AGRONEGÓCIO
Governo de Minas firma acordo para regularização de propriedades rurais em 56 novas cidades
Publicado em
14 de março de 2024por
Da RedaçãoO Governo de Minas, por meio da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), assinou, nesta quarta-feira (13/3), Acordos de Cooperação Técnica do Programa de Regularização Fundiária Rural com 56 municípios. Com a parceria as prefeituras passam a contar agora com o apoio da secretaria no planejamento e execução de programas que vão beneficiar cerca de cinco mil famílias com o título de propriedade rural.
Com participação do governador Romeu Zema, a cerimônia reuniu prefeitos de cidades selecionadas no último edital de chamamento público, de dezembro de 2021, e representantes de municípios que fazem parte do Projeto Pró-Brumadinho, executado como parte do Acordo Judicial assinado pelo Governo de Minas, Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Ministério Público Federal (MPF) e Defensoria Pública de Minas Gerais (DPMG) com a Vale. O rompimento tirou a vida de 272 pessoas e gerou uma série de danos sociais, econômicos e ambientais.
Durante a sua fala, o governador destacou a mudança que a regularização das propriedades traz para a vida do produtor e também para o desenvolvimento da cidade. “Já tive o prazer de estar com alguns dos prefeitos aqui presentes fazendo diversas entregas de títulos de regularização de propriedade, e isso muda não só a vida daquele proprietário rural humilde que está lá na ponta, que passa a ter dignidade de ter uma escritura, mas muda também o desenvolvimento de uma cidade, de um estado e de um país” afirmou.
Parceria
O acordo tem vigência de dois anos, podendo ser prorrogado pelo mesmo período, no máximo. O documento estabelece as responsabilidades de cada órgão para a transferência, por meio do Título de Legitimação da Posse de Terra Devoluta Estadual, aos atuais ocupantes posseiros de imóveis no município conveniado.
Na prática, a assinatura do acordo dá início à fase de audiências públicas, momento em que são divulgadas as regras para a inscrição dos interessados. O programa conta com apoio da Emater-MG, responsável por realizar o cadastramento dos produtores que atendem os requisitos legais para a regularização fundiária.
Os passos seguintes são o processo de georreferenciamento dos terrenos, a análise técnica dos dados processuais e a entrega dos títulos, que é uma demanda histórica da sociedade.
“Nós vamos trabalhar com essas prefeituras a regularização fundiária rural de pequenas propriedades e esse é um grande diferencial. O programa traz segurança jurídica e dignidade a quem recebe o título, viabilizando o acesso a diversas políticas públicas como Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o crédito rural. O trabalho tem continuidade com a assistência técnica da Emater-MG, que acompanha esses produtores que vão passar a produzir mais, gerando emprego e renda no campo” destacou o secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Thales Fernandes.
Benefícios
Além da segurança jurídica do imóvel, com o documento em mãos, o produtor, especialmente o agricultor familiar, passa a ter acesso a diversas políticas públicas como o crédito rural, que é um recurso que pode ser usado em melhorias na propriedade e tecnologias para o aumento da produção. Tudo isso impacta na qualidade de vida das famílias e no fortalecimento da economia regional, com a produção de alimentos, geração de emprego e renda.
O prefeito do município de São Francisco, Norte de Minas, Miguel Paulo, ressaltou a importância da parceria com o Governo de Minas.
“Eu conheço a realidade da minha cidade. Vários agricultores familiares não têm condição de desenvolver um projeto, obter um financiamento. Essa parceria vai melhorar a qualidade de vida das pessoas de São Francisco e dos outros municípios” disse.
Por sua vez, o prefeito do município de Alto Jequitibá, na Zona da Mata, Daniel Guimarães Sathler, reforçou os benefícios da regularização para a comunidade.
“Essa parceria com o Governo do Estado para dar o título de propriedade é muito importante. É dar dignidade aos produtores rurais, respeito e, o mais importante, é dar a eles condição de sucessão para os seus herdeiros. E isso é uma grande conquista” comemora.
Balanço
No ano passado, o número de títulos entregues bateu recorde, pelo segundo ano consecutivo, com 1,8 mil propriedades regularizadas em 64 cidades de diversas regiões mineiras.
Para o período 2023/2026 a meta é emitir 7,2 mil documentações entregues, promovendo segurança jurídica, cidadania e oportunidade de crescimento para pequenos agricultores, que poderão finalmente comprovar serem donos do lugar onde vivem e trabalham. O crescimento é de aproximadamente 40% em relação aos 5,2 mil títulos entregues no período de 2019-2022.
Municípios Selecionados
Os municípios selecionados são: Catuji; Fruta de Leite; Itaipé; Novo Oriente de Minas; Novo Cruzeiro; Aricanduva; São Félix de Minas; Pavão; Senhora de Oliveira; São Francisco; São Romão; São Miguel do Anta; Itamarandiba; Carlos Chagas; Arinos; Alto Jequitibá; Cristina; Juramento; Gameleiras; Mata Verde; Jequitinhonha; Campanário; Medina; Capitão Andrade; Coronel Murta; Sobrália; Águas Formosas; Frei Inocêncio; Itanhomi; Periquito; Itabirinha; Raul Soares; Mesquita; Resplendor; Gouveia; Bertópolis; Poté; Buritizeiro; Bocaiuva; Paraopeba; Três Marias; São Gonçalo do Abaeté; São Joaquim de Bicas; Paineiras; Pompéu; Papagaios; Maravilhas; Pequi; São José da Varginha; Curvelo; Fortuna de Minas; Caetanópolis; Abaeté; Bom Jardim de Minas; Piedade do Rio Grande e Santa Rita de Ibitipoca.
Fonte: SEAPA MG
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Brasil confirma dumping no leite importado, mas tarifa não sai do papel
Published
2 minutos agoon
6 de agosto de 2026By
Da Redação
O governo brasileiro confirmou que empresas da Argentina e do Uruguai venderam leite em pó ao País em condições desleais, mas manteve suspensas as tarifas criadas para proteger o produtor nacional. A decisão mantém o produto estrangeiro entrando sem a cobrança adicional enquanto são avaliados os efeitos da medida sobre a indústria e os consumidores.
A investigação do Departamento de Defesa Comercial (Decom), ligado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), encontrou dumping e prejuízo à produção brasileira. A prática ocorre quando uma empresa exporta um produto por valor artificialmente baixo, prejudicando os concorrentes no mercado comprador.
Em junho, o Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex/Camex) aprovou tarifas diferentes para cada exportador, com vigência prevista até 8 de junho de 2031. Dependendo da empresa, a cobrança poderia superar 100% do preço médio do leite em pó importado.
A própria resolução, porém, suspendeu imediatamente a aplicação das tarifas por razões de interesse público. Com isso, o dumping foi reconhecido, mas o leite argentino e uruguaio continua entrando no Brasil sem a medida de defesa comercial.
No fim de julho, o governo abriu uma avaliação para calcular os possíveis efeitos da cobrança sobre produção, distribuição, comércio e consumo. Não há prazo definido para que o Gecex tome uma decisão final.
A suspensão provocou reação da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e de entidades da cadeia leiteira. O setor argumenta que o produto importado reduz o preço pago ao pecuarista e atinge principalmente pequenas e médias propriedades, com menor capacidade para suportar períodos prolongados de baixa remuneração.
“Não adianta reconhecer que há mais de 60% de dumping nesse leite em pó que entra no Brasil e não aplicar as tarifas”, afirmou o presidente da FPA, Pedro Lupion. Segundo ele, a concorrência está retirando produtores da atividade e afetando a economia de pequenos municípios.
A pressão das importações aumentou neste ano. Dados apresentados pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) mostram que o País importou o equivalente a 1,02 bilhão de litros de leite em produtos lácteos entre janeiro e maio, recorde para o período e crescimento de 10,5% em relação a 2025.
O leite em pó respondeu pelo equivalente a 754 milhões de litros. Argentina e Uruguai forneceram 653 milhões, ou 86% desse volume. Como o produto é reidratado e utilizado por indústrias de alimentos, sua entrada influencia a demanda pelo leite cru produzido no Brasil.
A CNA sustenta que a tarifa não provocaria aumento relevante no custo da alimentação porque atingiria apenas o leite em pó não fracionado, vendido em embalagens superiores a 800 gramas e utilizado principalmente como insumo industrial. Leite em pó embalado para o consumidor, leite longa vida e queijos não estão incluídos na medida.
O processo foi aberto em dezembro de 2024, após pedido da CNA. A investigação concluiu que houve dumping, dano à cadeia produtiva brasileira e relação entre as importações e o prejuízo interno.
Agora, a disputa está concentrada na aplicação das tarifas. Para o produtor, o reconhecimento da prática tem pouco efeito enquanto a cobrança permanecer suspensa. A proteção somente chegará ao mercado se o Gecex concluir que o benefício para a pecuária leiteira supera eventuais impactos sobre a indústria e os preços ao consumidor.
Fonte: Pensar Agro
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