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Governo sanciona a lei do mercado regulado de carbono, mas agropecuária fica de fora

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O governo federal sancionou na quinta-feira (12/12) a Lei 15.042/2024, que estabelece as diretrizes para a criação do mercado regulado de carbono no Brasil. A nova regulamentação, que visa reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) e incentivar práticas mais sustentáveis, exclui temporariamente o setor agropecuário.

Durante o processo legislativo, parlamentares vinculados ao agronegócio argumentaram que, sem uma metodologia específica para contabilizar as emissões e a absorção de carbono no campo, não seria viável impor obrigações ao setor.

A legislação cria o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE), permitindo que as emissões sejam transformadas em ativos financeiros negociáveis. O Ministério da Fazenda afirmou, em nota, que a medida poderá atrair investimentos internacionais, fomentar a preservação ambiental e gerar novas oportunidades de renda no país.

“O Brasil agora integra o seleto grupo de nações com um sistema regulado de precificação de carbono, o que reforça sua posição global no combate às mudanças climáticas. Além de fortalecer o reconhecimento internacional, a nova lei cria um ambiente de segurança jurídica e incentiva a participação do setor privado na agenda de descarbonização”, destacou o Ministério.

Expectativas do setor sucroenergético

A Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (Orplana) considerou a nova lei favorável ao setor sucroenergético. A entidade vê na implementação do SBCE uma oportunidade de expandir a rentabilidade dos produtores de cana-de-açúcar, permitindo a venda de créditos de carbono. O CEO da Orplana, José Guilherme Nogueira, destacou que a medida contribui para aumentar a sustentabilidade da produção e cumprir as metas ambientais do Brasil.

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Os produtores poderão negociar Cotas Brasileiras de Emissão (CBE) e Certificados de Redução ou Remoção Verificada de Emissões (CRVE), o que garante flexibilidade e eficiência para atender às exigências ambientais.

Projeções do Banco Mundial apontam que o SBCE poderá impulsionar o PIB e, consequentemente, aumentar a renda da população, além de ser crucial para a redução das emissões de gases de efeito estufa. “Enquanto em outros países a redução das emissões é vista como um custo, aqui temos uma oportunidade real”, afirmou Rafael Dubeux, secretário executivo adjunto do Ministério da Fazenda.

Mecanismo de funcionamento do mercado de carbono

O mercado regulado de carbono estabelece metas de redução de GEE para as atividades econômicas abrangidas pela lei. Empresas que não cumprirem suas metas poderão adquirir permissões de emissão, as CBEs, de empresas que estiverem abaixo do limite. Esse sistema de compra e venda de cotas visa incentivar a adoção de práticas produtivas mais limpas e eficientes, beneficiando empresas que investirem em tecnologias de baixo carbono, enquanto impõe custos adicionais às que não se adaptarem.

A estrutura do mercado de carbono segue o modelo de cap-and-trade, no qual o governo determina um teto máximo de emissões para o país e distribui ou leiloa as CBEs para as empresas. As empresas, então, podem usar essas cotas para compensar suas emissões ou negociá-las no mercado, diferentemente do mercado voluntário, no qual a participação é opcional. Com a regulamentação, o Brasil adota um sistema obrigatório e fiscalizado, com sanções previstas para as empresas que não se adequarem.

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Fases de implementação

A implementação do SBCE será gradual, dividida em cinco fases principais. O objetivo é proporcionar previsibilidade e segurança jurídica às empresas reguladas, ao mesmo tempo em que busca atrair investimentos internacionais. A transição controlada, segundo o Ministério da Fazenda, visa evitar impactos abruptos na economia e oferece tempo para as empresas se adaptarem às novas regras.

  • Fase inicial (12 a 24 meses): Regulamentação inicial, criação do órgão gestor e definição dos setores regulados.
  • Fase de monitoramento (12 meses subsequentes): Implantação do sistema de monitoramento, relato e verificação das emissões (MRV), com empresas reportando suas emissões.
  • Fase de relatórios e planos de monitoramento (24 meses): Obrigação de apresentar relatórios de emissões e planos de monitoramento, necessários para o primeiro Plano Nacional de Alocação (PNA).
  • Fase de alocação e leilões (fase quatro): Primeira alocação de CBEs e realização dos primeiros leilões, com o governo definindo as regras de distribuição de cotas e o volume inicial disponível.
  • Fase plena (fase cinco): Implementação total do mercado, com o primeiro leilão de CBEs e o início do mercado secundário, permitindo negociações entre as empresas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Mato Grosso deve ampliar produção de etanol em 16% na safra 2026/27 e reforça liderança nacional em biocombustíveis

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Mato Grosso deve consolidar ainda mais sua posição estratégica no setor brasileiro de biocombustíveis na safra 2026/27. Projeção divulgada pelo Bioind-MT, com elaboração do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), aponta crescimento de 16,08% na produção estadual de etanol, que poderá atingir 8,44 milhões de metros cúbicos no próximo ciclo.

O avanço será liderado principalmente pelo etanol de milho, segmento em que Mato Grosso já responde por 62% da produção nacional de etanol de cereais. O crescimento também será sustentado pela entrada de novas plantas industriais e pela ampliação da moagem de milho destinada à produção de biocombustíveis.

Segundo o presidente do Bioind-MT e da Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt), Silvio Rangel, o setor ganha importância crescente na matriz energética brasileira e no processo de descarbonização dos transportes.

“O avanço do etanol de milho fortalece a segurança energética e amplia o papel estratégico do Brasil na oferta de combustíveis renováveis, inclusive para setores como aviação e navegação marítima”, afirma.

Produção de etanol de milho deve crescer quase 19%

Antes mesmo da safra 2026/27, Mato Grosso já deve encerrar o ciclo 2025/26 com forte expansão na produção de etanol. A estimativa aponta crescimento de 8,52%, alcançando 7,27 milhões de metros cúbicos, enquanto a produção nacional deverá ficar praticamente estável, com leve alta de 0,22%.

Com esse desempenho, o estado mantém a segunda posição no ranking brasileiro de produção de etanol, atrás apenas de São Paulo.

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Na safra atual, a produção de etanol de milho deverá atingir 6,18 milhões de metros cúbicos, avanço de 9,89% em relação ao ciclo anterior. Já o etanol de cana-de-açúcar deve alcançar 1,09 milhão de metros cúbicos, com crescimento mais moderado de 1,37%.

Para 2026/27, a expectativa é de aceleração ainda maior no segmento de milho. A produção deverá subir 18,67%, alcançando 7,33 milhões de metros cúbicos. O etanol de cana, por sua vez, deve crescer 1,42%, chegando a 1,11 milhão de metros cúbicos.

O levantamento também mostra expansão significativa da moagem de milho para etanol. O volume processado deve atingir 13,81 milhões de toneladas em 2025/26, alta de 10,45%. Já para 2026/27, a projeção é de crescimento de 18,52%, totalizando 16,36 milhões de toneladas.

A entrada de duas novas plantas industriais no estado aparece como um dos principais fatores de impulso para o setor.

Cadeia de coprodutos amplia relevância econômica

Além do combustível, a indústria de etanol de milho segue fortalecendo a produção de coprodutos utilizados principalmente na nutrição animal e na indústria de alimentos.

A produção de DDG e DDGS — coprodutos proteicos derivados do processamento do milho — deverá crescer 16,14% na safra 2026/27, chegando a 3,41 milhões de toneladas.

Já a produção de óleo de milho deve avançar 12,9%, alcançando 338,9 mil toneladas.

No segmento sucroenergético, a moagem de cana-de-açúcar deverá permanecer praticamente estável no próximo ciclo, com previsão de 18,61 milhões de toneladas, alta de 0,39%.

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A produção de açúcar, por outro lado, poderá registrar leve retração de 1,42%, ficando em 579,7 mil toneladas.

Segundo o superintendente do Imea, Cleiton Gauer, o setor vem ampliando sua participação em diferentes segmentos da economia.

“A cadeia de bioenergia em Mato Grosso amplia sua relevância na produção de combustíveis renováveis, coprodutos para nutrição animal, óleo vegetal, bioenergia e créditos de descarbonização”, destaca.

Mato Grosso pode dobrar produção até 2033

As projeções de longo prazo indicam continuidade do forte crescimento da indústria de biocombustíveis no estado.

Segundo o levantamento, Mato Grosso poderá alcançar produção de 15,02 milhões de metros cúbicos de etanol até a safra 2033/34 — mais que o dobro do volume estimado para o ciclo atual.

O estudo também destaca os impactos ambientais positivos da cadeia de bioenergia. Desde o início do programa de Créditos de Descarbonização (CBIOs), o setor já contribuiu para mitigação equivalente a 189,64 milhões de toneladas de CO₂, sendo 40,06 milhões de toneladas apenas em 2025.

Além da relevância energética e ambiental, a cadeia produtiva do etanol em Mato Grosso também amplia sua importância econômica e social. Atualmente, o setor gera mais de 12 mil empregos diretos e movimenta arrecadação superior a R$ 2,5 bilhões em ICMS no estado.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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