AGRONEGÓCIO
Evonik defende estratégia nutricional para reduzir efeitos do calor em matrizes pesadas e aves poedeiras
Publicado em
7 de março de 2024por
Da RedaçãoMargens apertadas, custo de produção, relação entre oferta e demanda e escassez de mão de obra são desafios históricos e que fazem parte do dia a dia da avicultura. Se não bastasse, enfrentamos em 2023 o ano mais quente da história, de acordo com pesquisadores do Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus (C3S), da União Europeia. Este quadro tem forte impacto na agropecuária em geral e na produção de proteína animal em especial, levando a quedas de desempenho severas dos animais e até a mortalidade em casos extremos.
Na produção de matrizes pesadas e aves poedeiras, além da ambiência, uma boa estratégia nutricional pode contribuir para reduzir o impacto do calor no desempenho das aves e nos resultados financeiros de empresas avícolas. O médico veterinário mestre em nutrição animal e gerente de Vendas da Evonik, Rogério Ott, defende o uso de carbonato de potássio como um aliado estratégico neste momento. “Uma dieta com níveis adequados de potássio ajuda a aliviar o estresse provocado pelo calor. Isso vai levar a uma redução de perdas de desempenho, de mortalidade e ainda vai ajudar a manter o equilíbrio eletrolítico dos animais”, salientou o especialista.
Ele destaca que em situações de estresse por calor, as aves ficam ofegantes perdendo gás carbônico. “Este quadro leva o organismo do animal a buscar cálcio nos ossos, eliminando também o potássio e isso provoca um quadro mais grave, iniciando com uma perda de desempenho, levando até a mortalidade em casos mais severos. Então, podemos dizer que o potássio é o mineral intracelular mais abundante e é importante porque todo o equilíbrio ácido básico depende de sódio e potássio para se regular”, diz Ott.
Genética das aves modernas têm requerimento maior de potássio
De acordo com ele, a evolução genética das aves levou a um aumento no requerimento de potássio no período de pico de produção. Somando a isso, temos um cenário de formulação de dietas com inclusão reduzida de farelo de soja, gerando uma deficiência de potássio. “Por isso é importante suplementar a dieta com carbonato de potássio K-pron para evitar casos de morte súbita ou prolapsos. Com potássio em níveis adequados na fase de pico de produção, teremos uma menor incidência de problemas no campo”.
Suplementação de potássio em dietas de aves
Ott defende que é possível suprir a carência de potássio de forma fácil e econômica com uso de um suplemento com alto nível de pureza. O K-pron é um carbonato de potássio hidratado (47%) que contribui para atingir a quantidade necessária de potássio na ração. “Suplementar a dieta com potássio é uma necessidade das aves. Contudo, é importante que os nutricionistas estejam atentos à qualidade deste suplemento. Uma fonte de potássio menos higroscópica, por exemplo, é importante porque ela absorve menor quantidade de água, o que facilita o manejo na fábrica de rações. Desta maneira, ele fica mais fácil de dosar na ração”, encerra.
Fonte: Evonik
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Matopiba desponta como nova fronteira da produtividade no Brasil
Published
4 horas agoon
7 de setembro de 2026By
Da Redação
O avanço do agronegócio está mudando o mapa da produtividade brasileira e levando parte do dinamismo econômico para o Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Enquanto o indicador nacional cresceu 18,7% entre 2002 e 2019, três Estados da região registraram alguns dos maiores aumentos do País.
O Piauí liderou o crescimento da produtividade do trabalho no período, com alta de 103%. O Maranhão avançou 86% e o Tocantins, 69,7%. Os resultados acompanham a expansão da fronteira agrícola e indicam que a transformação provocada pelo campo ultrapassou o aumento da área plantada e do volume colhido.
Os dados fazem parte do estudo “Missing the Productivity: Estimating Labor Productivity in Brazilian Municipalities (2002–2019)”, dos pesquisadores Alan Bueno e Diogo Ferraz. Divulgado em julho, o trabalho construiu uma base anual com informações dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros.
O levantamento é um pré-print, versão que ainda não passou pela etapa definitiva de revisão acadêmica. Embora tenha alcance nacional e não seja dedicado exclusivamente ao Matopiba, o estudo revela grandes ganhos de produtividade nas fronteiras agropecuárias e uma evolução mais lenta nos Estados historicamente industrializados.
A produtividade analisada não é o rendimento das lavouras por hectare. O indicador mede quanto valor é produzido por trabalhador. Ele aumenta quando a incorporação de máquinas, tecnologia, qualificação e métodos mais eficientes de gestão permite ampliar a produção sem elevar na mesma proporção o número de pessoas ocupadas.
No Brasil, a agropecuária foi o setor que apresentou o maior avanço entre 2002 e 2019. A produtividade do trabalho no campo cresceu 80,1%, diante de aumentos de 10,3% nos serviços e de apenas 5,4% na indústria.
O resultado ajuda a explicar por que regiões antes com menor participação na economia nacional passaram a atrair armazéns, transportadoras, revendas de máquinas e insumos, instituições financeiras, empresas de tecnologia, indústrias de alimentos e prestadores de serviços.
Para Alan Bueno, professor da Universidade Estadual do Paraná e um dos autores do estudo, o avanço do Matopiba pode ser comparado à transformação ocorrida no Centro-Oeste a partir da segunda metade do século passado.
“O Matopiba é o novo ouro. É o que foi o Centro-Oeste nos anos 1950. Trata-se de um crescimento que faz mudar a realidade regional”, afirmou.
Segundo o pesquisador, o campo passou a funcionar como ponto de partida de uma rede econômica mais ampla. “O agro converteu-se no catalisador de uma vasta rede econômica, envolvendo transporte, comércio, construção civil, tecnologia, crédito e serviços”, explicou.
A expansão foi sustentada principalmente pela produção de soja, milho e algodão, além da pecuária. O desenvolvimento de sementes adaptadas ao Cerrado, a correção dos solos, a mecanização e a agricultura de precisão permitiram que a região ampliasse sua participação na produção nacional.
Os dados mais recentes indicam que o movimento continuou depois de 2019, último ano abrangido pelo estudo. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia colham juntos aproximadamente 41,4 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, aumento próximo de 9% sobre o ciclo anterior.
A Bahia deverá liderar a produção regional, com cerca de 15 milhões de toneladas. O Tocantins aparece em seguida, com 9,74 milhões, seguido pelo Maranhão, com 9,05 milhões, e pelo Piauí, com 7,58 milhões de toneladas.
Somente a soja deve alcançar 25,4 milhões de toneladas nos quatro Estados, o equivalente a aproximadamente 14% da produção brasileira da oleaginosa. O resultado consolida o Matopiba como fornecedor relevante para as indústrias de óleo, farelo, rações, carnes e biocombustíveis.
O avanço da produtividade, porém, não significa que os benefícios econômicos sejam distribuídos automaticamente. A mecanização reduz a necessidade de algumas tarefas manuais, ao mesmo tempo que amplia a procura por operadores de máquinas, técnicos agrícolas, engenheiros agrônomos, mecânicos e profissionais de tecnologia e logística.
Sem capacitação local, parte dessas vagas pode ser preenchida por trabalhadores vindos de outras regiões. O aumento da riqueza também depende da capacidade dos municípios de converter maior arrecadação em educação, saúde, saneamento e infraestrutura.
Outro desafio é evitar que o Matopiba permaneça apenas como fornecedor de produtos primários. A instalação de esmagadoras de soja, fábricas de rações, frigoríficos, usinas de biocombustíveis e indústrias de alimentos permitiria agregar valor à produção e manter uma parcela maior da renda na própria região.
O crescimento também aumenta a pressão sobre estradas, ferrovias, armazéns e terminais de exportação. Sem infraestrutura compatível, parte do ganho obtido dentro das propriedades pode ser perdida com fretes elevados, filas e demora no escoamento.
Há ainda o desafio de conciliar a expansão produtiva com a conservação do Cerrado, a regularização fundiária e a inclusão da agricultura familiar. A competitividade futura da região dependerá não apenas do volume produzido, mas também da capacidade de comprovar a origem e a sustentabilidade dos produtos.
O estudo mostra que a produtividade brasileira começou a mudar de endereço. O Matopiba já produz mais por trabalhador e movimenta uma cadeia econômica cada vez maior. O próximo passo será transformar essa eficiência em indústria, empregos qualificados e melhoria permanente da renda da população.
Fonte: Pensar Agro
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