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Excesso de oferta derruba preços da carne de frango no início de 2026

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O mercado brasileiro de frango iniciou 2026 sob pressão. Um grande volume de oferta disponível no mercado interno provocou queda acentuada nos preços da carne de frango, tanto no atacado quanto no vivo, segundo análise da Safras & Mercado.

O cenário reflete o forte alojamento de pintinhos de corte entre outubro e dezembro do ano passado, que resultou em estoques elevados e menor fôlego para os preços no início do novo ciclo.

Superoferta pressiona cotações e reduz margens

De acordo com o analista Fernando Iglesias, o excesso de produto no mercado interno mantém as cotações sob pressão e deve continuar influenciando o setor nas próximas semanas.

“A tendência é de manutenção de um mercado pressionado no curtíssimo prazo. O elevado volume de carne disponível limita reações nos preços”, explica Iglesias.

Por outro lado, o especialista ressalta que a queda dos custos de produção, impulsionada pela baixa nos preços do milho e pela estabilidade do farelo de soja, ajuda a amenizar o impacto negativo para os produtores.

“O controle dos custos dá algum alívio em um momento de preços mais baixos”, acrescenta.

Preços no atacado e distribuição caem em todo o país

Os levantamentos da Safras & Mercado mostram retração generalizada nas cotações ao longo de janeiro.

Em São Paulo, o quilo do peito congelado caiu de R$ 10,75 para R$ 9,50, a coxa recuou de R$ 7,60 para R$ 6,70, e a asa manteve estabilidade em R$ 11,00.

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Na distribuição, as quedas também foram significativas: o quilo do peito caiu de R$ 11,00 para R$ 10,00, e o da coxa de R$ 7,80 para R$ 7,00. O valor da asa permaneceu em R$ 11,20.

Nos cortes resfriados, o cenário foi semelhante. No atacado, o peito recuou para R$ 9,60, a coxa para R$ 6,80, enquanto a asa se manteve em R$ 11,10. Na distribuição, o preço do peito caiu para R$ 10,10, e a coxa para R$ 7,10.

Integrações regionais mostram estabilidade e leve queda

As principais praças de comercialização do país seguiram a mesma tendência de desvalorização.

Em Minas Gerais, o quilo vivo do frango ficou em R$ 5,10, e em São Paulo, em R$ 5,20.

Na integração catarinense, a cotação permaneceu em R$ 4,65, enquanto no oeste do Paraná, houve leve queda de R$ 5,00 para R$ 4,60. No Rio Grande do Sul, o valor também se manteve em R$ 4,65.

No Centro-Oeste, o frango vivo registrou estabilidade: R$ 5,20 em Mato Grosso do Sul e R$ 5,05 em Goiás e no Distrito Federal. Já no Nordeste e Norte, as quedas foram mais expressivas — em Pernambuco, o preço recuou de R$ 7,00 para R$ 5,00, no Ceará de R$ 6,20 para R$ 5,50, e no Pará, de R$ 7,50 para R$ 5,60.

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Exportações de carne de frango seguem aquecidas

Apesar da pressão no mercado interno, as exportações brasileiras de carne de aves iniciaram o ano com desempenho positivo.

Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o país exportou em janeiro de 2026 um total de 349,6 mil toneladas, com receita de US$ 627,18 milhões — uma média diária de US$ 39,19 milhões.

O volume embarcado representa alta de 15,8% na média diária em relação a janeiro de 2025, enquanto a receita média subiu 14,5%. O preço médio da tonelada, contudo, teve leve recuo de 1,1%, ficando em US$ 1.793,50.

Perspectivas: custos menores e câmbio estável dão fôlego ao setor

Com o Banco Central do Brasil mantendo a Selic em 15% ao ano e sinalizando uma possível redução gradual dos juros ainda em 2026, o setor avícola poderá se beneficiar de menor custo financeiro e estabilidade cambial, fatores importantes para exportadores.

A tendência para o curto prazo é de mercado interno ainda ajustado à oferta, mas com possibilidade de recuperação gradual a partir do segundo trimestre, caso os estoques diminuam e o consumo doméstico volte a crescer.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Safra de cana 2025/26 no Centro-Sul fecha com 611 milhões de toneladas e setor inicia novo ciclo priorizando etanol

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A safra 2025/2026 de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil foi encerrada com moagem de 611,15 milhões de toneladas, segundo levantamento da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA). O volume representa uma redução de 10,78 milhões de toneladas frente ao ciclo anterior, impactado principalmente pelas condições climáticas adversas ao longo do desenvolvimento da lavoura.

Apesar da retração, o ciclo se consolida como a quarta maior moagem da história da região, além de registrar a segunda maior produção de açúcar e etanol.

Moagem e produtividade: clima reduz desempenho agrícola

A produtividade média agrícola ficou em 74,4 toneladas por hectare, queda de 4,1% em relação à safra anterior, conforme dados do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC).

O desempenho foi desigual entre os estados:

  • Quedas: São Paulo (-4,3%), Goiás (-9,4%) e Minas Gerais (-15,9%)
  • Altas: Mato Grosso (+3,2%), Mato Grosso do Sul (+6,0%) e Paraná (+15,5%)

A qualidade da matéria-prima também recuou. O ATR (Açúcares Totais Recuperáveis) ficou em 137,79 kg por tonelada, redução de 2,34% na comparação anual.

Segundo a UNICA, a menor moagem já era esperada diante das condições climáticas observadas durante o ciclo.

Produção de açúcar e etanol: estabilidade e leve recuo

A produção de açúcar totalizou 40,43 milhões de toneladas, praticamente estável frente às 40,18 milhões do ciclo anterior, mas abaixo do recorde histórico de 42,42 milhões registrado em 2023/2024.

Já a produção total de etanol somou 33,72 bilhões de litros, recuo de 3,56% na comparação anual.

O detalhamento mostra movimentos distintos:

  • Etanol hidratado: 20,83 bilhões de litros (-7,82%)
  • Etanol anidro: 12,89 bilhões de litros (+4,22%), segunda maior marca da série histórica

O etanol de milho ganhou ainda mais relevância, com produção de 9,19 bilhões de litros (+12,26%), representando 27,28% do total produzido no Centro-Sul.

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Vendas de etanol: mercado interno segue dominante

No mês de março, as vendas de etanol totalizaram 2,79 bilhões de litros, com forte predominância do mercado doméstico.

  • Mercado interno: 2,75 bilhões de litros (-0,06%)
  • Exportações: 45,11 milhões de litros (-71,22%)

No consumo interno:

  • Etanol hidratado: 1,66 bilhão de litros (+20,25% ante fevereiro)
  • Etanol anidro: 1,09 bilhão de litros (+4,80%)
  • No acumulado da safra:
  • Hidratado: 20,34 bilhões de litros
  • Anidro: 13,04 bilhões de litros (+7,08%)

O avanço do anidro foi impulsionado, entre outros fatores, pela implementação da mistura E30 (30% de etanol na gasolina) a partir de agosto de 2025.

Além do impacto econômico — estimado em R$ 4 bilhões de economia para proprietários de veículos flex — o consumo de etanol evitou a emissão de 50 milhões de toneladas de gases de efeito estufa, recorde histórico do setor.

Nova safra 2026/27 começa com moagem mais forte

A safra 2026/2027 já começou com ritmo acelerado. Na primeira quinzena de abril de 2026, a moagem atingiu 19,56 milhões de toneladas, crescimento de 19,67% frente ao mesmo período do ciclo anterior.

Ao todo, 195 unidades estavam em operação:

  • 177 com moagem de cana
  • 10 dedicadas ao etanol de milho
  • 8 usinas flex

A qualidade da matéria-prima permaneceu estável, com ATR de 103,36 kg por tonelada.

Novo ciclo prioriza etanol e reduz produção de açúcar

O início da nova safra mostra uma mudança clara de estratégia industrial. Apenas 32,93% da cana foi destinada à produção de açúcar na primeira quinzena, enquanto mais de dois terços foram direcionados ao etanol.

  • Como consequência:
    • Produção de açúcar: 647,21 mil toneladas (-11,94%)
    • Produção de etanol: 1,23 bilhão de litros (+33,32%)
  • Desse total:
    • Hidratado: 879,87 milhões de litros (+18,54%)
    • Anidro: 350,20 milhões de litros
    • Etanol de milho: 411,94 milhões de litros (+15,06%), com participação de 33,49%
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O movimento reflete um cenário de mercado mais favorável ao biocombustível neste início de ciclo.

Vendas na nova safra e expectativa de alta no consumo

Na primeira quinzena da safra 2026/2027, as vendas totalizaram 1,28 bilhão de litros:

  • Hidratado: 820,15 milhões de litros
  • Anidro: 460,87 milhões de litros

No mercado interno, foram comercializados 1,25 bilhão de litros, enquanto as exportações somaram 28,88 milhões de litros (+18,03%).

A expectativa é de aceleração nas vendas nas próximas semanas, à medida que a queda de preços nas usinas seja repassada ao consumidor final, aumentando a competitividade do etanol frente à gasolina.

CBios: setor já avança no cumprimento das metas do RenovaBio

Dados da B3 até 29 de abril indicam a emissão de 14 milhões de Créditos de Descarbonização (CBios) em 2026.

O volume disponível para negociação já soma 25,13 milhões de créditos. Considerando os CBios emitidos e os já aposentados, o setor já disponibilizou cerca de 60% do total necessário para o cumprimento das metas do RenovaBio neste ano.

Análise: etanol ganha protagonismo em meio a incertezas globais

O início da safra 2026/2027 confirma uma tendência estratégica: maior direcionamento da cana para a produção de etanol, impulsionado por fatores como:

  • demanda doméstica consistente
  • políticas de descarbonização
  • maior previsibilidade no mercado interno
  • cenário internacional de incertezas energéticas

Com isso, o setor sucroenergético reforça seu papel na matriz energética brasileira, ao mesmo tempo em que ajusta sua produção às condições de mercado, buscando maior rentabilidade e segurança comercial.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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