AGRONEGÓCIO
IHARA Investe em Nova Fábrica e Anuncia Novos Produtos para Pastagens
Publicado em
9 de agosto de 2024por
Da RedaçãoA IHARA, empresa especializada em defensivos agrícolas, destina cerca de R$ 20 milhões para a construção de uma nova fábrica voltada para a produção de herbicidas específicos para pastagens. Localizada no complexo fabril da empresa em Sorocaba/SP, a unidade já está concluída e iniciará a produção ainda este ano, com o objetivo de atender à demanda da safra 2024/2025. A capacidade instalada da fábrica foi planejada para suportar o crescimento esperado da IHARA no setor de pastagens nos próximos cinco anos.
Michel Tomazela, engenheiro agrônomo e gerente de Marketing Regional da IHARA, explica que a decisão de investir na nova unidade está alinhada com a necessidade crescente de aumentar a produtividade na pecuária, especialmente na conversão de pastagens degradadas em áreas superprodutivas. “O setor de pastagens oferece muitas oportunidades para o manejo de plantas daninhas, pragas e doenças, com potencial significativo para a expansão do uso de herbicidas, inseticidas e tratamento de sementes. A atual taxa de utilização dessas tecnologias é ainda baixa em comparação com a vasta área de pastagens, mas está em acelerado desenvolvimento”, destaca Tomazela.
Especialistas apontam que a expansão da agricultura está transformando o setor pecuário no Brasil. Em uma década, a pecuária pode perder até 12% de suas áreas para a agricultura. No entanto, o aporte de tecnologia e investimentos será direcionado para as áreas de pastagens restantes. A IHARA está preparada para este futuro, com um portfólio abrangente de produtos para atender tanto pecuaristas quanto agricultores, em criações tradicionais e em integrações Lavoura-Pecuária e Lavoura-Pecuária-Floresta.
A empresa planeja lançar 15 novos produtos nos próximos anos, incluindo inseticidas foliares e para tratamento de sementes, herbicidas pós-emergentes e pré-emergentes para manejar gramíneas invasoras, além de fungicidas para campos de produção de sementes e biológicos. “Estamos antecipando as necessidades do mercado, oferecendo soluções modernas baseadas em tecnologia japonesa para enfrentar os desafios do setor”, afirma Tomazela.
Iniciativa “Fazenda Modelo IHARA” em Parceria com a Fundação MT
Conforme dados da Embrapa, as pastagens brasileiras cobrem cerca de 177 milhões de hectares, dos quais 40% apresentam degradação intermediária e 20% degradação severa. A recuperação de até 40 milhões de hectares de pastagens de baixa produtividade em uma década é uma meta viável com a adoção das práticas e tecnologias adequadas.
Em resposta a esse desafio, a IHARA, em parceria com a Fundação MT, lançou o projeto “Fazenda Modelo IHARA” em Mato Grosso. O projeto visa aplicar técnicas de manejo para o controle de plantas daninhas e pragas, com o objetivo de criar um modelo de sucesso que demonstre aos pecuaristas melhores práticas para reverter a degradação dos pastos. “Estudamos o momento ideal para o gado entrar e sair dos pastos, e a altura do capim. Esperamos mostrar ganhos significativos na capacidade de suporte de animais e no ganho de peso médio diário”, destaca Tomazela.
Entrada no Segmento de Pastagem
Desde sua entrada no segmento de pastagens em 2022, após mais de quatro anos de pesquisa e desenvolvimento, a IHARA lançou um extenso portfólio para atender às necessidades do setor pecuário. Baseando-se em tecnologia japonesa, a empresa adaptou suas soluções para o controle de pragas, doenças, plantas daninhas e tratamento de sementes no Brasil.
O portfólio inclui produtos como o ESTRELA, um inseticida eficaz contra cigarrinhas nas pastagens; o POSSANTE, que controla ovos de cigarrinhas e quebra seu ciclo; o PUREZA N, um fungicida e nematicida para tratamento de sementes de forrageiras; e uma linha de herbicidas, incluindo o INVERNADA, o PALANQUE e o BAIHTA, para controle de diversas plantas daninhas. O PASTOIL, um óleo mineral adjuvante, otimiza a eficácia dos herbicidas ao melhorar a penetração nas folhas das plantas daninhas.
Com esses investimentos e inovações, a IHARA se posiciona para atender de forma eficaz as demandas do setor de pastagens, impulsionando a produtividade e a sustentabilidade na pecuária brasileira.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
MP das dívidas rurais entra na reta final sem garantir renegociação aos produtores
Published
5 horas agoon
24 de agosto de 2026By
Da Redação
A Medida Provisória 1.376/2026, criada para permitir a renegociação de mais de R$ 100 bilhões em dívidas rurais, entra nesta semana em uma fase decisiva no Congresso sem que produtores tenham acesso amplo e uniforme às novas linhas de crédito. A partir de sábado (29.08), o texto passa a tramitar em regime de urgência e começa a bloquear a votação de outras matérias na Câmara dos Deputados.
O primeiro período de vigência da MP termina em 12 de setembro. O prazo pode ser prorrogado por mais 60 dias caso a votação não seja concluída, mas o calendário expõe a distância entre a urgência financeira das propriedades e o ritmo de execução da medida. A comissão mista encarregada de analisar o texto foi instalada em 12 de agosto e ainda precisa aprovar um parecer antes que a proposta siga para os plenários da Câmara e do Senado.
Enquanto o Congresso discute alterações, os produtores enfrentam dificuldades para transformar a autorização legal em contratos. A regulamentação do Conselho Monetário Nacional (CMN) foi publicada em 23 de julho, mas a portaria que permitiu ao Tesouro Nacional equalizar as taxas de juros saiu apenas em 13 de agosto, quase um mês depois da edição da MP.
A Portaria 2.423 autorizou limites próximos de R$ 25,8 bilhões para operações com juros subsidiados. Os recursos foram distribuídos entre dez bancos e sistemas cooperativos, incluindo Banco do Brasil, Banrisul, Banco da Amazônia, Banco de Brasília, Banpará, Sicoob, Sicredi, Cresol, Credicoamo e Banco DLL.
A publicação retirou um dos principais entraves regulatórios, mas não tornou a contratação automática. Cada instituição ainda precisa organizar seus procedimentos internos, verificar o enquadramento das dívidas e analisar a capacidade de pagamento, o risco e as garantias apresentadas pelo produtor. Até agora, não foi divulgado um balanço nacional consolidado que mostre quanto dos R$ 25,8 bilhões já se converteu efetivamente em contratos.
A diferença entre o volume autorizado e o tamanho do problema também aumenta a pressão. Levantamento elaborado a partir de informações do Banco Central aponta que o crédito rural acumulava R$ 197,2 bilhões em saldos considerados problemáticos em junho, equivalentes a aproximadamente 22,5% da carteira ativa.
Desse total, R$ 38,1 bilhões estavam inadimplentes, R$ 20,9 bilhões correspondiam a operações em atraso, R$ 31,6 bilhões haviam sido prorrogados e R$ 106,4 bilhões estavam em financiamentos já renegociados. Os números indicam que o valor disponível nas linhas subsidiadas poderá atender apenas a uma parcela da demanda.
O próprio Banco do Brasil, principal financiador do campo, identificou uma carteira potencial de até R$ 100 bilhões que poderia ser enquadrada na medida. O montante envolve aproximadamente 113 mil clientes, entre produtores inadimplentes e tomadores com contratos anteriormente prorrogados ou renegociados.
A MP atende produtores rurais e cooperativas de produção agropecuária que comprovem perdas em pelo menos duas safras entre 2019 e 2025. Também é necessário demonstrar redução mínima de 30% da renda bruta esperada, causada por eventos climáticos extremos ou pela queda dos preços dos produtos financiados.
A comprovação depende de laudo elaborado por profissional legalmente habilitado. Esse requisito é um dos pontos questionados por representantes do setor, principalmente em regiões nas quais as perdas foram generalizadas e já reconhecidas por levantamentos oficiais, decretos de emergência e registros das próprias instituições financeiras.
Pelas regras gerais, agricultores familiares enquadrados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) podem contratar até R$ 400 mil, com juros de 6% ao ano. Para os médios produtores do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), o limite é de R$ 2 milhões, com taxa de 9%. Os demais produtores podem acessar até R$ 4 milhões, com juros de 12% ao ano.
Nessa modalidade, o prazo de pagamento chega a oito anos, com a primeira amortização do principal dois anos depois da contratação. Os juros, contudo, precisam ser pagos durante o período de carência.
Há condições melhores para produtores que comprovem perdas mais severas. Quem registrar prejuízos em pelo menos três safras, provocados por eventos climáticos extremos, e redução mínima de 40% da renda poderá obter prazo de até dez anos. Os limites chegam a R$ 500 mil no Pronaf, R$ 2,5 milhões no Pronamp e R$ 8 milhões para os demais produtores, com taxas de 5%, 8% e 11% ao ano, respectivamente.
Mesmo preenchendo os requisitos, o produtor não tem aprovação garantida. O risco das operações continua sob responsabilidade das instituições financeiras, que podem exigir novas garantias ou negar o crédito após a análise. Essa condição ajuda a explicar por que a existência de recursos autorizados não significa que todo produtor endividado conseguirá aderir.
O prazo para contratação termina em 12 de novembro. Como parte desse período já foi consumida pela regulamentação, produtores e entidades do setor alertam para o risco de concentração dos pedidos nas últimas semanas, demora na análise dos documentos e esgotamento dos limites disponíveis em determinadas instituições.
No Congresso, a quantidade de propostas de mudança revela a insatisfação com o alcance do texto original. A MP recebeu 144 emendas. Entre as alterações sugeridas estão a inclusão de mais operações de investimento, capital de giro e Cédulas de Produto Rural (CPRs), a ampliação das datas de enquadramento, a redução das exigências para comprovação das perdas e a extensão dos prazos de pagamento.
Também há pressão para que a medida contemple produtores que renegociaram contratos anteriormente, mas voltaram a perder safras, além daqueles cujas dívidas foram transferidas, cedidas ou substituídas por outros instrumentos financeiros. O desafio será ampliar o público sem elevar o custo fiscal a um nível que impeça um acordo para a aprovação.
Para o produtor, a orientação é procurar imediatamente a instituição credora e formalizar o interesse na renegociação. Contratos, extratos das operações, comprovantes de perdas, registros de produtividade, documentos fiscais e laudos técnicos devem ser reunidos antes da abertura do pedido. O protocolo da solicitação também é importante para demonstrar que a procura ocorreu dentro do prazo.
A entrada da MP em regime de urgência aumenta a pressão política, mas não resolve os obstáculos encontrados nas agências bancárias. O resultado da medida será definido menos pelo volume anunciado e mais pela quantidade de produtores que conseguirem superar as exigências, aprovar o crédito e assinar os contratos até novembro.
Fonte: Pensar Agro
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