AGRONEGÓCIO
Em abril, IBGE prevê safra de 299,6 milhões de toneladas para 2024
Publicado em
14 de maio de 2024por
Da RedaçãoEm abril, a produção de cereais, leguminosas e oleaginosas estimada para 2024 deve totalizar 299,6 milhões de toneladas, 5,0% menor que a obtida em 2023 (315,4 milhões de toneladas), com redução de 15,8 milhões de toneladas; e 0,4% acima da informada em março, com acréscimo de 1,2 milhão de toneladas.

A área a ser colhida é de 77,9 milhões de hectares, o que representa estabilidade (0,0%) frente à área colhida em 2023, com crescimento de 9,4 mil hectares, e aumento de 0,2% (134,9 mil hectares) em relação a março.
O arroz, o milho e a soja, os três principais produtos, somados, representam 91,6% da estimativa da produção e respondem por 87,0% da área a ser colhida. Frente a 2023, houve acréscimos de 10,9% na área a ser colhida do algodão herbáceo (em caroço), de 4,6% na do arroz em casca, de 5,9% na do feijão e de 2,5% na da soja, ocorrendo declínios de 5,5% na área do milho (reduções de 8,0% no milho 1ª safra e de 4,8% no milho 2ª safra), de 7,5% na do trigo e de 4,3% na do sorgo.
Em relação à produção, houve acréscimos de 7,7% para o algodão herbáceo (em caroço), de 2,0% para o arroz, de 11,1% para o feijão e de 27,0% para o trigo, e decréscimos de 2,4% para a soja, de 6,8% para o sorgo e de 11,7% para o milho (reduções de 13,5% no milho de 1ª safra e de 11,2% no milho de 2ª safra).

A estimativa de abril para a soja foi de 148,3 milhões de toneladas. Quanto ao milho, a estimativa foi de 115,8 milhões de toneladas (24,0 milhões de toneladas de milho na 1ª safra e 91,8 milhões de toneladas de milho na 2ª safra). A produção do arroz foi estimada em 10,5 milhões de toneladas; a do trigo em 9,8 milhões de toneladas; a do algodão herbáceo (em caroço) em 8,3 milhões de toneladas; e a do sorgo, em 4,0 milhões de toneladas.
A estimativa da produção de cereais, leguminosas e oleaginosas apresentou variação anual positiva para duas Grandes Regiões: a Sul (8,3%) e a Norte (7,6%). Houve variação anual negativa para as demais: a Centro-Oeste (-12,2%), a Sudeste (-10,5%) e a Nordeste (-3,1%). Quanto à variação mensal, apresentou crescimento a Nordeste (1,2%), a Norte (5,8%) e a Centro-Oeste (0,9%). enquanto as demais apresentaram declínio: a Sudeste (-1,9%) e a Sul (-0,9%).
Mato Grosso lidera como o maior produtor nacional de grãos, com participação de 28,0%, seguido pelo Paraná (13,4%), Rio Grande do Sul (13,3%), Goiás (10,6%), Mato Grosso do Sul (8,3%) e Minas Gerais (5,6%), que, somados, representaram 79,2% do total. Com relação às participações regionais, tem-se a seguinte distribuição: Centro-Oeste (47,2%), Sul (28,9%), Sudeste (9,2%), Nordeste (8,7%) e Norte (6,0%).
Destaques na estimativa de abril de 2024 em relação ao mês anterior
Em relação a março, houve aumentos nas estimativas da produção da batata 3ª safra (6,8% ou 73 719 t), do sorgo (6,6% ou 249 743 t), da batata 1ª safra (2,6% ou 44 750 t), da soja (0,9% ou 1 380 088 t), do feijão 1ª safra (0,8% ou 7 893 t), da cevada (0,6% ou 2 600 t), do tomate (0,5% ou 20 164 t), do arroz (0,3% ou 32 234 t), da aveia (0,2% ou 2 858 t), bem como declínios nas estimativas de produção do cacau (-1,1% ou -3 162 t), do trigo (-1,0% ou -101 191 t), do feijão 3ª safra (-0,8% ou -5 396 t), da batata 2ª safra (-0,7% ou -8 900 t), do milho 1ª safra (-0,4% ou -91 296 t), do milho 2ª safra (-0,3% ou -248 837 t) e do feijão 2ª safra (-0,0% ou -691 t).
Entre as Grandes Regiões, o volume da produção de cereais, leguminosas e oleaginosas apresentou a seguinte distribuição: Centro-Oeste, 141,4 milhões de toneladas (47,2%); Sul, 86,4 milhões de toneladas (28,9%); Sudeste, 27,4 milhões de toneladas (9,2%); Nordeste, 26,1 milhões de toneladas (8,7%) e Norte, 18,1 milhões de toneladas (6,0%).
As principais variações absolutas positivas nas estimativas da produção, em relação ao mês anterior, ocorreram em Goiás (1 279 774 t) e no Pará (998 575 t). As variações negativas ocorreram no Paraná (-801 000), em São Paulo (-442 380 t) e em Minas Gerais (-96 291 t).
ARROZ (em casca) – A estimativa para 2024 aponta uma produção de 10,5 milhões de toneladas, acréscimo de 0,3% em relação a estimativa do mês anterior, e crescimento de 2,0% em relação ao volume produzido em 2023. Esse aumento deve-se, principalmente, à área plantada, que cresceu 3,7%, enquanto o rendimento médio teve uma retração de 2,5%. É importante ressaltar o aumento das áreas de arroz, pois ao longo dos últimos anos ocorreu uma redução dessas lavouras, em função, principalmente, da substituição por outras mais rentáveis, como a soja.
No Rio Grande do Sul, que responde por mais de 70% da produção nacional, as condições climáticas neste ano não favoreceram o cultivo, apresentando queda na produtividade por conta do excesso de chuvas nos primeiros meses de implantação da cultura, assim como um maior período de nebulosidade, comprometendo diretamente o desempenho da cultura a campo. A produção rio-grandense deve atingir 7,4 milhões de toneladas, aumento de 4,3% em relação a 2023, em decorrência do aumento de 8,1% na área colhida, uma vez que a produtividade, de 8 269 kg/ha, apresentou uma redução de 3,6% frente à safra anterior.
BATATA-INGLESA – A batata é cultivada em três épocas distintas no Brasil: verão (1ª safra), outono (2ª safra) e inverno (3ª safra), com as lavouras exigindo clima adequado, boa disponibilidade de água durante o ciclo produtivo e rigoroso controle de pragas e doenças. A produção, considerando-se as três safras do produto, deve alcançar 4,3 milhões de toneladas, aumento de 2,6% em relação à estimativa de março, com destaque para São Paulo que elevou sua estimativa de produção em 15,0% em relação ao mês anterior, devendo produzir 999,5 mil toneladas em 2024, o que representa uma participação de 23,3% em relação à safra brasileira do tubérculo. Em relação a 2023, a produção brasileira de batata deve crescer 0,9%.
A 1ª safra deve contribuir com 41,6% do total de batata a ser produzido no ano. A produção estimada foi de 1,8 milhão de toneladas, aumento de 2,6% em relação à estimativa de março. A 2ª safra, que representa 31,6% da produção total, foi estimada em 1,4 milhão de toneladas, 0,7% menor que a estimativa de março. Para a 3ª safra, a estimativa de produção foi de 1,2 milhão de toneladas, crescimento de 6,8% em relação ao mês anterior.
CACAU (amêndoa) – A estimativa para a produção brasileira de cacau foi de 294,2 mil toneladas, declínio de 1,1% em relação ao mês anterior, e crescimento de 1,2% em relação a 2023. O Pará revisou suas estimativas em abril, informando declínios de 2,1% na produção e de 3,4% no rendimento médio, enquanto a área cresceu 1,4%. O Estado é o maior produtor de cacau do País, devendo contribuir com 50,7% da produção nacional em 2024. A produção deve alcançar 149,3 mil toneladas, enquanto a área a ser colhida, deve chegar a 158,5 mil hectares, e a produtividade, 942 kg/ha, sendo a maior do País. Na Bahia, segundo maior produtor de cacau do País, devendo participar com 41,9% da produção nacional, a produção deve alcançar 123,3 mil toneladas, crescimento de 2,7% em relação a 2023.
CEREAIS DE INVERNO (em grão) – Os principais cereais de inverno produzidos no Brasil são o trigo, a aveia branca e a cevada. Com relação ao trigo (em grão), a produção deve alcançar 9,8 milhões de toneladas, declínio de 1,0% em relação à estimativa de março, e crescimento de 27,0% em relação a 2023, quando o Brasil, apesar de inicialmente aguardar uma safra recorde do cereal, teve sua expectativa frustrada em decorrência de uma série de problemas climáticos, o que prejudicou as lavouras na Região Sul.
A produção da aveia (em grão) foi estimada em 1,2 milhão de toneladas, aumentos de 0,2% em relação a março e de 35,8% em relação a 2023. O rendimento médio apresentou declínio de 0,1% em relação ao mês anterior e de 32,6% em relação a 2023 quando o clima adverso prejudicou as lavouras de aveia na Região Sul do País. Os maiores produtores do cereal são o Rio Grande do Sul, com 849,9 mil toneladas, aumento de 45,6% em relação ao volume colhido em 2023; e Paraná, com 300,1 mil toneladas, aumentos de 0,4% em relação a março e de 21,4% em relação a 2023. A produção de Santa Catarina foi estimada em 33,5 mil toneladas, crescimento de 5,4% em relação ao ano anterior. A Região Sul deve contribuir com 97,5% da produção brasileira de aveia em 2024.
Para a cevada (em grão), a produção estimada foi de 465,3 mil toneladas, aumentos de 0,6% em relação a março e de 22,6% em relação ao ano anterior. O rendimento médio apresenta crescimento de 41,8% em relação a 2023, quando o clima adverso prejudicou as lavouras de aveia na Região Sul do País. Os maiores produtores de cevada são o Paraná, com 331,4 mil toneladas, aumentos de 0,8% em relação ao mês anterior e de 19,3% em relação a 2023; e Rio Grande do Sul, com 110,5 mil toneladas, aumento de 39,7% em relação ao que foi produzido em 2023. Esses estados devem ser responsáveis por 95,0% da produção brasileira de cevada em 2024.
FEIJÃO (em grão) – A estimativa da produção de feijão para 2024, considerando-se as três safras, deve alcançar 3,3 milhões de toneladas, crescimentos de 0,1% em relação ao mês anterior e de 11,1% em relação a 2023. Essa produção deve atender ao consumo interno brasileiro, em 2024, possivelmente não havendo necessidade da importação do produto.
A produção da 1ª safra de feijão foi de 1,0 milhão de toneladas, aumento de 0,8% frente à estimativa de março; o rendimento médio esperado foi 3,3% maior, enquanto a área a ser colhida declinou 2,4%. Destaques positivos para o Ceará, que aguarda um crescimento de 24,3% na produção, devido à reavaliação positiva no rendimento médio, de 22,9% e na área colhida, de 0,9%; para o Paraná, que informou um crescimento mensal de 1,7%; e para Pernambuco, que informou um crescimento de 38,8% na produção, resultado do aumento de 52,6% no rendimento médio, embora houvesse declínio de 9,2% na área colhida. Os declínios na produção foram verificados na Bahia (-14,8%), em Minas Gerais (-1,5%) e em São Paulo (-5,7%).
A 2ª safra de feijão foi estimada em 1,6 milhão de toneladas, praticamente estável em relação a março, com declínio de 691 toneladas (-0,0%). Os declínios da produção foram informados pelo Pará (-3,9%), Maranhão (-0,3%), Pernambuco (-20,8%) e Paraná (-0,4%). Os aumentos da produção foram informados pelo Ceará (3,0%), pela Paraíba (12,0%), por Alagoas (16,0%), por Minas Gerais (4,7%), por São Paulo (3,4%) e por Goiás (0,5%). Na presente safra, o Paraná deve se consolidar como grande produtor de feijão durante a 2ª safra, participando com quase metade da produção esperada (49,8%). A produção paranaense deve alcançar 774,0 mil toneladas na safra corrente.
Com relação à 3ª safra de feijão, a estimativa de produção foi de 711,6 mil toneladas, declínio de 0,8% frente à estimativa de março, com a área a ser colhida reduzindo-se em 0,8%. Houve declínio de 3,6% na estimativa da produção de São Paulo em relação a março, tendo a área plantada retraído em 4,2% e o rendimento médio aumentado em 0,6%.
MILHO (em grão) – A estimativa para a produção do milho totalizou 115,8 milhões de toneladas, representando uma queda de 0,3% em relação ao mês anterior, em decorrência, principalmente, da redução de 0,6% no rendimento médio nacional. A área plantada e a área a ser colhida apresentou um incremento de 0,3%.
O milho 1ª safra apresentou uma estimativa de produção de 24,0 milhões de toneladas, 0,4% inferior em relação ao mês anterior, em decorrência, principalmente, de uma queda de 0,6% no rendimento médio (5 040 kg/ha). As maiores variações negativas da produção ocorreram em São Paulo (-10,7% ou -195 400 t) e na Bahia (-2,5% ou -43 170 t). Por outro lado, as estimativas de produção estão maiores no Ceará (23,6% ou 100 239 t) e em Pernambuco (75,1% ou 44 483 t). O Rio Grande do Sul é o maior produtor do milho 1ª safra, devendo participar com 20,9% no total nacional. Segundo a EMATER-ASCAR, a colheita de milho, no Rio Grande do Sul, desacelerou e atingiu 83% da área. Além da priorização da cultura da soja, o período foi caracterizado por precipitações e umidades relativas altas. Essas condições climáticas prejudicaram a obtenção do ponto de maturação de colheita nas lavouras, em diversas regiões do Estado.
A estimativa do milho 2ª safra totalizou 91,8 milhões de toneladas, representando um declínio de 0,3% em relação ao mês anterior, com o rendimento médio caindo 0,6% e a área aumentando 0,3%. As maiores reduções nas estimativas da produção em relação a março foram registradas por Minas Gerais (-6,1% ou -180 302 t) e Paraná (-4,9% ou – 690 000 t), enquanto os maiores aumentos foram informados pelo Pará (35,9% ou 408 483 t), Pernambuco (28,2% ou 12 608 t), Alagoas (4,5% ou 5 693 t), São Paulo (1,5% ou 38 029 t) e Goiás (1,3% ou 155 572 t). O Mato Grosso é o maior produtor do milho 2ª safra, com participação de 44,9% no total nacional, com uma estimativa de produção de 41,2 milhões de toneladas.
SOJA (em grão) – Influenciada, principalmente, pelos reajustes mensais efetuados em Goiás e no Pará, a estimativa de produção nacional foi revista em 0,9%, percentual que representa um incremento de quase 1,4 milhão de toneladas. Com isso, a produção brasileira deve alcançar 148,3 milhões de toneladas, o que ainda representa um decréscimo anual de 2,4% em comparação à quantidade produzida no ano anterior, mas que, ainda assim, deve representar quase a metade do total de cereais, leguminosas e oleaginosas produzidos no País em 2024. Os produtores ampliaram as áreas de cultivo no País em 2,6% no ano, e devem totalizar 45,4 milhões de hectares plantados. Contudo, os efeitos causados pelo fenômeno climático El Nino, caracterizado pelo excesso de chuvas nos estados da Região Sul e a falta de chuvas regulares, combinada com o registro de elevadas temperaturas no Centro-Norte do País, trouxeram, como consequência, uma limitação no potencial produtivo da leguminosa em boa parte das Unidades da Federação produtoras, justificando a queda de 4,8% no rendimento médio nacional em relação safra anterior, totalizando 3 271 kg/ha.
SORGO (em grão) – A estimativa de abril para a produção do sorgo foi de 4,0 milhões de toneladas, aumento de 6,6% com relação ao obtido em março e redução de 6,8% em relação ao obtido na safra 2023. O rendimento médio nacional foi de 3.173 quilos por hectare, sendo o maior nível o registrado no Distrito Federal (4 200 kg/ha).
No comparativo com março, o aumento de produção foi acompanhado pela expansão do rendimento médio (6,4%) e de áreas (0,2%). A produção aumentou 0,8% no Nordeste e a área cresceu 1,1%, mesmo tendo um rendimento menor (-0,3%), alavancadas pelo bom desempenho de Pernambuco. No Sudeste, a produção e a área apresentaram crescimentos, enquanto o rendimento médio manteve-se estável. No Centro-Oeste, houve 13,1% de aumento da produção, influenciado pelo ganho no rendimento médio, uma vez que a área teve 0,2% de redução, observada em Goiás. Este Estado tem obtido ganhos de produtividade no cultivo do sorgo, aumentando a produção em 19,3% com relação ao mês imediatamente anterior. Não houve reavaliações das variáveis nas Regiões Norte e Sul.
TOMATE – A quantidade produzida foi estimada em 4,2 milhões de toneladas, aumento de 0,5% em relação a março, sendo justificado pelo incremento de área (0,4%) e do rendimento médio (0,1%). Em relação a 2023, houve crescimento de 6,3% na produção, em razão, principalmente, ao aumento do rendimento, de 5,9%, que alcançou 74 374 kg/ha.
A produção nordestina foi destaque em abril, já que cresceu 2,1% em relação ao mês anterior, alcançando 472,2 mil toneladas. No Ceará, a estimativa da produção foi de 192,9 mil toneladas, aumento de 1,4%, havendo um crescimento da 1,1% na área a ser colhida, enquanto em Pernambuco, que deve produzir 51,6 mil toneladas no corrente ano agrícola, apresentou um crescimento de 17,7%, justificado pelos aumentos de 10,5% na área plantada e de 6,5% no rendimento médio.
O maior produtor brasileiro de tomates é Goiás, com uma estimativa de 1,3 milhão de toneladas, seguido de São Paulo, com 1,0 milhão de toneladas, devendo, essas Unidades da Federação responderem por 56,4% da produção nacional em 2024. Minas Gerais vem em sequência com uma estimativa de produção de 531,2 mil toneladas. Outros estados importantes na produção de tomates são: Paraná, com 251,8 mil toneladas; Ceará, com 192,9 mil toneladas; Bahia, com 182,3 mil toneladas; Espírito Santo, com 147,4 mil toneladas; Rio de Janeiro, com 147,3 mil toneladas; Santa Catarina, com 127,8 mil toneladas e Rio Grande do Sul, com 91,9 mil toneladas.
Fonte: IBGE
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Plano Brasil Soberano: Governo amplia crédito para fertilizantes
Published
16 horas agoon
13 de setembro de 2026By
Da Redação
Fabricantes de fertilizantes, produtores de matérias-primas intermediárias e mineradoras que abastecem o setor poderão contratar capital de giro pelo Plano Brasil Soberano. A mudança amplia o alcance do programa e procura dar fôlego financeiro a uma cadeia considerada estratégica para o agronegócio brasileiro.
Projetos industriais e tecnológicos ligados ao beneficiamento, refino e transformação de minerais críticos e estratégicos também terão acesso a recursos com custo reduzido. O encargo da fonte de financiamento caiu para 3% ao ano, ante percentuais que chegavam a 8% na aquisição de máquinas e equipamentos e a 6,5% em determinados investimentos.
A decisão foi tomada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em reunião extraordinária realizada no fim de agosto. O colegiado também prorrogou por 12 meses o prazo para apresentação dos pedidos de financiamento ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). As empresas elegíveis poderão protocolar as solicitações até 31 de dezembro de 2027.
Para o produtor rural, o efeito não será direto. As linhas são destinadas às empresas que produzem, processam ou fornecem insumos para a fabricação de adubos. O objetivo é melhorar as condições financeiras da indústria e reduzir riscos de interrupção no abastecimento do campo.
A inclusão do capital de giro atende a uma característica do setor. Muitas empresas precisam pagar antecipadamente pelas matérias-primas importadas, arcar com frete, armazenagem e processamento e somente depois receber pelas vendas realizadas aos produtores ou distribuidores.
Esse intervalo exige grande disponibilidade de caixa. Quando o crédito fica caro ou escasso, as empresas podem reduzir compras, estoques e produção. A consequência chega às propriedades na forma de menor oferta, dificuldade para programar entregas e maior exposição às oscilações de preços.
Antes da mudança, as empresas da cadeia de fertilizantes podiam recorrer ao Plano Brasil Soberano principalmente para comprar máquinas ou executar projetos de investimento. Agora, os recursos também poderão financiar despesas necessárias ao funcionamento diário das operações.
A medida ganha importância porque o Brasil importa mais de 80% dos fertilizantes que utiliza. Essa dependência deixa a produção agrícola vulnerável ao câmbio, às cotações internacionais, aos custos marítimos e a conflitos capazes de interromper rotas ou restringir a oferta mundial.
O país responde por cerca de 8% do consumo global de fertilizantes e ocupa a quarta posição entre os maiores consumidores. Soja, milho e cana-de-açúcar representam mais de 73% da demanda nacional, o que transforma o insumo em um componente decisivo dos custos das principais cadeias agrícolas.
O crédito mais barato para minerais estratégicos procura estimular investimentos em etapas que ainda são pouco desenvolvidas no Brasil. O país possui reservas minerais importantes, mas parte do material extraído é exportada sem processamento ou não chega a ser transformada internamente nos produtos necessários à agricultura.
Ao apoiar o beneficiamento, o refino e a transformação dentro do país, o governo tenta ampliar a capacidade industrial e diminuir a dependência de produtos acabados vindos do exterior. O resultado, entretanto, dependerá da execução dos projetos, que podem exigir licenciamento, infraestrutura, tecnologia e vários anos até o início da produção.
O percentual de 3% ao ano não representa necessariamente a taxa final que será paga pelas empresas. Ele corresponde ao custo da fonte de recursos e já considera a remuneração do BNDES. Nas operações indiretas, realizadas por bancos credenciados, ainda podem existir encargos do agente financeiro e custos relacionados ao risco do tomador.
Por isso, a medida também não garante uma queda imediata no preço do fertilizante vendido ao agricultor. As cotações continuarão sujeitas ao câmbio, aos preços internacionais, ao frete, à oferta mundial de nutrientes e à demanda no período de plantio.
O ganho mais provável no curto prazo é a melhora das condições para que fabricantes e fornecedores mantenham estoques e cumpram contratos. No longo prazo, se os investimentos aumentarem a produção e o processamento de matérias-primas no Brasil, o setor poderá reduzir a exposição a crises externas e ganhar maior previsibilidade.
O acesso às linhas será restrito aos segmentos definidos conjuntamente pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) e pelo Ministério da Fazenda. A relação de atividades autorizadas consta das portarias que regulamentam o Plano Brasil Soberano.
Criado para apoiar empresas afetadas pelo aumento das tarifas norte-americanas e pela instabilidade do comércio internacional, o programa passa a alcançar uma cadeia diretamente ligada à segurança produtiva do país. Para o campo, o efeito concreto será medido pela capacidade da política de ampliar a oferta interna, evitar falta de insumos e reduzir a dependência que hoje transforma qualquer crise internacional em custo adicional dentro da porteira.
Fonte: Pensar Agro
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