AGRONEGÓCIO

Exportação de açúcar do Brasil deve atingir 1,83 milhão de toneladas em fevereiro

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Portos brasileiros registram forte movimentação para embarque de açúcar

O line-up dos portos brasileiros aponta que 46 navios aguardavam embarque de açúcar até 11 de fevereiro, conforme levantamento da Williams Brasil. O número representa uma leve redução em relação à semana anterior, quando 51 embarcações estavam na fila.

De acordo com o relatório, está programado o embarque de 1,83 milhão de toneladas de açúcar, um avanço em relação à semana anterior, que contabilizava 1,56 milhão de toneladas.

Porto de Santos concentra mais da metade dos embarques

O Porto de Santos lidera os carregamentos, com 1,13 milhão de toneladas previstas. Em seguida aparecem:

  • Porto de Paranaguá: 190,6 mil toneladas
  • Porto de São Sebastião: 288,3 mil toneladas
  • Porto de Maceió: 149,8 mil toneladas
  • Porto de Suape: 29,3 mil toneladas
  • Porto do Recife: 37 mil toneladas

Esses dados mostram a relevância do eixo Sudeste e Nordeste na logística das exportações de açúcar do país.

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Açúcar VHP domina os embarques previstos

A variedade VHP (Very High Polarization) continua sendo o principal tipo exportado, com 1,71 milhão de toneladas programadas.

Outros tipos de açúcar que compõem o line-up são:

  • Cristal B150: 5 mil toneladas
  • TBC: 57 mil toneladas
  • VHP em sacas: equivalente a 29,3 mil toneladas
  • Refinado A45: 30 mil toneladas

O relatório da Williams Brasil considera embarcações já atracadas, em fundeio e aquelas com chegada prevista até 28 de abril.

Exportações somam 762 mil toneladas em fevereiro

Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Brasil exportou 762,6 mil toneladas de açúcar e melaços nos primeiros cinco dias úteis de fevereiro, com receita total de US$ 282,6 milhões.

A receita média diária chegou a US$ 56,5 milhões, enquanto o volume médio diário exportado foi de 152,5 mil toneladas. O preço médio por tonelada ficou em US$ 370,6.

Receita cresce, mas preço médio recua

Em comparação com fevereiro de 2025, o desempenho das exportações de açúcar é positivo. Houve um aumento de 29,6% na receita diária e um expressivo crescimento de 67,1% no volume embarcado.

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Por outro lado, o preço médio da tonelada caiu 22,4%, passando de US$ 477,8 em 2025 para US$ 370,6 em 2026, reflexo das oscilações do mercado internacional e da maior oferta global do produto.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Matopiba desponta como nova fronteira da produtividade no Brasil

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O avanço do agronegócio está mudando o mapa da produtividade brasileira e levando parte do dinamismo econômico para o Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Enquanto o indicador nacional cresceu 18,7% entre 2002 e 2019, três Estados da região registraram alguns dos maiores aumentos do País.

O Piauí liderou o crescimento da produtividade do trabalho no período, com alta de 103%. O Maranhão avançou 86% e o Tocantins, 69,7%. Os resultados acompanham a expansão da fronteira agrícola e indicam que a transformação provocada pelo campo ultrapassou o aumento da área plantada e do volume colhido.

Os dados fazem parte do estudo “Missing the Productivity: Estimating Labor Productivity in Brazilian Municipalities (2002–2019)”, dos pesquisadores Alan Bueno e Diogo Ferraz. Divulgado em julho, o trabalho construiu uma base anual com informações dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros.

O levantamento é um pré-print, versão que ainda não passou pela etapa definitiva de revisão acadêmica. Embora tenha alcance nacional e não seja dedicado exclusivamente ao Matopiba, o estudo revela grandes ganhos de produtividade nas fronteiras agropecuárias e uma evolução mais lenta nos Estados historicamente industrializados.

A produtividade analisada não é o rendimento das lavouras por hectare. O indicador mede quanto valor é produzido por trabalhador. Ele aumenta quando a incorporação de máquinas, tecnologia, qualificação e métodos mais eficientes de gestão permite ampliar a produção sem elevar na mesma proporção o número de pessoas ocupadas.

No Brasil, a agropecuária foi o setor que apresentou o maior avanço entre 2002 e 2019. A produtividade do trabalho no campo cresceu 80,1%, diante de aumentos de 10,3% nos serviços e de apenas 5,4% na indústria.

O resultado ajuda a explicar por que regiões antes com menor participação na economia nacional passaram a atrair armazéns, transportadoras, revendas de máquinas e insumos, instituições financeiras, empresas de tecnologia, indústrias de alimentos e prestadores de serviços.

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Para Alan Bueno, professor da Universidade Estadual do Paraná e um dos autores do estudo, o avanço do Matopiba pode ser comparado à transformação ocorrida no Centro-Oeste a partir da segunda metade do século passado.

“O Matopiba é o novo ouro. É o que foi o Centro-Oeste nos anos 1950. Trata-se de um crescimento que faz mudar a realidade regional”, afirmou.

Segundo o pesquisador, o campo passou a funcionar como ponto de partida de uma rede econômica mais ampla. “O agro converteu-se no catalisador de uma vasta rede econômica, envolvendo transporte, comércio, construção civil, tecnologia, crédito e serviços”, explicou.

A expansão foi sustentada principalmente pela produção de soja, milho e algodão, além da pecuária. O desenvolvimento de sementes adaptadas ao Cerrado, a correção dos solos, a mecanização e a agricultura de precisão permitiram que a região ampliasse sua participação na produção nacional.

Os dados mais recentes indicam que o movimento continuou depois de 2019, último ano abrangido pelo estudo. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia colham juntos aproximadamente 41,4 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, aumento próximo de 9% sobre o ciclo anterior.

A Bahia deverá liderar a produção regional, com cerca de 15 milhões de toneladas. O Tocantins aparece em seguida, com 9,74 milhões, seguido pelo Maranhão, com 9,05 milhões, e pelo Piauí, com 7,58 milhões de toneladas.

Somente a soja deve alcançar 25,4 milhões de toneladas nos quatro Estados, o equivalente a aproximadamente 14% da produção brasileira da oleaginosa. O resultado consolida o Matopiba como fornecedor relevante para as indústrias de óleo, farelo, rações, carnes e biocombustíveis.

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O avanço da produtividade, porém, não significa que os benefícios econômicos sejam distribuídos automaticamente. A mecanização reduz a necessidade de algumas tarefas manuais, ao mesmo tempo que amplia a procura por operadores de máquinas, técnicos agrícolas, engenheiros agrônomos, mecânicos e profissionais de tecnologia e logística.

Sem capacitação local, parte dessas vagas pode ser preenchida por trabalhadores vindos de outras regiões. O aumento da riqueza também depende da capacidade dos municípios de converter maior arrecadação em educação, saúde, saneamento e infraestrutura.

Outro desafio é evitar que o Matopiba permaneça apenas como fornecedor de produtos primários. A instalação de esmagadoras de soja, fábricas de rações, frigoríficos, usinas de biocombustíveis e indústrias de alimentos permitiria agregar valor à produção e manter uma parcela maior da renda na própria região.

O crescimento também aumenta a pressão sobre estradas, ferrovias, armazéns e terminais de exportação. Sem infraestrutura compatível, parte do ganho obtido dentro das propriedades pode ser perdida com fretes elevados, filas e demora no escoamento.

Há ainda o desafio de conciliar a expansão produtiva com a conservação do Cerrado, a regularização fundiária e a inclusão da agricultura familiar. A competitividade futura da região dependerá não apenas do volume produzido, mas também da capacidade de comprovar a origem e a sustentabilidade dos produtos.

O estudo mostra que a produtividade brasileira começou a mudar de endereço. O Matopiba já produz mais por trabalhador e movimenta uma cadeia econômica cada vez maior. O próximo passo será transformar essa eficiência em indústria, empregos qualificados e melhoria permanente da renda da população.

Fonte: Pensar Agro

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