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Exportações Brasileiras para a Argentina Registram Queda de 25% em Meio a Ajustes Econômicos de Milei e Relação Tensa Entre os Países

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A 65ª cúpula do Mercosul, que começa nesta quinta-feira, reúne Brasil e Argentina, as duas maiores economias da região, em um cenário de relação tensa e divergente. Essa dificuldade de entendimento entre os países reflete-se, por exemplo, na queda das exportações brasileiras para a Argentina, que registraram uma redução de 24,8% no período de janeiro a outubro deste ano, comparado ao mesmo intervalo de 2023. Enquanto isso, as importações brasileiras da Argentina aumentaram 9,7%.

Embora a balança comercial entre os dois países ainda se mantenha positiva, o superávit brasileiro caiu drasticamente, de 4,75 bilhões de dólares para 69 milhões de dólares no mesmo período.

A embaixadora Gisela Padovan, secretária para a América Latina e Caribe do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), atribui essa queda nas exportações ao ajuste fiscal promovido pelo presidente argentino, Javier Milei. “Não estou preparada para comentar detalhadamente sobre a economia argentina, mas a única explicação plausível para essa queda tão abrupta é a mudança de governo, que implementou um ajuste econômico muito forte, com implicações negativas para nós”, afirmou Padovan em entrevista sobre a cúpula do Mercosul, que ocorrerá em Montevidéu nesta quinta e sexta-feira.

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Em 2023, o Brasil obteve um superávit de cerca de 6 bilhões de dólares com os países do Mercosul. Neste ano, no entanto, o cenário está mais equilibrado, com a corrente comercial entre Brasil e Argentina diminuindo em 10,8 bilhões de dólares, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

“Ao que parece, o equilíbrio é desejável, mas com mais comércio, e não menos, como estamos observando”, destacou a embaixadora.

Embora não haja novas barreiras comerciais internas entre Brasil e Argentina que possam justificar essa queda no comércio, a dificuldade nas relações políticas tem dificultado a resolução de problemas comerciais e a promoção de um comércio mais ativo entre os dois países.

A cúpula do Mercosul desta semana marca a primeira participação do presidente Milei no evento, após sua ausência no encontro do bloco em Assunção no ano passado. Na ocasião, ele optou por participar da Conferência Política de Ação Conservadora (CPAC), em Camboriú (SC), onde se reuniu com o ex-presidente Jair Bolsonaro. Essa foi a primeira vez que um presidente de um dos países fundadores do Mercosul – Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai – faltou a uma cúpula por decisão própria.

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O presidente argentino tem sido crítico em relação ao Mercosul e chegou a ameaçar retirar a Argentina do bloco. Milei tem buscado fazer acordos comerciais com outros países fora da estrutura do Mercosul, mas o progresso do aguardado acordo de livre comércio com a União Europeia tem sido um fator crucial para que a Argentina ainda permaneça no bloco.

Os quatro membros fundadores do Mercosul, segundo fontes que acompanham as negociações, estão alinhados quanto aos termos do acordo com a União Europeia e esperam que a parte europeia também aceite as condições estabelecidas, para que o acordo possa ser finalmente concluído.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Escassez de carne força recuo de Trump e abre nova oportunidade ao Brasil

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A escassez de gado e a disparada do preço da carne nos Estados Unidos levaram Donald Trump a recuar temporariamente na política de proteção ao mercado interno. O presidente anunciou a abertura de uma cota adicional para a importação de até 300 mil toneladas de carne bovina, sem a tarifa aplicada aos volumes que excedem os limites atuais, pelo prazo de 90 dias.

O volume equivale a mais do que toda a carne bovina vendida pelo Brasil aos Estados Unidos em 2025. A medida, porém, ainda não representa uma venda garantida ao setor brasileiro. Trump não informou quais países fornecerão o produto e a ordem executiva que regulamentará a operação deverá ser assinada nas próximas duas semanas.

O Brasil aparece entre os principais candidatos a ocupar parte relevante dessa cota. O País tem escala de produção, frigoríficos habilitados e já é o segundo maior fornecedor externo de carne bovina ao mercado americano.

Em 2025, os Estados Unidos compraram 271,8 mil toneladas de carne bovina brasileira, com receita equivalente a aproximadamente R$ 8,5 bilhões, considerando a cotação atual de R$ 5,18. O mercado americano ficou atrás apenas da China entre os destinos do produto brasileiro.

O ritmo aumentou em 2026. Somente no primeiro semestre, o Brasil embarcou 205 mil toneladas para os Estados Unidos, alta de 13% sobre o mesmo período do ano passado. A receita avançou 29,8% e chegou ao equivalente a cerca de R$ 7 bilhões.

A importância da carne brasileira para os Estados Unidos não está apenas no volume. Grande parte dos embarques é formada por recortes bovinos magros e congelados usados pela indústria americana na produção de hambúrgueres e carne moída.

Os frigoríficos dos Estados Unidos misturam esses recortes importados com carne de maior teor de gordura obtida de animais terminados em confinamento. A combinação permite padronizar o percentual de gordura e aproveitar melhor a matéria-prima produzida no país.

Quando diminui o abate de vacas, também cai a oferta americana de carne magra destinada à moagem. É justamente nesse ponto que fornecedores como Brasil, Austrália, Nova Zelândia, Argentina e Uruguai se tornam necessários para a indústria.

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O problema se agravou depois de anos de seca, aumento do custo da alimentação e redução do rebanho. Os Estados Unidos iniciaram 2026 com 86,2 milhões de bovinos e bezerros, o menor contingente em aproximadamente 75 anos. A recomposição não ocorre rapidamente, porque o pecuarista precisa reter fêmeas e esperar o nascimento e o desenvolvimento dos animais.

A oferta ficou ainda mais apertada com as restrições à entrada de gado mexicano por razões sanitárias e com o fechamento de unidades frigoríficas americanas. Ao mesmo tempo, o consumo permaneceu firme.

Em julho, o preço médio da carne moída nos Estados Unidos chegou ao equivalente a aproximadamente R$ 78,70 por quilo, alta de 10% em um ano. A inflação da proteína passou a pressionar o orçamento das famílias e ganhou peso político às vésperas das eleições legislativas de novembro.

Trump afirmou que os fornecedores assumiram o compromisso de vender a carne abrangida pela medida com desconto de 25% sobre os preços de mercado. Ainda não está claro, porém, como essa redução será controlada nem quanto chegará efetivamente ao consumidor.

As 300 mil toneladas representam pouco mais de 2% do consumo anual de carne bovina dos Estados Unidos e cerca de 12% das importações projetadas para 2026. O volume pode aliviar a oferta de matéria-prima para a indústria, mas dificilmente resolverá sozinho o problema estrutural provocado pela redução do rebanho.

Para o produtor brasileiro, a abertura representa possibilidade de aumento da demanda por vacas, dianteiros e recortes destinados ao processamento. Se o Brasil conquistar parcela expressiva da cota, o movimento poderá melhorar o aproveitamento da carcaça, ampliar a procura dos frigoríficos habilitados e ajudar a sustentar o preço da arroba.

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O benefício não será automático nem uniforme. O reflexo dependerá da participação reservada ao Brasil, das condições de venda, do número de plantas autorizadas e da margem dos frigoríficos. O compromisso de oferecer a carne com desconto também pode limitar o ganho obtido com a retirada da tarifa.

A oportunidade surge em momento importante para o setor. A China, maior compradora da carne brasileira, estabeleceu uma cota anual de cerca de 1,1 milhão de toneladas, com sobretaxa de 55% para os volumes excedentes. A redução dos embarques chineses no segundo semestre aumentou a necessidade de encontrar destinos para parte da produção brasileira.

Os Estados Unidos podem absorver parte desse volume, mas o Brasil enfrentará concorrência de fornecedores que também produzem carne magra para processamento. A ausência de uma cota específica significa que preço, disponibilidade, logística e habilitação sanitária determinarão quem aproveitará a abertura.

A decisão também reforça a esperança de novos recuos sobre produtos brasileiros necessários à economia americana. O governo dos Estados Unidos já retirou ou reduziu tarifas de alimentos cuja produção doméstica é insuficiente, como café, sucos de frutas tropicais, cacau e especiarias, além de determinados fertilizantes.

O caso da carne mostra que, quando a tarifa encarece um produto indispensável e a oferta americana não consegue atender ao consumo, a proteção ao produtor local pode ceder lugar à necessidade de controlar a inflação. Esse argumento poderá fortalecer as negociações de outros setores brasileiros, embora cada redução dependa de uma decisão específica do governo americano.

Mais do que uma mudança definitiva na política comercial de Trump, o anúncio é uma resposta emergencial à falta de carne nos Estados Unidos. Para a pecuária brasileira, representa uma janela relevante de 90 dias, capaz de compensar parcialmente as restrições impostas pela China e ampliar a presença no segundo maior mercado comprador do País.

Fonte: Pensar Agro

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