AGRONEGÓCIO
Especialista defende soluções realistas e redução de danos na cadeia do tabaco no Sul do Brasil
Publicado em
23 de janeiro de 2026por
Da Redação
A Federação Nacional dos Trabalhadores na Indústria do Tabaco (Fentitabaco) realizou uma agenda institucional estratégica nesta quinta-feira (22), em Santa Cruz do Sul (RS), com o objetivo de aproximar formadores de opinião da realidade da cadeia produtiva do tabaco.
O encontro reuniu representantes da indústria, entidades de classe, produtores rurais e trabalhadores, com foco em fortalecer o diálogo e qualificar o debate público sobre a importância social e econômica do setor no Sul do país.
A visita, organizada pela Fentitabaco e sediada no Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Fumo e Alimentação (Stifa), contou com a participação da psicóloga e especialista em redução de danos, Mônica Gorgulho, convidada para conhecer de perto o funcionamento do setor.
Redução de danos e políticas mais realistas
Com mais de 30 anos de experiência em políticas públicas e saúde, Mônica Gorgulho ressaltou a importância de abordagens pragmáticas para lidar com o uso de substâncias psicoativas.
“O uso não se encerra por decreto. Por isso, a redução de danos é uma estratégia necessária e responsável”, afirmou.
A especialista também destacou que a Organização Mundial da Saúde (OMS) precisa atualizar pontos da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco, documento que, desde 2005, já reconhecia a redução de danos como um instrumento possível para equilibrar regulação, saúde pública e evidências científicas.
Valorização do diálogo e dos trabalhadores
O presidente da Fentitabaco, Rangel Marcon, destacou que o principal objetivo da iniciativa é tornar o debate mais transparente e baseado em fatos.
“Mostrar a cadeia produtiva, as condições de trabalho e a organização do setor é fundamental para combater estigmas e qualificar o diálogo público”, afirmou.
Já o presidente do Stifa, Éder Rodrigues, reforçou a importância de valorizar os trabalhadores que atuam na base do processo produtivo.
“Os trabalhadores precisam ser vistos como parte da solução, com respeito, segurança e reconhecimento”, ressaltou.
A programação incluiu café com a imprensa, visitas a empresas compradoras, unidades de produção de sementes, fábricas processadoras e propriedades rurais de produtores integrados.
Presenças e articulação institucional
Entre os participantes da visita técnica estavam Eliana Stülp, assessora de comunicação do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco); Marcílio Dresch, presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra); e Gilson Becker, presidente da Associação dos Produtores de Tabaco (Amprotabaco).
A agenda, coordenada pela Fentitabaco, também incluiu encontros na sede do Stifa e visitas técnicas à Universal Leaf, Profigen, Philip Morris e propriedades rurais da região.
Setor estruturado e políticas baseadas em evidências
Durante a visita, Mônica Gorgulho destacou a necessidade de políticas públicas que combinem regulação e viabilidade econômica, evitando o avanço do mercado ilegal.
“Quando se aumenta a proibição, cresce o incentivo ao mercado irregular, que é sempre mais perigoso”, alertou.
A especialista afirmou ter se surpreendido com o nível de organização do setor fumageiro brasileiro:
“Eu não tinha dimensão da integração entre indústria, campo e trabalhadores, nem da complexidade envolvida em todo o processo produtivo”, observou.
Segundo ela, conhecer a realidade da produção ajuda a construir políticas mais equilibradas e eficazes.
“Nosso papel como profissionais da saúde é influenciar políticas públicas com criatividade e base técnica, buscando reduzir danos de forma concreta”, completou.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Preço do cacau segue elevado e mantém pressão sobre o chocolate, apesar da queda nas cotações internacionais
Published
26 minutos agoon
6 de julho de 2026By
Da Redação
O mercado internacional do cacau apresenta sinais de acomodação após meses de intensa volatilidade, mas os preços continuam em um patamar elevado que mantém a pressão sobre toda a cadeia produtiva do chocolate. Mesmo com a recente correção nas bolsas internacionais, a commodity permanece acima de US$ 5 mil por tonelada, cenário que dificulta uma redução significativa dos custos para a indústria e, consequentemente, para o consumidor.
Dados da Organização Internacional do Cacau (ICCO) mostram que o preço diário da commodity foi de US$ 5.169,23 por tonelada em 1º de julho de 2026, recuando para US$ 5.116,52 por tonelada no dia seguinte. Nos contratos futuros negociados em Nova York, as cotações ficaram em US$ 5.178,33 e US$ 5.141,67 por tonelada, respectivamente. Já em Londres, os contratos encerraram os dias em £ 3.883,00 e £ 3.811,33 por tonelada.
Novo patamar de preços preocupa a indústria
Embora os valores estejam abaixo dos picos registrados recentemente, o mercado avalia que o cacau entrou em um novo nível de preços, significativamente superior ao observado em anos anteriores.
Para a indústria de chocolates e derivados, o principal desafio deixou de ser apenas a volatilidade diária e passou a ser o elevado custo estrutural da matéria-prima. Esse cenário reduz a margem das empresas, limita promoções e mantém pressionados os preços de produtos como chocolates em barra, bombons, coberturas, achocolatados e itens utilizados pela confeitaria.
Mercado brasileiro acompanha cenário externo
No Brasil, as cotações também permanecem firmes, refletindo tanto o comportamento das bolsas internacionais quanto fatores internos, como logística, disponibilidade de produto, qualidade das amêndoas e variações cambiais.
Em 3 de julho de 2026, o cacau era comercializado a:
- R$ 305,00 por arroba na Bahia;
- R$ 1.220,00 por saca de 60 kg no Espírito Santo;
- R$ 19,00 por quilo no Pará.
Na equivalência por peso, tanto a arroba negociada na Bahia quanto a saca comercializada no Espírito Santo correspondem a aproximadamente R$ 20,33 por quilo, enquanto no Pará a referência permaneceu em R$ 19,00/kg.
Apesar da estabilidade recente, os preços ainda refletem um mercado sensível às oscilações internacionais e ao comportamento do câmbio.
Correção recente não altera cenário de custos elevados
Na comparação com o final de junho, houve uma leve retração nas cotações nacionais.
No dia 26 de junho, as referências eram de R$ 320,00 por arroba na Bahia, R$ 1.280,00 por saca no Espírito Santo e R$ 21,00 por quilo no Pará.
Com isso, a redução foi de aproximadamente 4,7% na Bahia e no Espírito Santo e de cerca de 9,5% no Pará.
Apesar desse movimento, especialistas avaliam que a correção ainda é insuficiente para provocar mudanças relevantes na estrutura de custos da indústria.
Consumidor ainda não sente redução nos preços
Mesmo quando ocorre uma queda nas cotações do cacau, o impacto sobre o preço do chocolate costuma demorar a chegar ao varejo.
Isso acontece porque as indústrias trabalham com contratos antecipados, estoques já adquiridos e estratégias graduais de repasse de custos. Em muitos casos, o ajuste ocorre não apenas por meio do aumento do preço final, mas também pela redução do peso das embalagens, alterações nas formulações ou diminuição das margens de lucro.
Dessa forma, oscilações pontuais da commodity dificilmente resultam em redução imediata dos preços encontrados pelo consumidor nos supermercados.
Cadeia produtiva vive desafios distintos
Enquanto os preços elevados favorecem a rentabilidade dos produtores, estimulando investimentos em renovação de lavouras, manejo e controle fitossanitário, o cenário representa um desafio para a indústria, que precisa ampliar o capital destinado à compra da matéria-prima.
Para o consumidor, os reflexos aparecem em uma categoria que deixou de ser predominantemente sazonal e passou a fazer parte do consumo cotidiano, aumentando o peso dos produtos derivados do cacau no orçamento das famílias.
Perspectivas para os próximos meses
O comportamento do mercado dependerá da evolução da oferta global e das condições climáticas nas principais regiões produtoras, além do câmbio e da demanda internacional.
Caso as cotações permaneçam acima de US$ 5 mil por tonelada, o espaço para uma queda significativa no preço do chocolate continuará limitado. Para que o consumidor perceba um alívio consistente, será necessária uma combinação de maior oferta mundial, recomposição dos estoques, estabilidade cambial e redução dos custos industriais.
Embora o mercado tenha deixado para trás o período mais agudo de volatilidade, o cacau ainda permanece distante de um cenário considerado confortável, mantendo a pressão sobre toda a cadeia do chocolate.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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