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Exportações aquecidas e pouca oferta de animais jovens elevam preços do boi gordo no Brasil

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O mercado físico do boi gordo no Brasil apresentou estabilidade e alta nas cotações ao longo da última semana. Segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Iglesias, a combinação entre forte demanda internacional, especialmente da China, e a oferta limitada de animais jovens tem sustentado os preços da arroba em diversas regiões do país.

Escalas de abate curtas e preços acima da média em algumas regiões

Iglesias destacou que as escalas de abate seguem curtas, entre cinco e sete dias úteis na média nacional, o que colabora para a sustentação dos preços. Em algumas praças, a arroba foi negociada acima das referências médias, refletindo a escassez de oferta e o bom ritmo das exportações.

Exportações em ritmo acelerado rumo a recordes

As exportações de carne bovina continuam sendo um dos principais vetores do desempenho do setor, com o Brasil caminhando para volumes recordes em 2025. O cenário externo favorável, com valorização nos preços internacionais e aumento na demanda, tem ampliado as oportunidades para os produtores brasileiros.

Preços da arroba em alta nas principais praças do país

No dia 12 de junho, os preços da arroba do boi gordo a prazo foram registrados da seguinte forma:

  • São Paulo (Capital) – R$ 320,00, estável em relação à semana anterior.
  • Goiás (Goiânia) – R$ 305,00, alta de 3,39% sobre os R$ 295,00 da semana anterior.
  • Minas Gerais (Uberaba) – R$ 300,00, aumento de 1,69% frente aos R$ 295,00.
  • Mato Grosso do Sul (Dourados) – R$ 315,00, sem variação.
  • Mato Grosso (Cuiabá) – R$ 315,00, alta de 1,61% sobre os R$ 310,00 anteriores.
  • Rondônia (Vilhena) – R$ 275,00, alta de 1,85% frente aos R$ 270,00.
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Atacado em alta, impulsionado pela entrada de salários

No mercado atacadista, os preços também subiram, impulsionados pela entrada dos salários no início do mês, o que favoreceu a reposição entre varejo e atacado.

  • O quarto traseiro do boi foi cotado a R$ 24,50/kg, alta de 6,52% em relação aos R$ 23,00 da semana anterior.
  • O quarto dianteiro teve preço médio de R$ 19,50/kg, um aumento de 5,41% frente aos R$ 18,50 da semana anterior.

Apesar do bom desempenho da carne bovina, Iglesias aponta uma preocupação com a queda nos preços da carne de frango, que pode refletir no varejo e limitar o consumo da proteína bovina.

Exportações de carne bovina avançam com força em junho

Nos cinco primeiros dias úteis de junho, o Brasil exportou 64,225 mil toneladas de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada, com média diária de 12,845 mil toneladas. A receita total foi de US$ 344,709 milhões, com média diária de US$ 68,942 milhões e preço médio por tonelada de US$ 5.367,20.

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Na comparação com junho de 2024, os números mostram crescimento expressivo:

  • Alta de 60,4% no valor médio diário exportado
  • Aumento de 33,5% na quantidade média diária
  • Elevação de 20,2% no preço médio da tonelada
Perspectiva positiva, mas com atenção à concorrência de outras proteínas

O cenário segue positivo para o boi gordo, com sustentação nas cotações e perspectiva de exportações recordes. No entanto, o mercado acompanha com atenção o comportamento da carne de frango, que pode influenciar a demanda interna por carne bovina nos próximos dias.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja

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A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.

A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.

O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui

Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.

A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.

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Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br

Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.

O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.

Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.

Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.

Isan Rezende

Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.

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O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.

“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.

“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

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