AGRONEGÓCIO

Eleições na França reduzem riscos de curto prazo, mas longo prazo segue desafiador; confira análise da Hedgepoint

Publicado em

Com a redução dos riscos de curto prazo, o Euro deve seguir muito influenciado pelas expectativas em torno do início de corte de juros pelo Fed. No longo prazo, a eleição francesa deve trazer mais pressão sobre o Euro, dado que mais uma economia do bloco segue distante de resolver seus desequilíbrios fiscais.

Depois de resultados robustos da Reunião Nacional (Rassemblement National, ou RN), partido de direita de Marine Le Pen no primeiro turno da eleição legislativa francesa, os resultados do segundo turno trouxeram um cenário bem diferente.

“A aliança de esquerda NFP conquistou o maior número de cadeiras na eleição, com o Ensemble de Emmanuel Macron em segundo lugar e o RN em terceiro. Sem nenhum grupo capaz de comandar uma maioria, isso provavelmente significa que os partidos de esquerda e de centro precisarão formar um governo de coalizão ou apoiar conjuntamente uma administração mais tecnocrática”, diz Alef Dias, analista de Macroeconomia e Grãos da Hedgepoint.

“Dada essa conjuntura, faremos uma análise dos possíveis cenários para o futuro da política econômica francesa e como eles podem afetar o Euro”, explica.

Riscos de cauda foram eliminados, mas cenário fiscal segue preocupante

Qualquer opinião sobre as políticas do novo governo é necessariamente especulativa neste momento. O que está claro é que, com um déficit esperado próximo a 5% do PIB em 2024 e uma dívida de cerca de 111% do PIB, a França está partindo de uma posição fiscal tensa.

“Sem nenhum grupo capaz de comandar uma maioria, a França enfrenta agora um período de incerteza política. Qualquer que seja a configuração acordada, é provável que ela conte com o apoio da esquerda que defende um aumento dos gastos. Ainda assim, nem a extrema direita nem a aliança de esquerda obtiveram maioria absoluta, tirando da mesa o estímulo fiscal extremo”, aponta.

Como um cenário ilustrativo, consideramos se o novo governo aceitar o programa de estabilidade do Presidente Macron, com uma deterioração do déficit de 0,5% do PIB, mantendo o spread frente os rendimentos de títulos alemães em cerca de 75 pontos-base.

Leia Também:  Desafios na Colheita de Uvas Geram Preocupações entre os Produtores

Nesse cenário, de acordo com modelos da Bloomberg, veríamos um crescimento do PIB em 2025 de 0,7%, uma queda de 0,3 ponto percentual em relação à estimativa pré-eleitoral. E veríamos a dívida aumentando para 116,1% do PIB em 2027, 2,6 pontos percentuais acima da estimativa pré-eleitoral de 113,5%.

“É possível obter resultados fiscais piores. O líder da extrema esquerda, Jean-Luc Melenchon, disse a seus apoiadores que deseja que o governo implemente um grande programa fiscal. Sem uma maioria, isso não é provável. Mas é possível imaginar uma deterioração fiscal adicional de 1% do PIB. Acompanhado de um spread de 100 bps, isso poderia reduzir o crescimento para 0,5% em 2025, uma queda de 0,5 ppt em relação ao cenário pré-eleitoral. Isso também poderia fazer com que a dívida atingisse 118,4% do PIB em 2027”, observa.

Tendências de curto prazo devem se manter

A economia francesa mostrou-se resistente ao aumento das taxas de juros, expandindo-se em quase todos os trimestres desde que o Banco Central Europeu (ECB) começou a apertar a política monetária em meados de 2022.

“Ainda assim, o crescimento tem sido lento e ainda não está mostrando muitos sinais de recuperação. O crescimento caiu um pouco, para 0,2% no 1T24, de 0,3% no 4T23, e o fraco sentimento das empresas sugere que ele permanecerá moderado no 2T. Estimativas da Bloomberg apontam para um crescimento de 0,2% do PIB novamente, enquanto a última previsão do Banque de France é mais pessimista, de 0% a 0,1%”, pontua.

Do lado dos preços, a inflação francesa caiu em junho para 2,5%, de 2,6% em maio, principalmente devido à energia e aos alimentos. Os dados do Eurostat mostraram que os aumentos nos preços de energia caíram para 4,5%, de 5,5% em maio, provavelmente devido a uma redução nos preços dos combustíveis.

Leia Também:  Auxílio Reconstrução: prazo para cadastrar famílias é prorrogado

A inflação dos alimentos também caiu, principalmente devido aos efeitos de base. Enquanto isso, o núcleo da inflação de bens permaneceu estável e os ganhos de preços em serviços aumentaram, elevando o núcleo da inflação medida pelo IHPC para 2,4%, de 2,3% em maio.

“Com a inflação diminuindo e o ECB tendo começado a cortar as taxas, o aumento dos gastos dos consumidores e a recuperação dos investimentos devem apoiar um fortalecimento gradual das perspectivas de crescimento. Entretanto, as eleições e a incerteza política podem pesar sobre a confiança e acrescentar alguns riscos de queda”, acredita o analista.

Em resumo, a aliança de esquerda NFP conquistou o maior número de cadeiras nas eleições legislativas da França, com o Ensemble de Emmanuel Macron em segundo lugar e o RN de direita bem abaixo das expectativas em terceiro.

Esse resultado eliminou os riscos econômicos e fiscais de curto prazo mais graves representados por uma maioria absoluta para o RN ou para o NFP, mas as consequências de longo prazo da votação ainda podem ser significativas. A dívida já estava em um caminho insustentável e a tendência de crescimento econômico é lenta. Com o aumento das chances de deterioração fiscal e paralisia política, a probabilidade de esses problemas serem resolvidos diminuiu.

Com a redução dos riscos de curto prazo, o Euro deve seguir muito influenciado pelas expectativas em torno do início de corte de juros pelo Fed – caso os dados sigam mostrando uma atividade econômica próxima da estagnação na zona do Euro e a inflação siga convergindo para a meta de 2% do ECB. No longo prazo, a eleição francesa deve trazer mais pressão sobre o Euro, dado que mais uma economia do bloco segue distante de resolver seus desequilíbrios fiscais.

Fonte: Hedgepoint Global Markets

Fonte: Portal do Agronegócio

Advertisement

AGRONEGÓCIO

Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja

Published

on

A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.

A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.

O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui

Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.

A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.

Leia Também:  Sinfra informa que trânsito no Portão do Inferno segue liberado no sistema pare e siga

Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br

Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.

O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.

Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.

Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.

Isan Rezende

Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.

Leia Também:  Município ofertará série de formações sobre os riscos do tabagismo

O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.

“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.

“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA