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Indústria de Papel e Celulose Avança na Caminhada para a Neutralidade de Carbono

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A indústria de papel e celulose no Brasil vem se destacando pela adoção de tecnologias que visam a redução do uso intensivo de energia em seus processos produtivos. Segundo Alexandre Dias, gerente de negócios para Indústrias de Processos da ABB, empresa de automação industrial, o setor brasileiro possui uma vantagem sustentável, com a maioria das empresas apresentando balanço negativo de carbono. Isso se deve à ampla disponibilidade de energia renovável no país, à geração própria de energia e ao alto potencial de sequestro de carbono das operações florestais em regiões tropicais.

Desafios globais da indústria

Apesar das vantagens locais, o cenário global do setor ainda apresenta desafios ambientais importantes. A indústria de papel e celulose é responsável por 0,6% das emissões mundiais de gases de efeito estufa e consome 6% da energia elétrica produzida no planeta. Além disso, o setor demanda grande quantidade de água para processos florestais e químicos, o que reforça a necessidade de medidas de sustentabilidade mais rigorosas.

Redução das emissões e aumento da produtividade

Um avanço importante é a rápida descarbonização do setor, que supera o ritmo de outras indústrias. Dados da Agência Internacional de Energia (IEA) indicam que as emissões caíram, em média, 3% ao ano entre 2010 e 2022, mesmo com o crescimento significativo na produção de papel e papelão. Na Europa, segundo a Confederação Europeia de Empresas de Papel e Celulose, houve redução de 55% nas emissões de CO₂ por tonelada entre 1990 e 2023, impulsionada pelo maior uso de biomassa na geração de energia. Nos Estados Unidos, dados da Agência de Proteção Ambiental (EPA) apontam redução de 21% nas emissões relacionadas à produção de papel entre 2011 e 2021.

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Metas e caminhos para o net zero até 2050

Apesar dos avanços, o setor ainda tem um longo caminho para atingir a neutralidade de carbono até 2050. Isso envolve a transição de fontes fósseis para renováveis e o investimento em eficiência para otimizar o uso de recursos, especialmente energia.

Estratégias práticas para a descarbonização

Um relatório recente da ABB destaca que muitas produtoras globais têm adotado soluções tecnológicas para reduzir o consumo energético. Entre as principais ações estão a substituição de motores elétricos por modelos de menor consumo, equipados com inversores de frequência que ajustam o torque conforme a necessidade, e o uso crescente de automação e digitalização para aumentar a produtividade e reduzir o desperdício energético.

Exemplos práticos incluem:

  • UPM (China): Redução de 20% no consumo de energia na planta de Changshu, com troca de motores por modelos de magneto permanente e otimização dos inversores. Em um rebobinador, a substituição do inversor gerou queda de 5% no consumo mensal de energia.
  • Smurfit Westrock (França): Atualização do sistema de bombas de água e aeradores, com motores novos e inversores, ajustando a velocidade para o mínimo necessário e reduzindo o consumo energético.
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Tecnologias para processos térmicos

O uso de secadores a combustível fóssil, comum na indústria para processos de até 400 ºC, vem sendo substituído por tecnologias mais limpas, como secadores elétricos a plasma.

Vafos Pulp (Noruega): Eliminou 14 mil toneladas de emissões anuais de carbono ao substituir secadores a óleo por modelos elétricos abastecidos por energia descarbonizada.

Smurfit Westrock também investe em bombas de calor que reaproveitam o calor residual para gerar vapor e eletricidade, aumentando a eficiência energética.

Automação como aliada da sustentabilidade

Empresas como a polonesa Mondi Swiecie têm implantado controles avançados em processos químicos, reduzindo variabilidade e perdas, o que aumenta a lucratividade e libera recursos para novos investimentos.

A sueca SCA Ostrand desenvolveu um programa de automação que inclui simuladores para treinamento de equipes, garantindo maior preparo para lidar com interrupções na produção.

Perspectivas para o setor brasileiro

A indústria brasileira de papel e celulose, já privilegiada pela matriz energética renovável e pelo sequestro de carbono natural das florestas tropicais, pode se tornar referência mundial à medida que tecnologias de automação, digitalização e eficiência energética se consolidem no setor.

A caminhada rumo ao net zero reforça o compromisso da indústria com os acordos ambientais globais, mostrando que é possível crescer economicamente e preservar o meio ambiente simultaneamente.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Greening, safra menor e queda no consumo pressionam o setor brasileiro

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A citricultura brasileira chega à safra 2026/27 pressionada por três problemas simultâneos: quase metade das laranjeiras do principal cinturão produtivo está contaminada pelo greening, a produção deve cair cerca de 10% e o consumo mundial de suco perdeu força depois de anos de preços elevados. Embora continue líder global, o Brasil precisa controlar a doença e ampliar mercados para evitar uma pressão maior sobre produtores e indústrias.

A primeira reestimativa do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) aponta uma produção de 263,15 milhões de caixas de 40,8 quilos em São Paulo e no Triângulo e Sudoeste de Minas Gerais. O volume equivale a aproximadamente 10,7 milhões de toneladas de laranja.

A projeção ficou 3,1% acima da estimativa inicial, divulgada em maio, mas ainda representa uma queda de cerca de 10% diante das 292,94 milhões de caixas colhidas na temporada 2025/26. A recuperação sobre a primeira previsão ocorreu principalmente porque os frutos ganharam peso com as chuvas.

Entre maio e agosto, o cinturão citrícola recebeu 210 milímetros de chuva, volume 51% superior à média histórica do período. O peso médio estimado passou de 160 para 166 gramas por fruto, reduzindo de 255 para 246 o número de laranjas necessário para completar uma caixa.

O efeito positivo da chuva, porém, não elimina os riscos. A colheita está mais lenta e os frutos permanecem por mais tempo nas árvores, expostos a pragas, doenças e queda prematura. Até meados de agosto, apenas 27% da produção prevista havia sido retirada dos pomares.

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A taxa média de queda dos frutos foi elevada de 23,7% para 24,1%. Nas variedades tardias, que ainda têm grande parte da produção no campo, a perda projetada chega a 27,3% para Valência e Folha Murcha e a 30,9% para a variedade Natal.

O greening permanece como o maior problema da atividade. O levantamento mais recente sobre a doença mostrou que 47,6% das laranjeiras do cinturão citrícola estavam contaminadas em 2025. A severidade média também aumentou, passando de 18,7% para 22,7% da copa das plantas.

Transmitido pelo psilídeo, um pequeno inseto, o greening não tem cura. A doença reduz a produtividade, provoca queda precoce e produz frutos menores, deformados e amargos. O controle exige monitoramento frequente, combate ao inseto transmissor e eliminação das plantas doentes, especialmente em regiões onde a incidência ainda é baixa.

Na safra 2025/26, o greening foi responsável pela perda estimada de 49,59 milhões de caixas. A doença respondeu sozinha por 13 pontos percentuais da taxa total de queda de 23,2% registrada naquele ciclo.

A pressão não está restrita aos pomares. Depois de quatro anos de resultados elevados, o mercado internacional entrou em uma fase de ajuste. As exportações brasileiras de suco de laranja somaram 746,9 mil toneladas na safra 2025/26, praticamente o mesmo volume da temporada anterior, mas a receita caiu aproximadamente 30%.

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Os preços elevados das safras anteriores levaram parte dos consumidores a substituir o suco de laranja por bebidas mais baratas. Problemas de qualidade provocados pelo clima e pelo greening também afetaram o mercado. Na Europa, principal destino histórico do produto brasileiro, o volume adquirido caiu 10,9%. No Japão, a retração chegou a 28,6%.

O aumento das chuvas nesta temporada favoreceu o tamanho das laranjas, mas poderá reduzir a concentração de sólidos solúveis, medida pelo índice brix. Para a indústria, isso significa que pode ser necessário processar mais caixas para obter a mesma quantidade de suco concentrado, reduzindo parte do ganho trazido pelo maior peso dos frutos.

A busca por novos compradores tornou-se, portanto, uma necessidade para equilibrar a cadeia. O produto brasileiro não enfrenta grandes restrições sanitárias, mas encontra tarifas elevadas em mercados com potencial de consumo, como Japão, Coreia do Sul e Índia. A redução dessas barreiras poderia ampliar os destinos e diminuir a dependência de poucos compradores.

Maior produtora mundial de laranja e líder na exportação de suco, a citricultura brasileira mantém escala, tecnologia e capacidade industrial. O desafio agora é impedir que o avanço do greening, a queda da produtividade e o enfraquecimento do consumo reduzam a rentabilidade de uma cadeia que depende de investimentos contínuos para renovar pomares e manter a produção.

Fonte: Pensar Agro

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