AGRONEGÓCIO
Emater faz leve ajuste na safra de soja do RS, mas ainda vê recorde
Publicado em
6 de março de 2024por
Da RedaçãoA safra de soja do Rio Grande do Sul 2023/24 foi estimada nesta terça-feira em 22,25 milhões de toneladas, redução de cerca de 200 mil toneladas na comparação com a previsão inicial, mas ainda um volume de produção recorde, de acordo com levantamento da Emater.
Se confirmada a previsão, a safra deverá ter um salto de 71,5% na comparação com a temporada anterior, atingida pela seca, segundo a empresa de assistência técnica ligada ao governo gaúcho.
De acordo com o diretor técnico da Emater/RS, Claudinei Baldissera, alguns municípios sofreram déficit de chuva perto da época do Carnaval, mas isso não comprometeu de forma relevante os resultados previstos. A safra gaúcha também foi atingida por umidade excessiva na época do plantio.
“São números que brilham os olhos, estamos com a lavoura ainda em desenvolvimento, mas com encaminhamento… é preciso que a colheita ocorra em condições climáticas adequadas”, afirmou Baldissera.
Boletim da última semana da Emater apontou o início da colheita em algumas regiões mais a noroeste do Estado, mas a empresa ainda não indicava um percentual de área já colhida, após atrasos no plantio por conta da chuva. Pela média histórica, nesta época, o Rio Grande do Sul já deveria ter colhido ao menos 2% da área.
“São números muito bons que colocam a safra 23/24 no topo do ranking na linha do tempo, comparado com anos anteriores. Ano passado a safra de soja ficou na 10ª posição”, acrescentou Baldissera, ao apresentar os números durante a feira Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque.
A safra de soja 23/24 deverá superar o volume máximo visto em 2020/21, quando somou pouco mais de 20 milhões de toneladas, favorecida este ano pelo fenômeno climático El Niño, que traz chuvas para o Sul.
Nos últimos anos, produtores gaúchos lidaram com o La Niña, que resulta em seca, registrando seguidas frustrações climáticas.
A recuperação da safra do Rio Grande do Sul permitirá que o Estado se coloque como o segundo produtor de soja do Brasil em 23/24, superando o Paraná, que sofreu alguns problemas climáticos no ciclo atual e tem safra estimada em 18,2 milhões de toneladas, conforme levantamento do governo paranaense.
Além disso, também ajudará a sustentar a produção brasileira, considerando que Estados do Centro-Oeste brasileiro, em especial o líder Mato Grosso, sofreram com as intempéries em 2023/24.
A safra de soja de Mato Grosso 2023/24 está estimada em 38,44 milhões de toneladas, queda de 15,7% na comparação com o ciclo anterior, disse o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) na véspera.
OUTROS GRÃOS DO RS
Se o clima praticamente não alterou a projeção de safra de soja, no caso do milho a produção do Rio Grande do Sul foi rebaixada para 5,2 milhões de toneladas, ante pouco mais de 6 milhões de toneladas na previsão inicial.
Ainda assim, a colheita de milho do Estado, maior produtor do cereal do país na primeira safra, deverá crescer 31,5% na comparação com a temporada passada, afetada pela seca.
O Rio Grande do Sul, que não planta milho na segunda safra, aposta suas fichas todas no verão, no tocante ao cereal.
O Estado gaúcho, também o maior produtor de arroz do país, deverá colher cerca de 7,5 milhões de toneladas do produto, praticamente estável na comparação com a previsão inicial, com alta de 3,5% ante a temporada passada, segundo a Emater.
Fonte: Reuters
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Metade do prazo já passou e renegociação rural de R$ 100 bilhões ainda não chega ao produtor
Published
12 horas agoon
14 de setembro de 2026By
Da Redação
Metade do prazo para a contratação das linhas especiais destinadas à renegociação das dívidas rurais já transcorreu, mas produtores continuam relatando dificuldades para acessar o programa. A Medida Provisória nº 1.376, publicada em 15 de julho, concedeu 120 dias para as operações, período que termina em meados de novembro.
A demora ocorre quando R$ 207,5 bilhões da carteira ativa de crédito rural apresentam algum tipo de problema. O valor corresponde a 23,5% do total e reúne financiamentos inadimplentes, vencidos, renegociados ou prorrogados, segundo dados de julho do Banco Central compilados pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul).
O mecanismo foi anunciado com potencial para renegociar mais de R$ 100 bilhões em dívidas de produtores e cooperativas atingidos por eventos climáticos ou pela queda dos preços agrícolas. O Banco do Brasil calcula que até 113 mil clientes da instituição podem ser alcançados pelas novas condições.
Na prática, porém, exigências documentais, custos adicionais, pedidos de novas garantias e cobrança de entrada estão impedindo que parte dos produtores conclua a operação. As dificuldades atingem principalmente agricultores familiares, pequenos produtores e propriedades com o caixa mais comprometido.
Em nota a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) manifestou preocupação com a execução da medida e pediu que o Congresso acompanhe o funcionamento das linhas. A entidade reconhece a importância da renegociação, mas avalia que os recursos ainda não chegam ao campo na velocidade e na escala exigidas pela crise.
Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), a existência da linha não basta se as condições impedirem a contratação.
“A renegociação foi apresentada como uma saída para produtores que acumulam perdas há várias safras. Se o agricultor chega ao banco e encontra uma sequência de exigências que não consegue cumprir, a política existe no papel, mas não resolve o problema dentro da propriedade”, afirma Rezende.
Para acessar as condições gerais, o produtor precisa comprovar perdas em duas ou mais safras entre 2019 e 2025, com redução mínima de 30% da renda bruta esperada. A comprovação deve ser feita por laudo emitido por profissional legalmente habilitado.
A exigência busca dar segurança à aplicação dos recursos públicos, mas se transformou em um dos principais obstáculos. Além do custo de contratação do responsável técnico, o produtor pode ter dificuldade para reconstruir dados de lavouras cultivadas vários anos atrás.
A FPA propõe que pequenos produtores possam apresentar laudos coletivos quando as propriedades de uma mesma região tiverem sido atingidas pelo mesmo evento climático. Também defende a dispensa de um novo documento nos casos de operações que já passaram por renegociação e permanecem com saldo comprometido.
“Não se trata de retirar a fiscalização nem de aceitar informações sem comprovação. É possível manter o rigor e, ao mesmo tempo, reconhecer perdas coletivas provocadas por uma seca, enchente ou geada. Exigir dezenas de laudos individuais para propriedades vizinhas atingidas pelo mesmo evento aumenta o custo e atrasa uma solução urgente”, diz Isan Rezende.
A medida provisória permite renegociar financiamentos de custeio, comercialização e industrialização, determinadas parcelas de investimentos e algumas Cédulas de Produto Rural (CPRs) com liquidação financeira. As operações precisam atender às datas e condições estabelecidas no texto.
Os limites chegam a R$ 400 mil para agricultores familiares atendidos pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), R$ 2 milhões para beneficiários do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e R$ 4 milhões para os demais produtores.
As taxas anuais são de 6% para o Pronaf, 9% para o Pronamp e 12% para os demais. O prazo de pagamento pode chegar a oito anos, com a primeira amortização do principal dois anos depois da contratação, embora os juros sejam pagos durante a carência.
Nos casos mais graves, envolvendo perdas de pelo menos 40% da renda em três ou mais safras, os limites e os prazos são ampliados. O financiamento pode chegar a R$ 8 milhões para produtores fora do Pronaf e do Pronamp, com pagamento em até dez anos.
Outro problema é a cobrança de entrada. Produtores que procuram a renegociação geralmente já enfrentam falta de capital de giro. Exigir um pagamento antecipado pode excluir justamente aqueles que apresentam maior necessidade de reorganizar o passivo.
Há ainda preocupação com a próxima safra. A medida provisória determina que a renegociação não pode impedir a contratação de novos financiamentos nem levar o beneficiário a cadastros restritivos. Ao mesmo tempo, permite que os bancos apliquem suas políticas internas, reavaliem o risco e peçam reforço das garantias.
Essa combinação cria uma diferença entre a proteção escrita na norma e a decisão tomada na agência bancária. Formalmente, a adesão não bloqueia o crédito. Na avaliação individual, entretanto, o comprometimento financeiro pode levar o banco a recusar ou limitar novos recursos.
“A dívida passada precisa ser reorganizada para que o produtor volte a produzir. Renegociar o passivo e fechar a porta do crédito para a nova safra apenas adia o problema. Sem custeio, ele planta menos, reduz tecnologia, perde produtividade e volta a ter dificuldade para pagar”, alerta Rezende.
Os dados nacionais já mostram uma retração do financiamento tradicional. A área produtiva atendida pelas linhas de custeio do Plano Safra caiu de 34,2 milhões para 25,4 milhões de hectares em 12 meses, redução próxima de 26%.
No mesmo período, o valor contratado em crédito rural tradicional, sem considerar títulos privados como as CPRs, recuou 12%, para R$ 181,1 bilhões. O número de contratos diminuiu 10,3% e ficou em 777,8 mil.
A FPA também pede que sejam preservadas as características dos Fundos Constitucionais de Financiamento do Centro-Oeste, do Norte e do Nordeste. Essas fontes possuem regras próprias e têm peso maior em regiões nas quais produtores encontram menos alternativas no sistema bancário.
A medida provisória está em vigor, mas precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado para ser transformada definitivamente em lei. A frente parlamentar defende ajustes que reduzam as barreiras operacionais sem eliminar os mecanismos de controle.
O prazo aumenta a urgência. Uma renegociação concluída depois da janela de plantio pode reorganizar o balanço da propriedade, mas já não devolve a oportunidade de produzir naquela safra. Para o campo, o sucesso da medida não será medido pelos R$ 100 bilhões anunciados, mas pelo número de produtores que conseguirem contratar, recuperar o crédito e continuar produzindo.
Fonte: Pensar Agro
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