AGRONEGÓCIO

hEDGEpoint atualiza safra de cana, açúcar e etanol do Centro-Sul para 605M ton

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Apesar das preocupações com a queda da produtividade, com uma estimativa de 30% da produção de cana recebendo chuvas médias, é prematuro prever um volume de cana abaixo de 600 Mt.

O volume de cana, que varia de 595 Mt a 615 Mt, afeta significativamente o balanço global, com implicações para os fluxos comerciais e a dinâmica do mercado. Exploraremos alguns cenários ao longo deste relatório.

Mesmo com números menores de cana, o mix de açúcar sustenta uma produção robusta no Centro Sul, não permitindo um retorno a preços mais altos. O sentimento do mercado de curto prazo segue contido devido à melhoria das perspectivas em relação ao desempenho do Hemisfério Norte e à expectativa de uma recuperação para 24/25. Além disso, há uma maior concorrência com outras soft commodities, como o cacau, que oferecem ganhos potencialmente maiores.

O principal motivo de suporte aos preços do açúcar continua sendo o viés de baixa que a produção da região Centro Sul enfrenta.

“A precipitação de fevereiro, aliada ao clima desfavorável na primeira quinzena de março, diminuiu o otimismo e nos levou a reavaliar nossas projeções de volume de cana. Neste relatório, exploraremos vários cenários e avaliaremos seu impacto sobre a oferta e a demanda globais, bem como sobre os fluxos de comércio”, diz Lívea Coda, analista de Açúcar e Etanol da hEDGEpoint Global Markets.

“Mas, primeiro, é importante observar que, embora a umidade do solo e a precipitação acumulada indiquem um possível declínio mais acentuado na produtividade em comparação com nossas estimativas, os efeitos da seca não foram uniformes em toda a região Centro Sul. A parte norte foi significativamente mais afetada do que a parte sul. Além disso, de outubro a dezembro, os níveis de precipitação e umidade do solo permaneceram mais altos do que em 2020, antes da quebra da safra 21/22. Portanto, acreditamos que ainda é prematuro prever um volume de cana abaixo de 600 Mt”, observa a analista.

Apesar da reversão para uma produtividade mais típica, é improvável que a temporada 24/25 represente uma grande quebra, permanecendo dentro da faixa mais alta de produção de cana e açúcar observada nos anos anteriores.

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De acordo com Lívea, “embora a cana esteja envelhecendo um pouco devido às interrupções no plantio de 18 meses causadas pelas chuvas, prevemos um aumento na área de pelo menos 1,25%. Essa expansão pode compensar alguns dos impactos do envelhecimento da cana, garantindo um bom volume de matéria-prima. Espera-se que a idade média da cana aumente de 3,2 para cerca de 3,4 anos, um pouco abaixo da média de 3,5 anos observada entre as safras 20/21 e 21/22”.

Ao analisar regiões proxy considerando os padrões de chuva, estimamos que aproximadamente 30% da produção de cana do Centro Sul recebeu chuvas médias, enquanto 23% tiveram níveis abaixo da média e aproximadamente 47% registraram níveis mínimos.

Embora nosso modelo estatístico, que leva em conta os dias perdidos e a umidade média do solo de dezembro a fevereiro, sugira um impacto mais brando, é essencial considerar as tendências de dados históricos e as previsões de mercado.

“Levando todos os fatores em consideração, a região Centro-Sul poderia registrar uma queda de 8,4% na produção, voltando a um TCH mais típico de quase 79 t/ha e cerca de 605,8 milhões de toneladas de cana”, destaca.

“Qual seria o impacto global? Para fins deste exercício, examinaremos três possíveis números de produção de cana: nossa estimativa anterior de 615 Mt, nossa estimativa revisada de 605 Mt e o pior cenário de 595 Mt. Fica evidente que o resultado depende significativamente do mix de açúcar. Com as usinas investindo pesadamente na capacidade de cristalização, o índice poderia aumentar de 51% para 52,5%”, pontua.

Valores reportados pelas usinas sugerem que o mix deve ser mais próximo de 52%. Com os números ajustados de produção de cana pela hEDGEpoint, isso implicaria em uma mudança de quase 42 Mt de açúcar para 41,7 Mt (do cenário A para o cenário B).

“No cenário B, o déficit total do fluxo comercial entre o 1T/24 e o 1T/25, considerando cálculos simples, aumentaria de -119 kt para -346 kt, portanto, o mercado permaneceria relativamente equilibrado. Em termos de oferta e demanda global, o principal impacto seria um aprofundamento do déficit previsto para o dia 24/25 (outubro-setembro) de 2,3 Mt para 2,7 Mt. No entanto, é importante observar que é bastante difícil fornecer uma estimativa confiável para a safra 24/25, pois as expectativas para o Hemisfério Norte podem melhorar se o efeito La Niña for menos severo”, pondera.

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Mesmo com os números da cana caindo para 595 Mt, o mix de açúcar ainda garantiria uma produção robusta do Centro Sul. Com quase 41 milhões de toneladas, a região manteria os fluxos comerciais com um déficit reduzido de 1,1 milhão de toneladas.

“No entanto, esse cenário (C) é mais suportivo do que nossa estimativa atual (B), mas não implica um retorno às negociações a 28 c/lb. De fato, a menos que ocorra uma falha imprevista na região ou uma deterioração na safra do Hemisfério Norte, poderemos experimentar um momento comercial bastante monótono”, pondera.

Os fundos não teriam interesse em participar do mercado no curto prazo, já que outras commodities leves oferecem ganhos potencialmente mais altos com maior volatilidade, como o cacau.

“Portanto, enquanto aguardamos novos desenvolvimentos no clima, os fundamentos de curto prazo parecem estar razoavelmente precificados, e poderíamos ver mais negociações na faixa de 20-22 c/lb, com potencial de alta para 23 c/lb, dependendo de como o mercado interpretar o início da safra 24/25 do Centro Sul do Brasil”, conclui.

Mesmo com números menores de cana, o mix de açúcar sustenta uma produção robusta no Centro Sul, não permitindo um retorno a preços mais altos. O sentimento do mercado de curto prazo segue contido devido à melhoria das perspectivas em relação ao desempenho do Hemisfério Norte e à expectativa de uma recuperação para 24/25. Além disso, há uma maior concorrência com outras soft commodities, como o cacau, que oferecem ganhos potencialmente maiores.

Fonte: hEDGEpoint Global Markets

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Matopiba desponta como nova fronteira da produtividade no Brasil

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O avanço do agronegócio está mudando o mapa da produtividade brasileira e levando parte do dinamismo econômico para o Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Enquanto o indicador nacional cresceu 18,7% entre 2002 e 2019, três Estados da região registraram alguns dos maiores aumentos do País.

O Piauí liderou o crescimento da produtividade do trabalho no período, com alta de 103%. O Maranhão avançou 86% e o Tocantins, 69,7%. Os resultados acompanham a expansão da fronteira agrícola e indicam que a transformação provocada pelo campo ultrapassou o aumento da área plantada e do volume colhido.

Os dados fazem parte do estudo “Missing the Productivity: Estimating Labor Productivity in Brazilian Municipalities (2002–2019)”, dos pesquisadores Alan Bueno e Diogo Ferraz. Divulgado em julho, o trabalho construiu uma base anual com informações dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros.

O levantamento é um pré-print, versão que ainda não passou pela etapa definitiva de revisão acadêmica. Embora tenha alcance nacional e não seja dedicado exclusivamente ao Matopiba, o estudo revela grandes ganhos de produtividade nas fronteiras agropecuárias e uma evolução mais lenta nos Estados historicamente industrializados.

A produtividade analisada não é o rendimento das lavouras por hectare. O indicador mede quanto valor é produzido por trabalhador. Ele aumenta quando a incorporação de máquinas, tecnologia, qualificação e métodos mais eficientes de gestão permite ampliar a produção sem elevar na mesma proporção o número de pessoas ocupadas.

No Brasil, a agropecuária foi o setor que apresentou o maior avanço entre 2002 e 2019. A produtividade do trabalho no campo cresceu 80,1%, diante de aumentos de 10,3% nos serviços e de apenas 5,4% na indústria.

O resultado ajuda a explicar por que regiões antes com menor participação na economia nacional passaram a atrair armazéns, transportadoras, revendas de máquinas e insumos, instituições financeiras, empresas de tecnologia, indústrias de alimentos e prestadores de serviços.

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Para Alan Bueno, professor da Universidade Estadual do Paraná e um dos autores do estudo, o avanço do Matopiba pode ser comparado à transformação ocorrida no Centro-Oeste a partir da segunda metade do século passado.

“O Matopiba é o novo ouro. É o que foi o Centro-Oeste nos anos 1950. Trata-se de um crescimento que faz mudar a realidade regional”, afirmou.

Segundo o pesquisador, o campo passou a funcionar como ponto de partida de uma rede econômica mais ampla. “O agro converteu-se no catalisador de uma vasta rede econômica, envolvendo transporte, comércio, construção civil, tecnologia, crédito e serviços”, explicou.

A expansão foi sustentada principalmente pela produção de soja, milho e algodão, além da pecuária. O desenvolvimento de sementes adaptadas ao Cerrado, a correção dos solos, a mecanização e a agricultura de precisão permitiram que a região ampliasse sua participação na produção nacional.

Os dados mais recentes indicam que o movimento continuou depois de 2019, último ano abrangido pelo estudo. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia colham juntos aproximadamente 41,4 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, aumento próximo de 9% sobre o ciclo anterior.

A Bahia deverá liderar a produção regional, com cerca de 15 milhões de toneladas. O Tocantins aparece em seguida, com 9,74 milhões, seguido pelo Maranhão, com 9,05 milhões, e pelo Piauí, com 7,58 milhões de toneladas.

Somente a soja deve alcançar 25,4 milhões de toneladas nos quatro Estados, o equivalente a aproximadamente 14% da produção brasileira da oleaginosa. O resultado consolida o Matopiba como fornecedor relevante para as indústrias de óleo, farelo, rações, carnes e biocombustíveis.

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O avanço da produtividade, porém, não significa que os benefícios econômicos sejam distribuídos automaticamente. A mecanização reduz a necessidade de algumas tarefas manuais, ao mesmo tempo que amplia a procura por operadores de máquinas, técnicos agrícolas, engenheiros agrônomos, mecânicos e profissionais de tecnologia e logística.

Sem capacitação local, parte dessas vagas pode ser preenchida por trabalhadores vindos de outras regiões. O aumento da riqueza também depende da capacidade dos municípios de converter maior arrecadação em educação, saúde, saneamento e infraestrutura.

Outro desafio é evitar que o Matopiba permaneça apenas como fornecedor de produtos primários. A instalação de esmagadoras de soja, fábricas de rações, frigoríficos, usinas de biocombustíveis e indústrias de alimentos permitiria agregar valor à produção e manter uma parcela maior da renda na própria região.

O crescimento também aumenta a pressão sobre estradas, ferrovias, armazéns e terminais de exportação. Sem infraestrutura compatível, parte do ganho obtido dentro das propriedades pode ser perdida com fretes elevados, filas e demora no escoamento.

Há ainda o desafio de conciliar a expansão produtiva com a conservação do Cerrado, a regularização fundiária e a inclusão da agricultura familiar. A competitividade futura da região dependerá não apenas do volume produzido, mas também da capacidade de comprovar a origem e a sustentabilidade dos produtos.

O estudo mostra que a produtividade brasileira começou a mudar de endereço. O Matopiba já produz mais por trabalhador e movimenta uma cadeia econômica cada vez maior. O próximo passo será transformar essa eficiência em indústria, empregos qualificados e melhoria permanente da renda da população.

Fonte: Pensar Agro

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