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Expectativas Positivas para a Safra de Inverno 2024/2025 em Santa Catarina

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As principais culturas da safra de inverno 2024/2025 em Santa Catarina já estão em campo, com condições das lavouras consideradas favoráveis. De acordo com o projeto de acompanhamento das safras da Epagri/Cepa, todas as áreas destinadas ao cultivo de trigo e alho foram plantadas, e cerca de 59% da área estimada para cebola também já foi implantada. Essas informações foram detalhadas no Boletim Agropecuário de agosto e estão disponíveis nos sites do Observatório Agro Catarinense e do Infoagro.

Trigo

A semeadura do trigo foi concluída, e a estimativa de área plantada sofreu uma redução de 12,43% em relação à safra anterior. A produtividade média estadual está prevista em cerca de 3,6 mil quilos por hectare, marcando um aumento de 60,69% em relação à safra 2023/2024. A produção deve crescer aproximadamente 40,72%. Atualmente, 97% das lavouras estão em boas condições, enquanto 3% apresentam condições médias.

João Alves, analista da Epagri/Cepa, observou que os preços médios pagos aos produtores catarinenses de trigo permaneceram estáveis em julho, com uma ligeira queda de 2,2% em relação ao ano passado. Comparando com os primeiros dez dias de agosto, houve uma redução de 0,48% no valor da saca de 60kg.

Alho

A área plantada com alho na safra 2024/2025 é de aproximadamente 656 hectares, 34% menor do que na safra anterior. A condição das lavouras é considerada boa até o momento. Jurandi Gugel, analista da Epagri/Cepa, informou que a safra catarinense de alho 2023/2024 já foi comercializada, com preços médios de R$14,00 por quilo em junho, representando uma queda de 30% em relação a maio. No mercado atacadista, os preços do alho apresentaram redução devido à entrada da produção do centro do país, com cotações na Ceagesp caindo até 14,36%.

As importações de alho no primeiro semestre de 2024 somaram 105,76 mil toneladas, um aumento de 29,4% em relação ao ano anterior.

Cebola

A área plantada com cebola para a safra 2024/2025 deve ultrapassar 17,37 mil hectares, uma redução de quase 6% em comparação com a safra anterior. Até o início de agosto, aproximadamente 59% da área estimada foi implantada, com boas condições das lavouras. Os preços da cebola apresentaram uma redução em julho, refletindo o aumento da oferta interna. O preço médio pago aos produtores foi de R$36,00 a saca de 20 quilos, uma diminuição de 40% em relação a junho. No atacado, o preço inicial na Ceagesp foi de R$5,69 por quilo, com redução de 17,41% em relação ao mês anterior.

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No primeiro semestre de 2024, as importações de cebola foram superiores a 252 mil toneladas, o maior volume dos últimos anos.

Maçã

O mercado de maçã em Santa Catarina e no Brasil enfrentou variações de preços e volumes no primeiro semestre de 2024, influenciados por oferta reduzida e condições climáticas adversas. Entre junho e julho, os preços das maçãs tiveram uma leve desvalorização, mas mostraram um aumento em relação a julho de 2023. A produção catarinense na safra 2023/24 teve uma redução estimada de 23,7%, especialmente para as variedades Fuji e Gala.

Arroz

A safra 2023/24 de arroz está concluída. Em julho, os preços do arroz em casca continuaram a tendência de redução observada desde junho, devido ao aumento da oferta interna. O Estado exportou arroz no valor de US$1,94 milhão de janeiro a julho de 2024, enquanto as importações aumentaram 76,04% no mesmo período, em resposta à demanda interna e preços internacionais competitivos.

Feijão

Atualmente, o mercado de feijão está em entressafra. Em julho, o preço médio do feijão-carioca aumentou 7,84%, enquanto o feijão-preto subiu 8,93%. No entanto, os preços mostraram recuo de 1,24% e 4,41% nas primeiras semanas de agosto, respectivamente. O mercado nacional é abastecido por feijão proveniente de Minas Gerais e Paraná, com previsão de queda nas importações devido ao volume da segunda safra.

Milho

O relatório de safra 2023/24 confirmou uma redução na área de cultivo de milho de 7,9% e na produtividade de 18,5%, resultando em uma diminuição de 24,6% na produção total. Para 2024/25, é prevista uma nova redução na área plantada. Em julho, o mercado de milho foi pressionado por uma maior oferta, mas os preços começaram a mostrar sinais de elevação em agosto, com possível alta no segundo semestre devido às exportações.

Soja

A produção de soja para a safra 2023/24 em Santa Catarina foi de 2,75 milhões de toneladas, representando uma redução de 8,2% em relação à safra anterior devido a problemas climáticos. No mercado, os preços da soja recuaram em julho, com uma redução de 0,7% em comparação com junho. A projeção de maior produção nos EUA, conforme o relatório do USDA, impactou os preços.

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Bovinos

Na primeira quinzena de agosto, o preço médio estadual da arroba do boi gordo subiu 0,3% em relação ao mês anterior, mas caiu 8,8% em comparação com agosto de 2023. O preço da carne bovina no atacado aumentou 0,4%. Santa Catarina produziu e abateu 369,5 mil cabeças de bovinos entre janeiro e julho, uma alta de 7,1% em relação ao ano anterior.

Frangos

Em julho, Santa Catarina exportou 103,2 mil toneladas de carne de frango, aumentando 11,8% em relação ao mês anterior e 14,7% em comparação com julho de 2023. As receitas chegaram a US$206,0 milhões, com crescimento de 18,1% em relação ao mês anterior. No acumulado de janeiro a julho, o Estado exportou 666,6 mil toneladas, com receitas de US$1,28 bilhão. Santa Catarina foi responsável por 23,6% das receitas das exportações brasileiras de carne de frango neste período.

Suínos

Santa Catarina exportou 72,8 mil toneladas de carne suína em julho, um aumento de 30,7% em relação ao mês anterior e de 35,5% em comparação com julho de 2023. As receitas foram de US$174,9 milhões, os melhores resultados mensais desde 1997. No acumulado de janeiro a julho, o Estado exportou 404,2 mil toneladas de carne suína, com receitas de US$918,5 milhões. As Filipinas se consolidaram como principal destino das exportações catarinenses de carne suína.

Leite

No primeiro semestre de 2024, as indústrias brasileiras adquiriram mais de 12 bilhões de litros de leite cru, um aumento de 1,9% em relação ao mesmo período de 2023. As importações de lácteos cresceram significativamente em julho, alcançando 244 milhões de litros, o segundo maior volume da série histórica. Em agosto, o preço médio pago aos produtores catarinenses caiu, mas continua acima dos níveis do mesmo mês do ano passado.

Boletim Agropecuário

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Plano Safra 2026/27 confirma avanço do crédito privado e reduz dependência do financiamento oficial no agro

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O anúncio do Plano Safra 2026/27 trouxe um novo recorde nominal para o crédito rural empresarial, com R$ 525,1 bilhões destinados a médios e grandes produtores. Apesar do volume expressivo, o crescimento de apenas 1,7% em relação à safra anterior ficou abaixo da inflação acumulada e do avanço esperado para o setor, gerando questionamentos sobre a capacidade do programa de sustentar sozinho a expansão do agronegócio brasileiro.

Mais do que o valor anunciado, o que chama a atenção é a mudança estrutural que vem ocorrendo no sistema de financiamento rural. O crédito privado, impulsionado por instrumentos como CPR, Fiagro, CRA e LCA, assume papel cada vez mais relevante, reduzindo a dependência histórica dos recursos subsidiados pelo governo.

Plano Safra cresce menos e reflete cenário de maior cautela

O novo ciclo do Plano Safra foi lançado em um contexto marcado por margens mais apertadas no campo, aumento da inadimplência em algumas cadeias produtivas e maior seletividade das instituições financeiras.

Dos R$ 525,1 bilhões anunciados, R$ 384,9 bilhões serão destinados ao custeio e comercialização da produção, uma redução de 7,2% em relação à safra anterior. Já os recursos para investimentos somam R$ 140,2 bilhões, alta de 38,1%, sinalizando prioridade para projetos de modernização, tecnologia e infraestrutura.

Além disso, houve redução nas principais taxas de juros das linhas de financiamento, acompanhando o início do ciclo de queda da taxa Selic. O crédito de custeio empresarial passou de 14% para 12,5% ao ano, enquanto o Pronamp caiu de 10% para 9%.

Crédito privado ganha protagonismo no financiamento rural

Embora o Plano Safra continue sendo um importante instrumento de política agrícola, sua participação relativa no financiamento do setor vem diminuindo.

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Nas últimas cinco safras, o crescimento do crédito rural ocorreu principalmente por meio de recursos livres, captados a mercado. Enquanto o crédito subsidiado permaneceu praticamente estável, as operações com recursos privados avançaram de forma consistente.

Esse movimento mostra que o agronegócio brasileiro está cada vez menos dependente dos subsídios governamentais e mais conectado ao sistema financeiro e ao mercado de capitais.

A participação dos recursos equalizados — aqueles em que o Tesouro Nacional subsidia parte dos juros — caiu significativamente nos últimos anos, representando atualmente cerca de 22% do total disponibilizado pelo Plano Safra.

Cooperativas ampliam presença no campo

Outro destaque da transformação do crédito rural é o avanço das cooperativas financeiras.

Nos últimos dez anos, a participação dessas instituições nas operações de crédito rural praticamente dobrou. Em diversas regiões do país, especialmente no interior, as cooperativas se tornaram a principal fonte de financiamento para produtores rurais.

Além da proximidade com o associado, essas instituições ampliaram sua capacidade de captação no mercado, fortalecendo sua atuação em um cenário de maior demanda por crédito e menor participação dos bancos tradicionais.

CPR alcança R$ 565 bilhões e lidera expansão do mercado privado

A principal evidência da mudança estrutural está no crescimento da Cédula de Produto Rural (CPR), instrumento que se consolidou como a espinha dorsal do crédito privado no agronegócio.

O estoque de CPR saltou de aproximadamente R$ 170 bilhões para R$ 565 bilhões em apenas seis safras, crescimento superior a 230%. O avanço supera com folga a expansão registrada pelo próprio Plano Safra no mesmo período.

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Paralelamente, outros instrumentos também ganharam espaço. O estoque de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) alcançou cerca de R$ 176 bilhões, enquanto os Fiagros já administram aproximadamente R$ 62 bilhões em ativos distribuídos em centenas de fundos.

Somados a operações de barter e Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), os mecanismos privados movimentam atualmente cerca de R$ 1,4 trilhão, consolidando uma nova realidade para o financiamento da produção agropecuária.

Desafio para produtores passa a ser gestão financeira

Especialistas apontam que o principal desafio para os próximos anos não será apenas acessar crédito, mas administrar diferentes fontes de financiamento de forma estratégica.

Ferramentas como CPR, barter, Fiagro e operações estruturadas passam a integrar cada vez mais o planejamento financeiro das propriedades rurais. Nesse cenário, gestão de risco, proteção de margem e eficiência operacional tornam-se fatores tão importantes quanto produtividade e tecnologia.

Nova fase do crédito rural já começou

O Plano Safra 2026/27 reforça uma tendência que vem se consolidando no agronegócio brasileiro: o financiamento da produção deixou de depender exclusivamente dos recursos oficiais.

Embora continue relevante, o programa governamental passa a atuar como parte de um sistema mais amplo, formado por cooperativas, mercado financeiro, investidores e instrumentos privados.

A mensagem para o setor é clara: o futuro do crédito rural será construído pela combinação entre recursos públicos e privados. Mais do que acompanhar o tamanho dos anúncios oficiais, produtores, empresas e investidores precisarão observar a qualidade do funding, a gestão dos riscos e a capacidade de execução dos projetos para garantir competitividade nos próximos ciclos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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