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Exportações de açúcar mantêm volume acima de 5 Milhões de toneladas; USDA projetando crescimento global para 2023/24

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O volume de açúcar destinado à exportação continua robusto, com um total de 114 navios aguardando carregamento nos portos brasileiros até a semana encerrada em 22 de novembro, conforme levantamento da agência marítima Williams Brasil. Esta cifra, embora levemente inferior aos 117 navios da semana anterior, representa um agendamento de carregamento de 5,164 milhões de toneladas de açúcar, comparado a 5,542 milhões na semana precedente.

O Porto de Santos, em São Paulo, lidera as exportações com 3,821 milhões de toneladas, seguido pelo Porto de Paranaguá, no Paraná, com 964.190 toneladas. Outros portos, como Maceió, São Sebastião, Recife, Suape e Natal, também contribuem para esse expressivo volume de exportação.

A diversidade de tipos de açúcar a ser exportado inclui VHP (4,944 milhões de toneladas), TBI (122.100 toneladas), Refinado A-45 (38 mil toneladas) e VHP em sacas (equivalente a 60 mil toneladas). O relatório da agência considera as embarcações já ancoradas, as que estão em espera e as previstas para chegar até 19 de janeiro.

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Além disso, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reduziu suas estimativas para a produção mundial de açúcar na temporada 2023/24, projetando um aumento para 183,461 milhões de toneladas, comparado a 175,307 milhões de toneladas em 2022/23, representando um crescimento de 4,65%. O relatório semestral do USDA prevê um excedente de oferta de 5,03 milhões de toneladas em 2023/24, revertendo o déficit de 1,073 milhão de toneladas em 2022/23.

A projeção do USDA destaca que o crescimento inesperado na produção do Brasil e da Índia deve compensar as previsões de declínio nas safras da Tailândia e do Paquistão em 2023/24. O mercado internacional de açúcar continua a enfrentar dinâmicas complexas, com os números indicando um panorama de mudanças no cenário global para o próximo ano.

Fonte: Portal do Agronegócio

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Plano Safra 2026/27 amplia recursos, mas redução no crédito de custeio preocupa produtores rurais

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O lançamento do Plano Safra 2026/2027 trouxe novamente um volume recorde de recursos para a agropecuária brasileira. O governo federal anunciou R$ 525,1 bilhões destinados ao financiamento da produção rural empresarial, desconsiderando os recursos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

Apesar do valor histórico, especialistas e representantes do setor alertam que a análise não pode se limitar ao montante global. A composição dos recursos revela mudanças importantes na política de crédito rural, com redução das linhas tradicionais de custeio, retração do crédito subsidiado e crescimento da participação dos instrumentos privados de financiamento.

Na avaliação do setor produtivo, o principal desafio do novo Plano Safra será garantir que o crédito anunciado chegue efetivamente ao produtor rural, em condições compatíveis com a realidade econômica da atividade.

Recursos crescem nominalmente, mas perdem força diante da inflação

Do total anunciado para o ciclo 2026/2027, R$ 384,9 bilhões serão destinados às operações de custeio e comercialização, enquanto R$ 140,2 bilhões financiarão investimentos no setor agropecuário.

Embora o Plano Safra tenha registrado acréscimo nominal de aproximadamente R$ 9 bilhões em relação ao ciclo anterior — alta de cerca de 1,7% — o crescimento ficou abaixo da inflação acumulada no período.

Considerando o IPCA dos últimos 11 meses, estimado em 4,4%, o volume necessário apenas para manter o mesmo poder de compra do Plano Safra anterior seria de aproximadamente R$ 538,7 bilhões.

Na prática, o programa representa uma redução real próxima de R$ 13,6 bilhões quando descontada a inflação.

Outro ponto que chama atenção é a redução dos recursos destinados justamente ao financiamento da produção.

As linhas de custeio e comercialização passaram de R$ 414,7 bilhões no Plano Safra 2025/2026 para R$ 384,9 bilhões no novo ciclo, uma diminuição nominal de R$ 29,8 bilhões.

Aprosoja MT alerta para crédito mais caro e restrito

Para o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Lucas Costa Beber, o cenário preocupa porque o produtor inicia uma nova safra enfrentando juros elevados, margens mais apertadas e maior rigor das instituições financeiras na concessão de crédito.

Segundo ele, a redução dos recursos para custeio diminui a capacidade do agricultor de financiar o plantio e a condução da lavoura, justamente no momento em que os custos de produção permanecem elevados.

“O Plano Safra 2026/27 apresenta um aumento no volume total de recursos, mas reduz quase R$ 30 bilhões destinados ao custeio e à comercialização. Houve redução de juros em algumas linhas, porém com menor disponibilidade de recursos para financiar a produção. Isso limita o acesso do produtor justamente na etapa mais importante do ciclo agrícola”, avalia.

Endividamento rural preocupa setor produtivo

Antes mesmo da divulgação do novo Plano Safra, a Aprosoja Mato Grosso havia encaminhado ao Ministério da Agricultura e Pecuária propostas voltadas ao enfrentamento do crescente endividamento rural.

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A entidade defende que a política agrícola contemple medidas capazes de recompor a capacidade financeira dos produtores, facilitar renegociações de dívidas e preservar o acesso ao crédito.

Segundo a associação, sem soluções estruturais para o passivo financeiro acumulado, parte significativa dos recursos anunciados tende a ser utilizada apenas para reorganizar dívidas existentes, reduzindo o impacto positivo sobre a produção.

Crédito rural tradicional perde espaço para a CPR

Os números da execução do Plano Agrícola e Pecuário (PAP) 2025/2026 reforçam a mudança no perfil do financiamento rural brasileiro.

Entre julho de 2025 e maio de 2026, o volume contratado de crédito rural, excluindo o Pronaf, alcançou R$ 433 bilhões, redução de 5% em relação aos R$ 458,1 bilhões registrados no mesmo período da safra anterior.

Quando são consideradas apenas as linhas tradicionais de crédito rural — financiadas por recursos controlados e livres — a retração é ainda maior.

O volume caiu de R$ 286,6 bilhões para R$ 247,8 bilhões, representando redução de aproximadamente 14%.

Em contrapartida, a Cédula de Produto Rural (CPR) ampliou sua participação no financiamento da atividade.

As operações por meio da CPR totalizaram R$ 185,2 bilhões entre julho de 2025 e maio de 2026, crescimento de 8% frente aos R$ 171,5 bilhões do ciclo anterior.

Com isso, o instrumento passou a responder por 42,8% do total do crédito rural contratado, ante 37,4% na safra passada.

Dependência do mercado aumenta custo financeiro

O crescimento da participação da CPR evidencia uma transformação importante no financiamento do agronegócio brasileiro.

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À medida que aumenta a utilização de instrumentos privados, os produtores ficam mais expostos às condições de mercado, aos custos financeiros praticados pelas instituições e às exigências de garantias.

Na avaliação do setor, essa mudança reduz o papel das linhas tradicionais da política agrícola e amplia a dependência de mecanismos privados de crédito.

Linhas de investimento e programas estratégicos também encolhem

A retração também atingiu outras modalidades importantes do crédito rural.

As operações de custeio recuaram de R$ 158 bilhões para R$ 137,5 bilhões entre julho de 2025 e maio de 2026, queda de 12,9%.

Já os financiamentos destinados a investimentos apresentaram redução ainda maior, passando de R$ 64 bilhões para R$ 46,1 bilhões, retração de 28,1%.

Programas considerados estratégicos para modernização da agropecuária, como Moderfrota, Proirriga, PCA, Prodecoop e RenovAgro, também registraram menor volume de recursos contratados.

Outro dado que preocupa o setor é a redução das operações com recursos equalizados pelo governo.

Esse volume caiu de R$ 91,4 bilhões para R$ 48,9 bilhões no mesmo período analisado, retração de aproximadamente 47%, indicando menor participação do crédito subsidiado na política agrícola.

Crédito acessível será determinante para o sucesso do Plano Safra

O Plano Safra 2026/2027 reforça instrumentos de gestão de risco, como o Proagro e o seguro rural, além de condicionar determinadas renegociações de custeio à contratação de cobertura securitária.

No entanto, representantes do setor destacam que a eficácia dessas medidas dependerá da disponibilidade efetiva dos programas, da oferta de recursos suficientes e de custos compatíveis com a realidade econômica das propriedades rurais.

Para o agronegócio, mais importante do que anunciar cifras recordes é assegurar que o crédito rural esteja disponível, com acesso simplificado, juros competitivos e capacidade de atender quem produz.

Em um cenário de custos elevados, margens mais apertadas e maior seletividade das instituições financeiras, o sucesso do Plano Safra será medido menos pelo volume anunciado e mais pela eficiência na chegada dos recursos ao campo, sustentando a produção, os investimentos e a competitividade da agropecuária brasileira.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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