AGRONEGÓCIO
Faturamento bruto das lavouras dos Cafés do Brasil foi estimado em R$ 55,95 bilhões em 2024
Publicado em
21 de março de 2024por
Da RedaçãoEstimativas iniciais previstas para o presente ano-cafeeiro em curso, de 2024, indicam que o faturamento bruto das lavouras dos Cafés do Brasil deverá atingir o montante total de R$ 55,95 bilhões. Neste contexto, a receita dos cafés da espécie Coffea arabica (café arábica) foi calculada em R$ 40,89 bilhões, a qual corresponde a 73% do total geral, e, adicionalmente, os cafés da espécie Coffea canephora (robusta+conilon) tiveram seu respectivo faturamento estimado em R$ 15,06 bilhões, montante que equivale a 27% do total nacional.
Como o faturamento bruto do setor em 2023 foi de R$ 49,04 bilhões, caso seja feito um comparativo com o previsto para 2024, verifica-se que tal estimativa, se confirmada, representará um expressivo acréscimo em torno de 14%. E, neste caso, como em 2023 os cafés da espécie de C. arabica tiveram uma receita bruta de R$ 37,37 bilhões, na comparação com o estimado para 2024 constata-se que haverá um aumento de 9,4%. E, adicionalmente, com relação aos cafés da espécie de C. canephora, cujo faturamento foi de R$ 11,67 bilhões em 2023, verifica-se que também haverá um expressivo incremento de 29%, nesta mesma base comparativa.
Expandindo esta análise, merece destacar que o total geral do Valor Bruto da Produção – VBP estimado para o ano corrente de 2024, o qual é calculado tendo como base o somatório das receitas de dezessete lavouras selecionadas para este fim, atingiu o montante de R$ 781,39 bilhões em nível nacional.
Em complemento, tendo como referência o montante total das lavouras, caso seja feito um ranking do VBP das cinco maiores em 2024, constata-se que a soja desponta em primeiro lugar, com R$ 273,29 bilhões, que equivalem a 35% do faturamento nacional; seguida do milho, com R$ 128,29 bilhões (16,4%). Na terceira posição vem a cana-de-açúcar (R$ 112,98 bilhões – 14,4%); na quarta colocação o café, com R$ 55,95 bilhões, cuja receita bruta corresponde a 7,1%; e, por fim, o algodão com R$ 31,26 bilhões, que teve sua receita estimada correspondente a 4% do total das lavouras em nível nacional.
Convém também destacar que esta análise e divulgação em foco do faturamento dos Cafés do Brasil em 2024 tem como base e referência os dados constantes do Valor Bruto da Produção – VBP – Fevereiro 2024, estudo que é elaborado e divulgado mensalmente pela Secretaria de Política Agrícola – SPA, do Ministério da Agricultura e Pecuária – Mapa, o qual também está disponível na íntegra, assim como todas as demais edições desse documento, no Observatório do Café do Consórcio Pesquisa Café, rede integrada de pesquisa coordenada pela Embrapa Café.
Concluindo, com base nestes dados do VBP – Fevereiro/2024, se também for estabelecido um ranking do faturamento da cafeicultura nas cinco regiões geográficas brasileiras, nota-se que a Região Sudeste ocupa o primeiro lugar com R$ 47,54 bilhões, o que equivale a 85% do faturamento total, seguida pela Região Nordeste com R$ 4,04 bilhões (7,2%). Em terceiro lugar vem a Região Norte com o faturamento estimado em R$ 3,23 bilhões (5,7%), em quarto a Região Sul com R$ 705 milhões (1,2%). E, por fim, a Região Centro-Oeste, que tem o faturamento bruto da lavoura cafeeira estimado em R$ 430 milhões, montante que corresponde a menos de 1% do VBP dos Cafés do Brasil em 2024.
Valor Bruto da Produção – VBP Fevereiro 2024
Fonte: Embrapa Café
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Safra recorde deve superar capacidade dos armazéns em 133 milhões de toneladas
Published
12 horas agoon
27 de setembro de 2026By
Da Redação
A produção brasileira de grãos poderá superar a capacidade de armazenagem do país em aproximadamente 133 milhões de toneladas na safra 2026/27. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas, enquanto os armazéns brasileiros comportam 233,8 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A estrutura existente equivale a cerca de 64% do volume que poderá ser produzido. A diferença expõe um dos principais gargalos do agronegócio brasileiro: a produção avança em ritmo superior à construção e à modernização de silos, sobretudo dentro das propriedades rurais e nas novas regiões produtoras.
Na prática, a limitação reduz a capacidade do agricultor de escolher o melhor momento para comercializar. Sem espaço próprio, parte dos produtores precisa retirar rapidamente os grãos da fazenda e negociar durante a colheita, período marcado pela concentração da oferta, aumento da procura por caminhões e pressão sobre os preços e os fretes.
Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), o problema deixou de ser apenas logístico e passou a afetar diretamente a renda no campo.
“Produzir uma safra recorde é uma conquista, mas o produtor precisa ter condições de transformar esse volume em renda. Sem armazenagem, ele perde liberdade para decidir quando vender e pode ser obrigado a negociar justamente no período de maior oferta, quando os preços tendem a estar mais pressionados”, afirma Rezende.
“Um silo dentro da propriedade não serve apenas para guardar grãos. Ele permite preservar a qualidade, reduzir perdas, organizar o transporte e esperar uma condição comercial mais favorável. Em uma atividade de margens cada vez mais estreitas, essa capacidade de decisão pode determinar o resultado de toda a safra”, acrescenta.
Segundo Rezende, a ampliação dos armazéns exige financiamento de longo prazo, previsibilidade e condições compatíveis com o período necessário para recuperar o investimento. “O Brasil não pode continuar ampliando a produção sem fazer o mesmo esforço na infraestrutura. A armazenagem precisa ser tratada como parte do sistema produtivo, porque o gargalo acaba transferindo custos, riscos e perdas para quem está no campo”, diz.
A capacidade de armazenagem brasileira cresceu 1,1% no segundo semestre de 2025 e chegou a 233,8 milhões de toneladas. No mesmo período, o país contabilizava 9.668 estabelecimentos com estruturas destinadas à guarda de produtos agrícolas.
O avanço, porém, não acompanha o ritmo das lavouras. A safra 2025/26 foi estimada em 361,7 milhões de toneladas. Para o ciclo 2026/27, a projeção de 366,6 milhões representa mais 4,9 milhões de toneladas chegando ao mercado, com novos recordes esperados em culturas importantes.
A diferença entre produção e capacidade estática não significa que 133 milhões de toneladas ficarão literalmente sem local para serem guardadas. Os armazéns podem receber mais de uma carga durante o ano, e as culturas são colhidas em épocas diferentes. Mesmo assim, a comparação mostra que a estrutura disponível é insuficiente nos momentos de concentração da colheita e está distribuída de forma desigual pelo território.
O problema é mais grave nas regiões em que a produção cresceu rapidamente sem a instalação de silos na mesma proporção. Nesses locais, os grãos percorrem distâncias maiores até unidades armazenadoras, elevando o consumo de combustível, o custo do transporte e o tempo de espera para descarga.
As filas também podem atrasar a retirada da produção da propriedade e a entrada das máquinas em novas áreas. Quando soja e milho disputam simultaneamente caminhões e espaço nos armazéns, o gargalo alcança cooperativas, tradings, indústrias e terminais de exportação.
A ampliação da armazenagem nas fazendas permitiria distribuir melhor o fluxo dos grãos ao longo do ano e reduzir a pressão sobre rodovias e terminais durante a colheita. Também daria ao produtor melhores condições para separar lotes, conservar a qualidade e negociar o produto de acordo com as oportunidades do mercado.
O desafio da safra 2026/27, portanto, não estará apenas em produzir mais. O país terá de encontrar espaço, transporte e condições comerciais para transformar 366,6 milhões de toneladas de grãos em renda efetiva para o produtor.
Fonte: Pensar Agro
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