AGRONEGÓCIO

Índice de Poder de Compra de Fertilizantes Indica Momento Favorável para Aquisição

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O Índice de Poder de Compra de Fertilizantes (IPCF) registrou 1,01 em outubro de 2024, uma queda de 3% em relação ao mês anterior, quando marcou 1,05. Esse recuo representa uma oportunidade ainda mais vantajosa para os produtores rurais, uma vez que um IPCF mais baixo indica uma relação de troca favorável para a compra de fertilizantes.

Em outubro, o mercado de commodities agrícolas apresentou uma elevação média de 0,6% em comparação a setembro. A cana-de-açúcar liderou as altas, com um aumento de aproximadamente 1,5%, seguida pela soja, que registrou elevação de cerca de 1%. Em contrapartida, o milho teve uma queda expressiva de 6,3%, e o algodão caiu 1,8%. Nos preços dos fertilizantes, houve uma retração média de 1%, com exceção da ureia, que apresentou um aumento de 6% devido à demanda elevada para a safrinha.

O índice é também influenciado pela taxa de câmbio, que teve uma variação de 1,5% no período. Apesar de se manter estável em relação ao mês anterior, o dólar refletiu uma percepção de risco no mercado, além de certa influência das eleições norte-americanas. Esse cenário cambial é relevante para o cálculo do IPCF, uma vez que parte dos custos dos fertilizantes e das receitas das commodities é sensível à variação do dólar.

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Os agricultores estão atentos ao fim do plantio da soja no Brasil, ao desenvolvimento da safra e às condições climáticas. Neste momento, muitos produtores estão planejando a aquisição de insumos, visando garantir a entrega dos fertilizantes na janela de plantio da safrinha de milho. O planejamento é essencial para evitar possíveis atrasos causados por gargalos logísticos, especialmente devido à limitação de opções de importação pelos portos brasileiros durante o período de alta demanda.

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Entenda o IPCF

O IPCF é publicado mensalmente pela Mosaic e avalia a relação entre os preços dos fertilizantes e das principais commodities agrícolas. Esse índice, com base de referência no ano de 2017, favorece os produtores quando está em baixa, pois indica uma relação de troca mais favorável para a compra de insumos. O IPCF considera as principais culturas do país: soja, milho, cana-de-açúcar (para açúcar e etanol) e algodão.

Metodologia do IPCF

Os preços dos fertilizantes utilizados para o cálculo são obtidos pela consultoria internacional CRU nos portos brasileiros. Já os preços das commodities agrícolas são uma média do mercado brasileiro em dólares, conforme dados da Agência Estado e do CEPEA. O índice inclui os fertilizantes MAP, SSP, ureia e KCL, ponderados conforme a participação no uso agrícola brasileiro, e considera as commodities soja, milho, açúcar, etanol e algodão, ajustados conforme o consumo de fertilizantes.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Matopiba desponta como nova fronteira da produtividade no Brasil

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O avanço do agronegócio está mudando o mapa da produtividade brasileira e levando parte do dinamismo econômico para o Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Enquanto o indicador nacional cresceu 18,7% entre 2002 e 2019, três Estados da região registraram alguns dos maiores aumentos do País.

O Piauí liderou o crescimento da produtividade do trabalho no período, com alta de 103%. O Maranhão avançou 86% e o Tocantins, 69,7%. Os resultados acompanham a expansão da fronteira agrícola e indicam que a transformação provocada pelo campo ultrapassou o aumento da área plantada e do volume colhido.

Os dados fazem parte do estudo “Missing the Productivity: Estimating Labor Productivity in Brazilian Municipalities (2002–2019)”, dos pesquisadores Alan Bueno e Diogo Ferraz. Divulgado em julho, o trabalho construiu uma base anual com informações dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros.

O levantamento é um pré-print, versão que ainda não passou pela etapa definitiva de revisão acadêmica. Embora tenha alcance nacional e não seja dedicado exclusivamente ao Matopiba, o estudo revela grandes ganhos de produtividade nas fronteiras agropecuárias e uma evolução mais lenta nos Estados historicamente industrializados.

A produtividade analisada não é o rendimento das lavouras por hectare. O indicador mede quanto valor é produzido por trabalhador. Ele aumenta quando a incorporação de máquinas, tecnologia, qualificação e métodos mais eficientes de gestão permite ampliar a produção sem elevar na mesma proporção o número de pessoas ocupadas.

No Brasil, a agropecuária foi o setor que apresentou o maior avanço entre 2002 e 2019. A produtividade do trabalho no campo cresceu 80,1%, diante de aumentos de 10,3% nos serviços e de apenas 5,4% na indústria.

O resultado ajuda a explicar por que regiões antes com menor participação na economia nacional passaram a atrair armazéns, transportadoras, revendas de máquinas e insumos, instituições financeiras, empresas de tecnologia, indústrias de alimentos e prestadores de serviços.

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Para Alan Bueno, professor da Universidade Estadual do Paraná e um dos autores do estudo, o avanço do Matopiba pode ser comparado à transformação ocorrida no Centro-Oeste a partir da segunda metade do século passado.

“O Matopiba é o novo ouro. É o que foi o Centro-Oeste nos anos 1950. Trata-se de um crescimento que faz mudar a realidade regional”, afirmou.

Segundo o pesquisador, o campo passou a funcionar como ponto de partida de uma rede econômica mais ampla. “O agro converteu-se no catalisador de uma vasta rede econômica, envolvendo transporte, comércio, construção civil, tecnologia, crédito e serviços”, explicou.

A expansão foi sustentada principalmente pela produção de soja, milho e algodão, além da pecuária. O desenvolvimento de sementes adaptadas ao Cerrado, a correção dos solos, a mecanização e a agricultura de precisão permitiram que a região ampliasse sua participação na produção nacional.

Os dados mais recentes indicam que o movimento continuou depois de 2019, último ano abrangido pelo estudo. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia colham juntos aproximadamente 41,4 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, aumento próximo de 9% sobre o ciclo anterior.

A Bahia deverá liderar a produção regional, com cerca de 15 milhões de toneladas. O Tocantins aparece em seguida, com 9,74 milhões, seguido pelo Maranhão, com 9,05 milhões, e pelo Piauí, com 7,58 milhões de toneladas.

Somente a soja deve alcançar 25,4 milhões de toneladas nos quatro Estados, o equivalente a aproximadamente 14% da produção brasileira da oleaginosa. O resultado consolida o Matopiba como fornecedor relevante para as indústrias de óleo, farelo, rações, carnes e biocombustíveis.

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O avanço da produtividade, porém, não significa que os benefícios econômicos sejam distribuídos automaticamente. A mecanização reduz a necessidade de algumas tarefas manuais, ao mesmo tempo que amplia a procura por operadores de máquinas, técnicos agrícolas, engenheiros agrônomos, mecânicos e profissionais de tecnologia e logística.

Sem capacitação local, parte dessas vagas pode ser preenchida por trabalhadores vindos de outras regiões. O aumento da riqueza também depende da capacidade dos municípios de converter maior arrecadação em educação, saúde, saneamento e infraestrutura.

Outro desafio é evitar que o Matopiba permaneça apenas como fornecedor de produtos primários. A instalação de esmagadoras de soja, fábricas de rações, frigoríficos, usinas de biocombustíveis e indústrias de alimentos permitiria agregar valor à produção e manter uma parcela maior da renda na própria região.

O crescimento também aumenta a pressão sobre estradas, ferrovias, armazéns e terminais de exportação. Sem infraestrutura compatível, parte do ganho obtido dentro das propriedades pode ser perdida com fretes elevados, filas e demora no escoamento.

Há ainda o desafio de conciliar a expansão produtiva com a conservação do Cerrado, a regularização fundiária e a inclusão da agricultura familiar. A competitividade futura da região dependerá não apenas do volume produzido, mas também da capacidade de comprovar a origem e a sustentabilidade dos produtos.

O estudo mostra que a produtividade brasileira começou a mudar de endereço. O Matopiba já produz mais por trabalhador e movimenta uma cadeia econômica cada vez maior. O próximo passo será transformar essa eficiência em indústria, empregos qualificados e melhoria permanente da renda da população.

Fonte: Pensar Agro

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