AGRONEGÓCIO

Farm Show consolida-se como uma das principais vitrines do agronegócio

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Ao completar uma década, a Farm Show MT, realizada em Primavera do Leste (distante 235 km da capital, Cuiabá), em Mato Grosso, consolida-se como uma das principais vitrines do agronegócio em Mato Grosso — Estado que lidera a produção nacional de soja, milho e algodão e ocupa posição central na balança comercial brasileira. A edição comemorativa, entre os dias 10 e 13 deste mês, ocorre em um momento de ajuste no ciclo de commodities e deve funcionar como termômetro do apetite de investimento para a safra 2026/27.

Organizada pelo Sindicato Rural de Primavera do Leste, a feira acompanhou, ao longo dos últimos dez anos, a expansão da fronteira agrícola e o salto de produtividade do Estado. Mato Grosso responde por cerca de um terço da produção brasileira de soja e lidera também na segunda safra de milho e no algodão em pluma. O dinamismo produtivo impulsionou a demanda por máquinas de grande porte, biotecnologia, defensivos, fertilizantes, conectividade e soluções de agricultura de precisão — segmentos que hoje concentram boa parte dos estandes do evento.

Na comparação com as primeiras edições, quando a feira tinha perfil mais regional, a Farm Show ampliou área expositiva, número de marcas e alcance geográfico dos visitantes. Em 2025, segundo dados da organização, o evento superou a marca de centenas de expositores e recebeu público de diferentes regiões do Estado e de unidades vizinhas do Centro-Oeste. Para 2026, a expectativa é de novo avanço, tanto em participação empresarial quanto em volume de negócios prospectados.

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Embora não atinja os patamares das maiores feiras do País — como a Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), ou a Expointer, no Rio Grande do Sul —, a Farm Show consolidou-se como um dos principais eventos técnicos do Centro-Oeste, com forte especialização em grãos e fibras. No calendário estadual, figura entre as maiores vitrines do agronegócio mato-grossense, ao lado de exposições tradicionais da capital e de polos do médio-norte.

A edição deste ano ocorre sob cenário distinto daquele observado no biênio 2022-2023, quando preços internacionais de soja e milho atingiram picos históricos em meio à recomposição de estoques globais e às incertezas geopolíticas. Desde então, as cotações passaram por acomodação, ao mesmo tempo em que custos de produção — especialmente fertilizantes, defensivos e crédito rural — permaneceram pressionados.

Esse novo equilíbrio torna feiras técnicas espaços estratégicos para negociação direta. Fabricantes e revendas apostam em condições comerciais diferenciadas, prazos estendidos e pacotes integrados de tecnologia. Para o produtor, trata-se de oportunidade para comparar soluções, avaliar retorno sobre investimento e travar custos para a próxima temporada.

Segundo a direção da feira, a décima edição reforça parcerias nas áreas de agricultura de precisão, biotecnologia, conectividade no campo e sustentabilidade. A digitalização da lavoura, com uso intensivo de dados, sensores e automação, é apontada como eixo estruturante dos próximos ciclos produtivos no Estado.

Além da dimensão técnica, o evento tem efeito direto sobre a economia de Primavera do Leste e municípios do entorno. Hotéis, restaurantes, transporte e comércio registram aumento de demanda durante os quatro dias de programação. Em feiras desse porte, parte relevante dos contratos é formalizada posteriormente, mas as intenções de compra firmadas no evento influenciam o planejamento industrial e o crédito ao longo do ano-safra.

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Em um Estado cuja economia depende majoritariamente do agronegócio, a Farm Show funciona como indicador do humor do produtor. O nível de visitação, o volume de consultas por máquinas e a procura por soluções financeiras são acompanhados pelo mercado como sinais antecipados do ritmo de investimento para 2026/27.

A edição comemorativa também amplia a estratégia de integração com o público não rural. A “Mini Fazenda”, criada em 2025, retorna com estrutura ampliada e funcionamento diário, das 8h às 20h, reunindo bovinos, equinos, ovinos e espaço para peixes. A iniciativa segue tendência observada em eventos agropecuários de diferentes regiões: aproximar campo e cidade em um contexto de maior escrutínio público sobre sustentabilidade, bem-estar animal e segurança alimentar.

Ao completar dez anos, a Farm Show MT sinaliza maturidade institucional e consolida seu papel como plataforma regional de negócios e difusão tecnológica. Em um momento de transição do ciclo de preços e de crescente complexidade produtiva, o evento reforça o protagonismo de Mato Grosso na agenda agrícola nacional e projeta os desafios do próximo decênio: eficiência, inovação e competitividade em escala global.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Crédito privado do agro supera R$ 1,34 trilhão e CPR lidera financiamento

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O estoque dos principais instrumentos privados de financiamento do agronegócio superou R$ 1,34 trilhão em julho, primeiro mês da safra 2026/27. O resultado mostra o aumento da participação do mercado de capitais no custeio da produção, na comercialização antecipada da safra e no financiamento de empresas ligadas às cadeias agroindustriais.

Os dados foram divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e abrangem as Cédulas de Produto Rural (CPR), as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA).

A CPR manteve a liderança entre os instrumentos analisados, com estoque de R$ 580,78 bilhões. O volume estava distribuído em 372 mil títulos, com valor médio de R$ 1,56 milhão por cédula.

Somente em julho foram emitidos R$ 37,53 bilhões em novas CPR. Esse é o dado que melhor indica o ingresso de operações no primeiro mês da nova temporada. O estoque total também inclui títulos emitidos anteriormente que ainda não foram liquidados.

A CPR permite ao produtor ou à cooperativa antecipar recursos para financiar a atividade. Na modalidade física, o compromisso pode ser liquidado com a entrega futura do produto agropecuário. Na CPR financeira, a quitação ocorre em dinheiro. O instrumento também é usado como garantia em operações para a compra de sementes, fertilizantes, defensivos e outros insumos.

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O avanço das CPR amplia as alternativas ao crédito rural bancário, especialmente em períodos de juros elevados ou de maior restrição nas linhas oficiais. Ao mesmo tempo, exige atenção às condições estabelecidas no contrato, como taxa de juros, forma de liquidação, garantias, vencimento e consequências em caso de frustração da safra.

As Letras de Crédito do Agronegócio apresentaram o segundo maior estoque, com R$ 560,37 bilhões. As LCA são emitidas por instituições financeiras para captar dinheiro de investidores e financiar operações relacionadas ao setor.

Pelas regras atuais do Manual de Crédito Rural, pelo menos 60% do estoque das LCA deve ser reaplicado no financiamento da atividade agropecuária. Isso representa aproximadamente R$ 336,22 bilhões.

Dentro desse volume, ao menos 45% devem ser destinados ao crédito rural oficial, o equivalente a R$ 151,30 bilhões. Os valores incluem tanto operações da safra 2026/27 quanto contratos de temporadas anteriores que continuam em aberto.

Isso significa que o estoque divulgado não corresponde integralmente a recursos novos disponíveis para contratação imediata. Parte representa financiamentos já concedidos e títulos que ainda não chegaram ao vencimento.

Os Certificados de Recebíveis do Agronegócio somaram R$ 174,20 bilhões em julho. O CRA permite transformar créditos originados em negócios do setor em títulos negociados com investidores, aproximando empresas e cadeias produtivas do mercado de capitais.

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Já os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio alcançaram estoque de R$ 30,21 bilhões. O CDCA é emitido por cooperativas e empresas que atuam na comercialização, no beneficiamento ou na industrialização de produtos agropecuários e tem como lastro direitos de crédito ligados ao setor.

Fora da soma de R$ 1,34 trilhão, os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro) também avançaram como fonte privada de recursos. Os dados mais recentes, referentes a junho, mostram patrimônio líquido de R$ 64,13 bilhões distribuído entre 285 fundos.

Os Fiagro podem investir em imóveis rurais, participações em empresas, direitos creditórios e outros ativos ligados ao agronegócio. Para o setor produtivo, funcionam como uma ponte entre investidores e projetos de produção, armazenagem, logística, agroindústria e aquisição de ativos.

O crescimento desses instrumentos reforça a diversificação do financiamento rural, historicamente concentrado nos bancos e nos recursos do Plano Safra. Para o produtor, porém, maior oferta de alternativas não elimina a necessidade de comparar custos, garantias e riscos. O volume disponível no mercado é elevado, mas o acesso e as condições de pagamento variam conforme a atividade, o porte da operação e a capacidade financeira de cada tomador.

Fonte: Pensar Agro

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