AGRONEGÓCIO
Fenasul, Expoleite e Fenovinos 2026 devem reunir mais de 3 mil animais em Esteio (RS)
Publicado em
24 de abril de 2026por
Da Redação
A 19ª Fenasul e a 46ª Expoleite foram lançadas oficialmente na manhã desta quinta-feira (16), no pavilhão do gado leiteiro do Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio (RS). Durante o evento, também foi anunciada a realização da 38ª Fenovinos, que acontecerá simultaneamente, no mesmo local e datas.
A programação conjunta será realizada entre os dias 13 e 17 de maio, com entrada gratuita, reunindo produtores, entidades do setor e autoridades, incluindo o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e o vice-governador Gabriel Souza.
Evento no RS reforça tradição e força da pecuária gaúcha
O secretário da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), Márcio Madalena, destacou a consolidação da feira no calendário do agronegócio e a expectativa de grande público.
Segundo ele, o evento já se firmou como referência do setor, reunindo tradição e relevância econômica, com programação voltada a diferentes públicos. A estimativa é de mais de duas mil pessoas ao longo dos dias de feira.
Madalena também ressaltou a forte participação de animais, especialmente ovinos, com números próximos aos da Expointer, além da expectativa de novos recordes nesta edição. Ele lembrou ainda que a feira deixou de ser lançada em anos anteriores devido a condições climáticas adversas, o que reforça a importância do evento em 2026.
Integração entre cadeias produtivas amplia alcance da feira agropecuária
O presidente da Gadolando e da Febrac, Marcos Tang, destacou a união entre entidades como Farsul, Fetag, Secretaria da Agricultura e outras organizações como fator essencial para a consolidação da Fenasul Expoleite.
Segundo ele, o evento reúne diferentes segmentos do agronegócio, com mais de dois mil animais inscritos, podendo chegar a três mil considerando atividades paralelas, como rodeios e outras atrações.
Tang também ressaltou a diversidade da programação, que inclui a Fenovinos, provas com equinos e a presença de raças como o cavalo crioulo, reforçando o caráter representativo da pecuária gaúcha.
Setor leiteiro enfrenta desafios e cobra políticas de proteção ao produtor
Durante sua participação, Marcos Tang também chamou atenção para as dificuldades enfrentadas pelos produtores de leite no Rio Grande do Sul. Ele criticou o impacto das importações e a ausência de medidas mais efetivas de proteção ao setor.
O dirigente destacou ainda a necessidade de maior estabilidade econômica para o produtor rural. “O produtor precisa trabalhar e pagar suas contas com o próprio produto, sem depender constantemente de crédito bancário”, afirmou.
Agricultura familiar e multifeira ganham destaque na programação
O engenheiro agrônomo da Fetag-RS, Adrik Francis Richter, destacou a importância da feira como espaço de valorização da agricultura familiar e da cadeia leiteira.
Segundo ele, o evento proporciona visibilidade aos produtores e reforça a necessidade de políticas públicas que garantam estabilidade no preço pago ao leite, especialmente após um ano considerado desafiador para o setor.
A programação também contará com a participação de 40 agroindústrias familiares na Multifeira da Agricultura Familiar, com produtos como queijos, iogurtes, doce de leite, cucas e salames, agregando valor à produção e fortalecendo a economia local.
Expectativa de público e crescimento com inclusão da Fenovinos
Representando a Farsul, o diretor administrativo Francisco Schardong afirmou que a inclusão da Fenovinos deve ampliar a expectativa de público do evento. Ele também destacou a relevância da parceria entre o setor produtivo e o Governo do Estado.
Schardong ressaltou ainda os desafios enfrentados pelos produtores rurais e afirmou que a feira será uma vitrine da força da pecuária gaúcha. “Quem vier na Fenasul Expoleite vai conhecer o nosso tamanho, vai saber quem é o produtor do Rio Grande do Sul”, disse.
Esteio reforça papel de cidade anfitriã do agronegócio gaúcho
O prefeito de Esteio, Felipe Costella, destacou o caráter coletivo da organização do evento e a importância de ouvir os setores envolvidos na construção da programação.
Segundo ele, a realização conjunta da Expoleite, Fenasul e Multifeira é resultado de planejamento e diálogo entre diversas instituições, com foco em ampliar o público e gerar oportunidades de negócios.
Costella também reforçou o papel do município como sede do evento. “Esteio recebeu a todos de braços abertos, porque entende a relevância desse momento para o setor produtivo”, afirmou.
Multifeira de Esteio integra cultura, gastronomia e agronegócio
A 5ª Multifeira de Esteio, organizada pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente (SMDEMA), terá programação voltada à cultura, tradição e desenvolvimento econômico.
Entre os destaques está a 4ª edição do Rodeio Artístico de Esteio, promovido pelo CTG Independência Gaúcha, com apoio da prefeitura e da RBS TV. O evento ocorre nos dias 16 e 17 de maio, das 8h às 20h, com entrada gratuita.
A programação inclui ainda atrações gastronômicas no Pavilhão do Chef, com competições e experiências ligadas ao churrasco, além de espaços institucionais voltados ao desenvolvimento econômico regional. A expectativa é superar 100 estandes, com edital de inscrições a ser aberto em breve.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Seguro rural mais forte pode evitar nova crise bilionária de dívidas no campo
Published
11 horas agoon
20 de agosto de 2026By
Da Redação
Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) articula mudanças na Medida Provisória 1.376/2026 e a aprovação de um novo marco para o seguro rural como parte de uma estratégia para enfrentar a crise de endividamento no campo. A bancada avalia que a renegociação é necessária, mas precisa ser acompanhada de mecanismos capazes de proteger o produtor contra novas perdas climáticas e impedir a repetição do problema nos próximos anos.
O debate ganhou força após estudo do Centro de Estudos em Agronegócios da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) mostrar que o impacto fiscal anual da renegociação, estimado pelo governo em até R$ 3,6 bilhões, permitiria proteger R$ 112,6 bilhões em produção caso o mesmo valor fosse aplicado no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).
A comparação não significa que o seguro possa substituir a renegociação. A conclusão dos pesquisadores é que a medida emergencial deve funcionar como uma ponte para uma política permanente de gestão de riscos. Sem essa mudança, o produtor pode voltar ao crédito com a mesma exposição às perdas climáticas e enfrentar novas dificuldades no próximo choque.
A FPA tem maioria entre os integrantes da comissão mista instalada pelo Congresso para analisar a MP. Dos 26 titulares, 14 pertencem à bancada. Integrantes da frente também apresentaram 126 das 144 emendas protocoladas, demonstrando a intenção de ampliar o alcance e corrigir limitações da medida.
A MP foi construída em uma negociação entre a FPA, o Ministério da Fazenda e a presidência da Câmara. O acordo prevê linhas para liquidação ou amortização de operações de crédito rural e Cédulas de Produto Rural (CPRs), além da participação da União em um fundo garantidor.
A expectativa inicial era de que aproximadamente R$ 100 bilhões pudessem ser renegociados. A portaria de equalização de juros publicada pelo governo, porém, autorizou R$ 25,8 bilhões, equivalentes a apenas 13% dos R$ 197,2 bilhões classificados pelo Banco Central como carteira problemática do setor. O cálculo não inclui dívidas privadas representadas por CPRs emitidas para fornecedores e empresas de comercialização.
Isan Rezende
INDISPENSÁVEL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende, a renegociação é indispensável para preservar produtores que sofreram perdas sucessivas, mas não pode ser tratada como solução definitiva. “O produtor não está pedindo perdão da dívida. Ele precisa de prazo, juros compatíveis e condições para continuar produzindo. Sem esse fôlego imediato, perde capacidade de financiar a safra, reduz investimentos e coloca em risco a própria continuidade da atividade”.
Segundo Rezende, a crise atual evidencia a fragilidade da política brasileira de proteção da produção. “Se renegociarmos o passivo e devolvermos o produtor ao campo sem seguro adequado, o próximo evento climático poderá criar exatamente o mesmo problema. A renegociação resolve a urgência; o seguro, a assistência técnica e uma política consistente de gestão de risco diminuem a possibilidade de uma nova crise”.
Rezende defende que os recursos para o seguro rural tenham estabilidade e não sejam submetidos a cortes no decorrer do ano. “Não existe seguro eficiente sem previsibilidade orçamentária. Produtores, seguradoras e resseguradoras precisam saber quanto estará disponível e quando a subvenção será liberada. Proteger a lavoura custa menos ao País do que socorrer repetidamente o produtor depois que a perda já ocorreu”.
O exercício realizado pela FGV Agro mostra o tamanho da diferença. Com base no desempenho do PSR em 2025, uma dotação de R$ 3,6 bilhões permitiria proteger 20,47 milhões de hectares, contratar cerca de 398 mil apólices e gerar R$ 10,16 bilhões em prêmios de seguro.
No ano passado, o programa alcançou somente 3,3 milhões de hectares e pouco mais de R$ 18,1 bilhões em importância segurada. A subvenção federal ficou em R$ 581,1 milhões. Em 2021, quando atingiu seu maior alcance, o PSR protegeu 14,23 milhões de hectares.
Os pesquisadores ressalvam que a expansão não ocorreria automaticamente. Seria necessário ampliar a capacidade de seguradoras e resseguradoras, garantir recursos no Orçamento e estimular a contratação pelos produtores. O custo fiscal da renegociação também pode variar ao longo do tempo, conforme o pagamento das parcelas.
Apesar dessas limitações, o estudo sustenta que políticas de valores semelhantes produzem resultados diferentes. A renegociação age depois da perda, reduzindo o peso do passivo. O seguro atua antes do choque e evita que parte do prejuízo se transforme em inadimplência, recuperação judicial, perda de garantias ou pressão por novo socorro público.
Além das mudanças na MP, a FPA trata como prioridade o Projeto de Lei 2.951/2024, que moderniza o seguro rural. A proposta impede o bloqueio dos recursos destinados à subvenção, oferece estímulos para produtores segurados e reformula o Fundo de Estabilidade do Seguro Rural, que passaria a funcionar como Fundo de Catástrofe.
Para a bancada, a saída da crise depende das duas frentes. A renegociação precisa chegar rapidamente aos produtores que perderam capacidade de pagamento, enquanto o fortalecimento do seguro deve reduzir a exposição das próximas safras. O objetivo é evitar que o País apenas adie o passivo atual e tenha de discutir, em poucos anos, uma nova renegociação das mesmas dívidas.
Fonte: Pensar Agro
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