AGRONEGÓCIO

Emater-MG auxilia equipe técnica do TCU em auditoria no Plano ABC+

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Para uma política pública dar certo, não basta idealizar, dar publicidade e até mesmo destinar recursos, é preciso corpo técnico qualificado, planejamento e sobretudo acompanhamento para se propor eventuais melhorias. E é isso que um grupo técnico de auditores federais do Tribunal de Contas da União está realizando junto ao Plano ABC+, do Ministério da Agricultura, com suporte da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG).

O Plano ABC+ tem o objetivo de promover a adaptação do setor agropecuário brasileiro às mudanças climáticas, além de incentivar o uso de técnicas que controlem as emissões de gases de efeito estufa, com aumento da eficiência e resiliência dos sistemas produtivos. Dentre as ações está, por exemplo, a disponibilização de linhas de crédito para adoção de técnicas de produção mais sustentáveis, como Plantio Direto e Integração Lavoura, Pecuária e Floresta.

Em Minas Gerais, a Emater-MG integra o Comitê Gestor do Plano ABC+ e atua diretamente com os produtores rurais, para alcançar os objetivos do plano. O coordenador técnico da Emater-MG, Sérgio Brás Regina, explica que técnicos da empresa estão dando suporte ao trabalho da auditoria do Tribunal de Contas, prestando informações e também acompanhando em visitas às propriedades rurais.

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“Estamos recebendo o pessoal do tribunal, que está fazendo uma auditoria de colaboração, de ouvir sugestões dos parceiros, dos produtores, dos agentes de crédito, de quem opera realmente o programa no Estado. Está sendo muito proveitoso e leve, esperamos melhorar mais ainda o programa. Minas Gerais já se destaca na aplicação da linha de crédito para o programa e esperamos potencializar estes resultados, para que este recurso efetivamente chegue nas mãos do produtor e seja realmente utilizado”, reforça.

Segundo o coordenador, o crédito disponibilizado pelo Plano ABC+ é destinado a ações, que colaboram, sobretudo, para recuperação de pastagens degradadas, preservação de água e solo, medidas prioritárias para o setor agropecuário em Minas Gerais e no Brasil.

O auditor federal do Tribunal de Contas, que coordena o trabalho, Vinícios Neves dos Santos, explica que a auditoria vai propor melhorias no programa como um todo e que Minas Gerais foi escolhida para as visitas técnicas, por se destacar na execução do ABC+. “A ideia dessa auditoria operacional é identificar gargalos, pontos de melhoria e trabalhar a eficiência do programa, para que chegue a mais produtores. A visita a Minas Gerais foi indicação do próprio Ministério da Agricultura, por ter um Grupo Gestor mais organizado, já com plano de ação estadual estruturado. Nós viemos pra cá para ter esse contato direto com os produtores, os extensionistas e para entender um pouco da realidade local da aplicação das tecnologias que o plano preconiza. Estamos muito gratos a Emater-MG por nos ajudar neste trabalho”, diz.

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Em Minas Gerais, a coordenação do Grupo Gestor Estadual do Plano ABC+ MG é compartilhada entre a Superintendência de Agricultura e Pecuária de MG e a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Estado. Ao todo, o grupo é constituído por representantes de 26 instituições públicas e privadas de Minas Gerais.

O trabalho de auditoria do Plano ABC+ começou em outubro de 2023 e deve ser concluído pela equipe técnica do Tribunal de Contas da União, em maio. A partir daí o relatório segue para apreciação dos ministros do TCU, que então fazem as recomendações para a melhoria do programa.

Fonte: Assessoria de Comunicação – Emater-MG

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja

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A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.

A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.

O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui

Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.

A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.

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Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br

Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.

O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.

Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.

Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.

Isan Rezende

Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.

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O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.

“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.

“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

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