AGRONEGÓCIO
Exportações de amendoim ganham fôlego com flexibilização de controles sanitários pela União Europeia
Publicado em
29 de abril de 2025por
Da Redação
Flexibilização nas exigências europeias impulsiona exportações brasileiras
Durante o evento “Amendoim Brasileiro: entregando qualidade do campo à indústria”, realizado nos dias 15 e 16 de abril na região da Alta Mogiana, em São Paulo, o Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal (Dipov), vinculado ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), apresentou dados que revelam a evolução da qualidade do amendoim brasileiro. Como resultado, a União Europeia decidiu flexibilizar as exigências para importação do produto.
Redução das aflatoxinas é marco para o setor
De acordo com o diretor do Dipov, Hugo Caruso, a expressiva redução da presença de aflatoxinas — substâncias tóxicas produzidas por fungos — nas amostras de amendoim foi determinante para a decisão europeia. Em 1998, o Plano Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes (PNCRC) indicava que 80% das amostras continham contaminações. Esse índice foi reduzido para menos de 20% a partir de 2013, reflexo direto das ações de fiscalização e do fortalecimento das práticas de autocontrole implementadas pelas indústrias.
Amendoim e castanha-do-Brasil deixam lista de controle reforçado
Com os avanços, em junho de 2024, a União Europeia retirou o amendoim e a castanha-do-Brasil do Anexo I do Regulamento de Execução (UE) 2019/1793, que impunha medidas de controle sanitário reforçado desde 2021. A partir de agora, as exportações brasileiras passam a estar submetidas apenas aos níveis regulares de inspeção.
Apesar da flexibilização, o Dipov continuará monitorando o setor. Em 2024, três amostras ainda apresentaram níveis de aflatoxina acima do limite permitido. “Em função dessa manifestação do bloco, não se justifica um nível reforçado de controles oficiais a esses produtos”, explicou Caruso, alertando que o retorno de exigências mais rígidas poderá ocorrer caso haja regressão nos padrões de qualidade.
Evento reúne autoridades e representantes do setor
O encontro foi promovido pela Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab) e contou com a participação de representantes do Mapa, da Anvisa, da ApexBrasil, do Ital, além de membros da iniciativa privada. Durante o evento, os participantes realizaram visitas técnicas a lavouras, indústrias, cooperativas e unidades de processamento nas cidades de Ribeirão Preto, Luís Antônio, Jaboticabal e Borborema.
Entre as autoridades presentes estavam a coordenadora-geral da Qualidade Vegetal do Mapa, Helena Pan Rugeri; o superintendente do Mapa em São Paulo, Estanislau Steck; e auditores fiscais que atuam na fiscalização de produtos de origem vegetal na região.
Produção cresce e diversifica no Brasil
A mudança no regime de controle entrou em vigor em junho de 2024, mas o Mapa segue atento às exigências da Lei nº 14.515/2022, conhecida como Lei do Autocontrole, que obriga produtores a comprovarem a adoção de medidas voltadas à segurança, sanidade e qualidade dos produtos.
Segundo dados da ApexBrasil, o Brasil produziu 875,2 mil toneladas de amendoim em 2023, ocupando a sétima posição no ranking mundial e representando 2,3% da produção global. Desde 2014, o setor tem registrado crescimento médio de 9% ao ano.
Certificação e expansão geográfica fortalecem a cultura
Em 2001, foi criado o Programa Pró-Amendoim, responsável pelo selo Abicab, que certifica produtos em conformidade com os padrões de segurança e qualidade, com auditoria realizada por entidades externas.
O estado de São Paulo lidera a produção nacional, com destaque para as regiões da Alta Mogiana e Alta Paulista. Na Alta Mogiana, o cultivo do amendoim é consorciado com a cana-de-açúcar, prática que contribui para a recuperação do solo pela fixação de nitrogênio. Já na região de Tupã, a cultura é utilizada na recuperação de pastagens. Nos últimos anos, a produção também se expandiu para os estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Safra recorde deve superar capacidade dos armazéns em 133 milhões de toneladas
Published
21 horas agoon
27 de setembro de 2026By
Da Redação
A produção brasileira de grãos poderá superar a capacidade de armazenagem do país em aproximadamente 133 milhões de toneladas na safra 2026/27. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas, enquanto os armazéns brasileiros comportam 233,8 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A estrutura existente equivale a cerca de 64% do volume que poderá ser produzido. A diferença expõe um dos principais gargalos do agronegócio brasileiro: a produção avança em ritmo superior à construção e à modernização de silos, sobretudo dentro das propriedades rurais e nas novas regiões produtoras.
Na prática, a limitação reduz a capacidade do agricultor de escolher o melhor momento para comercializar. Sem espaço próprio, parte dos produtores precisa retirar rapidamente os grãos da fazenda e negociar durante a colheita, período marcado pela concentração da oferta, aumento da procura por caminhões e pressão sobre os preços e os fretes.
Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), o problema deixou de ser apenas logístico e passou a afetar diretamente a renda no campo.
“Produzir uma safra recorde é uma conquista, mas o produtor precisa ter condições de transformar esse volume em renda. Sem armazenagem, ele perde liberdade para decidir quando vender e pode ser obrigado a negociar justamente no período de maior oferta, quando os preços tendem a estar mais pressionados”, afirma Rezende.
“Um silo dentro da propriedade não serve apenas para guardar grãos. Ele permite preservar a qualidade, reduzir perdas, organizar o transporte e esperar uma condição comercial mais favorável. Em uma atividade de margens cada vez mais estreitas, essa capacidade de decisão pode determinar o resultado de toda a safra”, acrescenta.
Segundo Rezende, a ampliação dos armazéns exige financiamento de longo prazo, previsibilidade e condições compatíveis com o período necessário para recuperar o investimento. “O Brasil não pode continuar ampliando a produção sem fazer o mesmo esforço na infraestrutura. A armazenagem precisa ser tratada como parte do sistema produtivo, porque o gargalo acaba transferindo custos, riscos e perdas para quem está no campo”, diz.
A capacidade de armazenagem brasileira cresceu 1,1% no segundo semestre de 2025 e chegou a 233,8 milhões de toneladas. No mesmo período, o país contabilizava 9.668 estabelecimentos com estruturas destinadas à guarda de produtos agrícolas.
O avanço, porém, não acompanha o ritmo das lavouras. A safra 2025/26 foi estimada em 361,7 milhões de toneladas. Para o ciclo 2026/27, a projeção de 366,6 milhões representa mais 4,9 milhões de toneladas chegando ao mercado, com novos recordes esperados em culturas importantes.
A diferença entre produção e capacidade estática não significa que 133 milhões de toneladas ficarão literalmente sem local para serem guardadas. Os armazéns podem receber mais de uma carga durante o ano, e as culturas são colhidas em épocas diferentes. Mesmo assim, a comparação mostra que a estrutura disponível é insuficiente nos momentos de concentração da colheita e está distribuída de forma desigual pelo território.
O problema é mais grave nas regiões em que a produção cresceu rapidamente sem a instalação de silos na mesma proporção. Nesses locais, os grãos percorrem distâncias maiores até unidades armazenadoras, elevando o consumo de combustível, o custo do transporte e o tempo de espera para descarga.
As filas também podem atrasar a retirada da produção da propriedade e a entrada das máquinas em novas áreas. Quando soja e milho disputam simultaneamente caminhões e espaço nos armazéns, o gargalo alcança cooperativas, tradings, indústrias e terminais de exportação.
A ampliação da armazenagem nas fazendas permitiria distribuir melhor o fluxo dos grãos ao longo do ano e reduzir a pressão sobre rodovias e terminais durante a colheita. Também daria ao produtor melhores condições para separar lotes, conservar a qualidade e negociar o produto de acordo com as oportunidades do mercado.
O desafio da safra 2026/27, portanto, não estará apenas em produzir mais. O país terá de encontrar espaço, transporte e condições comerciais para transformar 366,6 milhões de toneladas de grãos em renda efetiva para o produtor.
Fonte: Pensar Agro
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