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IICA faz radiografia do comércio lácteo na América Central e aponta desafios para aumentar exportações para além da região

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O setor lácteo centro-americano é chamado a aumentar o comércio para além da região e aproveitar ainda mais os acordos comerciais para alcançar novos mercados de exportação, alerta um recente relatório do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA).

Trata-se do Relatório do estado atual dos acordos comerciais vigentes da região América Central no setor lácteo: oportunidades e desafios para seu melhor aproveitamento, que representa uma radiografia da situação dos acordos comerciais e seus compromissos na região, o grau de liberalização comercial alcançado e as ações que os países executaram quanto à sua administração e, em particular, ao aproveitamento das oportunidades que esses acordos significam.

O relatório, elaborado por Adriana Campos e Alejandra Díaz, especialistas do IICA em Comércio e Sanidade Agropecuária, respectivamente, destaca um conjunto de desafios enfrentados pela indústria láctea em termos de sustentabilidade social, ambiental e econômica, a fim de promover o comércio internacional na região.

Os maiores destinos das exportações lácteas centro-americanas são os Estados Unidos e a República Dominicana, indica o documento, mas existe o desafio de potencializar ainda mais o comércio extrarregional, pois o principal destino das exportações é o próprio mercado intrarregional, com uma participação de 78% nas vendas totais.

O relatório também propõe que, no âmbito dos serviços básicos, é prioritário dispor de avanços em uma infraestrutura viária adequada, eletrificação rural, conectividade e uma maior cobertura de assistência técnica, com o que se poderia aumentar a produtividade, a rentabilidade e a modernização dos processos produtivos.

Na região centro-americana, o setor lácteo se sustenta em mais de 245.000 produtores, em sua maioria, pequenos produtores familiares.

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Afirma-se que é crucial facilitar o acesso a crédito a essas pessoas para investimentos em áreas como produção, comercialização, processamento e transporte refrigerado, que atualmente limitam o desenvolvimento do setor.

A América Central anualmente produz 3,1897 bilhões de litros de leite, divididos entre os setores formal e informal. Precisamente, o mercado informal representa um desafio, uma vez que conseguiu alcançar 55% da produção de leite da região, na qual existem cerca de 3.500 processadoras artesanais que elaboram — em sua maioria — produtos de baixos padrões de qualidade destinados ao mercado local, com escassa ou nula vigilância das autoridades competentes.

Apesar desses desafios, em 2021, as exportações de produtos lácteos alcançaram US$458 milhões, sendo a Nicarágua e a Costa Rica os principais países exportadores, com a América Latina, o Caribe e a América do Norte como destinos fundamentais.

“É importante potencializar o comércio agroalimentar e regional como propulsor do desenvolvimento sustentável e da segurança alimentar. A publicação contribui com os esforços empenhados pelo IICA e que fazem parte das ações coletivas da Parceria Continental para que os países membros aumentem o comércio e aproveitem os acordos comerciais assinados”, enfatizou a especialista Adriana Campos.

O relatório conclui que é necessário fortalecer as competências e as capacidades organizacionais e de negociação dos produtores, de forma que possam ter acesso às mudanças tecnológicas, à educação e à inovação, para assim aproveitar melhor as oportunidades geradas nos mercados internacionais.

“É abordada a importância de se promover o consumo interno de produtos lácteos, que ainda não alcançou o nível médio recomendado, e se ressalta a necessidade de políticas públicas que fomentem o setor, bem como de enfrentar a comercialização de imitações e sucedâneos, um problema que impacta o consumidor e o desenvolvimento da indústria na região”, observou, por sua vez, a especialista Alejandra Díaz.

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O relatório se aprofunda no papel das organizações na melhoria da governança setorial, na necessidade de uma melhor coordenação entre ministérios e secretárias e na importância de fortalecer as políticas públicas para equilibrar a produtividade do mercado e as demandas dos produtores e empresários.

Em termos de adaptação à mudança do clima, manifesta-se que o setor lácteo requer a elaboração e a implementação de estratégias para enfrentá-la, produzir melhores forragens e, de modo geral, aumentar a competitividade; assim, o conhecimento, a pesquisa, a transferência de tecnologia, a capacitação, a assistência técnica e as parcerias público-privadas são fundamentais para facilitar o desenvolvimento de sistemas de produção eficientes, rentáveis e sustentáveis.

O documento advoga pela disponibilidade de informações e estatísticas, uma vez que esse setor carece de dados precisos e atualizados, o que impede a medição e a análise de variáveis críticas para o seu desenvolvimento.

Esse trabalho elaborado pelo IICA faz parte dos esforços conjuntos que ele realiza com a Secretaria do Conselho Agropecuário Centro-Americano (SECAC), o Sistema da Integração Centro-Americana e a Federação Centro-Americana do Setor Lácteo (FECALAC) para melhorar a competitividade e a sustentabilidade do setor lácteo regional, mediante a construção e a divulgação de bens públicos que promovem a melhoria da sanidade animal, da inocuidade e da qualidade, a facilitação do comércio e a revalorização da leite e dos produtos lácteos.

Fonte: IICA

Fonte: Portal do Agronegócio

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Produção de suínos cresce 50% e abre espaço para novos investimentos

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A suinocultura de Mato Grosso do Sul cresceu aproximadamente 50% nos últimos três anos e já alcança cerca de 3,6 milhões de animais abatidos por ano. A expansão, que coloca o Estado entre os principais polos emergentes da atividade no País, estará no centro das discussões do VIII Fórum de Desenvolvimento da Suinocultura de Mato Grosso do Sul, marcado para 17 de setembro, em Dourados (a cerca de 240km da capital, Campo Grande).

O avanço ocorre em uma região que até poucos anos atrás tinha participação bem menor na produção nacional de carne suína. Mato Grosso do Sul passou a ocupar a quinta posição no ranking brasileiro de abates, atrás de Estados com tradição muito mais antiga na atividade, como Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.

Parte dessa expansão está associada à disponibilidade de milho e soja, principais componentes da alimentação dos animais e responsáveis pela maior parcela do custo de produção. A proximidade entre as granjas e as regiões produtoras de grãos reduz distâncias no abastecimento de ração e cria condições para a instalação de novas unidades produtivas e industriais.

Outro fator é o crescimento do número de matrizes. Em 2026, mais de 111,5 mil matrizes já estavam cadastradas no Programa Leitão Vida, política estadual de incentivo à produção. Até o início de junho, 272 estabelecimentos participavam do programa.

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No mesmo período, 1,63 milhão de suínos haviam sido abatidos dentro do programa e os incentivos concedidos aos produtores superavam R$ 45 milhões. A atividade também acumulou aproximadamente R$ 1,7 bilhão em cartas-consulta aprovadas pelo Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO) nos últimos sete anos.

A política de incentivo passou ainda por mudanças. O novo protocolo do Leitão Vida ampliou as exigências relacionadas à biossegurança, bem-estar animal, rastreabilidade, sustentabilidade e utilização de tecnologias nas propriedades.

Dos 272 estabelecimentos participantes neste ano, 239 já haviam migrado para o novo sistema de conformidade. A intenção é atrelar parte dos incentivos não apenas ao volume produzido, mas também ao cumprimento de padrões técnicos, sanitários e ambientais.

Para o produtor, essa mudança ganha importância porque a expansão da atividade depende cada vez mais do acesso a mercados exigentes. Sanidade, rastreabilidade e biossegurança deixaram de ser apenas questões internas das granjas e passaram a influenciar diretamente a capacidade de frigoríficos e produtores alcançarem novos compradores.

Mato Grosso do Sul também ampliou sua estrutura industrial. Unidades instaladas no Estado vêm aumentando a capacidade de abate, movimento necessário para acompanhar o crescimento das granjas e evitar um desequilíbrio entre a oferta de animais e a capacidade de processamento.

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A expansão da suinocultura cria ainda uma demanda adicional para a agricultura estadual. Cada aumento no alojamento de animais significa maior consumo de milho e farelo de soja, estabelecendo uma relação direta entre o crescimento das granjas e o mercado regional de grãos.

Esse movimento pode ser especialmente importante para regiões com grande produção de milho segunda safra. A instalação de unidades de produção animal permite transformar parte do grão dentro do próprio Estado em proteína de maior valor agregado, reduzindo a necessidade de transportar toda a produção agrícola por longas distâncias até outros centros consumidores.

O crescimento, entretanto, exige investimentos elevados. Construção e modernização de granjas, climatização, tratamento de dejetos, biossegurança, armazenagem de ração e adequações ambientais aumentam a necessidade de capital e tornam a expansão dependente de planejamento financeiro e acesso ao crédito.

Consolidado como um dos principais encontros da suinocultura no Centro-Oeste, o Fórum ocorre justamente quando Mato Grosso do Sul tenta transformar o forte crescimento dos últimos anos em uma cadeia maior, mais tecnificada e com maior participação nos mercados nacional e internacional.

Serviço

VIII Fórum de Desenvolvimento da Suinocultura de Mato Grosso do Sul
Data: 17 de setembro de 2026
Horário: 7h às 18h
Local: Unigran – Dourados (MS)

Fonte: Pensar Agro

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