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Faturamento bruto das lavouras dos Cafés do Brasil foi estimado em R$ 55,95 bilhões em 2024

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Estimativas iniciais previstas para o presente ano-cafeeiro em curso, de 2024, indicam que o faturamento bruto das lavouras dos Cafés do Brasil deverá atingir o montante total de R$ 55,95 bilhões. Neste contexto, a receita dos cafés da espécie Coffea arabica (café arábica) foi calculada em R$ 40,89 bilhões, a qual corresponde a 73% do total geral, e, adicionalmente, os cafés da espécie Coffea canephora (robusta+conilon) tiveram seu respectivo faturamento estimado em R$ 15,06 bilhões, montante que equivale a 27% do total nacional.

Como o faturamento bruto do setor em 2023 foi de R$ 49,04 bilhões, caso seja feito um comparativo com o previsto para 2024, verifica-se que tal estimativa, se confirmada, representará um expressivo acréscimo em torno de 14%. E, neste caso, como em 2023 os cafés da espécie de C. arabica tiveram uma receita bruta de R$ 37,37 bilhões, na comparação com o estimado para 2024 constata-se que haverá um aumento de 9,4%. E, adicionalmente, com relação aos cafés da espécie de C. canephora, cujo faturamento foi de R$ 11,67 bilhões em 2023, verifica-se que também haverá um expressivo incremento de 29%, nesta mesma base comparativa.

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Expandindo esta análise, merece destacar que o total geral do Valor Bruto da Produção – VBP estimado para o ano corrente de 2024, o qual é calculado tendo como base o somatório das receitas de dezessete lavouras selecionadas para este fim, atingiu o montante de R$ 781,39 bilhões em nível nacional.

Em complemento, tendo como referência o montante total das lavouras, caso seja feito um ranking do VBP das cinco maiores em 2024, constata-se que a soja desponta em primeiro lugar, com R$ 273,29 bilhões, que equivalem a 35% do faturamento nacional; seguida do milho, com R$ 128,29 bilhões (16,4%). Na terceira posição vem a cana-de-açúcar (R$ 112,98 bilhões – 14,4%); na quarta colocação o café, com R$ 55,95 bilhões, cuja receita bruta corresponde a 7,1%; e, por fim, o algodão com R$ 31,26 bilhões, que teve sua receita estimada correspondente a 4% do total das lavouras em nível nacional.

Convém também destacar que esta análise e divulgação em foco do faturamento dos Cafés do Brasil em 2024 tem como base e referência os dados constantes do Valor Bruto da Produção – VBP – Fevereiro 2024, estudo que é elaborado e divulgado mensalmente pela Secretaria de Política Agrícola – SPA, do Ministério da Agricultura e Pecuária – Mapa, o qual também está disponível na íntegra, assim como todas as demais edições desse documento, no Observatório do Café do Consórcio Pesquisa Café, rede integrada de pesquisa coordenada pela Embrapa Café.

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Concluindo, com base nestes dados do VBP – Fevereiro/2024, se também for estabelecido um ranking do faturamento da cafeicultura nas cinco regiões geográficas brasileiras, nota-se que a Região Sudeste ocupa o primeiro lugar com R$ 47,54 bilhões, o que equivale a 85% do faturamento total, seguida pela Região Nordeste com R$ 4,04 bilhões (7,2%). Em terceiro lugar vem a Região Norte com o faturamento estimado em R$ 3,23 bilhões (5,7%), em quarto a Região Sul com R$ 705 milhões (1,2%). E, por fim, a Região Centro-Oeste, que tem o faturamento bruto da lavoura cafeeira estimado em R$ 430 milhões, montante que corresponde a menos de 1% do VBP dos Cafés do Brasil em 2024.

Valor Bruto da Produção – VBP Fevereiro 2024

Fonte: Embrapa Café

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Safra recorde deve superar capacidade dos armazéns em 133 milhões de toneladas

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A produção brasileira de grãos poderá superar a capacidade de armazenagem do país em aproximadamente 133 milhões de toneladas na safra 2026/27. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas, enquanto os armazéns brasileiros comportam 233,8 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A estrutura existente equivale a cerca de 64% do volume que poderá ser produzido. A diferença expõe um dos principais gargalos do agronegócio brasileiro: a produção avança em ritmo superior à construção e à modernização de silos, sobretudo dentro das propriedades rurais e nas novas regiões produtoras.

Na prática, a limitação reduz a capacidade do agricultor de escolher o melhor momento para comercializar. Sem espaço próprio, parte dos produtores precisa retirar rapidamente os grãos da fazenda e negociar durante a colheita, período marcado pela concentração da oferta, aumento da procura por caminhões e pressão sobre os preços e os fretes.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), o problema deixou de ser apenas logístico e passou a afetar diretamente a renda no campo.

“Produzir uma safra recorde é uma conquista, mas o produtor precisa ter condições de transformar esse volume em renda. Sem armazenagem, ele perde liberdade para decidir quando vender e pode ser obrigado a negociar justamente no período de maior oferta, quando os preços tendem a estar mais pressionados”, afirma Rezende.

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“Um silo dentro da propriedade não serve apenas para guardar grãos. Ele permite preservar a qualidade, reduzir perdas, organizar o transporte e esperar uma condição comercial mais favorável. Em uma atividade de margens cada vez mais estreitas, essa capacidade de decisão pode determinar o resultado de toda a safra”, acrescenta.

Segundo Rezende, a ampliação dos armazéns exige financiamento de longo prazo, previsibilidade e condições compatíveis com o período necessário para recuperar o investimento. “O Brasil não pode continuar ampliando a produção sem fazer o mesmo esforço na infraestrutura. A armazenagem precisa ser tratada como parte do sistema produtivo, porque o gargalo acaba transferindo custos, riscos e perdas para quem está no campo”, diz.

A capacidade de armazenagem brasileira cresceu 1,1% no segundo semestre de 2025 e chegou a 233,8 milhões de toneladas. No mesmo período, o país contabilizava 9.668 estabelecimentos com estruturas destinadas à guarda de produtos agrícolas.

O avanço, porém, não acompanha o ritmo das lavouras. A safra 2025/26 foi estimada em 361,7 milhões de toneladas. Para o ciclo 2026/27, a projeção de 366,6 milhões representa mais 4,9 milhões de toneladas chegando ao mercado, com novos recordes esperados em culturas importantes.

A diferença entre produção e capacidade estática não significa que 133 milhões de toneladas ficarão literalmente sem local para serem guardadas. Os armazéns podem receber mais de uma carga durante o ano, e as culturas são colhidas em épocas diferentes. Mesmo assim, a comparação mostra que a estrutura disponível é insuficiente nos momentos de concentração da colheita e está distribuída de forma desigual pelo território.

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O problema é mais grave nas regiões em que a produção cresceu rapidamente sem a instalação de silos na mesma proporção. Nesses locais, os grãos percorrem distâncias maiores até unidades armazenadoras, elevando o consumo de combustível, o custo do transporte e o tempo de espera para descarga.

As filas também podem atrasar a retirada da produção da propriedade e a entrada das máquinas em novas áreas. Quando soja e milho disputam simultaneamente caminhões e espaço nos armazéns, o gargalo alcança cooperativas, tradings, indústrias e terminais de exportação.

A ampliação da armazenagem nas fazendas permitiria distribuir melhor o fluxo dos grãos ao longo do ano e reduzir a pressão sobre rodovias e terminais durante a colheita. Também daria ao produtor melhores condições para separar lotes, conservar a qualidade e negociar o produto de acordo com as oportunidades do mercado.

O desafio da safra 2026/27, portanto, não estará apenas em produzir mais. O país terá de encontrar espaço, transporte e condições comerciais para transformar 366,6 milhões de toneladas de grãos em renda efetiva para o produtor.

Fonte: Pensar Agro

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