AGRONEGÓCIO

Guerra comercial entre EUA, China e UE impõe riscos, mas abre espaço para oportunidades estratégicas de investimento

Publicado em

A intensificação da guerra comercial entre Estados Unidos, União Europeia (UE) e China tem provocado incertezas nos mercados globais, exigindo atenção redobrada dos investidores. No entanto, mesmo em um cenário volátil, surgem oportunidades rentáveis para quem adota uma estratégia financeira sólida, conforme destaca Cassio Zeni, cofundador e diretor de Relações com Investidores da Rubik Capital, em artigo recente.

Conflito comercial global acende alerta nos mercados

As tensões comerciais entre as três potências estão no centro das preocupações dos investidores. O aumento de tarifas, embargos tecnológicos e o avanço do protecionismo vêm moldando uma nova dinâmica global, exigindo mais do que bons ativos: é preciso inteligência financeira e visão estratégica.

Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump anunciou tarifas de até 50% sobre todos os produtos importados da União Europeia, medida que ainda está em discussão. Já em relação à China, o governo americano reduziu temporariamente as tarifas sobre importações asiáticas, passando de 145% para 30%. Sobre produtos americanos, a China anunciou um corte de 125% para 10%.

Segundo Gita Gopinath, diretora-geral do FMI, essa disputa comercial pode causar um impacto de até US$ 6,7 trilhões no PIB global — um dado que reforça o nível de complexidade e os riscos associados a esse novo cenário econômico.

Leia Também:  Soja oscila entre pressão logística no Brasil e suporte dos derivados no mercado internacional
Diversificação como proteção contra choques geopolíticos

Diante desse contexto, Zeni destaca a importância de uma prática já consagrada no mundo dos investimentos: a diversificação. A dependência excessiva de economias como EUA, UE e China deixa as carteiras vulneráveis a medidas protecionistas repentinas. Nesse sentido, ativos vinculados a economias emergentes ganham espaço.

O Brasil, por exemplo, sofreu um impacto inicial menor com a atual política de tarifas, com apenas 10% de sobretaxa sobre suas exportações. Embora esse cenário possa mudar, o país se posiciona como um fornecedor estratégico, com recursos naturais abundantes e forte capacidade produtiva.

No entanto, ainda há desafios. Setores brasileiros que dependem de insumos importados — como os de tecnologia e automóveis — permanecem expostos a riscos. Por outro lado, o agronegócio nacional mantém uma trajetória de crescimento, com soja, milho e carne bovina em destaque nas exportações.

Expandir horizontes fora do eixo EUA-UE-China

A atual conjuntura reforça a necessidade de buscar oportunidades além das potências tradicionais. Isso significa reduzir a exposição às disputas comerciais e explorar mercados emergentes com alto potencial de crescimento.

Leia Também:  Banco BV e Caramuru Alimentos Firmam AOC Sustentável para Fortalecer o Agronegócio Brasileiro

Contudo, abandonar completamente os investimentos em dólares ou euros não é necessário. Ambas as moedas seguem fortes e sustentam setores ainda muito relevantes, como o tecnológico. A recomendação é manter uma carteira diversificada, equilibrando riscos e explorando novas possibilidades.

Estratégias para enfrentar o novo cenário global

A economia global caminha para um formato multipolar, com blocos disputando hegemonias nas áreas tecnológica, energética e comercial. Por isso, os investidores devem acompanhar de perto as negociações internacionais e adaptar constantemente suas estratégias.

A inovação também é parte essencial desse processo. Zeni ressalta que mercados com alta eficiência operacional, digitalização, cadeias de distribuição resilientes e alinhamento com práticas ESG tendem a se destacar. Esses elementos serão cada vez mais importantes para garantir competitividade e estabilidade.

Riscos sim, mas também oportunidades

Apesar do cenário adverso, existem alternativas seguras e lucrativas para quem investe com estratégia. É possível preservar e expandir o patrimônio, desde que as decisões sejam bem planejadas, sem espaço para impulsividade.

Em tempos de instabilidade, a chave para o sucesso está na combinação entre análise, agilidade e visão de longo prazo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Advertisement

AGRONEGÓCIO

Erro em contratos de arrendamento pode gerar multa de 50% do IR, alerta Receita Federal

Published

on

Contratos de arrendamento e parceria rural exigem atenção de proprietários e produtores. Informações incompatíveis sobre pagamentos, receitas e divisão dos riscos podem levar a Receita Federal a questionar a operação, cobrar diferenças de Imposto de Renda e aplicar multas.

Um dos erros mais relevantes ocorre quando o proprietário declara como receita da atividade rural o valor recebido pela cessão da terra. Para a Receita, o arrendamento de imóvel rural é tributado como aluguel, e não como resultado da produção agropecuária.

A diferença afeta diretamente a forma de recolhimento do imposto. Quando o arrendamento é pago por uma pessoa física, o proprietário deve apurar mensalmente o carnê-leão, se houver imposto devido. Se o pagamento vier de uma pessoa jurídica, pode haver retenção na fonte, compensável posteriormente na declaração anual.

A falta de recolhimento do carnê-leão, quando obrigatório, está sujeita a multa isolada correspondente a 50% do imposto que deixou de ser pago. A penalidade pode ser cobrada mesmo quando o rendimento tiver sido incluído posteriormente na declaração anual.

Portanto, a multa não equivale a 50% de toda a receita recebida pelo proprietário. Ela incide sobre o valor do carnê-leão não recolhido, além da cobrança do imposto devido, juros e outras penalidades que podem ser aplicadas conforme a irregularidade identificada.

Segundo Viviane Morales, advogada e diretora administrativa e financeira da Lastro Soluções Tributárias para o Agro, o problema aparece principalmente quando a remuneração fixa pela cessão da área é apresentada como se decorresse da exploração direta da propriedade.

No arrendamento, o dono da terra recebe a remuneração estabelecida no contrato e, em regra, não participa do resultado econômico da lavoura ou da pecuária. Uma quebra de safra, a queda dos preços ou o aumento dos custos não alteram automaticamente o valor que ele tem a receber.

Na atividade rural e na parceria efetiva, a lógica é diferente. As partes participam dos riscos e dos resultados do empreendimento. Clima, produtividade, preços, pragas e outras ocorrências podem interferir na parcela recebida por cada participante.

Leia Também:  BNDES aprova R$ 5,3 bilhões em crédito do Plano Safra 2025/2026 em apenas 8 dias

Essa distinção é importante porque o regime tributário da atividade rural permite a apuração do resultado mediante o confronto entre receitas e despesas. O arrendamento, por sua vez, segue o tratamento destinado aos rendimentos de aluguel.

O risco fiscal não está restrito ao proprietário. Quem utiliza a terra também precisa informar corretamente o pagamento do arrendamento, o valor da operação e a identificação de quem recebeu os recursos.

A Receita orienta que os valores sejam registrados na ficha de pagamentos efetuados da declaração. A falta dessas informações pode gerar multa de 20% sobre o montante não declarado.

“A omissão pode gerar multa de até 20% sobre os valores não informados. Além disso, quando o pagamento do arrendamento é realizado em produtos agrícolas, como soja ou milho, e essa operação deixa de ser registrada corretamente, o produtor também pode ser autuado por omissão de receita da atividade rural”, afirma Viviane.

As informações declaradas por quem paga podem ser comparadas com aquelas apresentadas por quem recebe. Divergências de valores, datas, CPFs ou CNPJs aumentam a possibilidade de retenção da declaração para análise e de abertura de procedimento fiscal.

O pagamento em produtos agrícolas também exige cuidado. Contratos podem estabelecer a remuneração em quantidade determinada de sacas de soja, milho ou outro produto, mas a ausência de transferência bancária não elimina a obrigação de registrar a operação.

A entrega da produção para liquidar uma dívida do produtor deve ser reconhecida como receita da atividade rural no momento da entrega. Simultaneamente, o pagamento do arrendamento precisa ser registrado de acordo com a natureza da operação.

O fato de a remuneração estar expressa em sacas não transforma automaticamente o arrendamento em parceria rural. O elemento determinante é a existência, ou não, de compartilhamento efetivo dos riscos e dos resultados.

Leia Também:  Soja oscila entre pressão logística no Brasil e suporte dos derivados no mercado internacional

Na parceria, as partes devem dividir riscos relacionados a caso fortuito, força maior e variações da produção e dos preços. Quando o proprietário recebe uma quantidade fixa, independentemente do desempenho da atividade, a relação apresenta características de arrendamento.

“Tentar maquiar um arrendamento como parceria é uma estratégia de alto risco. Quando não existe compartilhamento real dos riscos da produção, o contrato pode ser descaracterizado pela Receita Federal, expondo tanto o proprietário quanto quem utiliza a terra às penalidades previstas na legislação”, diz Viviane.

O nome colocado no contrato, por si só, não determina o tratamento tributário. A fiscalização pode analisar cláusulas, comprovantes, movimentações financeiras, notas fiscais, registros da produção e a forma como a relação foi executada.

Um documento chamado de parceria, mas que assegura ao proprietário remuneração fixa e transfere todo o risco ao produtor, pode ser tratado como arrendamento. Da mesma forma, um contrato corretamente redigido perde força se os pagamentos e os registros fiscais mostrarem uma realidade diferente.

Para reduzir riscos, as duas partes devem conferir se os valores pagos e recebidos são coincidentes, identificar corretamente os envolvidos e manter documentos capazes de comprovar a natureza econômica da operação.

A revisão precisa ocorrer antes da entrega da declaração, e não somente depois de uma intimação. Também é recomendável verificar se houve recolhimento mensal do carnê-leão, quando devido, e se pagamentos realizados em produtos foram registrados adequadamente.

Arrendar terras continua sendo uma ferramenta importante para ampliar a produção sem imobilizar capital na aquisição de imóveis. A parceria também permanece legítima quando existe divisão real dos riscos. O problema surge quando contrato, execução e declaração tributária contam histórias diferentes.

Para o produtor, a principal orientação é não tratar o contrato rural como simples formalidade. Uma classificação equivocada pode resultar em imposto adicional, multa, juros e questionamentos para os dois lados da operação.

Fonte: Pensar Agro

Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA