AGRONEGÓCIO

FPA quer R$ 500 bilhões para plano safra 2024/25. CNA R$ 570 bi

Publicado em

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) realizou um encontro em Brasília nesta terça-feira (04.05) para discutir os recursos destinados ao Plano Safra 2024/25. A bancada do agro reivindicou um valor de R$ 500 bilhões, buscando garantir o abastecimento do campo e a segurança alimentar do país.

O Ministério da Agricultura está em negociações com a Fazenda para definir o orçamento do Plano Safra, que ainda não foi aprovado pelo governo federal. Apesar dos números ainda não estarem finalizados, a expectativa é que a cifra seja superior à do ano passado, quando R$ 364,22 bilhões foram ofertados.

O presidente da FPA, Pedro Lupion, defende um Plano Safra “robusto” que atenda às necessidades do setor, que enfrentou desafios no início e no final de 2023, além das inundações no Rio Grande do Sul. “Precisamos de um Plano proporcional à crise que o setor enfrentou”, afirma Lupion.

Entre as principais demandas da FPA estão:

  • R$ 21 bilhões para equalização de juros: “É efetivamente o dinheiro que o governo gasta”, destaca Lupion.
  • R$ 3 bilhões para seguro e auxílio à comercialização: “São temas importantes que estamos preocupados”, diz o presidente da FPA.
Leia Também:  Incêndios florestais podem resultar em perda de 15% na safra de cana, com prejuízos superiores a R$ 2,5 bilhões

O presidente da FPA, deputado federal Pedro Lupion (PP-PR), ainda destacou pontos importantes sobre a equalização de juros. Segundo ele, no ano passado, foram prometidos cerca de R$ 20 bilhões para equalização, mas apenas R$ 13,5 bilhões foram efetivamente disponibilizados.

“Este ano, nos assusta ouvir de algumas fontes do governo que a equalização será de aproximadamente R$ 10 bilhões, o que não atenderia nem metade do necessário. É um total absurdo”, afirmou Lupion.

IA – “O agronegócio brasileiro é um pilar fundamental para a nossa economia e para a segurança alimentar do país. Por isso, é essencial que o Plano Safra 2024/25 seja robusto e atenda às necessidades do setor”, disse Isan Rezente, presidente do Instituto do Agronegócio (IA).

“Esse valor reivindicado pela FPA é necessário para garantir a equalização de juros, o seguro rural, o auxílio à comercialização e outras medidas essenciais para garantir um Plano Safra que seja justo, eficiente e que contribua para o desenvolvimento do agronegócio brasileiro”, comentou Rezende.

O diretor executivo da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Bruno Lucchi, defendeu um orçamento ainda maior, de R$ 570 bilhões para o Plano Safra. A CNA argumenta que o aumento de 31% em relação ao ano passado é necessário para facilitar o acesso ao crédito, principalmente para pequenos e médios produtores.

Leia Também:  Desvalorização do dólar oficial impulsiona vendas de commodities argentinas, indicam analistas da SAFRAS & Mercado

O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Neri Geller, não confirmou os valores previamente anunciados pelo ministro Fávaro, mas garantiu que as demandas do setor serão encaminhadas para a equipe econômica do governo.

A definição do orçamento final do Plano Safra 2024/25 é essencial para garantir a produção agrícola no Brasil e a segurança alimentar do país. As negociações entre a FPA e o governo federal continuam, e espera-se que um acordo seja alcançado em breve.

Fonte: Pensar Agro

Advertisement

AGRONEGÓCIO

Seguro rural mais forte pode evitar nova crise bilionária de dívidas no campo

Published

on

Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) articula mudanças na Medida Provisória 1.376/2026 e a aprovação de um novo marco para o seguro rural como parte de uma estratégia para enfrentar a crise de endividamento no campo. A bancada avalia que a renegociação é necessária, mas precisa ser acompanhada de mecanismos capazes de proteger o produtor contra novas perdas climáticas e impedir a repetição do problema nos próximos anos.

O debate ganhou força após estudo do Centro de Estudos em Agronegócios da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) mostrar que o impacto fiscal anual da renegociação, estimado pelo governo em até R$ 3,6 bilhões, permitiria proteger R$ 112,6 bilhões em produção caso o mesmo valor fosse aplicado no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

A comparação não significa que o seguro possa substituir a renegociação. A conclusão dos pesquisadores é que a medida emergencial deve funcionar como uma ponte para uma política permanente de gestão de riscos. Sem essa mudança, o produtor pode voltar ao crédito com a mesma exposição às perdas climáticas e enfrentar novas dificuldades no próximo choque.

A FPA tem maioria entre os integrantes da comissão mista instalada pelo Congresso para analisar a MP. Dos 26 titulares, 14 pertencem à bancada. Integrantes da frente também apresentaram 126 das 144 emendas protocoladas, demonstrando a intenção de ampliar o alcance e corrigir limitações da medida.

A MP foi construída em uma negociação entre a FPA, o Ministério da Fazenda e a presidência da Câmara. O acordo prevê linhas para liquidação ou amortização de operações de crédito rural e Cédulas de Produto Rural (CPRs), além da participação da União em um fundo garantidor.

A expectativa inicial era de que aproximadamente R$ 100 bilhões pudessem ser renegociados. A portaria de equalização de juros publicada pelo governo, porém, autorizou R$ 25,8 bilhões, equivalentes a apenas 13% dos R$ 197,2 bilhões classificados pelo Banco Central como carteira problemática do setor. O cálculo não inclui dívidas privadas representadas por CPRs emitidas para fornecedores e empresas de comercialização.

Isan Rezende

INDISPENSÁVEL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende, a renegociação é indispensável para preservar produtores que sofreram perdas sucessivas, mas não pode ser tratada como solução definitiva. “O produtor não está pedindo perdão da dívida. Ele precisa de prazo, juros compatíveis e condições para continuar produzindo. Sem esse fôlego imediato, perde capacidade de financiar a safra, reduz investimentos e coloca em risco a própria continuidade da atividade”.

Leia Também:  Desvalorização do dólar oficial impulsiona vendas de commodities argentinas, indicam analistas da SAFRAS & Mercado

Segundo Rezende, a crise atual evidencia a fragilidade da política brasileira de proteção da produção. “Se renegociarmos o passivo e devolvermos o produtor ao campo sem seguro adequado, o próximo evento climático poderá criar exatamente o mesmo problema. A renegociação resolve a urgência; o seguro, a assistência técnica e uma política consistente de gestão de risco diminuem a possibilidade de uma nova crise”.

Rezende defende que os recursos para o seguro rural tenham estabilidade e não sejam submetidos a cortes no decorrer do ano. “Não existe seguro eficiente sem previsibilidade orçamentária. Produtores, seguradoras e resseguradoras precisam saber quanto estará disponível e quando a subvenção será liberada. Proteger a lavoura custa menos ao País do que socorrer repetidamente o produtor depois que a perda já ocorreu”.

O exercício realizado pela FGV Agro mostra o tamanho da diferença. Com base no desempenho do PSR em 2025, uma dotação de R$ 3,6 bilhões permitiria proteger 20,47 milhões de hectares, contratar cerca de 398 mil apólices e gerar R$ 10,16 bilhões em prêmios de seguro.

No ano passado, o programa alcançou somente 3,3 milhões de hectares e pouco mais de R$ 18,1 bilhões em importância segurada. A subvenção federal ficou em R$ 581,1 milhões. Em 2021, quando atingiu seu maior alcance, o PSR protegeu 14,23 milhões de hectares.

Leia Também:  Confinamento se consolida como estratégia essencial para antecipar ganhos no "Jogo da Reposição" de 2026

Os pesquisadores ressalvam que a expansão não ocorreria automaticamente. Seria necessário ampliar a capacidade de seguradoras e resseguradoras, garantir recursos no Orçamento e estimular a contratação pelos produtores. O custo fiscal da renegociação também pode variar ao longo do tempo, conforme o pagamento das parcelas.

Apesar dessas limitações, o estudo sustenta que políticas de valores semelhantes produzem resultados diferentes. A renegociação age depois da perda, reduzindo o peso do passivo. O seguro atua antes do choque e evita que parte do prejuízo se transforme em inadimplência, recuperação judicial, perda de garantias ou pressão por novo socorro público.

Além das mudanças na MP, a FPA trata como prioridade o Projeto de Lei 2.951/2024, que moderniza o seguro rural. A proposta impede o bloqueio dos recursos destinados à subvenção, oferece estímulos para produtores segurados e reformula o Fundo de Estabilidade do Seguro Rural, que passaria a funcionar como Fundo de Catástrofe.

Para a bancada, a saída da crise depende das duas frentes. A renegociação precisa chegar rapidamente aos produtores que perderam capacidade de pagamento, enquanto o fortalecimento do seguro deve reduzir a exposição das próximas safras. O objetivo é evitar que o País apenas adie o passivo atual e tenha de discutir, em poucos anos, uma nova renegociação das mesmas dívidas.

Fonte: Pensar Agro

Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA