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FMI revisará projeções econômicas em julho com base em tarifas e acordos comerciais

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O Fundo Monetário Internacional (FMI) informou que sua próxima atualização sobre o crescimento econômico global, prevista para julho, irá considerar tanto os avanços positivos quanto os desafios no comércio internacional. A entidade, no entanto, evitou antecipar uma possível revisão para baixo do Produto Interno Bruto (PIB) global, como fez o Banco Mundial recentemente.

Avanços no comércio podem impulsionar atividade econômica

Durante coletiva de imprensa, a porta-voz do FMI, Julie Kozack, destacou que, desde a última edição do relatório Perspectiva Econômica Global, publicada em abril, houve fatores que podem favorecer o crescimento. Entre eles, estão:

  • A redução significativa de tarifas entre Estados Unidos e China;
  • A assinatura de um acordo comercial inicial entre EUA e Reino Unido;
  • A pausa, desde 9 de abril, na aplicação de tarifas elevadas por parte dos Estados Unidos.

Segundo Kozack, “esses anúncios, combinados com a suspensão nas tarifas, podem sustentar a atividade econômica global em relação ao que foi projetado em abril”.

Tarifas adicionais dos EUA também serão consideradas

O FMI também levará em conta as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre aço e alumínio, que alcançaram 50% para todos os exportadores. A medida foi determinada pelo presidente Donald Trump e impacta diversos parceiros comerciais.

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Banco Mundial já cortou projeção para 2025

Na última terça-feira, o Banco Mundial reduziu sua estimativa de crescimento global para 2025 em 0,4 ponto percentual, para 2,3%. O órgão apontou que o aumento de tarifas e a elevação da incerteza econômica têm causado impactos relevantes em quase todas as economias.

A revisão afetou cerca de 70% dos países avaliados, incluindo Estados Unidos, China e Europa. A estimativa anterior havia sido divulgada antes da posse de Donald Trump, que implementou tarifas comerciais generalizadas.

Projeção anterior do FMI já havia sido reduzida

Em abril, o FMI já havia cortado sua projeção de crescimento para 2025 em meio ponto percentual, fixando a expectativa em 2,8%. A redução refletia os efeitos iniciais das medidas tarifárias implementadas pelo governo norte-americano, além de uma previsão de queda mais lenta da inflação.

Cenário econômico segue incerto e com variáveis em aberto

Kozack ressaltou que o cenário global permanece complexo. Segundo ela, houve uma antecipação de atividades econômicas no primeiro trimestre para evitar tarifas, seguida de uma retração nas importações no segundo trimestre. Também foram observadas mudanças nas rotas comerciais e efeitos de desvio de comércio.

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Além disso, a suspensão tarifária recíproca de Trump tem prazo de validade até 8 de julho, com possibilidade de prorrogação para países que estejam negociando acordos com os EUA.

Previsão atualizada será divulgada no fim de julho

A próxima edição do relatório Panorama Econômico Mundial do FMI será apresentada no final de julho. Apesar de não ter divulgado uma data específica, Kozack afirmou que o novo documento levará em conta todos os desdobramentos recentes nas relações comerciais globais, tanto os que oferecem riscos quanto aqueles que podem impulsionar a economia.

“Tudo isso cria um cenário complicado, com riscos e oportunidades. Vamos considerar todos esses fatores na atualização das nossas previsões”, concluiu.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil confirma dumping no leite importado, mas tarifa não sai do papel

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O governo brasileiro confirmou que empresas da Argentina e do Uruguai venderam leite em pó ao País em condições desleais, mas manteve suspensas as tarifas criadas para proteger o produtor nacional. A decisão mantém o produto estrangeiro entrando sem a cobrança adicional enquanto são avaliados os efeitos da medida sobre a indústria e os consumidores.

A investigação do Departamento de Defesa Comercial (Decom), ligado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), encontrou dumping e prejuízo à produção brasileira. A prática ocorre quando uma empresa exporta um produto por valor artificialmente baixo, prejudicando os concorrentes no mercado comprador.

Em junho, o Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex/Camex) aprovou tarifas diferentes para cada exportador, com vigência prevista até 8 de junho de 2031. Dependendo da empresa, a cobrança poderia superar 100% do preço médio do leite em pó importado.

A própria resolução, porém, suspendeu imediatamente a aplicação das tarifas por razões de interesse público. Com isso, o dumping foi reconhecido, mas o leite argentino e uruguaio continua entrando no Brasil sem a medida de defesa comercial.

No fim de julho, o governo abriu uma avaliação para calcular os possíveis efeitos da cobrança sobre produção, distribuição, comércio e consumo. Não há prazo definido para que o Gecex tome uma decisão final.

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A suspensão provocou reação da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e de entidades da cadeia leiteira. O setor argumenta que o produto importado reduz o preço pago ao pecuarista e atinge principalmente pequenas e médias propriedades, com menor capacidade para suportar períodos prolongados de baixa remuneração.

“Não adianta reconhecer que há mais de 60% de dumping nesse leite em pó que entra no Brasil e não aplicar as tarifas”, afirmou o presidente da FPA, Pedro Lupion. Segundo ele, a concorrência está retirando produtores da atividade e afetando a economia de pequenos municípios.

A pressão das importações aumentou neste ano. Dados apresentados pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) mostram que o País importou o equivalente a 1,02 bilhão de litros de leite em produtos lácteos entre janeiro e maio, recorde para o período e crescimento de 10,5% em relação a 2025.

O leite em pó respondeu pelo equivalente a 754 milhões de litros. Argentina e Uruguai forneceram 653 milhões, ou 86% desse volume. Como o produto é reidratado e utilizado por indústrias de alimentos, sua entrada influencia a demanda pelo leite cru produzido no Brasil.

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A CNA sustenta que a tarifa não provocaria aumento relevante no custo da alimentação porque atingiria apenas o leite em pó não fracionado, vendido em embalagens superiores a 800 gramas e utilizado principalmente como insumo industrial. Leite em pó embalado para o consumidor, leite longa vida e queijos não estão incluídos na medida.

O processo foi aberto em dezembro de 2024, após pedido da CNA. A investigação concluiu que houve dumping, dano à cadeia produtiva brasileira e relação entre as importações e o prejuízo interno.

Agora, a disputa está concentrada na aplicação das tarifas. Para o produtor, o reconhecimento da prática tem pouco efeito enquanto a cobrança permanecer suspensa. A proteção somente chegará ao mercado se o Gecex concluir que o benefício para a pecuária leiteira supera eventuais impactos sobre a indústria e os preços ao consumidor.

Fonte: Pensar Agro

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