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Equilíbrio global: preços do arroz buscam estabilidade

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Em janeiro, os preços mundiais do arroz subiram novamente, mas começando a cair em meados do mês. Os preços tailandeses subiram 2%, assim como o arroz parboilizado indiano. Em contraste, os preços vietnamitas caíram de 1,5 a 3%, segundo as categorias. Apesar das restrições de exportação remanescentes da Índia, a concorrência entre os exportadores asiáticos continua forte. Um aumento expressivo nos preços vietnamitas ou tailandeses abre espaço para os concorrentes asiáticos, em especial a Birmânia, cujos preços são mais competitivos. Por em quanto, o mercado está na espera do retorno da Índia ao mercado de exportação, mas não seria antes da chegada da safra Rabi no segundo trimestre do ano.

Com tudo, apesar da recuperação da oferta de exportação, os preços mundiais permanecem altos devido às tensões no Mar Vermelho, elevando os preços de transporte, que triplicaram desde dezembro. O alongamento das rotas marítimas, via Cabo da Boa Esperança, cria uma escassez de navios, dificultando o fluxo do comércio. Já o comércio mundial deverá encolher ainda mais devido a uma redução na demanda de importação, especialmente da China, cujas compras externas não excederiam 2,5 Mt em 2024, em contraste com as 6,6 Mt em 2022. Essa redução compensará a forte demanda prevista das Filipinas e da Indonésia, respectivamente o primeiro e o segundo maiores importadores do mundo.

Do lado dos exportadores, embora espere-se uma nova contração nas exportações da Índia, isso será amplamente compensado pelos suprimentos da Tailândia, e do Paquistão cujas vendas externas podem aumentar em 40% em relação a 2023. Espera-se que a produção global em 2023/2024 supere ligeiramente o consumo mundial que deveria cair pelo segundo ano consecutivo. Em janeiro, o índice OSIRIZ/InfoArroz (IPO) subiu 2,3 pontos, atingindo 340,2 pontos (base 100=janeiro de 2000), contra 337,9 pontos em dezembro.

No início de fevereiro, o índice IPO tendia a cair a 337 pontos. Produção mundial De acordo com as últimas estimativas da FAO, a produção mundial de arroz em 2023 teria melhorado em apenas 0,6%, para 790,0 Mt (524,6 Mt base beneficiado), contra 785,5 Mt em 2022. No Paquistão, a produção teria aumentado em 30%, retornando ao nível de 2021. Isso compensa parcialmente as reduções na Índia, Tailândia e China. Nos Estados Unidos, após uma safra decepcionante em 2022, a produção marcou uma forte recuperação de 37%, retornado ao nível de 2021. Em contraste, a produção no Mercosul diminuiu novamente devido às más condições climáticas.

O comércio mundial de arroz em 2023 teria caído 6%, para 52,7 Mt, contra 56,1 Mt anteriormente. Essa queda se deve principalmente à redução das importações chinesas, mas também ao aumento da produção em algumas regiões deficitárias, principalmente na África, no Oriente Médio e no sul da Ásia. Além disso, a decisão da Índia de proibir as exportações de arroz não-basmati (um quarto das exportações indianas e 11% das exportações mundiais) contribuiu para acentuar a queda no comércio mundial. O forte aumento nos preços mundiais, causado em grande parte por essas restrições, forçou alguns países importadores a adiar e/ou reduzir suas procuras de importação. No entanto, parte da redução das exportações indianas foi compensada pela Tailândia e pelo Vietnã, que aumentaram significativamente suas vendas externas em 15% em 2023. Em contraste, as exportações indianas de arroz, em todas as categorias agregadas, caíram 20%. As primeiras projeções para 2024 apontam para uma nova contração do comércio mundial em 2%, para 52,0 Mt.

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Os estoques mundiais de arroz terminando em 2023 teriam permanecido relativamente estáveis em 196,7 Mt, contra 196,9 Mt em 2022, representando 38% das necessidades de consumo mundial, já 3% acima da média dos últimos cinco anos. Em 2023, as reservas chinesas teriam caído novamente para compensar a estagnação da produção e a redução das importações. Entretanto, os estoques chineses continuam abundantes, correspondendo a 70% do consumo doméstico anual e 50% dos estoques mundiais. Na Índia, os estoques teriam aumentado em 4%, em grande parte devido às restrições à exportação. Os estoques dos principais países exportadores teriam atingido 57,5 Mt em 2023, equivalentes a 30% dos estoques mundiais. Em 2024, espera-se que os estoques mundiais aumentem em 1%, atualmente estimados em 198,8 Mt.

Na Índia, Na Índia, o preço do arroz parboilizado subiu 2,5%, mas continua sendo o mais competitivo do mercado, apesar da taxa de exportação de 20%. A proibição das exportações de arroz branco não-basmati continua em vigor, mas as isenções concedidas pelo governo indiano permitiram a exportação de mais de 3 Mt entre o último trimestre de 2023 e o início de 2023, principalmente para países da África e do Sudeste Asiático.

No total, a Índia teria exportado 17,9 Mt em 2023, incluindo 13 Mt de arroz branco parboilizado e não basmati e 4,9 Mt de arroz basmati. Benin, Senegal, Togo e Guiné foram os principais destinos do arroz não basmati. Até 2024, a Índia poderia exportar entorno de 17 Mt. Em janeiro, o arroz parboilizado indiano atingiu $ 525/t Fob, contra $ 513 anteriormente. No início de fevereiro, o preço permanecia firme em $ 550. Na Tailândia, os preços subiram 2% em decorrência da forte demanda externa. Em 2023, as exportações tailandesas aumentaram 15%, para 8,8 Mt.

A Indonésia foi o principal cliente, respondendo por 16% das exportações tailandesas, seguida pela África do Sul e pelo Iraque, com 10% cada. A China e as Filipinas, embora tenham respondido por apenas 5% das exportações cada, foram os principais clientes durante o último trimestre de 2023, na sequência das restrições indianas. Em 2024, as exportações poderiam aproximar-se a 9 Mt graças à demanda ativa da Indonésia e apesar das previsões de contração no comércio mundial. Em janeiro, o preço do arroz tailandês 100%B marcou uma média de $ 666, contra $ 655 em dezembro.

O Tai parboilizado subiu para $ 643, contra $ 631. Em contraste, o arroz quebrado A1 Super caiu ligeiramente para $ 487, contra $ 489. No início de fevereiro, os preços tailandeses tendiam a baixar devido à valorização do bath em relação ao dólar. No Vietnã, os preços de exportação caíram de 1,5 a 3%, aproximando-se dos preços tailandeses. No momento, o Vietnã está se concentrando mais em seu mercado interno, antecipando o feriado de Tet, e os contratos externos são mais escassos. Mas, espera-se uma recuperação no final de fevereiro ou início de março. Em 2023, as exportações vietnamitas aumentaram 15% para 8,3 Mt, contra 7,2 Mt em 2022. Em 2024, as exportações vietnamitas poderiam diminuir devido à redução da demanda global e o retorno previsto da Índia no mercado mundial no segundo semestre do ano. Em janeiro, o Viet 5% se negociou a $ 652, contra $ 661.

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O Viet 25% marcou $ 624, contra $ 643, mas ainda acima de seu concorrente tailandês. No início de fevereiro, os preços continuavam caindo. No Paquistão, os preços do arroz subiram de 4 a 6% devido à forte demanda do Sudeste Asiático. Há interesse do arroz paquistanês por parte dos países africanos, devido às restrições indianas. Em dezembro, as exportações mensais do Paquistão se dispararam para 850.000 t. Tradicionalmente, as exportações paquistanesas aumentam durante o último trimestre do ano, mas em 2023 foram três vezes maiores do que em 2022. No total, as exportações paquistanesas atingiram 4,5 Mt em 2023, contra 4,6 Mt em 2022. Até 2024, o Paquistão poderia exportar 5 Mt graças a uma oferta de exportação mais abundante. Em janeiro, o Pak 25% foi negociado a $ 551, contra $ 519 em dezembro. No início de fevereiro, os preços tendiam a se estabilizar, mas permanecem altos para $ 575. Na China, as importações teriam caído de 50% em 2023 para 2,7 Mt, em parte devido aos preços mundiais mais altos, mas também devido a uma safra melhor do que o esperado. Em 2024, as importações chinesas cair novamente para 2,4 Mt, ficando atrás das Filipinas e da Indonésia. Nos Estados Unidos, os preços do arroz permaneceram firmes graças à demanda relativamente forte. Em janeiro, as exportações atingiram 330.000 t contra 337.000 t em dezembro, mas representando quase o dobro de janeiro de 2022. Em 2023, as exportações estadunidenses atingiram 2,7 Mt contra 2,3 Mt em 2022, já um aumento de 17%.

O México foi novamente o principal cliente, respondendo por 23% das exportações dos EUA. O preço indicativo do arroz Long Grain 2/4 atingiu 748 $/t em janeiro, contra 745 $ anteriormente. No início de fevereiro, o preço estava estável. Na Bolsa de Chicago, os futuros do arroz casca subiram 2,2% para $ 390/t, contra $ 382 em dezembro. No início de fevereiro, os preços futuros estavam firmes em $ 405. No Mercosul, os preços de exportação permanecem firmes devido à forte demanda e à menor oferta exportável neste ano. A redução da produção 2022/2023 e as incertezas sobre a safra 2023/2024 pesam sobre os preços de exportação. O preço indicativo do arroz casca brasileiro continua com altas históricas, mas tende a se estabilizar para $ 518/t, contra $ 520 em dezembro. No início de fevereiro, o preço indicativo ainda estava abaixando para $ 486. Na África Subsaariana, as colheitas continuam e são satisfatórias, em geral. Com a chegada do arroz local aos mercados e a boa disponibilidade do arroz importado, os preços domésticos permanecem estáveis. Em 2023, as importações africanas tiveram uma queda de 5%, mas continuam altas, equivalentes a 40% das necessidades de consumo. Em 2024, as importações poderiam aumentar novamente, especialmente na África Ocidental.

Fonte: INFOARROZ

Fonte: Portal do Agronegócio

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Agronegócio lidera crescimento da economia com alta de 2,8% no segundo trimestre

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A agropecuária voltou a ocupar o centro do crescimento da economia brasileira no segundo trimestre de 2026. Dados divulgados nesta terça-feira (1º.09) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o setor avançou 2,8% entre abril e junho, mais de cinco vezes a alta de 0,5% registrada pelo Produto Interno Bruto (PIB) do País no mesmo período.

O desempenho foi o melhor entre os três grandes setores da economia. Enquanto a agropecuária cresceu 2,8% em relação aos três primeiros meses do ano, os serviços avançaram 0,2% e a indústria ficou praticamente estável, com alta de 0,1%. Em valores correntes, o PIB brasileiro alcançou R$ 3,4 trilhões no segundo trimestre.

A diferença também aparece na comparação com o mesmo período do ano passado. A economia brasileira cresceu 2% frente ao segundo trimestre de 2025, enquanto a agropecuária avançou 6,8%. Indústria e serviços cresceram 1,5% cada.

Segundo o IBGE, o resultado do campo foi favorecido pelo desempenho da pecuária e por culturas que registraram aumento da produção e ganhos de produtividade. Entre os produtos agrícolas com peso relevante no período, a estimativa para a soja aumentou 5,3% em relação a 2025 e a do café avançou 15,1%.

Nem todas as culturas acompanharam o movimento. A produção de arroz apresentou queda de 11,3% e a de algodão recuou 6,7%, enquanto o milho permaneceu praticamente estável.

Essas variações das lavouras, porém, não podem ser comparadas diretamente com os 2,8% de crescimento trimestral da agropecuária. O IBGE explica que não dispõe de séries com ajuste sazonal para cada cultura, o que impede determinar exatamente quanto soja, café ou qualquer outro produto contribuiu para o avanço entre o primeiro e o segundo trimestre.

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O resultado divulgado nesta terça-feira ganha relevância também pelo comportamento do restante da economia. O crescimento do PIB perdeu velocidade em relação aos primeiros três meses do ano, quando havia avançado 1,1%. No segundo trimestre, indústria e serviços praticamente ficaram de lado, enquanto o consumo das famílias recuou.

Na indústria, a alta de apenas 0,1% foi garantida principalmente pelas atividades extrativas, que cresceram 3,4%, favorecidas pelo aumento da produção de petróleo e gás. A indústria de transformação caiu 0,4%, mesma retração registrada pela construção. Eletricidade e gás, água, esgoto e gestão de resíduos recuaram 1,1%.

Os serviços, responsáveis pela maior parcela da economia brasileira, avançaram 0,2%. Informação e comunicação cresceu 2,1% e transporte, armazenagem e correio, atividade diretamente ligada ao escoamento da produção agropecuária, aumentou 1,1%. As atividades imobiliárias avançaram 0,2%, enquanto comércio e outras atividades de serviços ficaram estáveis.

Pelo lado da demanda, também houve sinais de perda de força da economia. O consumo das famílias caiu 0,4% em relação ao primeiro trimestre, apesar do aumento da massa salarial real e da disponibilidade de crédito. O consumo do governo avançou 0,4%.

Os investimentos apresentaram resultado melhor, com crescimento de 1,2%. Já no comércio exterior, as exportações de bens e serviços recuaram 0,8% no trimestre, enquanto as importações aumentaram 1,8%.

O desempenho da agropecuária também aparece nos números acumulados do ano. No primeiro semestre, o PIB brasileiro cresceu 1,9% em relação aos seis primeiros meses de 2025. O campo avançou 3,6%, praticamente o dobro da economia como um todo e acima dos serviços, com alta de 1,8%, e da indústria, com 1,6%.

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A comparação com 2025 mostra ainda uma mudança importante na dinâmica trimestral do setor. No segundo trimestre do ano passado, a agropecuária havia recuado 0,1% frente aos três primeiros meses. Agora, no mesmo tipo de comparação, registra expansão de 2,8%.

O crescimento ocorre depois de um 2025 excepcional para o campo. No ano passado, a agropecuária avançou 11,7%, resultado que teve peso importante para o crescimento de 2,3% do PIB brasileiro. A base elevada torna o avanço de 6,8% registrado no segundo trimestre deste ano ainda mais relevante.

Nos quatro trimestres encerrados em junho, a agropecuária acumula crescimento de 6,2%. É novamente o melhor resultado entre os grandes setores: os serviços avançam 1,7% e a indústria, 1,4%. A economia brasileira acumula alta de 1,9% nesse intervalo.

Os números divulgados pelo IBGE reforçam também uma diferença importante entre o desempenho da produção e o ambiente financeiro enfrentado pelo produtor. O crescimento ocorre em um período ainda marcado por juros elevados, crédito mais caro e pressão sobre as margens de algumas atividades.

Mesmo nesse cenário, o campo inicia a segunda metade de 2026 crescendo acima do restante da economia. O PIB perdeu velocidade entre o primeiro e o segundo trimestre, mas a agropecuária seguiu na direção contrária e apresentou a maior expansão entre os principais setores produtivos do País.

Fonte: Pensar Agro

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