AGRONEGÓCIO
Exportações de Grãos em 2024: Desafios e Perspectivas para o Setor Agrícola segundo a ANEC
Publicado em
8 de janeiro de 2025por
Da Redação
O ano de 2024 trouxe desafios para o agronegócio brasileiro, principalmente na produção das principais commodities agrícolas. Inicialmente, as projeções para a safra de soja eram otimistas, mas foram ajustadas devido a condições climáticas adversas durante o plantio. Já o milho teve redução na área plantada, reflexo de preços menos atrativos para os produtores. Apesar das adversidades, as exportações se mantiveram dentro do esperado, ainda que abaixo dos volumes recordes alcançados em 2023.
Exportações de Soja e Milho
As exportações de soja começaram o ano em ritmo acelerado, impulsionadas por negociações realizadas no ano anterior, e mantiveram-se acima do registrado no mesmo período até outubro. Nos dois últimos meses do ano, porém, houve desaceleração significativa. O programa de exportação foi concluído em 97,3 milhões de toneladas, com a China sendo o principal destino, responsável por 74 milhões de toneladas (76%). Outros compradores relevantes foram a Espanha (4,1 milhões de toneladas, 4%) e a Tailândia (3 milhões de toneladas, 3%).
Já no caso do milho, as exportações diminuíram em relação a 2023, totalizando 37,8 milhões de toneladas, frente às 55,6 milhões do ano anterior. O Egito foi o principal importador, com 5,4 milhões de toneladas (14%), seguido por Vietnã (4,6 milhões, 12%) e Irã (4,3 milhões, 11%). A China, que em 2023 liderou as compras, reduziu suas importações para 2,1 milhões de toneladas (6%) devido a melhores estoques internos.
Recorde nas Exportações de Farelo de Soja
Contrariando a tendência das outras commodities, o farelo de soja atingiu volume recorde em 2024, com 23,2 milhões de toneladas exportadas, superando os 22,4 milhões de 2023. A União Europeia foi o principal destino, seguida por países asiáticos como Indonésia, Tailândia e Vietnã.
Regulamentação Europeia e Implicações no Mercado
A nova regulamentação ambiental da União Europeia, a European Union Deforestation Regulation (EUDR), que inicialmente entraria em vigor em janeiro de 2025, foi prorrogada por um ano. A medida trouxe alívio ao mercado, permitindo mais tempo para ajustes às novas exigências. Contudo, há preocupação quanto ao impacto na continuidade do fornecimento de soja e farelo para o bloco europeu.
Espera-se que os custos do produto em conformidade com a EUDR aumentem de 5% a 10% para os consumidores europeus. Produtos que não atendam aos critérios poderão ser destinados ao mercado interno ou a países asiáticos. Paralelamente, o acordo entre Mercosul e União Europeia promete intensificar as relações comerciais entre os blocos.
Perspectivas para a Safra 2024/25
Para a safra 2024/25, as projeções são otimistas. A soja deverá expandir sua área e alcançar produção recorde, com potencial de até 170 milhões de toneladas. O consumo doméstico crescerá, impulsionado pela demanda para biodiesel. Estima-se a exportação de até 110 milhões de toneladas, representando desafios logísticos significativos.
A produção de milho também deverá aumentar levemente, alcançando entre 120 e 130 milhões de toneladas, dependendo das condições climáticas, especialmente na segunda safra. O consumo interno continuará a crescer, podendo atingir níveis históricos devido à expansão da produção de etanol. Esse cenário deverá elevar as exportações de subprodutos como DDG.
Conclusão
Apesar das incertezas enfrentadas em 2024, o agronegócio brasileiro manteve sua relevância no mercado global. As expectativas para 2025 apontam para um cenário promissor, com aumento da produção de soja e milho, além de oportunidades nas exportações. O setor, no entanto, precisará enfrentar desafios regulatórios e logísticos para garantir sua competitividade.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
El Niño pode ampliar crise do crédito rural e pressionar agronegócio com mais de R$ 800 bilhões em dívidas
Published
20 minutos agoon
22 de junho de 2026By
Da Redação
A possibilidade de formação do fenômeno El Niño no segundo semestre de 2026 acende um novo alerta para o agronegócio brasileiro. De acordo com projeções divulgadas por órgãos oficiais de monitoramento climático, há cerca de 60% de probabilidade de consolidação do evento nos próximos meses, cenário que pode intensificar os desafios enfrentados pelos produtores rurais em um momento marcado por elevado endividamento e restrição ao crédito.
A preocupação ganha relevância diante das estimativas discutidas pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que apontam para mais de R$ 800 bilhões em dívidas consideradas estressadas no setor agropecuário. Caso o fenômeno provoque perdas de produtividade e redução de renda nas propriedades rurais, especialistas avaliam que haverá aumento da demanda por prorrogação e renegociação de financiamentos rurais.
Fenômeno climático pode afetar produção em diferentes regiões
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, alterando o comportamento das chuvas em diversas regiões do planeta. No Brasil, os efeitos costumam variar conforme a localização.
Historicamente, a Região Sul registra volumes de chuva acima da média durante a atuação do fenômeno, enquanto áreas do Norte, Nordeste e parte do Centro-Oeste enfrentam períodos de estiagem, veranicos prolongados e temperaturas mais elevadas.
A expectativa é que os impactos climáticos possam se estender até os primeiros meses de 2027, influenciando diretamente o desenvolvimento das lavouras e o desempenho econômico das atividades agropecuárias.
Excesso ou falta de chuva pode comprometer rentabilidade
Os reflexos do El Niño vão além das mudanças climáticas. No Sul do país, o excesso de precipitações pode prejudicar a colheita de culturas como trigo, café e cana-de-açúcar, além de favorecer o surgimento de doenças fúngicas e dificultar a operação de máquinas agrícolas.
Em importantes regiões produtoras de soja e milho, a irregularidade das chuvas durante o plantio pode comprometer a germinação e o desenvolvimento inicial das lavouras, reduzindo o potencial produtivo e impactando diretamente a geração de receita nas propriedades.
Para muitos produtores, o momento é considerado delicado. Nos últimos anos, o setor acumulou perdas causadas por eventos climáticos extremos, enfrentou queda nos preços das commodities agrícolas, aumento dos custos de produção, elevação das taxas de juros e maior dificuldade de acesso ao crédito.
Legislação prevê prorrogação de financiamentos rurais
Segundo o advogado especialista em Direito do Agronegócio, Raphael Condado, o monitoramento das condições climáticas deve fazer parte da estratégia de gestão financeira das propriedades.
De acordo com o especialista, produtores que identificarem dificuldades para honrar compromissos financeiros em decorrência de perdas causadas por fenômenos climáticos devem buscar orientação e conhecer os mecanismos previstos na legislação para readequação das dívidas.
A possibilidade de prorrogação de operações de crédito rural está prevista no Manual de Crédito Rural (MCR), norma de cumprimento obrigatório pelas instituições financeiras e cooperativas de crédito que operam recursos destinados ao setor agropecuário.
O regulamento permite a extensão dos prazos de pagamento quando houver comprovação de dificuldades temporárias provocadas por fatores alheios à vontade do produtor, como frustração de safra decorrente de eventos climáticos adversos.
A medida busca preservar a continuidade da atividade produtiva, evitando que problemas pontuais de fluxo de caixa se transformem em situações permanentes de inadimplência.
Atenção às renegociações oferecidas por instituições financeiras
Especialistas também recomendam cautela durante processos de renegociação de dívidas. Em alguns casos, produtores podem ser direcionados para modalidades de financiamento que não seguem as condições específicas previstas para o crédito rural.
Segundo Condado, a substituição inadequada de contratos rurais por operações bancárias convencionais pode resultar em encargos mais elevados e condições menos favoráveis ao produtor.
Nessas situações, a legislação prevê instrumentos para questionamento e eventual restabelecimento dos direitos garantidos pelas normas específicas do crédito rural.
Recuperações judiciais crescem e elevam cautela dos bancos
O aumento do endividamento também tem preocupado o sistema financeiro. Dados da Serasa Experian apontam que o agronegócio registrou 1.990 pedidos de recuperação judicial em 2025, o maior número desde o início da série histórica.
O avanço das recuperações judiciais e dos índices de inadimplência tende a tornar bancos e cooperativas mais conservadores na concessão de novos financiamentos. Como consequência, a oferta de crédito pode ficar ainda mais restrita justamente em um setor altamente dependente de recursos financiados para custeio, investimento e comercialização da produção.
Diante desse cenário, a combinação entre riscos climáticos, elevado endividamento e crédito mais seletivo reforça a necessidade de planejamento financeiro e gestão de riscos por parte dos produtores rurais para a safra 2026/27.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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