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Importações de soja pela China crescem 4,4% no início do ano, mas devem desacelerar em março

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As importações de soja pela China aumentaram 4,4% no primeiro bimestre de 2025, totalizando 13,61 milhões de toneladas, conforme dados da alfândega chinesa. O aumento foi impulsionado principalmente pelas compras realizadas antes da posse do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alinhando-se às expectativas do mercado.

A China divulga as estatísticas de janeiro e fevereiro juntas para atenuar o impacto do feriado do Ano Novo Lunar, que pode ocorrer em qualquer um dos meses, dependendo do ano. No período equivalente do ano passado, o país realizou compras atípicas de soja dos Estados Unidos, preocupados com o impacto de possíveis novas tensões comerciais entre os dois países, o que gerou um aumento nas remessas. No entanto, esses embarques enfrentaram atrasos devido a questões no desembaraço alfandegário nos portos chineses.

Apesar do bom desempenho nos dois primeiros meses de 2025, o mercado prevê que as importações diminuam em março, com uma previsão de volume inferior a 6 milhões de toneladas, contra 5,54 milhões de toneladas no mesmo período de 2024, de acordo com o analista Wan Chengzhi, da Capital Jingdu Futures. O cenário de desaceleração está ligado a fatores como a elevada taxa de esmagamento doméstico da soja na China e o atraso nos embarques da soja brasileira, que tem restringido a oferta da oleaginosa no mercado chinês.

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Traders indicam que, em meio a essa escassez, muitas esmagadoras chinesas reduziram suas operações, suspendendo atividades até abril. Segundo Cheang Kang Wei, vice-presidente assistente da StoneX em Cingapura, os estoques domésticos de soja caíram devido à alta utilização das esmagadoras e à escassez de soja brasileira no mercado. “Os embarques de soja brasileira atrasaram, e, com as esmagadoras chinesas operando a taxas elevadas nos últimos meses para atender à demanda por farelo de soja, os estoques internos estão diminuindo”, explicou.

Além disso, a escalada da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China tem levado os compradores chineses a evitar a soja americana, o que agrava a situação de oferta. Em resposta à pressão, o governo chinês anunciou, nesta semana, a imposição de uma tarifa adicional de 10% sobre a soja dos EUA, além de bloquear as importações de três empresas norte-americanas em retaliação às tarifas impostas por Trump sobre produtos chineses.

Em paralelo, o governo de Pequim informou que ampliará a cobertura do seguro de custo total e de produção de soja neste ano, ao mesmo tempo em que reduzirá o uso de farelo de soja na produção de ração, como parte de suas estratégias para mitigar os efeitos da escassez e garantir a segurança alimentar do país.

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Fonte: Portal do Agronegócio

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Safra de café deve dar salto e atingir 73,3 milhões de sacas em 2026/27

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Após ciclos consecutivos castigados por intempéries climáticas e gargalos na oferta, o parque cafeeiro brasileiro prepara-se para uma virada expressiva. A produção nacional de café deve registrar uma robusta recuperação na safra 2026/27, projetada para alcançar a marca de 73,3 milhões de sacas de 60 quilos. O avanço reflete diretamente a recomposição do cinturão produtor nacional, historicamente fragilizado por restrições hídricas nas últimas temporadas.

O diagnóstico consta do mais recente relatório mensal divulgado pelo banco Holandês Rabobank, instituição global líder em financiamento do agronegócio. De acordo com a análise setorial a recuperação será capitaneada pelo café do tipo arábica, amplamente favorecido pela regularidade do regime de chuvas nas principais regiões produtoras. Do volume total estimado, o arábica responderá por 48,7 milhões de sacas, enquanto o conilon (robusta) deve somar 24,6 milhões de sacas.

Se as perspectivas para o campo são de fartura, o ritmo do comércio exterior caminha em marcha mais lenta. O fluxo de exportações brasileiras iniciou o ano sob o signo da cautela. No fechamento do primeiro trimestre de 2026, os embarques ao exterior totalizaram 8,5 milhões de sacas, um tombo severo de 21% na comparação com o mesmo intervalo de 2025.

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Mesmo com uma reação pontual registrada em março — quando o País embarcou 3,04 milhões de sacas, um incremento de 15% sobre fevereiro —, o resultado mensal ainda empacou 7,8% abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior.

Segundo a área de inteligência de mercado do Rabobank, o encolhimento do comércio exterior não sinaliza falta de produto, mas sim uma decisão estratégica do cafeicultor. Diante de elevados diferenciais de preços globais e de uma pontual perda de competitividade do grão nacional frente a concorrentes externos, os produtores vêm optando por reter os lotes, adotando uma postura nitidamente defensiva.

Para além das porteiras, o cenário de incertezas globais emergiu como o principal freio à rentabilidade da lavoura. As fricções geopolíticas no Oriente Médio, centralizadas na escalada de tensões entre os Estados Unidos e o Irã, continuam a injetar forte volatilidade nas bolsas internacionais, com reflexo direto nos custos de produção.

A crise pressiona as cotações de energia e derivados de petróleo, encarecendo o frete e a operação de maquinários. O maior impacto, contudo, recai sobre a cadeia de fertilizantes. O Brasil possui uma vulnerabilidade estrutural crônica no setor, dependendo da importação de aproximadamente 90% de todos os nutrientes minerais aplicados no solo. Sob a ameaça de bloqueios logísticos e pressões inflacionárias globais, o preço dos insumos disparou, intensificando os riscos cambiais e tornando a fixação prévia de preços uma engenharia de alto risco para as cooperativas e produtores.

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A perda do poder de compra do agricultor fica evidente na forte deterioração da relação de troca. Em abril, o cafeicultor precisou desembolsar 4,97 sacas de arábica para adquirir uma única tonelada do adubo blend 20-05-20, contra 4,66 sacas exigidas em março. O tombo na comparação anual é dramático: em abril de 2025, bastavam apenas 2,25 sacas para comprar o mesmo volume de nutrientes.

Embora o comportamento lateralizado e as realizações de lucros tragam volatilidade, o arábica subiu 3% em março e 2% em abril, enquanto o robusta recuou 9% e recuperou 3% nos respectivos meses, as cotações internacionais se mantêm em patamares historicamente elevados, o que mitiga parcialmente o aperto das margens.

Fonte: Pensar Agro

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