AGRONEGÓCIO

Exportações brasileiras de peixe crescem significativamente no primeiro trimestre de 2024

Publicado em

As exportações brasileiras de peixe no primeiro trimestre de 2024 registraram um crescimento expressivo tanto em valor quanto em peso, superando as expectativas em comparação ao mesmo período do ano passado. Segundo dados da Embrapa, a movimentação financeira aumentou 48% em relação a 2023, totalizando US$ 8,73 milhões entre janeiro e março. No mesmo período, o volume exportado cresceu 20%.

O detalhamento mensal mostra que janeiro movimentou US$ 2,58 milhões, fevereiro US$ 2,61 milhões e março US$ 3,54 milhões, marcando um recorde para o trimestre desde 2020, quando a Embrapa começou a monitorar sistematicamente o mercado. A exportação brasileira de piscicultura tem crescido de forma consistente nos últimos anos, embora ainda represente uma pequena parte da produção total.

Segundo Manoel Pedroza, pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura, o aumento da produção e a profissionalização da cadeia produtiva contribuíram para esse crescimento. Ele também ressalta que, embora o mercado interno absorva a maior parte da produção, as empresas do setor buscam diversificar seus canais de venda por meio de exportações.

Leia Também:  Farsul propõe securitização de R$ 171 bilhões da dívida rural com juros limitados e prazo de 15 anos

No primeiro trimestre de 2024, a categoria mais exportada foi a de filés frescos ou refrigerados, representando 65% do valor total (US$ 5,65 milhões). A segunda categoria mais significativa foi a de peixes inteiros congelados, com 23% do valor movimentado (US$ 2,01 milhões). Esses dados, e muitos outros, estão disponíveis no Informativo de Comércio Exterior da Piscicultura – Trimestre 01/2024, uma publicação gratuita da Embrapa Pesca e Aquicultura, em parceria com a Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR).

destinos-exportacao-peixes

Uma das figuras da publicação indica os principais destinos do peixe exportado pelo país; destaque continua sendo os Estados Unidos

A tilápia continua sendo o principal peixe exportado pelo Brasil, representando 95% de todo o peixe exportado entre janeiro e março deste ano, com um valor total de US$ 8,31 milhões. Os Estados Unidos foram o principal destino, absorvendo 89% das exportações brasileiras de piscicultura no período, com valores que chegaram a US$ 7,77 milhões. Outros países, como China, Japão, Colômbia e Canadá, tiveram participações significativamente menores, de 2% cada.

Leia Também:  Conacredi 2025 debate inovação e futuro do crédito rural no Brasil

Manoel Pedroza explica que, além da tilápia, outros peixes de cultivo, como o tambaqui, estão ganhando espaço no mercado internacional. Ele acredita que as exportações do tambaqui podem crescer nos próximos meses, graças a ações para abrir mercados no exterior, especialmente nos Estados Unidos.

Os estados que mais exportaram tilápia no primeiro trimestre de 2024 foram Paraná, São Paulo e Bahia. A categoria de filés frescos ou refrigerados foi a líder em cada um desses estados. Para os próximos trimestres, a expectativa é que as exportações continuem a crescer, mantendo a tendência positiva do setor da piscicultura brasileira.

Informativo de Comércio Exterior da Piscicultura – Trimestre 01/2024

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Advertisement

AGRONEGÓCIO

Pressão sobre preços nos EUA abre nova oportunidade para o agronegócio brasileiro

Published

on

A escalada do custo dos alimentos e dos combustíveis nos Estados Unidos começa a produzir uma mudança que pode favorecer o agronegócio brasileiro. Pressionado pela inflação e pela proximidade das eleições legislativas de novembro, o governo de Donald Trump passou a adotar medidas para ampliar a oferta de produtos e tentar reduzir preços ao consumidor. Na carne bovina, a decisão já abre uma nova janela para exportadores do Brasil.

Trump autorizou nesta semana a entrada adicional de 300 mil toneladas de carne bovina magra pelas condições mais favoráveis da cota tarifária americana. O volume será dividido em três parcelas de 100 mil toneladas, entre setembro e novembro, e ficará disponível para países enquadrados na categoria de “outros países ou áreas”, na qual o Brasil disputa espaço com outros fornecedores.

A mudança é relevante porque a cota compartilhada à qual a carne brasileira tem acesso normalmente é preenchida rapidamente. Depois de esgotado o limite, os embarques passam a enfrentar uma tarifa extra-cota de 26,4%, reduzindo a competitividade do produto.

Com a ampliação temporária, abre-se espaço para que mais carne brasileira chegue ao mercado norte-americano sem essa tarifa adicional. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) considera a medida uma oportunidade comercial, embora ressalte que o Brasil terá de disputar o novo volume com outros países habilitados.

O momento é particularmente favorável porque os Estados Unidos enfrentam falta de animais. O rebanho bovino americano caiu para o menor nível em cerca de 75 anos, depois de anos de seca, custos elevados e redução do número de matrizes. Como a recomposição do plantel leva tempo, aumentar as importações tornou-se uma das alternativas de curto prazo para ampliar a oferta.

O Brasil chega a essa abertura em posição importante. Entre janeiro e julho deste ano, os Estados Unidos compraram 233,8 mil toneladas de carne bovina brasileira, 17,1% mais que no mesmo período de 2025, tornando-se o segundo maior destino do produto nacional.

Leia Também:  Exportação de carne bovina superou 256 mil toneladas em novembro

No total, o Brasil exportou 1,97 milhão de toneladas de carne bovina nos primeiros sete meses de 2026, crescimento de 9,9%. A China continua como principal compradora, mas a abertura de espaço adicional nos Estados Unidos ganha importância justamente porque permite ao setor reduzir a dependência do mercado chinês.

Para o pecuarista brasileiro, uma demanda externa maior significa mais competição pela matéria-prima dentro do País. O efeito sobre a arroba não é automático, mas novos canais de exportação tendem a ampliar as alternativas comerciais dos frigoríficos e, principalmente em períodos de oferta mais ajustada de animais, podem contribuir para dar sustentação aos preços pagos pelo boi.

Combustível entra na mesma pressão

A carne não é o único produto que levou o governo americano a buscar alternativas para aumentar a oferta. A guerra contra o Irã elevou fortemente os preços do petróleo e levou a gasolina comum nos Estados Unidos para acima de US$ 4 por galão, cerca de US$ 1 a mais que há um ano.

Trump deve se reunir na próxima semana com representantes de refinarias e grandes redes de combustíveis para discutir formas de reduzir o preço nas bombas. O petróleo chegou a superar US$ 110 por barril durante o conflito, principalmente depois das restrições ao tráfego pelo Estreito de Ormuz, rota por onde passava aproximadamente 20% do petróleo mundial.

Nesta sexta-feira (28), as cotações internacionais recuavam e caminhavam para encerrar a semana em queda, acompanhando a retomada parcial do fluxo de navios pela região. Ainda assim, o petróleo permanece bem acima dos níveis anteriores à guerra.

Leia Também:  Como os Produtores Podem Acessar o Novo Plano Safra 24/25

A situação colocou também os biocombustíveis no centro da disputa. Os Estados Unidos possuem uma das maiores indústrias de etanol do mundo e adotaram neste ano metas recordes de incorporação de combustíveis renováveis. Ao mesmo tempo, refinarias pressionam por dispensas que reduziriam temporariamente suas obrigações de mistura.

O governo Trump discute justamente como aliviar os custos das refinarias sem prejudicar agricultores e produtores de biocombustíveis. Uma das possibilidades avaliadas é compensar eventuais dispensas concedidas agora com aumento das metas de combustíveis renováveis em 2027.

Para o Brasil, maior utilização de etanol nos Estados Unidos seria positiva para o mercado internacional, mas ainda não há uma decisão que permita afirmar que haverá aumento das compras do produto brasileiro. Ao contrário da carne bovina, portanto, a oportunidade para o etanol ainda é potencial.

O ponto em comum entre os dois mercados está na mudança de prioridade em Washington. Com alimentos e combustíveis mais caros pressionando o orçamento das famílias, o governo americano passou a procurar rapidamente formas de aumentar a oferta e reduzir custos.

Na carne, essa necessidade já derrubou parcialmente uma barreira que limitava o acesso ao maior mercado consumidor do mundo. Para o Brasil, que já é o maior exportador global de carne bovina e tem capacidade para ampliar embarques, a crise de preços americana pode se transformar em uma oportunidade adicional para pecuaristas e frigoríficos nos últimos meses de 2026.

Fonte: Pensar Agro

Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA