AGRONEGÓCIO

Fenasul, Expoleite e Fenovinos 2026 devem reunir mais de 3 mil animais em Esteio (RS)

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A 19ª Fenasul e a 46ª Expoleite foram lançadas oficialmente na manhã desta quinta-feira (16), no pavilhão do gado leiteiro do Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio (RS). Durante o evento, também foi anunciada a realização da 38ª Fenovinos, que acontecerá simultaneamente, no mesmo local e datas.

A programação conjunta será realizada entre os dias 13 e 17 de maio, com entrada gratuita, reunindo produtores, entidades do setor e autoridades, incluindo o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e o vice-governador Gabriel Souza.

Evento no RS reforça tradição e força da pecuária gaúcha

O secretário da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), Márcio Madalena, destacou a consolidação da feira no calendário do agronegócio e a expectativa de grande público.

Segundo ele, o evento já se firmou como referência do setor, reunindo tradição e relevância econômica, com programação voltada a diferentes públicos. A estimativa é de mais de duas mil pessoas ao longo dos dias de feira.

Madalena também ressaltou a forte participação de animais, especialmente ovinos, com números próximos aos da Expointer, além da expectativa de novos recordes nesta edição. Ele lembrou ainda que a feira deixou de ser lançada em anos anteriores devido a condições climáticas adversas, o que reforça a importância do evento em 2026.

Integração entre cadeias produtivas amplia alcance da feira agropecuária

O presidente da Gadolando e da Febrac, Marcos Tang, destacou a união entre entidades como Farsul, Fetag, Secretaria da Agricultura e outras organizações como fator essencial para a consolidação da Fenasul Expoleite.

Segundo ele, o evento reúne diferentes segmentos do agronegócio, com mais de dois mil animais inscritos, podendo chegar a três mil considerando atividades paralelas, como rodeios e outras atrações.

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Tang também ressaltou a diversidade da programação, que inclui a Fenovinos, provas com equinos e a presença de raças como o cavalo crioulo, reforçando o caráter representativo da pecuária gaúcha.

Setor leiteiro enfrenta desafios e cobra políticas de proteção ao produtor

Durante sua participação, Marcos Tang também chamou atenção para as dificuldades enfrentadas pelos produtores de leite no Rio Grande do Sul. Ele criticou o impacto das importações e a ausência de medidas mais efetivas de proteção ao setor.

O dirigente destacou ainda a necessidade de maior estabilidade econômica para o produtor rural. “O produtor precisa trabalhar e pagar suas contas com o próprio produto, sem depender constantemente de crédito bancário”, afirmou.

Agricultura familiar e multifeira ganham destaque na programação

O engenheiro agrônomo da Fetag-RS, Adrik Francis Richter, destacou a importância da feira como espaço de valorização da agricultura familiar e da cadeia leiteira.

Segundo ele, o evento proporciona visibilidade aos produtores e reforça a necessidade de políticas públicas que garantam estabilidade no preço pago ao leite, especialmente após um ano considerado desafiador para o setor.

A programação também contará com a participação de 40 agroindústrias familiares na Multifeira da Agricultura Familiar, com produtos como queijos, iogurtes, doce de leite, cucas e salames, agregando valor à produção e fortalecendo a economia local.

Expectativa de público e crescimento com inclusão da Fenovinos

Representando a Farsul, o diretor administrativo Francisco Schardong afirmou que a inclusão da Fenovinos deve ampliar a expectativa de público do evento. Ele também destacou a relevância da parceria entre o setor produtivo e o Governo do Estado.

Schardong ressaltou ainda os desafios enfrentados pelos produtores rurais e afirmou que a feira será uma vitrine da força da pecuária gaúcha. “Quem vier na Fenasul Expoleite vai conhecer o nosso tamanho, vai saber quem é o produtor do Rio Grande do Sul”, disse.

Esteio reforça papel de cidade anfitriã do agronegócio gaúcho

O prefeito de Esteio, Felipe Costella, destacou o caráter coletivo da organização do evento e a importância de ouvir os setores envolvidos na construção da programação.

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Segundo ele, a realização conjunta da Expoleite, Fenasul e Multifeira é resultado de planejamento e diálogo entre diversas instituições, com foco em ampliar o público e gerar oportunidades de negócios.

Costella também reforçou o papel do município como sede do evento. “Esteio recebeu a todos de braços abertos, porque entende a relevância desse momento para o setor produtivo”, afirmou.

Multifeira de Esteio integra cultura, gastronomia e agronegócio

A 5ª Multifeira de Esteio, organizada pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente (SMDEMA), terá programação voltada à cultura, tradição e desenvolvimento econômico.

Entre os destaques está a 4ª edição do Rodeio Artístico de Esteio, promovido pelo CTG Independência Gaúcha, com apoio da prefeitura e da RBS TV. O evento ocorre nos dias 16 e 17 de maio, das 8h às 20h, com entrada gratuita.

A programação inclui ainda atrações gastronômicas no Pavilhão do Chef, com competições e experiências ligadas ao churrasco, além de espaços institucionais voltados ao desenvolvimento econômico regional. A expectativa é superar 100 estandes, com edital de inscrições a ser aberto em breve.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Seguro rural mais forte pode evitar nova crise bilionária de dívidas no campo

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Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) articula mudanças na Medida Provisória 1.376/2026 e a aprovação de um novo marco para o seguro rural como parte de uma estratégia para enfrentar a crise de endividamento no campo. A bancada avalia que a renegociação é necessária, mas precisa ser acompanhada de mecanismos capazes de proteger o produtor contra novas perdas climáticas e impedir a repetição do problema nos próximos anos.

O debate ganhou força após estudo do Centro de Estudos em Agronegócios da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) mostrar que o impacto fiscal anual da renegociação, estimado pelo governo em até R$ 3,6 bilhões, permitiria proteger R$ 112,6 bilhões em produção caso o mesmo valor fosse aplicado no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

A comparação não significa que o seguro possa substituir a renegociação. A conclusão dos pesquisadores é que a medida emergencial deve funcionar como uma ponte para uma política permanente de gestão de riscos. Sem essa mudança, o produtor pode voltar ao crédito com a mesma exposição às perdas climáticas e enfrentar novas dificuldades no próximo choque.

A FPA tem maioria entre os integrantes da comissão mista instalada pelo Congresso para analisar a MP. Dos 26 titulares, 14 pertencem à bancada. Integrantes da frente também apresentaram 126 das 144 emendas protocoladas, demonstrando a intenção de ampliar o alcance e corrigir limitações da medida.

A MP foi construída em uma negociação entre a FPA, o Ministério da Fazenda e a presidência da Câmara. O acordo prevê linhas para liquidação ou amortização de operações de crédito rural e Cédulas de Produto Rural (CPRs), além da participação da União em um fundo garantidor.

A expectativa inicial era de que aproximadamente R$ 100 bilhões pudessem ser renegociados. A portaria de equalização de juros publicada pelo governo, porém, autorizou R$ 25,8 bilhões, equivalentes a apenas 13% dos R$ 197,2 bilhões classificados pelo Banco Central como carteira problemática do setor. O cálculo não inclui dívidas privadas representadas por CPRs emitidas para fornecedores e empresas de comercialização.

Isan Rezende

INDISPENSÁVEL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende, a renegociação é indispensável para preservar produtores que sofreram perdas sucessivas, mas não pode ser tratada como solução definitiva. “O produtor não está pedindo perdão da dívida. Ele precisa de prazo, juros compatíveis e condições para continuar produzindo. Sem esse fôlego imediato, perde capacidade de financiar a safra, reduz investimentos e coloca em risco a própria continuidade da atividade”.

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Segundo Rezende, a crise atual evidencia a fragilidade da política brasileira de proteção da produção. “Se renegociarmos o passivo e devolvermos o produtor ao campo sem seguro adequado, o próximo evento climático poderá criar exatamente o mesmo problema. A renegociação resolve a urgência; o seguro, a assistência técnica e uma política consistente de gestão de risco diminuem a possibilidade de uma nova crise”.

Rezende defende que os recursos para o seguro rural tenham estabilidade e não sejam submetidos a cortes no decorrer do ano. “Não existe seguro eficiente sem previsibilidade orçamentária. Produtores, seguradoras e resseguradoras precisam saber quanto estará disponível e quando a subvenção será liberada. Proteger a lavoura custa menos ao País do que socorrer repetidamente o produtor depois que a perda já ocorreu”.

O exercício realizado pela FGV Agro mostra o tamanho da diferença. Com base no desempenho do PSR em 2025, uma dotação de R$ 3,6 bilhões permitiria proteger 20,47 milhões de hectares, contratar cerca de 398 mil apólices e gerar R$ 10,16 bilhões em prêmios de seguro.

No ano passado, o programa alcançou somente 3,3 milhões de hectares e pouco mais de R$ 18,1 bilhões em importância segurada. A subvenção federal ficou em R$ 581,1 milhões. Em 2021, quando atingiu seu maior alcance, o PSR protegeu 14,23 milhões de hectares.

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Os pesquisadores ressalvam que a expansão não ocorreria automaticamente. Seria necessário ampliar a capacidade de seguradoras e resseguradoras, garantir recursos no Orçamento e estimular a contratação pelos produtores. O custo fiscal da renegociação também pode variar ao longo do tempo, conforme o pagamento das parcelas.

Apesar dessas limitações, o estudo sustenta que políticas de valores semelhantes produzem resultados diferentes. A renegociação age depois da perda, reduzindo o peso do passivo. O seguro atua antes do choque e evita que parte do prejuízo se transforme em inadimplência, recuperação judicial, perda de garantias ou pressão por novo socorro público.

Além das mudanças na MP, a FPA trata como prioridade o Projeto de Lei 2.951/2024, que moderniza o seguro rural. A proposta impede o bloqueio dos recursos destinados à subvenção, oferece estímulos para produtores segurados e reformula o Fundo de Estabilidade do Seguro Rural, que passaria a funcionar como Fundo de Catástrofe.

Para a bancada, a saída da crise depende das duas frentes. A renegociação precisa chegar rapidamente aos produtores que perderam capacidade de pagamento, enquanto o fortalecimento do seguro deve reduzir a exposição das próximas safras. O objetivo é evitar que o País apenas adie o passivo atual e tenha de discutir, em poucos anos, uma nova renegociação das mesmas dívidas.

Fonte: Pensar Agro

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