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Exportações recuam no Vietnã e preços do café em Londres se aproximam de recordes

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Em relatório da Hedgepoint Global Markets, a analista de Café, Laleska Moda, aborda os preços do Robusta, que subiram na semana passada em Londres: “o contrato de setembro fechou terça-feira (09) a US$4.634/mt, depois de se aproximar dos níveis recorde de US$4.681/mt. O impulso veio após a divulgação dos números de exportação do Vietnã de junho. Os embarques totais do país asiático atingiram 1,17 M scs de café no mês passado, uma queda de 11,5% em relação a maio e de 53,2% em relação a junho/23”, explica a analista.

“O fraco desempenho das exportações também aumenta a percepção de baixos níveis de estoque no principal produtor de robusta, especialmente porque a colheita da safra 24/25 normalmente começa apenas entre outubro e novembro, com um volume maior de grãos vietnamitas previsto para chegar ao mercado apenas no final de 2024”, diz.

Além disso, ainda existem preocupações quanto ao efeito do tempo seco e quente no início deste ano sobre a produção total do Vietnã na temporada 24/25. Esta menor disponibilidade prevista tem segurado as vendas e pode levar a menores números de exportação nos próximos meses, com os nossos modelos sugerindo uma diminuição das exportações em 23/24 no Vietnã, para perto de 26 M scs.

“Diante desse cenário, embora tenha havido uma correção esperada nos preços na quarta-feira (10), os contratos ainda terminaram a semana acima de US$ 4.500 / mt, apoiados pelas perspectivas de oferta apertada de robusta nos próximos meses”, observa.

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“Quanto ao arábica, os preços seguiram os movimentos do robusta, com o contrato de setembro testando o nível de 250 c/lb. Por um lado, o déficit de robusta está impulsionando o consumo de arábica. Por outro lado, ainda há preocupações sobre a safra 24/25 no Brasil, devido à menor peneira e rendimento desde o início da safra, tanto para o arábica quanto para o robusta. Embora tenha sido registado uma melhoria do tamanho da peneira em algumas regiões, a produção ainda pode ser inferior à inicialmente prevista”, acredita.

No entanto, mesmo uma ligeira diminuição na produção brasileira pode levar a um défice global ainda maior em 24/25 – os nossos modelos já indicam um pequeno défice global na temporada. Assim, não é surpresa que, após a correção de quarta-feira (10), os preços tenham recuperado, mesmo após a divulgação dos dados sobre as exportações do Brasil.

“Os embarques totais de café verde encerraram junho em 3,29 M scs, de acordo com a Cecafe, um aumento de 43,8% em relação a junho/23 e um novo recorde para o mês, mesmo com os problemas logísticos em andamento. As exportações de arábica verde foram de 2,48 M scs, um aumento de 20,3% em relação ao ano anterior, enquanto as exportações de conilon atingiram 817,83 mil sacas, 3,5 vezes mais que os números de junho/23 (ou 254,5%)”, destaca.

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Segundo Laleska, o aumento dos embarques de conilon reflete o aumento da demanda por grãos brasileiros em meio à queda das exportações do Vietnã e da Indonésia e provavelmente permanecerá acima dos níveis históricos nos próximos meses, dados os estoques limitados no Sudeste Asiático.

Em resumo, o mercado do café esteve agitado nos últimos dias, com os preços do arábica e do robusta altamente voláteis e os contratos em LN se aproximando de níveis recorde. O principal apoio continua sendo a redução dos níveis de oferta de robusta, especialmente após a divulgação de dados ressaltando a queda das exportações no Vietnã, o maior produtor de robusta.

O volume de grãos vietnamita deve permanecer limitado, pelo menos até o final do ano, o que, por sua vez, pode continuar dando suporte aos preços.

Os preços do arábica também testaram as máximas anteriores, devido ao aumento da procura em meio à escassez de robusta e aos receios quanto à safra 24/25 do Brasil. Parte do mercado já acredita que a produção tanto de arábica quanto de robusta pode ser menor do que o inicialmente esperado. Ainda assim, os números das exportações brasileiras continuam acima dos níveis médios históricos. Com a colheita no país se aproximando do fim e os preços mais altos, é possível que veremos fortes embarques nos próximos meses.

Fonte: Hedgepoint Global Markets

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Erros em notas fiscais travam créditos de ICMS no agro e ampliam prejuízos financeiros no campo

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A gestão tributária voltou ao centro das preocupações do agronegócio brasileiro diante do aumento de inconsistências em notas fiscais eletrônicas que vêm comprometendo o aproveitamento de créditos de ICMS no setor. Erros considerados simples, mas recorrentes, têm provocado bloqueios fiscais, perda de valores milionários e dificuldades financeiras para produtores rurais e empresas ligadas à cadeia agroindustrial.

Levantamento da Confederação Nacional dos Contadores mostra que mais de 60% das empresas brasileiras já emitiram notas fiscais com erros ou divergências. Outros 15% sequer souberam informar se os documentos estavam corretos. Paralelamente, dados da IOB indicam que cerca de 70% das empresas analisadas no primeiro semestre de 2024 apresentaram algum tipo de inconsistência tributária.

No agronegócio, onde o volume de operações fiscais é elevado e o fluxo financeiro depende diretamente da regularidade tributária, o impacto dessas falhas é ainda mais significativo.

Segundo o contador e especialista em gestão tributária no agro, Altair Heitor, o problema está principalmente na qualidade da emissão fiscal.

“Não basta emitir a nota fiscal. Ela precisa estar tecnicamente correta. Um único erro pode comprometer toda a operação e impedir o aproveitamento do crédito tributário”, afirma.

Erros fiscais mais comuns bloqueiam créditos de ICMS

Entre as principais inconsistências identificadas estão erros na classificação fiscal dos produtos (NCM), preenchimento incorreto do CFOP, falhas no CST e ausência do destaque correto do imposto.

Dados do setor apontam que aproximadamente 55,6% das falhas estão justamente nesses campos considerados essenciais para validação do crédito tributário.

Na prática, isso significa que muitos produtores rurais e empresas deixam de recuperar valores importantes por problemas operacionais que poderiam ser evitados com maior controle documental e revisão técnica.

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Além da perda financeira direta, inconsistências fiscais podem gerar autuações, multas e bloqueios futuros de créditos tributários.

Fiscalização digital aumenta rigor sobre operações do agro

O avanço da fiscalização eletrônica pelos fiscos estaduais reduziu significativamente a margem para correções posteriores.

Atualmente, os sistemas estaduais realizam cruzamento automático de informações fiscais em tempo real, identificando divergências imediatamente após a emissão dos documentos.

Segundo especialistas, esse cenário se torna ainda mais crítico durante períodos de maior movimentação no campo, como comercialização de safra e fechamento de grandes operações agrícolas.

“Em muitos casos, o produtor só descobre o problema quando tenta utilizar o crédito e encontra o bloqueio fiscal”, explica Altair Heitor.

A situação é agravada pelo fato de que muitos estados vêm endurecendo os critérios para homologação dos créditos acumulados de ICMS.

Em São Paulo, por exemplo, o governo estadual anunciou recentemente a liberação de até R$ 1,5 bilhão em créditos acumulados por meio do programa ProAtivo, reforçando o potencial financeiro desses recursos para empresas que mantêm regularidade fiscal.

Mesmo assim, parte significativa do setor produtivo continua sem acesso aos créditos devido às falhas documentais.

Falta de integração operacional amplia perdas financeiras

Especialistas apontam que boa parte dos problemas fiscais no agronegócio está relacionada à ausência de integração entre os setores contábil, fiscal e operacional das empresas.

Sem padronização de processos e revisão constante, a emissão de notas fiscais acaba sendo realizada de forma manual e vulnerável a erros recorrentes.

Além disso, muitos produtores ainda não mantêm rotinas estruturadas de auditoria fiscal preventiva, o que dificulta a identificação antecipada de inconsistências.

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O resultado é o acúmulo de créditos não aproveitados, perda de capital de giro e aumento da dependência de financiamentos externos.

Medidas podem evitar perdas e proteger o caixa do produtor

Especialistas em gestão tributária defendem que a recuperação e preservação dos créditos de ICMS exigem organização documental, monitoramento contínuo e suporte técnico especializado.

Entre as principais medidas recomendadas para reduzir riscos estão:

  • Revisão periódica das notas fiscais: A análise recorrente da documentação permite identificar inconsistências e corrigir falhas antes de eventuais autuações fiscais.
  • Padronização do preenchimento fiscal: Uniformizar informações como NCM, CFOP e CST reduz divergências e melhora a consistência dos documentos.
  • Organização documental: Notas fiscais, livros fiscais e registros contábeis precisam estar completos e compatíveis para sustentar o direito ao crédito.
  • Atualização constante sobre mudanças tributárias: Alterações na legislação e nos entendimentos das secretarias estaduais impactam diretamente a validação dos créditos fiscais.
  • Suporte técnico especializado: Consultorias e equipes com foco em gestão tributária ajudam a reduzir riscos operacionais e ampliar o aproveitamento dos créditos acumulados.
Crédito de ICMS ganha importância estratégica no agro

Em um cenário de custos elevados, juros altos e maior pressão sobre as margens do produtor rural, os créditos tributários passaram a representar uma importante ferramenta de liquidez para o agronegócio.

Segundo especialistas, a correta gestão fiscal pode transformar créditos acumulados em fonte relevante de capital para investimentos, custeio e equilíbrio do fluxo de caixa.

“O crédito de ICMS é um ativo financeiro legítimo. Quando bem administrado, ele deixa de ser um valor parado e passa a apoiar decisões estratégicas dentro da operação agrícola”, conclui Altair Heitor.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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