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Impasse com União Europeia Atrasam Benefícios do Acordo Mercosul-UE, Alerta ABAG

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A Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) demonstrou preocupação com os desdobramentos do Acordo de Associação entre o Mercosul e a União Europeia, após o Parlamento Europeu decidir encaminhar o texto para análise da Suprema Corte Europeia. Segundo a entidade, a medida representa um retrocesso nas negociações e lança um sinal negativo ao comércio internacional.

Em nota oficial, a ABAG destacou que o acordo já passou por extensas avaliações técnicas e jurídicas ao longo de mais de 20 anos. “Esse novo impasse limita o potencial da parceria e adia benefícios concretos para ambas as regiões”, afirmou a entidade.

Retrocesso compromete integração e desenvolvimento de mercados

De acordo com a ABAG, a decisão posterga oportunidades de geração de valor, de expansão de mercados e de fortalecimento das cadeias produtivas em diversos setores. Além disso, o atraso é visto como um fator que enfraquece o multilateralismo em um cenário global já marcado por tensões geopolíticas e incertezas econômicas.

“Em vez de promover cooperação e previsibilidade nas relações comerciais, a decisão do Parlamento Europeu fragiliza a própria União Europeia em seus esforços por uma soberania compartilhada”, pontuou a associação.

Acordo é considerado estratégico para o agro brasileiro

Para o agronegócio do Brasil, o acordo é visto como uma ferramenta essencial de integração comercial com mercados de alto poder aquisitivo e elevados padrões regulatórios. Especialistas apontam que a ratificação poderia impulsionar exportações de carnes, grãos, frutas e produtos industrializados, além de fortalecer práticas de sustentabilidade e rastreabilidade — exigências cada vez mais valorizadas pelo mercado europeu.

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ABAG pede retomada pragmática das negociações

A associação defende uma retomada técnica e objetiva das discussões, com foco na redução de incertezas e no destravamento de investimentos e acordos bilaterais. A expectativa é que os países favoráveis ao tratado encontrem alternativas para acelerar sua implementação e garantir avanços concretos na relação entre os dois blocos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Greening, safra menor e queda no consumo pressionam o setor brasileiro

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A citricultura brasileira chega à safra 2026/27 pressionada por três problemas simultâneos: quase metade das laranjeiras do principal cinturão produtivo está contaminada pelo greening, a produção deve cair cerca de 10% e o consumo mundial de suco perdeu força depois de anos de preços elevados. Embora continue líder global, o Brasil precisa controlar a doença e ampliar mercados para evitar uma pressão maior sobre produtores e indústrias.

A primeira reestimativa do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) aponta uma produção de 263,15 milhões de caixas de 40,8 quilos em São Paulo e no Triângulo e Sudoeste de Minas Gerais. O volume equivale a aproximadamente 10,7 milhões de toneladas de laranja.

A projeção ficou 3,1% acima da estimativa inicial, divulgada em maio, mas ainda representa uma queda de cerca de 10% diante das 292,94 milhões de caixas colhidas na temporada 2025/26. A recuperação sobre a primeira previsão ocorreu principalmente porque os frutos ganharam peso com as chuvas.

Entre maio e agosto, o cinturão citrícola recebeu 210 milímetros de chuva, volume 51% superior à média histórica do período. O peso médio estimado passou de 160 para 166 gramas por fruto, reduzindo de 255 para 246 o número de laranjas necessário para completar uma caixa.

O efeito positivo da chuva, porém, não elimina os riscos. A colheita está mais lenta e os frutos permanecem por mais tempo nas árvores, expostos a pragas, doenças e queda prematura. Até meados de agosto, apenas 27% da produção prevista havia sido retirada dos pomares.

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A taxa média de queda dos frutos foi elevada de 23,7% para 24,1%. Nas variedades tardias, que ainda têm grande parte da produção no campo, a perda projetada chega a 27,3% para Valência e Folha Murcha e a 30,9% para a variedade Natal.

O greening permanece como o maior problema da atividade. O levantamento mais recente sobre a doença mostrou que 47,6% das laranjeiras do cinturão citrícola estavam contaminadas em 2025. A severidade média também aumentou, passando de 18,7% para 22,7% da copa das plantas.

Transmitido pelo psilídeo, um pequeno inseto, o greening não tem cura. A doença reduz a produtividade, provoca queda precoce e produz frutos menores, deformados e amargos. O controle exige monitoramento frequente, combate ao inseto transmissor e eliminação das plantas doentes, especialmente em regiões onde a incidência ainda é baixa.

Na safra 2025/26, o greening foi responsável pela perda estimada de 49,59 milhões de caixas. A doença respondeu sozinha por 13 pontos percentuais da taxa total de queda de 23,2% registrada naquele ciclo.

A pressão não está restrita aos pomares. Depois de quatro anos de resultados elevados, o mercado internacional entrou em uma fase de ajuste. As exportações brasileiras de suco de laranja somaram 746,9 mil toneladas na safra 2025/26, praticamente o mesmo volume da temporada anterior, mas a receita caiu aproximadamente 30%.

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Os preços elevados das safras anteriores levaram parte dos consumidores a substituir o suco de laranja por bebidas mais baratas. Problemas de qualidade provocados pelo clima e pelo greening também afetaram o mercado. Na Europa, principal destino histórico do produto brasileiro, o volume adquirido caiu 10,9%. No Japão, a retração chegou a 28,6%.

O aumento das chuvas nesta temporada favoreceu o tamanho das laranjas, mas poderá reduzir a concentração de sólidos solúveis, medida pelo índice brix. Para a indústria, isso significa que pode ser necessário processar mais caixas para obter a mesma quantidade de suco concentrado, reduzindo parte do ganho trazido pelo maior peso dos frutos.

A busca por novos compradores tornou-se, portanto, uma necessidade para equilibrar a cadeia. O produto brasileiro não enfrenta grandes restrições sanitárias, mas encontra tarifas elevadas em mercados com potencial de consumo, como Japão, Coreia do Sul e Índia. A redução dessas barreiras poderia ampliar os destinos e diminuir a dependência de poucos compradores.

Maior produtora mundial de laranja e líder na exportação de suco, a citricultura brasileira mantém escala, tecnologia e capacidade industrial. O desafio agora é impedir que o avanço do greening, a queda da produtividade e o enfraquecimento do consumo reduzam a rentabilidade de uma cadeia que depende de investimentos contínuos para renovar pomares e manter a produção.

Fonte: Pensar Agro

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