AGRONEGÓCIO

Governo Federal Destina R$ 4,5 Bilhões ao Programa Rotas de Integração Sul-Americana

Publicado em

O Governo Federal anunciou a destinação de R$ 4,5 bilhões para o programa Rotas de Integração Sul-Americana (Rota), que visa estabelecer novas rotas logísticas para facilitar o comércio entre os países da América do Sul e ampliar as conexões com o Pacífico. A informação foi compartilhada pela ministra do Planejamento, Simone Tebet, que participou de reunião com representantes do Brasil e da China na última quarta-feira.

Embora não estivesse inicialmente escalada para falar, Tebet foi chamada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva após o pedido do presidente chinês Xi Jinping, que destacou o potencial de parcerias nas áreas de tecnologia e infraestrutura, com ênfase na construção de uma ferrovia ligando os oceanos Atlântico e Pacífico, passando pelo Centro-Oeste brasileiro.

Em sua fala, a ministra explicou que o programa Rotas conta com recursos destinados à melhoria das ligações rodoviárias e hidroviárias, mas ressaltou a necessidade de parcerias internacionais para a construção de novas ferrovias. Segundo Tebet, as ferrovias não foram incluídas no projeto inicial para evitar a percepção de que o programa dependesse delas. “Optamos por não incluir ferrovias no projeto inicial para garantir que as rotas logísticas fossem vistas como um processo de longo prazo, sem vinculação imediata com a infraestrutura ferroviária”, explicou ao Valor.

Leia Também:  Exportações Brasileiras Batem Recorde e Superávit Comercial Atinge US$ 42,3 Bilhões até Junho

O programa abrange 190 obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e será financiado com recursos do orçamento federal de 2025. Entre as principais parcerias internacionais está a China, que, em 60 dias, definirá projetos específicos de colaboração, com foco na ferrovia bioceânica e na infraestrutura logística para o transporte de grãos brasileiros ao porto de Chancay, no Peru.

Além disso, o Brasil está em negociações com organismos multilaterais e instituições financeiras como o Banco do Brics e o Fonplata para garantir mais recursos para o programa. A ponte binacional Brasil-Bolívia, uma das obras mais emblemáticas da Rota, também está em fase de execução e será integrada à Rota 3, a Quadrante Rondon, que ligará o Centro e Norte do Brasil aos portos no Peru e no Chile.

Outras obras em andamento incluem a construção de uma rodovia no Paraguai que levará à ponte binacional em Porto Murtinho (MS), com conclusão prevista para outubro de 2025. “Essa obra é essencial para melhorar o fluxo logístico e reduzir os custos de transporte na região, além de não impactar negativamente o Pantanal”, destacou João Villaverde, secretário de Articulação Institucional do Ministério do Planejamento.

Leia Também:  Escola de Governo de Mato Grosso promove capacitação em Libras

O programa Rotas visa também reduzir as barreiras logísticas enfrentadas pelos países da América Latina e Caribe, atualmente com um comércio intra-regional muito abaixo de sua capacidade. O Brasil exportou cerca de US$ 43 bilhões para a América do Sul em 2023, representando apenas 12,6% de suas exportações totais, e importa cerca de US$ 28 bilhões da região.

A ministra Simone Tebet avaliou que o momento é oportuno para impulsionar a integração regional e a busca por rotas alternativas. “Estamos no lugar certo, na hora certa. O mercado asiático se tornou cada vez mais relevante para a balança comercial brasileira, e a demanda por rotas para o Pacífico é uma tendência natural”, afirmou.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Advertisement

AGRONEGÓCIO

Safra recorde já não basta para garantir rentabilidade ao produtor

Published

on

A perspectiva de uma nova safra recorde encontra o produtor brasileiro diante de um desafio que cresce na mesma proporção da produção: financiar uma atividade mais tecnológica, mecanizada e intensiva em capital, num ambiente de juros elevados, margens menores e bancos mais seletivos. O avanço do crédito privado amplia as alternativas disponíveis, mas também exige profissionalização da gestão e uma análise mais rigorosa sobre o retorno proporcionado pelo patrimônio investido.

Dados do Banco Central (BC), compilados por entidades do setor, mostram que 23,5% da carteira ativa de crédito rural apresentava algum nível de problema em julho de 2026. Eram R$ 207,5 bilhões em operações inadimplentes, atrasadas, renegociadas ou prorrogadas. O indicador não representa apenas parcelas vencidas, mas revela o aumento do estresse financeiro acumulado depois de safras afetadas pelo clima, custos elevados e preços menos favoráveis.

Ao mesmo tempo, o financiamento bancário tradicional perdeu força. Em 12 meses, o volume de crédito rural concedido sem considerar instrumentos do mercado de capitais recuou 12%, para R$ 181,1 bilhões. A área atendida pelas linhas convencionais de custeio caiu quase 26%, de 34,2 milhões para 25,4 milhões de hectares.

Esse espaço vem sendo ocupado gradualmente por cooperativas, tradings, fornecedores de insumos, fundos de investimento e emissões no mercado de capitais. O estoque dos instrumentos privados de financiamento do agronegócio alcançou R$ 1,34 trilhão em julho, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Somente as Cédulas de Produto Rural (CPRs) somavam R$ 580,8 bilhões, distribuídos em aproximadamente 372 mil títulos.

Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende (foto), a diversificação das fontes de recursos é necessária, mas não pode ser confundida com crédito fácil ou capacidade ilimitada de endividamento.

“O crédito privado será cada vez mais importante para complementar o Plano Safra e o financiamento bancário. O produtor, porém, precisa avaliar o custo efetivo, o prazo, as garantias exigidas e a compatibilidade das parcelas com o fluxo de caixa da propriedade. Trocar uma dívida por outra mais cara, sem corrigir a origem do desequilíbrio, apenas transfere o problema para a safra seguinte”, afirma.

Leia Também:  Exportações Brasileiras Batem Recorde e Superávit Comercial Atinge US$ 42,3 Bilhões até Junho

A necessidade de capital aumentou com a transformação da agropecuária brasileira. Produzir em escala passou a exigir máquinas de maior capacidade, agricultura de precisão, armazenagem, irrigação, conectividade, sistemas de gestão, insumos tecnológicos e equipes especializadas. A valorização das terras também elevou o volume de patrimônio imobilizado nas operações.

Essa evolução permitiu ganhos de produtividade e consolidou o Brasil entre os maiores fornecedores mundiais de alimentos, fibras e energia. Mas também tornou as propriedades mais sensíveis ao custo do dinheiro. Quando os juros aumentam e as margens recuam, uma atividade pode apresentar lucro contábil e, ainda assim, não remunerar adequadamente todo o capital empregado.

É nesse ponto que ganha importância o conceito de Valor Econômico Agregado, conhecido pela sigla EVA. O indicador calcula o resultado operacional do negócio depois de descontado o custo de todo o capital utilizado, inclusive recursos próprios, terras quitadas, máquinas e demais ativos.

Uma propriedade pode encerrar o ciclo com resultado positivo no balanço, mas destruir valor se o retorno obtido ficar abaixo do que aquele patrimônio poderia render em uma alternativa de menor risco. A terra própria, por exemplo, não deixa de ter custo econômico porque está quitada. Ela representa capital que poderia ser arrendado, vendido ou aplicado em outro investimento.

“O produtor sempre acompanhou produtividade, custo por hectare e preço de venda. Esses indicadores continuam fundamentais, mas já não são suficientes para medir a saúde econômica do negócio. Também é necessário saber se o resultado remunera a terra, as máquinas, o capital de giro e o risco assumido durante a safra”, diz Rezende.

A aplicação dessa análise não significa abandonar investimentos ou reduzir a produção. O objetivo é identificar quais atividades, áreas e estruturas realmente geram retorno. A avaliação pode mostrar que determinado talhão produz bem, mas possui custo elevado; que uma máquina permanece ociosa; ou que o arrendamento oferece resultado melhor do que a compra de terras financiada.

Leia Também:  Escola de Governo de Mato Grosso promove capacitação em Libras

O mesmo raciocínio vale para a contratação de crédito. Recursos obtidos a juros superiores ao retorno esperado pela atividade diminuem o valor econômico da propriedade, mesmo quando ajudam a ampliar o faturamento. Por isso, crescimento de receita, aumento de área e recorde de produção não significam necessariamente fortalecimento financeiro.

A busca por recursos privados também coloca a governança no centro das negociações. Instituições financeiras e investidores analisam demonstrações contábeis, histórico de produção, previsibilidade de caixa, endividamento, garantias, regularidade ambiental e fundiária, contratos e capacidade de gestão. Quanto maior a qualidade dessas informações, maior tende a ser a possibilidade de acessar diferentes fontes e negociar condições melhores.

“Governança deixou de ser uma preocupação exclusiva das grandes empresas. O produtor que conhece seus números, separa as contas da família e da propriedade, mantém documentos regulares e apresenta informações confiáveis reduz a percepção de risco. Isso melhora sua posição diante dos financiadores e permite comparar propostas sem decidir apenas pela disponibilidade imediata do dinheiro”, acrescenta Rezende.

O modelo de financiamento do agronegócio tende a permanecer híbrido. Crédito rural, recursos obrigatórios, cooperativas, tradings, fornecedores, fundos e mercado de capitais continuarão convivendo, cada um com custos, prazos e riscos diferentes. O desafio será combinar essas fontes sem comprometer parcelas excessivas da produção futura ou oferecer garantias incompatíveis com o valor da operação.

A safra recorde continua sendo uma demonstração da capacidade produtiva brasileira. Para que esse desempenho se transforme em renda, entretanto, o produtor precisará acompanhar não apenas quantas toneladas colhe, mas quanto valor permanece depois de remunerados todos os recursos utilizados. Em uma agricultura intensiva em capital, produzir mais é importante; produzir com retorno econômico tornou-se decisivo.

Fonte: Pensar Agro

Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA