ter sido verificada diferença estatística no Ganho de Peso Diário (GPD) entre os grupos, destaca-se o ganho de desempenho do grupo tratamento, com melhores resultados em GPD, fato esse pois os animais do grupo tratamento apresentavam uma menor gramatura no momento da vacinação e, posteriormente, alcançaram o grupo controle.

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Outro dado constatado foi sobre a abrupta crescente mortalidade durante um período de oscilação de temperatura no grupo controle (Aquavac® Strep Sa-Si), enquanto o grupo tratamento (Aquavac® Strep Sa-Si + Aquavac® Irido V) expressou maior estabilidade e menor índice de mortalidade.

Talita conclui que “o ensaio foi adaptado às condições reais de campo e os resultados apresentados demonstraram a capacidade de ganho de sobrevivência e melhor desempenho zootécnico com a vacinação conjunta de Aquavac® Strep Sa-Si e Aquavac® Irido V”.

Fonte: MSD Saúde Animal

Fonte: Portal do Agronegócio

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Festival da Pamonha mantém grande público e impulsiona economia na comunidade Rio dos Peixes

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O penúltimo dia do 7º Festival da Pamonha da comunidade de Rio dos Peixes confirmou o impacto que o evento vem gerando na economia local e na valorização da cultura regional, reunindo milhares de visitantes e mantendo aquecida a cadeia produtiva do milho, principal base da festa. Com estimativa de até 5 mil pessoas por dia e o processamento de cerca de 40 toneladas ao longo da programação, o festival segue consolidado como uma vitrine para pequenos produtores e trabalhadores da região.

Neste terceiro dia, o movimento nas barracas reforçou o papel do evento como fonte de renda para dezenas de famílias. A estrutura ampliada e mais organizada foi percebida tanto por comerciantes quanto pelo público. A divisão dos espaços, separando pamonhas, lanches e doces, facilitou a circulação e melhorou a experiência de quem visita.

O secretário municipal de Agricultura, Vicente Falcão, avaliou o momento como positivo e destacou que o festival vem superando as expectativas em público e consumo. Segundo ele, o evento já ultrapassa o caráter local e ganha relevância estadual e até nacional, atraindo visitantes de diferentes regiões. “Os participantes são 100% moradores e pequenos produtores da comunidade, o que reforça o impacto direto na geração de renda”, pontuou.

O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Trabalho, Turismo e Agricultura, Fellipe Correa, destacou o papel estratégico do festival para o fortalecimento da economia local. “Além de gerar renda e valorizar a tradição, o Festival da Pamonha reforça a dimensão territorial e turística de Cuiabá, que se estende pela Estrada da Chapada até o Portão do Inferno. Toda essa região, incluindo os balneários e a comunidade de Rio dos Peixes, integra um circuito importante para o turismo da capital. Nesse contexto, o festival se consolida como uma referência do turismo gastronômico cuiabano”, afirmou.

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Entre os expositores, a percepção também é de crescimento. O comerciante Rudnei dos Santos, que participa há quatro edições, classificou o dia como produtivo e destacou a organização como um dos diferenciais deste ano. Ele acredita que o fluxo ainda aumenta ao longo do dia e reforça que o festival é resultado de um trabalho coletivo. “A gente percebe que o público chega já sabendo onde encontrar o que quer, isso facilita muito”, afirmou. Experiente, ele também participa do concurso da melhor pamonha e atribui o sucesso ao cuidado com o preparo: “O segredo é fazer com amor”.

Para o público, a experiência vai além da gastronomia. O advogado Lucas Veloso, morador de Várzea Grande, retornou ao festival pela segunda vez e notou avanços na estrutura. “Eu já esperava algo bom, mas vi melhorias, principalmente na organização e na estrutura para comerciantes e visitantes. Isso incentiva a gente a voltar”, disse. Ele destacou ainda o interesse pelas apresentações culturais e a diversidade de sabores disponíveis.

A variedade, aliás, é um dos pontos mais comentados. De receitas tradicionais a versões mais criativas, como pamonha de pizza ou combinações com jiló e linguiça, o cardápio chama a atenção de quem chega. O professor Cláudio Vaz de Araújo, que conheceu o evento pela primeira vez durante uma viagem, elogiou tanto o sabor quanto a organização. “É fácil circular, escolher e experimentar. Dá vontade de voltar”, afirmou.

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Apesar da avaliação positiva, algumas observações surgem como sugestões para as próximas edições. A conectividade foi um dos pontos citados por visitantes e comerciantes. A dificuldade de acesso à internet no local impacta principalmente pagamentos via Pix e a divulgação em tempo real nas redes sociais. O próprio secretário reconheceu a limitação, explicando que a alta demanda, com mais de 700 acessos simultâneos, sobrecarregou o sistema disponível. A prefeitura, segundo ele, já estuda melhorias para o próximo ano.

Outras sugestões envolvem aspectos pontuais da experiência gastronômica, como a manutenção da temperatura e frescor das pamonhas em determinados momentos de maior fluxo, sem comprometer a avaliação geral, que segue positiva.

Além da alimentação, o festival também conta com suporte na área da saúde. Equipes da Unidade de Saúde de Rio dos Peixes oferecem vacinação, atendimento odontológico, aferição de pressão arterial e testes de glicemia, sob coordenação da gerente Magda Oliveira. Paralelamente, socorristas e profissionais de enfermagem, coordenados pelo bombeiro civil Anderjan Santana, atuam com atendimentos emergenciais e serviços básicos, garantindo mais segurança ao público.

A programação segue até esta terça-feira (21), feriado de Tiradentes, quando será anunciado o resultado do Concurso da Melhor Pamonha. A expectativa é de que o último dia mantenha o alto fluxo de visitantes, encerrando mais uma edição marcada pela integração entre cultura, produção local e geração de renda.

Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT

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