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Fundecitrus confirma resistência parcial do fungo da pinta preta a fungicidas no cinturão citrícola paulista

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Pesquisa inédita detecta resistência parcial do fungo Phyllosticta citricarpa às estrobilurinas

O Fundecitrus (Fundo de Defesa da Citricultura) identificou, pela primeira vez no Brasil, sinais de resistência parcial do fungo Phyllosticta citricarpa — responsável pela pinta preta dos citros — aos fungicidas do grupo químico das estrobilurinas.

A descoberta reforça relatos feitos por produtores e técnicos durante a safra 2024/2025 sobre dificuldades no controle da doença em pomares do cinturão citrícola de São Paulo.

Análises confirmam mutação associada à redução de sensibilidade

O estudo analisou 40 amostras do fungo coletadas em pomares comerciais de diferentes regiões paulistas e as comparou com isolados antigos sensíveis ao produto, obtidos entre 1998 e 2012.

Segundo o pesquisador Geraldo Silva Junior, do Fundecitrus, as estrobilurinas agem na respiração celular dos fungos, mas pequenas mutações genéticas podem comprometer sua eficácia.

“Identificamos uma mutação no códon 137, o que indica resistência parcial e variável às estrobilurinas. Isso reduz a capacidade de inibição do fungo e pode impactar o controle em algumas áreas”, explicou o pós-doutorando Thiago Carraro.

A mutação foi detectada em diferentes regiões do estado — Sudoeste, Sul, Norte e Centro — com variações na intensidade da perda de eficiência do fungicida.

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Resistência total ainda não foi observada no Brasil

Apesar da resistência parcial, o Fundecitrus reforça que não há registro de resistência total do P. citricarpa às estrobilurinas.

Casos de resistência total já foram identificados em outros patógenos agrícolas, como o fungo Alternaria, causador da mancha marrom em tangerinas e híbridos.

A mutação no códon 143, responsável por essa resistência completa, ainda não foi observada no fungo da pinta preta — e, segundo os pesquisadores, tende a ser letal para o próprio patógeno.

Por isso, as chances de evolução para uma resistência total são consideradas baixas.

Recomendações para manejo e prevenção da resistência

Mesmo com o cenário de resistência parcial, as estrobilurinas ainda podem ser utilizadas — desde que com ajustes no manejo.

Silva Junior recomenda que os produtores reduzam o número de aplicações e evitem o uso isolado desse grupo químico.

Entre as medidas sugeridas estão:

  • Rotação e mistura de fungicidas com outros grupos, como triazóis, carboxamidas e compostos à base de cobre;
  • Controle cultural, incluindo poda de ramos secos, manejo de folhas caídas e colheita antecipada;
  • Adoção de estratégias antirresistência para manter a eficácia dos produtos no longo prazo.
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Fundecitrus amplia monitoramento e testes de novas soluções

O Fundecitrus segue monitorando novas áreas do cinturão citrícola para medir a frequência do fungo resistente e desenvolveu um protocolo rápido para sua identificação em laboratório.

Além disso, estão sendo conduzidos experimentos com diferentes fungicidas, tanto químicos quanto biológicos, com o objetivo de encontrar alternativas eficazes para o controle da pinta preta.

Os resultados dessas pesquisas deverão embasar futuras recomendações técnicas e fortalecer o manejo sustentável da doença, garantindo a proteção da citricultura brasileira.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Preços do trigo sobem no Brasil com oferta restrita e ajuste no mercado em abril

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O mercado brasileiro de trigo encerrou abril com valorização nas principais regiões produtoras, sustentado pela oferta restrita, firmeza dos vendedores e necessidade de recomposição de estoques por parte dos moinhos. O movimento reflete um ajuste no mercado interno, especialmente diante da menor disponibilidade no Sul e da crescente exigência por qualidade do grão.

Mercado interno: escassez e qualidade sustentam preços

A baixa oferta disponível nas regiões produtoras foi determinante para a sustentação das cotações ao longo do mês. A comercialização mais seletiva, com foco em lotes de melhor qualidade, também contribuiu para o cenário de valorização.

No Paraná, a média FOB interior avançou 3% em abril, alcançando R$ 1.407 por tonelada. Já no Rio Grande do Sul, o movimento foi mais expressivo, com alta de 8%, elevando a referência para R$ 1.295 por tonelada.

O comportamento reforça um mercado mais ajustado, com menor volume disponível e maior rigor na negociação, principalmente em relação ao padrão do produto.

Acumulado de 2026 mostra recuperação relevante

No primeiro quadrimestre de 2026, a alta acumulada dos preços é significativa, indicando uma mudança importante na dinâmica do mercado desde o início do ano:

  • Paraná: +20%
  • Rio Grande do Sul: +25%
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Apesar da recuperação no curto prazo, na comparação anual as cotações ainda permanecem abaixo dos níveis registrados no mesmo período do ano anterior, com recuos de 9% no Paraná e 10% no Rio Grande do Sul.

Esse cenário evidencia que o mercado doméstico reage aos fundamentos internos, mas ainda enfrenta limitações impostas pelo ambiente externo.

Mercado externo: referência argentina e incertezas de qualidade

A Argentina segue como principal referência para a formação de preços do trigo no Brasil. Em abril, as indicações nominais para o produto com teor de proteína acima de 11,5% permaneceram estáveis, ao redor de US$ 240 por tonelada.

No entanto, o cenário internacional aponta para possíveis ajustes. O trigo hard norte-americano registrou valorização de 7,8% no mês e acumula alta de 27% em 2026, sinalizando pressão altista global.

Além disso, persistem incertezas quanto ao padrão de qualidade do trigo argentino disponível para exportação, o que pode influenciar diretamente a competitividade e os preços no mercado regional.

Câmbio limita repasse da alta internacional

Apesar do viés altista nos fundamentos domésticos e da pressão externa, o câmbio tem atuado como principal fator de contenção para os preços no Brasil.

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A valorização do real frente ao dólar reduz a paridade de importação, limitando o repasse das altas internacionais para o mercado interno. Com isso, mesmo diante de um cenário global mais firme, os avanços nas cotações domésticas ocorrem de forma mais moderada.

Tendência: mercado segue sensível à oferta e ao câmbio

A perspectiva para o curto prazo é de manutenção de um mercado ajustado, com preços sustentados pela oferta restrita e pela demanda pontual dos moinhos.

No entanto, a evolução do câmbio e o comportamento das cotações internacionais seguirão sendo determinantes para a intensidade dos movimentos no Brasil, especialmente em um cenário de integração crescente com o mercado global.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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