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Excesso de oferta global pressiona preços do leite e reduz margens do produtor até 2026

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Produção elevada e demanda enfraquecida marcam o cenário global do leite

O mercado mundial de lácteos deve atravessar 2025 sob forte pressão, segundo análise da StoneX, empresa global de serviços financeiros. Em seu webinar “Mercado de Lácteos: Panorama e Oportunidades até o final de 2025”, realizado em 29 de outubro, a consultoria destacou que o excesso de oferta em países exportadores — como Estados Unidos, União Europeia e Argentina — está reduzindo as margens dos produtores e mantendo os preços internacionais em queda.

Estados Unidos: margens em declínio e aumento no abate de vacas

Nos Estados Unidos, a produção de leite avança acima da demanda, impulsionada por margens ainda favoráveis e investimentos em genética e processamento. De acordo com Nate Donnay, diretor de Inteligência de Mercado de Laticínios da StoneX, os preços caíram no início de 2025, acompanhando o recuo da manteiga e de outros derivados.

Mesmo com custos controlados, o especialista alerta que a rentabilidade deve encolher no fim de 2025. “O aperto nas margens deve começar no fim do ano, com queda nos preços e aumento do abate de vacas, favorecido pelo preço da carne bovina”, observou Donnay.

União Europeia enfrenta desafios sanitários e menor competitividade

Na União Europeia, o setor também passa por ajustes após um período de margens positivas. Custos de produção mais baixos, devido à queda nos preços de ração e fertilizantes, deram fôlego aos produtores, mas problemas sanitários, como a língua azul, afetaram a reprodução de vacas na Alemanha, França e Reino Unido.

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Segundo John Lancaster, diretor de Consultoria em Laticínios e Alimentos para a região EMEA da StoneX, o aumento de oferta previsto para o fim de 2025 ocorrerá justamente em um momento de menor atividade industrial. Apesar disso, as margens devem se manter estáveis até meados de 2026, mas com perda de competitividade nas exportações, especialmente de queijos.

Brasil sente impacto indireto e vê queda na atratividade ao produtor

No Brasil, as importações representam cerca de 13% do consumo nacional, mas exercem grande influência sobre os preços internos. De acordo com Marianne Tufani, consultora de Gestão de Riscos em Laticínios da StoneX, as variações internacionais funcionam como um “fator marginal” na formação de preços.

“Quando o preço internacional cai, aumentam as importações, reduzindo a demanda pelo produto nacional e pressionando as cotações internas”, explica Tufani. Esse efeito é acentuado pela baixa elasticidade do mercado lácteo, ou seja, pequenas mudanças na demanda geram grandes oscilações nos preços.

Além disso, a relação de troca entre o leite e a arroba da vaca gorda segue desfavorável, principalmente em São Paulo e Goiás, reduzindo a atratividade da atividade e podendo levar parte dos produtores a migrar de setor.

Custos com ração devem aliviar margens em 2026

A consultora aponta que a melhora nas margens só deve ocorrer no início de 2026, mais pela redução dos custos de produção — especialmente com o milho — do que pela valorização do leite.

A safra global de milho é um dos principais fatores desse cenário. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta estoques acima de 23 milhões de toneladas em 2026, o que deve manter os preços do grão em patamares mais baixos. No Brasil, a safra recorde e o ritmo lento de comercialização também colaboram para conter os custos com nutrição animal.

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No entanto, o clima segue como fator de risco. “Se o fenômeno La Niña se intensificar, poderemos enfrentar estiagens no Sul do país, o que alteraria completamente o panorama atual”, alerta Tufani.

Consumo interno cresce lentamente, mas enfrenta limites econômicos

A demanda doméstica dá sinais mistos. A queda da inflação de alimentos nos últimos meses estimula o consumo, mas o alto endividamento das famílias — que chega a 60% em algumas regiões — ainda restringe a compra de produtos lácteos de maior valor agregado.

“Existe um impulso natural de consumo no fim do ano, com o 13º salário e as festividades, mas a continuidade dessa melhora depende da confiança do consumidor e do cenário macroeconômico”, ressalta Marianne Tufani.

Perspectivas: mercado deve seguir pressionado até o primeiro trimestre de 2026

De acordo com a StoneX, o viés baixista do mercado lácteo deve persistir até o início de 2026. Fatores pontuais, como a redução das margens dos produtores argentinos ou o aumento da paridade de importação, podem dar suporte temporário aos preços, mas a oferta elevada continuará dominando o mercado global.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja

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A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.

A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.

O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui

Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.

A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.

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Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br

Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.

O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.

Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.

Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.

Isan Rezende

Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.

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O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.

“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.

“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

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