AGRONEGÓCIO
Encefalomielite equina: O que é preciso saber sobre a doença?
Publicado em
19 de fevereiro de 2024por
Da RedaçãoA encefalomielite equina é uma doença viral que afeta cavalos em todo o mundo, causando preocupação entre criadores, proprietários e profissionais da saúde animal. A doença é causada por três vírus distintos do gênero Alphavirus, os quais desencadeiam inflamação no encéfalo e na medula dos equinos afetados. As variantes conhecidas são a Encefalomielite Equina do Leste (EEE), a Encefalomielite Equina do Oeste (WEE) e a Encefalomielite Equina Venezuelana (VEE), sendo esta última menos comum no Brasil.
A encefalomielite é uma zoonose, ou seja, pode atingir os humanos também, e por este motivo ela é de notificação obrigatória. Os reservatórios naturais destes vírus são aves, roedores e répteis, que em muitas das vezes não apresentam nenhuma manifestação clínica. “Muitas pessoas acreditam que a transmissão acontece por meio do contato com cavalos infectados, mas na verdade o vetor, representado pelo mosquito, que contrai o vírus picando animais silvestres ou domésticos infectados e, posteriormente, pica cavalos e humanos, contaminando-os”, esclarece Camila Senna, médica- veterinária e coordenadora técnica de equinos da Ceva Saúde Animal.
Embora a encefalomielite equina possa ser menos comum em certas regiões do mundo, ela não é uma condição rara. Os surtos podem ocorrer em diversas áreas, especialmente onde os vetores transmissores, principalmente da espécie Culex sp e Aedes sp., estão presentes. Recentemente, o Mercosul emitiu um estado de alerta para a doença, devido aos casos confirmados em humanos na Argentina e no Uruguai, reforçando o poder zoonótico da enfermidade. “Portanto, é essencial reconhecer que a encefalomielite equina é uma preocupação global de saúde e sendo importante adotar estratégias adequadas de prevenção”, afirma Camila
Os sintomas da encefalomielite equina são febre, apatia, depressão, inicialmente. Conforme a doença progride, surgem sintomas neurológicos como incoordenação motora, andar desorientado, andar em círculos, cegueira, ranger de dentes e pressionar a cabeça contra objetos. A progressão dos sintomas leva ao decúbito prolongado com movimentos de pedalada e tende a evoluir para o óbito do animal em poucos dias. “Por se tratar de uma doença fatal, na maioria dos casos, a encefalomielite traz prejuízos econômicos aos criadores de cavalos, que podem vir a perder cavalos de alta performance, de lida e de lazer. Nos raros casos que não provoca a morte, a doença deixa sequelas gravíssimas, como paralisia, convulsão e problemas comportamentais”, explica Camila.
Em humanos, os sintomas mais recorrentes são febre, cefaleia, rigidez da nuca, letargia e conjuntivite. A evolução do quadro pode causar encefalite, uma inflamação no cérebro que pode causar danos permanentes, como paralisia, deficiência intelectual e epilepsia.
A Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) mantém a enfermidade como uma doença de importância socioeconômica, principalmente pela sua gravidade e alta letalidade.
A Encefalomielite Equina do Leste é a mais agressiva, com maior índice de mortalidade, presente em grande parte da região sudeste do Brasil e em alguns estados do norte, nordeste e centro-oeste.
“O tratamento das encefalites é, até o momento, apenas de suporte, baseado em fluidoterapia, corticoides e anti-inflamatórios. E por não existir um tratamento específico direcionado, a melhor estratégia para o combate das encefalites equinas é por meio da prevenção”, afirma Camila.
A vacinação desempenha um papel essencial na proteção dos equinos. Por isso, a Ceva Saúde Animal, tem em seu portfólio a vacina tríplice Tri-Equi, que protege os animais contra a encefalomielite viral equina leste e oeste, o tétano e a influenza equina (tipos I e II).
Além disso, o controle dos mosquitos com uso de inseticidas e repelentes, mosqueteiros e higiene constante dos estábulos pode ajudar a reduzir a propagação dos vetores e vírus da encefalomielite equina. A associação dos métodos de prevenção ajuda a diminuir drasticamente as infecções e probabilidade de epidemias entre animais e nos humanos.
Fonte: Ceva Saúde Animal
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Nova cebola da Embrapa reduz riscos do cultivo no verão e pode elevar produtividade no Cerrado
Published
25 minutos agoon
25 de maio de 2026By
Da Redação
A Embrapa lançou uma nova cultivar de cebola desenvolvida especialmente para enfrentar os desafios do cultivo durante o verão brasileiro. Batizada de BRS Belatriz, a variedade híbrida foi criada para suportar altas temperaturas, excesso de umidade e pressão de doenças típicas do período chuvoso, cenário considerado de alto risco para a produção da hortaliça.
O lançamento oficial da nova cultivar ocorre durante a AgroBrasília 2026, realizada entre os dias 19 e 23 de maio, no Distrito Federal.
Cultivo de verão exige maior resistência da cebola
Tradicionalmente, a cebola é cultivada no inverno, período em que as temperaturas mais amenas favorecem o desenvolvimento dos bulbos e reduzem a incidência de doenças.
No verão, porém, o cenário muda significativamente. O calor elevado e os dias mais longos aceleram o processo de bulbificação, reduzindo o tamanho comercial das cebolas e comprometendo a produtividade da lavoura. Além disso, o ambiente quente e úmido favorece o avanço de doenças severas.
Foi justamente para enfrentar essas limitações que a Embrapa desenvolveu a BRS Belatriz.
Nova cultivar suporta calor acima de 33°C
Segundo os pesquisadores, a nova cebola mantém desenvolvimento adequado mesmo em temperaturas superiores a 33°C, consideradas críticas para a cultura.
Um dos principais diferenciais da cultivar é a resistência à bulbificação precoce sob calor intenso, fator que permite a formação de bulbos com padrão comercial adequado mesmo em condições climáticas adversas.
De acordo com o agrônomo Valter Oliveira, responsável pelo desenvolvimento da cultivar, produtores já realizavam o cultivo nesse período, mas utilizavam materiais genéticos voltados ao inverno, o que aumentava significativamente os riscos produtivos.
Resistência a doenças fortalece segurança da lavoura
Além da adaptação ao calor, a BRS Belatriz apresenta resistência moderada a importantes doenças da cebola, especialmente em áreas de Cerrado.
Entre elas estão:
- Queima foliar bacteriana
- Antracnose
- Mancha-púrpura
- Raiz rosada
A cultivar também apresenta tolerância ao nematoide-das-galhas, problema que pode comprometer seriamente o desenvolvimento das plantas.
Segundo a Embrapa, em condições favoráveis de manejo, a produtividade pode alcançar cerca de 70 toneladas por hectare, com predominância de bulbos das classes 3 e 4, consideradas as mais valorizadas no mercado atacadista e varejista.
Mercado valoriza qualidade e pungência da nova cebola
A BRS Belatriz pertence ao grupo das cebolas amarelas de ciclo precoce destinadas ao consumo fresco, segmento responsável pela maior parte do consumo mundial da hortaliça.
Os bulbos apresentam formato arredondado, boa uniformidade de maturação e pungência mais elevada — característica relacionada ao sabor mais intenso da cebola, bastante valorizado pelo consumidor brasileiro.
Pesquisa focou adaptação ao Cerrado e produção nacional
O programa de melhoramento genético da cebola híbrida da Embrapa começou a ser reestruturado no início dos anos 2000.
Inicialmente, os trabalhos eram concentrados em materiais voltados ao cultivo de inverno, segmento historicamente dominado por empresas multinacionais.
Com o avanço das pesquisas, os cientistas identificaram no cultivo de verão uma oportunidade estratégica para o desenvolvimento de cultivares nacionais mais adaptadas às condições brasileiras.
O projeto reuniu centenas de combinações híbridas, cruzando linhagens nacionais e materiais estrangeiros em busca de produtividade, resistência a doenças, adaptação ao calor e qualidade comercial.
Os primeiros testes em áreas comerciais começaram em 2018 e mostraram desempenho superior da linhagem que deu origem à BRS Belatriz, principalmente sob elevada pressão de doenças.
Produção no verão pode reduzir dependência de importações
O cultivo de cebola no verão ocorre principalmente entre dezembro e janeiro, com colheita concentrada a partir de maio.
Nesse período, a oferta proveniente da região Sul do Brasil costuma diminuir, abrindo espaço para melhores preços no mercado interno.
Segundo a Embrapa, o fortalecimento da produção nacional nessa janela pode contribuir para reduzir oscilações de oferta e diminuir a dependência de cebolas importadas, especialmente da Argentina.
Manejo ainda exige atenção do produtor
Apesar dos avanços da nova cultivar, os pesquisadores ressaltam que o cultivo de verão continua sendo uma atividade de maior risco e altamente dependente das condições climáticas.
Chuvas excessivas ainda podem comprometer a emergência das plantas, aumentar a incidência de doenças e elevar os custos de manejo.
Por isso, os testes com produtores continuam em andamento para aperfeiçoar recomendações técnicas, principalmente relacionadas à adubação nitrogenada e ao manejo fitossanitário da nova cultivar.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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