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Etanol: Uma Alternativa ao Diesel em Veículos Pesados

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O etanol, tradicionalmente utilizado como combustível em automóveis, pode se tornar uma solução para substituir o diesel em veículos pesados. Apesar de fracassos iniciais, avanços tecnológicos indicam um futuro promissor para o biocombustível no setor de transportes.

Desafios e lições do passado

Na década de 1970, o Programa Pró-Álcool apresentou o etanol como combustível exclusivo para automóveis, mas o projeto encontrou dificuldades técnicas e econômicas. O advento da tecnologia flex, em 2003, trouxe mais eficiência ao etanol, mas as tentativas de substituir o diesel em caminhões na mesma época fracassaram devido ao alto consumo – mais de 1 litro por quilômetro rodado.

Hoje, novas pesquisas e tecnologias prometem reverter esse cenário. No Brasil, a substituição de combustíveis fósseis por biocombustíveis como etanol e biodiesel é facilitada pela abundância de recursos naturais, reafirmando o papel do país como líder global em energia renovável.

Compromisso com a descarbonização

Durante a cúpula do G20, o Brasil apresentou o projeto “Combustível do Futuro”, que destaca a expansão dos biocombustíveis na matriz energética nacional. A proposta reforça o compromisso do país com a redução de emissões no setor de mobilidade, mas levanta preocupações entre consumidores e empresários.

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Motoristas de veículos a gasolina, por exemplo, enfrentam custos mais altos devido à menor eficiência energética do etanol. Já os proprietários de caminhões e ônibus temem os impactos no desempenho e na manutenção dos motores diesel com o aumento do percentual de biodiesel. Mesmo assim, o governo avança com suas metas, gerando apreensão entre entidades como a Confederação Nacional dos Transportes (CNT), que representa 200 mil associados.

Etanol como substituto do diesel

Novos projetos indicam o potencial do etanol para substituir total ou parcialmente o diesel em aplicações específicas. Um motor bi-fuel, que combina diesel e etanol, está sendo desenvolvido para uso em locomotivas, geradores e caminhões. Ele utiliza dois tanques e dois sistemas de injeção, permitindo que até 70% do combustível seja etanol, dependendo da carga e da rotação do motor.

Além disso, a fábrica de motores Cummins, no Brasil, apresentou na Fenatran um conceito de motor movido exclusivamente a etanol E80 (composto por 80% de etanol e 20% de gasolina). Este motor, projetado para o transporte rodoviário, oferece potência de 330 cv e torque de 895 Nm, com alta eficiência e baixa emissão de poluentes.

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Expansão para o transporte marítimo

O transporte marítimo, responsável por cerca de 3% das emissões globais de gases de efeito estufa, também está de olho no potencial dos biocombustíveis. O metanol, por exemplo, vem ganhando espaço como alternativa viável, e sua tecnologia pode ser adaptada para incluir o etanol.

Perspectivas para o futuro

Com empresas como a Vale investindo na adaptação de motores para operar com biocombustíveis em caminhões e locomotivas, o Brasil reafirma sua liderança no desenvolvimento de soluções sustentáveis para o transporte. O etanol, que já desempenha papel fundamental na matriz energética nacional, pode se consolidar como uma alternativa viável ao diesel, impulsionando a transição para uma economia de baixo carbono.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode multiplicar área irrigada, mas água e energia limitam avanço

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O Brasil possui aproximadamente 10 milhões de hectares equipados para irrigação, mas poderia incorporar mais de 55 milhões de hectares à tecnologia, segundo estimativas oficiais. A expansão permitiria aumentar a produção dentro de áreas já ocupadas e reduzir perdas provocadas por estiagens, mas depende de investimentos em reservatórios, energia elétrica, licenciamento e gestão dos recursos hídricos.

Os números variam conforme a metodologia. O Portal da Irrigação, do governo federal, trabalha com cerca de 10 milhões de hectares equipados. Já o Atlas Irrigação, da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), contabiliza 8,2 milhões de hectares irrigados e fertirrigados em sua base nacional mais abrangente.

O mesmo levantamento identifica potencial adicional de 55,85 milhões de hectares. Desse total, 26,69 milhões estão sobre áreas agrícolas de sequeiro, que dependem das chuvas, e outros 26,73 milhões sobre pastagens. A estimativa exclui áreas ambientalmente protegidas, mas representa uma possibilidade física, não uma expansão que possa ocorrer imediatamente.

Uma parcela entre 6 milhões e 8 milhões de hectares apresenta condições mais favoráveis para incorporação em prazo menor. Ainda assim, seriam necessários investimentos elevados na aquisição de equipamentos, ampliação das redes elétricas e construção de estruturas de captação, armazenamento e distribuição de água.

O avanço dos pivôs centrais mostra que o produtor já procura reduzir a dependência das chuvas. Levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) identificou 33.846 pivôs em funcionamento em 2024, responsáveis pela irrigação de 2,2 milhões de hectares.

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A tecnologia permite fornecer água em momentos decisivos, como germinação, floração e enchimento de grãos. No milho, a falta de umidade nessas fases pode provocar perdas mesmo quando o volume total de chuva da temporada fica próximo da média.

A irrigação também aumenta a previsibilidade para cooperativas, fábricas de ração, usinas de etanol e outras indústrias que dependem do fornecimento regular de grãos. Com menor oscilação na produção, a cadeia consegue organizar melhor compras, estoques e processamento.

Estudos realizados em regiões de agricultura irrigada encontraram indicadores econômicos superiores aos observados em municípios sem a mesma estrutura. As áreas analisadas, embora representassem cerca de 8% do espaço agrícola considerado, concentravam 704 mil hectares irrigados por pivôs e respondiam por aproximadamente 15% das exportações do agronegócio.

Uma simulação com a incorporação de 1.500 hectares irrigados apontou aumento inicial de R$ 8,27 milhões no valor adicionado pela agropecuária. Em uma segunda etapa, após os efeitos sobre fornecedores, serviços e empregos, o acréscimo poderia superar R$ 13 milhões.

Essas comparações, entretanto, não significam que a irrigação seja a única responsável pelo desempenho econômico. Municípios irrigantes também costumam concentrar propriedades tecnificadas, agroindústrias, crédito, armazenagem e melhor infraestrutura.

O principal limite é a disponibilidade de água em cada bacia. A ANA calcula que a irrigação responde por 46% de toda a água retirada de rios, reservatórios e aquíferos no Brasil e por 67% do consumo, parcela que não retorna imediatamente aos mananciais.

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Por isso, o potencial nacional não pode ser interpretado como autorização para irrigar qualquer área. Cada projeto depende da disponibilidade local, dos demais usos da água e da obtenção de outorga, documento que estabelece quanto poderá ser captado, por quanto tempo e em quais condições.

A construção de reservatórios pode guardar água durante o período chuvoso para utilização em momentos críticos. Esses projetos, porém, também precisam respeitar regras ambientais, segurança das barragens e limites de captação para não prejudicar o abastecimento das cidades, a indústria e outros produtores.

A energia elétrica é outro obstáculo. Sistemas de irrigação demandam potência elevada e funcionamento regular, mas parte das regiões com maior potencial agrícola ainda não dispõe de redes trifásicas ou capacidade suficiente para atender novos equipamentos. O custo da energia também interfere diretamente na viabilidade do investimento.

A expansão sustentável exige ainda sensores de umidade, acompanhamento meteorológico e equipamentos capazes de aplicar somente o volume necessário. Irrigar sem monitoramento pode desperdiçar água, elevar custos e provocar erosão, encharcamento ou perda de nutrientes.

Diante da maior frequência de veranicos e estiagens em períodos críticos, a irrigação tende a ganhar importância na agricultura brasileira. O avanço, contudo, dependerá menos da simples compra de pivôs e mais de planejamento por bacia, segurança jurídica, energia disponível e infraestrutura para armazenar água sem comprometer os demais usuários.

Fonte: Pensar Agro

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