AGRONEGÓCIO
hEDGEpoint atualiza safra de cana, açúcar e etanol do Centro-Sul para 605M ton
Publicado em
21 de março de 2024por
Da RedaçãoApesar das preocupações com a queda da produtividade, com uma estimativa de 30% da produção de cana recebendo chuvas médias, é prematuro prever um volume de cana abaixo de 600 Mt.
O volume de cana, que varia de 595 Mt a 615 Mt, afeta significativamente o balanço global, com implicações para os fluxos comerciais e a dinâmica do mercado. Exploraremos alguns cenários ao longo deste relatório.
Mesmo com números menores de cana, o mix de açúcar sustenta uma produção robusta no Centro Sul, não permitindo um retorno a preços mais altos. O sentimento do mercado de curto prazo segue contido devido à melhoria das perspectivas em relação ao desempenho do Hemisfério Norte e à expectativa de uma recuperação para 24/25. Além disso, há uma maior concorrência com outras soft commodities, como o cacau, que oferecem ganhos potencialmente maiores.
O principal motivo de suporte aos preços do açúcar continua sendo o viés de baixa que a produção da região Centro Sul enfrenta.
“A precipitação de fevereiro, aliada ao clima desfavorável na primeira quinzena de março, diminuiu o otimismo e nos levou a reavaliar nossas projeções de volume de cana. Neste relatório, exploraremos vários cenários e avaliaremos seu impacto sobre a oferta e a demanda globais, bem como sobre os fluxos de comércio”, diz Lívea Coda, analista de Açúcar e Etanol da hEDGEpoint Global Markets.
“Mas, primeiro, é importante observar que, embora a umidade do solo e a precipitação acumulada indiquem um possível declínio mais acentuado na produtividade em comparação com nossas estimativas, os efeitos da seca não foram uniformes em toda a região Centro Sul. A parte norte foi significativamente mais afetada do que a parte sul. Além disso, de outubro a dezembro, os níveis de precipitação e umidade do solo permaneceram mais altos do que em 2020, antes da quebra da safra 21/22. Portanto, acreditamos que ainda é prematuro prever um volume de cana abaixo de 600 Mt”, observa a analista.
Apesar da reversão para uma produtividade mais típica, é improvável que a temporada 24/25 represente uma grande quebra, permanecendo dentro da faixa mais alta de produção de cana e açúcar observada nos anos anteriores.
De acordo com Lívea, “embora a cana esteja envelhecendo um pouco devido às interrupções no plantio de 18 meses causadas pelas chuvas, prevemos um aumento na área de pelo menos 1,25%. Essa expansão pode compensar alguns dos impactos do envelhecimento da cana, garantindo um bom volume de matéria-prima. Espera-se que a idade média da cana aumente de 3,2 para cerca de 3,4 anos, um pouco abaixo da média de 3,5 anos observada entre as safras 20/21 e 21/22”.
Ao analisar regiões proxy considerando os padrões de chuva, estimamos que aproximadamente 30% da produção de cana do Centro Sul recebeu chuvas médias, enquanto 23% tiveram níveis abaixo da média e aproximadamente 47% registraram níveis mínimos.
Embora nosso modelo estatístico, que leva em conta os dias perdidos e a umidade média do solo de dezembro a fevereiro, sugira um impacto mais brando, é essencial considerar as tendências de dados históricos e as previsões de mercado.
“Levando todos os fatores em consideração, a região Centro-Sul poderia registrar uma queda de 8,4% na produção, voltando a um TCH mais típico de quase 79 t/ha e cerca de 605,8 milhões de toneladas de cana”, destaca.
“Qual seria o impacto global? Para fins deste exercício, examinaremos três possíveis números de produção de cana: nossa estimativa anterior de 615 Mt, nossa estimativa revisada de 605 Mt e o pior cenário de 595 Mt. Fica evidente que o resultado depende significativamente do mix de açúcar. Com as usinas investindo pesadamente na capacidade de cristalização, o índice poderia aumentar de 51% para 52,5%”, pontua.
Valores reportados pelas usinas sugerem que o mix deve ser mais próximo de 52%. Com os números ajustados de produção de cana pela hEDGEpoint, isso implicaria em uma mudança de quase 42 Mt de açúcar para 41,7 Mt (do cenário A para o cenário B).
“No cenário B, o déficit total do fluxo comercial entre o 1T/24 e o 1T/25, considerando cálculos simples, aumentaria de -119 kt para -346 kt, portanto, o mercado permaneceria relativamente equilibrado. Em termos de oferta e demanda global, o principal impacto seria um aprofundamento do déficit previsto para o dia 24/25 (outubro-setembro) de 2,3 Mt para 2,7 Mt. No entanto, é importante observar que é bastante difícil fornecer uma estimativa confiável para a safra 24/25, pois as expectativas para o Hemisfério Norte podem melhorar se o efeito La Niña for menos severo”, pondera.
Mesmo com os números da cana caindo para 595 Mt, o mix de açúcar ainda garantiria uma produção robusta do Centro Sul. Com quase 41 milhões de toneladas, a região manteria os fluxos comerciais com um déficit reduzido de 1,1 milhão de toneladas.
“No entanto, esse cenário (C) é mais suportivo do que nossa estimativa atual (B), mas não implica um retorno às negociações a 28 c/lb. De fato, a menos que ocorra uma falha imprevista na região ou uma deterioração na safra do Hemisfério Norte, poderemos experimentar um momento comercial bastante monótono”, pondera.
Os fundos não teriam interesse em participar do mercado no curto prazo, já que outras commodities leves oferecem ganhos potencialmente mais altos com maior volatilidade, como o cacau.
“Portanto, enquanto aguardamos novos desenvolvimentos no clima, os fundamentos de curto prazo parecem estar razoavelmente precificados, e poderíamos ver mais negociações na faixa de 20-22 c/lb, com potencial de alta para 23 c/lb, dependendo de como o mercado interpretar o início da safra 24/25 do Centro Sul do Brasil”, conclui.
Mesmo com números menores de cana, o mix de açúcar sustenta uma produção robusta no Centro Sul, não permitindo um retorno a preços mais altos. O sentimento do mercado de curto prazo segue contido devido à melhoria das perspectivas em relação ao desempenho do Hemisfério Norte e à expectativa de uma recuperação para 24/25. Além disso, há uma maior concorrência com outras soft commodities, como o cacau, que oferecem ganhos potencialmente maiores.
Fonte: hEDGEpoint Global Markets
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
El Niño volta ao radar do mercado de café e pode influenciar oferta global nas próximas safras
Published
38 minutos agoon
2 de julho de 2026By
Da Redação
A confirmação de um novo episódio do fenômeno El Niño para o segundo semestre de 2026 reacendeu a atenção do mercado internacional de café. Embora a produção brasileira da safra 2026/27 não deva sofrer impactos relevantes, especialistas avaliam que as alterações climáticas poderão afetar importantes regiões produtoras ao redor do mundo e influenciar as perspectivas de oferta nos próximos ciclos.
De acordo com análise da Hedgepoint Global Markets, os efeitos do El Niño sobre a cafeicultura dependem da intensidade e da duração do fenômeno, além do momento em que ocorre dentro do calendário agrícola de cada país. Por isso, os impactos tendem a variar entre as diferentes origens produtoras.
Safra brasileira 2026/27 segue com perspectiva positiva
No Brasil, maior produtor e exportador mundial de café, a expectativa é de que a safra 2026/27 não registre perdas significativas em decorrência do fenômeno climático.
Segundo a Hedgepoint, o estágio atual das lavouras reduz os riscos imediatos para a produção nacional. Ainda assim, um outono e inverno com maior volume de chuvas podem provocar atrasos na colheita e aumentar a volatilidade do mercado ao longo dos próximos meses.
Mesmo sem expectativa de impactos relevantes sobre a produtividade da safra atual, o comportamento do clima continuará sendo acompanhado de perto pelos agentes do setor, especialmente diante da possibilidade de fortalecimento do El Niño durante o segundo semestre.
Florada da safra 2027/28 entra no foco do mercado
Se a produção da temporada atual inspira maior tranquilidade, a mesma situação não se aplica ao próximo ciclo produtivo.
A Hedgepoint alerta que alterações no regime de chuvas e nas temperaturas durante o período de florada poderão influenciar o potencial produtivo da safra brasileira de 2027/28.
A fase de floração é considerada uma das mais importantes para a definição da produtividade dos cafezais. Qualquer irregularidade climática nesse período pode comprometer a formação dos frutos e alterar as estimativas futuras de produção.
América Central e Sudeste Asiático concentram maiores riscos
Enquanto o Brasil tende a enfrentar impactos limitados no curto prazo, outras importantes regiões produtoras apresentam maior vulnerabilidade aos efeitos do El Niño.
Segundo a análise da Hedgepoint Global Markets, países da América Central e do Sudeste Asiático podem sofrer alterações climáticas capazes de prejudicar tanto a safra 2026/27 quanto a temporada 2027/28.
Essas regiões desempenham papel estratégico no abastecimento global de café, especialmente na produção de grãos arábica e robusta, o que faz com que qualquer redução na oferta seja acompanhada com atenção pelos mercados internacionais.
Clima seguirá como principal variável para os preços
Com a possibilidade de um episódio mais intenso de El Niño entre o fim de 2026 e o início de 2027, operadores, exportadores e produtores deverão manter atenção redobrada à evolução das condições climáticas nas principais origens produtoras.
Embora o cenário atual não indique prejuízos relevantes para a produção brasileira desta temporada, o mercado continua precificando riscos relacionados às próximas safras, uma vez que o equilíbrio entre oferta e demanda mundial depende diretamente das condições meteorológicas.
Segundo Laleska Moda, analista de inteligência de mercado da Hedgepoint Global Markets, o comportamento do fenômeno varia conforme a região e o período do ano em que atua.
A especialista explica que, no Brasil, a safra 2026/27 deve ser preservada, mas o andamento da colheita e, principalmente, a florada da safra 2027/28 exigirão acompanhamento constante. Já em países da América Central e do Sudeste Asiático, os efeitos do El Niño poderão ser mais intensos, afetando a produção nas duas próximas temporadas.
Diante desse cenário, o clima permanece como um dos principais fatores de formação das expectativas para o mercado global de café, influenciando decisões de comercialização, investimentos e projeções para a oferta mundial nos próximos anos.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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