AGRONEGÓCIO
Impactos Severos das Queimadas e a Necessidade de Recuperação da Fertilidade do Solo
Publicado em
8 de outubro de 2024por
Da Redação
Segundo Valter Casarin, coordenador geral e científico da Nutrientes Para a Vida, um levantamento realizado pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) revela que, entre agosto e setembro, mais de 10 milhões de pessoas em 531 municípios brasileiros estão sendo afetadas pelas consequências dos incêndios nos biomas do país. Nesse contexto, 1,4 milhão de habitantes também enfrentam os efeitos da estiagem, com 154 cidades lidando com a seca. Os prejuízos acumulados, decorrentes tanto da seca quanto dos incêndios florestais, já somam pelo menos R$ 2 bilhões. Esses dados ressaltam a urgência de compreender os impactos das queimadas, especialmente nos canaviais, que foram a lavoura mais atingida neste ano no Estado de São Paulo.
Embora as queimadas tenham sido gradualmente abandonadas em grande parte das lavouras de cana-de-açúcar, ainda ocorrem em áreas de difícil colheita mecanizada. A abolição desse método foi essencial, pois provoca perdas significativas de biomassa, emite grandes volumes de carbono e polui o ar.
Um dos efeitos mais imediatos das queimadas é a perda de elementos minerais na atmosfera, seja por volatilização na forma gasosa ou pela convecção de partículas finas na fumaça. O nitrogênio, juntamente com o enxofre e o boro, é um elemento particularmente vulnerável, pois volatiliza a temperaturas relativamente baixas (cerca de 200°C). As perdas de outros elementos minerais variam conforme a intensidade das queimadas. Em termos gerais, a perda é expressa em percentuais das quantidades iniciais da seguinte forma: nitrogênio (N) > potássio (K) > fósforo (P) > cálcio (Ca). O nitrogênio se perde principalmente por volatilização, enquanto o cálcio é transportado por partículas; potássio e fósforo são afetados por ambos os mecanismos. Além disso, algumas concentrações de metais, como vanádio, manganês e níquel, aumentam no solo, enquanto cobalto e cobre permanecem constantes. O selênio e o zinco são mobilizados pelo fogo.
Embora as cinzas possam enriquecer temporariamente o solo, a relação custo-benefício das queimadas é insustentável, considerando o grande dano econômico e ambiental que elas causam, além dos riscos de incêndios. Após o fogo, a matéria orgânica é mineralizada e enriquece o solo em nutrientes, mas essa vantagem é efêmera, já que a maioria dos nutrientes se perde rapidamente.
A erosão do solo após as queimadas representa, sem dúvida, o dano ecológico mais severo, causando prejuízos significativos para as lavouras, propriedades e comunidades rurais. O solo é fundamental para a nutrição da vegetação e das pessoas, e seu processo de recuperação é extremamente lento. A destruição das qualidades físicas, biológicas e químicas do solo é nociva. As perdas podem variar dependendo da inclinação do terreno, das condições climáticas após as queimadas e das características do solo. Contudo, a drenagem pode ser minimizada se a vegetação for recuperada rapidamente após o incêndio.
As perdas de nutrientes causadas pelas queimadas obrigam os produtores a compensar essa redução com o uso de fertilizantes. É importante ressaltar que os adubos são cruciais para o rápido desenvolvimento das culturas, promovendo a cobertura do solo e a produção de biomassa necessária para formar palha, o que ajuda a proteger a terra contra ervas daninhas e erosão, além de aumentar o sequestro de carbono e fornecer nutrientes.
Por todas essas razões, é um equívoco acreditar que as queimadas possam ter aspectos positivos. Para restaurar plenamente as boas condições do solo e o seu nível de nutrientes nas milhares de propriedades rurais afetadas pelos incêndios no Brasil este ano, será necessário um investimento significativo em nutrientes. Felizmente, esses nutrientes estão disponíveis. No entanto, o fator mais crucial para evitar os riscos e as perdas econômicas e ambientais causadas pelo fogo é a conscientização e a responsabilidade.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Carne, café e soja terão que comprovar origem a partir de 30 de dezembro
Published
6 horas agoon
5 de outubro de 2026By
Da Redação
Produtores, cooperativas e exportadores brasileiros que abastecem o mercado europeu têm menos de três meses para revisar as informações de origem dos produtos sujeitos ao Regulamento Europeu Antidesmatamento (EUDR). A aplicação começa em 30 de dezembro para grandes e médios operadores abrangidos pela norma. A preparação exige identificar as áreas de produção, conferir fornecedores e reunir evidências de regularidade.
O regulamento alcança bovinos, cacau, café, óleo de palma, borracha, soja, madeira e determinados derivados. Para entrar no mercado europeu, os produtos incluídos precisam atender a dois critérios: estar livres de desmatamento posterior a 31 de dezembro de 2020 e ter sido produzidos conforme a legislação aplicável no país de origem.
Isso significa que uma autorização de supressão de vegetação concedida no Brasil não afasta, por si só, o critério europeu. O comprador responsável pela entrada da mercadoria no bloco terá de verificar tanto a legalidade da produção quanto o histórico da área.
A localização é uma das informações centrais. Para produtos agrícolas, o regulamento exige a geolocalização das áreas onde a matéria-prima foi produzida. Quando um lote reúne produção de diferentes propriedades, as respectivas origens precisam ser identificadas.
Na pecuária, a exigência envolve os estabelecimentos onde os bovinos foram mantidos. A organização dos dados, portanto, precisa alcançar as etapas anteriores ao fornecimento para o abate, conforme os requisitos aplicáveis ao produto.
O Cadastro Ambiental Rural (CAR) pode integrar o conjunto de informações utilizado na comprovação. Sua apresentação, entretanto, precisa estar acompanhada de dados e evidências verificáveis sobre a área, a produção e sua conformidade. Divergências entre coordenadas, documentos e registros dos fornecedores podem dificultar a análise.
A obrigação de realizar a chamada diligência devida, processo de coleta de informações e avaliação de riscos, recai principalmente sobre o operador que introduz o produto no mercado europeu pela primeira vez ou o exporta da União Europeia. O produtor brasileiro que fornece a uma empresa responsável pela exportação pode receber pedidos de informações necessários ao cumprimento dessas obrigações.
Essa diferença também importa para os prazos. A maior parte dos micro e pequenos operadores abrangidos terá até 30 de junho de 2027, mas isso não assegura automaticamente um prazo adicional ao pequeno produtor brasileiro. Quem abastece um comprador sujeito às regras em dezembro precisa organizar os dados conforme as necessidades dessa cadeia.
Há uma exceção no calendário: micro e pequenos operadores já alcançados pelo regulamento europeu da madeira deverão cumprir a EUDR a partir de 30 de dezembro de 2026.
O Brasil está classificado pela Comissão Europeia como país de risco padrão. Por isso, os produtos brasileiros não recebem, de forma geral, a simplificação da diligência reservada às origens de baixo risco. O operador deve avaliar as informações e adotar medidas para reduzir eventuais riscos de descumprimento.
Quando os dados obrigatórios não podem ser obtidos, o produto não pode ser colocado no mercado europeu pelo operador sujeito à regra. Os documentos da diligência devem ser conservados por cinco anos.
A lista de produtos também merece atenção. Segundo a Comissão Europeia, itens acrescentados ao alcance da norma em 2026, como café solúvel, determinados derivados do óleo de palma e línguas bovinas congeladas, estarão sujeitos às exigências a partir de 30 de dezembro de 2027.
Para preparar os próximos embarques, o primeiro passo é confirmar com o comprador quais produtos e operações estão abrangidos. Depois, conferir as localizações, relacionar cada fornecimento à sua origem e organizar o histórico das áreas e os documentos de legalidade. A revisão antecipada permite identificar lacunas antes que elas comprometam a comercialização.
Fonte: Pensar Agro
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