AGRONEGÓCIO

Instrumentos Financeiros do Agronegócio mostram crescimento sólido

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O mais recente Boletim de Finanças Privadas do Agro, disponibilizado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), revela um desempenho robusto dos principais instrumentos de financiamento privado do agronegócio brasileiro. Entre eles, destacam-se as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) e as Cédulas de Produto Rural (CPR).

Crescimento das Letras de Crédito do Agronegócio

As LCA registraram um aumento significativo de 15% em seu estoque no mês de maio, alcançando R$ 471 bilhões, comparado aos R$ 409 bilhões do mesmo período no ano anterior. Apesar da leve queda de 1% nos últimos cinco meses, esses títulos continuam a ser uma importante fonte de financiamento para o setor.

Expansão das Cédulas de Produto Rural (CPR)

Ao longo dos últimos 12 meses, as CPR também apresentaram um crescimento substancial, com seu estoque atingindo R$ 340 bilhões em maio deste ano, marcando um aumento de 37% em relação ao mesmo período de 2023. Esse crescimento reflete a crescente utilização desses títulos desde a sua obrigatoriedade de registro em 2020.

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Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas do Agronegócio (Fiagro)

Os Fiagros continuam a mostrar taxas de crescimento expressivas, com um aumento de 147% em seu patrimônio líquido nos últimos 12 meses, passando de R$ 14,10 bilhões para R$ 34,77 bilhões. Embora tenha havido uma variação negativa de -8% nos últimos cinco meses, essa redução foi influenciada pela reclassificação de um dos fundos, não refletindo uma diminuição nos demais fundos existentes.

Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA)

Os CRAs mantêm sua trajetória de crescimento, com um aumento de 31% em seu estoque nos últimos 12 meses, elevando-se de R$ 106 bilhões em maio de 2023 para R$ 140 bilhões em maio de 2024. Esse resultado destaca a contínua preferência por esses títulos no mercado de financiamento agropecuário.

Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA)

Por fim, os CDCA apresentaram um crescimento mais moderado de cerca de 11% em maio deste ano, comparado ao mesmo período de 2023, alcançando um estoque de R$ 32 bilhões. Apesar de taxas mais modestas, os CDCA continuam a contribuir significativamente para o financiamento das atividades do agronegócio brasileiro.

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O boletim reforça a vitalidade desses instrumentos financeiros no suporte ao desenvolvimento do agronegócio nacional, promovendo maior acesso a crédito e impulsionando a economia rural brasileira.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Batata: safra de inverno amplia oferta e coloca preços em alerta

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A oferta de batata deve ganhar força entre agosto e setembro com o avanço da colheita de inverno em Vargem Grande do Sul, no interior de São Paulo. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), somente em agosto deverá ser retirado do campo o equivalente a 35% da safra regional, elevando o acumulado colhido para 50% até o fim do mês.

O aumento sazonal da disponibilidade pode manter as cotações pressionadas no curto prazo, especialmente se a colheita avançar simultaneamente em outros polos produtores. Para o agricultor, o cenário reforça a necessidade de acompanhar o ritmo de entrada do produto no mercado, a qualidade dos lotes e os custos de classificação, armazenamento e transporte.

Em julho, a produtividade média das lavouras de Vargem Grande do Sul ficou próxima de 30 toneladas por hectare, abaixo do potencial da região. Colaboradores consultados pelo Cepea atribuíram o resultado ao excesso de chuva registrado em maio e junho e à elevada frequência de dias nublados, que reduziu a luminosidade e prejudicou a fotossíntese das plantas.

Para agosto, a expectativa é de recuperação do rendimento para aproximadamente 40 toneladas por hectare, patamar próximo ao observado nos últimos anos. A melhora, combinada com a concentração da colheita, deverá ampliar o volume ofertado ao mercado.

O produtor, entretanto, ainda precisa manter atenção redobrada ao manejo fitossanitário. Houve registros de canela-preta depois de cerca de 60 dias da tuberização, favorecidos pela elevação das temperaturas, embora a doença tenha sido rapidamente controlada. A requeima, presente desde junho, intensificou-se em julho e também contribuiu para limitar a produtividade. Apesar dos problemas, a qualidade dos tubérculos colhidos é considerada satisfatória.

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O avanço regional da oferta ocorre em um ano de redução da produção brasileira. O levantamento de julho do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima a safra nacional de batata-inglesa de 2026 em 4,2 milhões de toneladas, queda de 8,3% em relação às 4,58 milhões de toneladas produzidas em 2025.

A retração é explicada principalmente pelas perdas de área. O país deverá colher 121,8 mil hectares, 9,4% menos que no ano passado. A produtividade média nacional, por outro lado, está estimada em 34,5 toneladas por hectare, crescimento de 1,2%.

A terceira safra, correspondente ao cultivo de inverno, deverá produzir 892,2 mil toneladas, recuo de 19,3% frente a 2025. A área destinada ao ciclo diminuiu 23,9%, para 22,1 mil hectares. O rendimento médio esperado, contudo, subiu 6,1% e alcança 40,3 toneladas por hectare.

Isso significa que o mercado pode enfrentar dois movimentos diferentes. No curto prazo, a concentração da colheita entre agosto e setembro amplia a oferta e pode pressionar as cotações recebidas pelo produtor. No conjunto do ano, porém, a disponibilidade nacional deverá ser menor que a registrada em 2025.

A queda de preços já apareceu no varejo. A batata-inglesa recuou 19,59% em julho no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A continuidade desse movimento dependerá do ritmo da colheita, do rendimento das lavouras e da qualidade comercial dos lotes que chegarem aos atacados.

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Apesar de produzir mais de 4 milhões de toneladas por ano, o Brasil não exerce papel central no mercado mundial. Dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) mostram que o planeta produziu 390,4 milhões de toneladas de batata em 2024. O Brasil respondeu por aproximadamente 1,1% desse volume e ocupou a 18ª posição entre os países produtores. China e Índia lideram com ampla vantagem.

A produção brasileira é direcionada principalmente ao mercado interno. No comércio exterior, o maior desequilíbrio está nos produtos processados. Em 2025, considerando a pauta formada por batata-doce e batatas preparadas ou conservadas, o país exportou 36,5 mil toneladas e importou 345,7 mil toneladas — um volume importado quase 9,5 vezes superior ao exportado.

As compras externas foram lideradas por batatas preparadas e conservadas, especialmente produtos congelados destinados ao varejo e ao setor de alimentação. Argentina, Bélgica, Países Baixos e Egito estiveram entre os principais fornecedores. O déficit não significa falta de batata fresca no país, mas revela a dependência brasileira de produtos com maior grau de processamento industrial.

Para o produtor, a entrada no pico da safra exige atenção à comercialização. Mesmo com uma produção nacional menor em 2026, a concentração temporária da oferta pode reduzir preços e margens. Qualidade, produtividade, escalonamento da colheita e negociação antecipada serão determinantes para atravessar o período de maior disponibilidade.

Fonte: Pensar Agro

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