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E-commerce brasileiro registra primeira queda no número de lojas em mais de uma década

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O comércio eletrônico no Brasil registrou, pela primeira vez em mais de dez anos, uma redução no número total de lojas online, indicando um processo de maturidade e consolidação do setor. Segundo a 11ª edição do estudo Perfil do E-Commerce Brasileiro, divulgado pela BigDataCorp, o país passou de 2,24 milhões de lojas virtuais em 2024 para 2,1 milhões em 2026, marcando uma mudança estrutural do mercado.

Maturidade do setor e consolidação das operações

Após anos de expansão acelerada, o e-commerce brasileiro começa a priorizar a qualidade das operações em vez do crescimento puramente quantitativo. O CEO da BigDataCorp, Thoran Rodrigues, destaca que “pela primeira vez observamos o e-commerce deixando de crescer em volume de lojas e passando a evoluir em qualidade das operações, indicando uma fase de maturidade consolidada”.

O mercado se torna mais competitivo, favorecendo empresas com melhor gestão, tecnologia e estratégias de marketing, enquanto operações menos preparadas tendem a sair do setor.

Transformações na estrutura geográfica e digitalização

Nas últimas décadas, o setor se digitalizou fortemente e se tornou menos dependente de lojas físicas. Em 2016, 13,46% das lojas virtuais tinham ponto físico, percentual que caiu para 6,34% em 2026. Ao mesmo tempo, a concentração geográfica aumentou: São Paulo lidera com 57,86% das lojas, seguida por Minas Gerais (6,32%) e Rio de Janeiro (6,05%). Estados do Sul como Paraná (5,06%), Rio Grande do Sul (4,37%) e Santa Catarina (4,03%) também ampliaram participação.

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Produtos de baixo ticket dominam o mercado

O perfil dos produtos vendidos reforça a consolidação do e-commerce como canal de alto giro e baixo preço. A participação de lojas que comercializam majoritariamente produtos abaixo de R$100 subiu de 75,99% em 2016 para 78,88% em 2026, enquanto o segmento de produtos acima de R$1.000 caiu de 12% para 8,66%. O movimento mostra foco em volume, recorrência de compras e acessibilidade para o consumidor.

Expansão dos marketplaces e estratégias multicanais

O estudo mostra que os marketplaces se tornaram parte essencial da estratégia de vendas. Em 2019, 96% das lojas não utilizavam nenhum marketplace; em 2023, esse número caiu para 85,18%. Lojas presentes em dois marketplaces passaram de 0,43% para 8,31%, e aquelas em mais de cinco marketplaces chegaram a 2,31%. A diversificação de canais indica maior alcance e multicanalidade no setor.

Predominância de pequenos empreendedores e nichos de mercado

Micro e pequenos empreendedores seguem sendo a base do e-commerce brasileiro. Empresas com faturamento anual de até R$5 milhões representam 86% do mercado. Além disso, quase 74% das lojas recebem menos de 10 mil visitantes por mês, reforçando o perfil segmentado e de nicho do setor.

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Retomada da hospedagem local e evolução tecnológica

A infraestrutura tecnológica mostra sinais de maturidade. Após atingir o menor nível em 2024, com apenas 14% das lojas hospedadas em servidores nacionais, o setor retoma a utilização de infraestrutura local, fortalecendo a estratégia digital e a autonomia tecnológica das operações.

Ascensão do vídeo como principal formato de marketing

O vídeo se consolida como formato central na comunicação das lojas. O YouTube está presente em mais de 30% dos e-commerces, seguido pelo Instagram (27%) e TikTok (25%). A estratégia indica maior foco em relacionamento visual e dinâmico com os consumidores, acompanhando a evolução do comportamento digital do público.

Segurança digital avança, mas acessibilidade ainda é desafio

Quase 90% das lojas já operam com certificado SSL, garantindo segurança nas transações. Por outro lado, 97% dos sites ainda apresentam falhas de acessibilidade, mostrando que há espaço para melhorias na experiência do usuário.

Foco na qualidade e governança

Segundo Thoran Rodrigues, “os dados mostram que o desafio do e-commerce brasileiro deixou de ser crescer em quantidade e passou a ser evoluir em qualidade, estrutura e governança”, refletindo um mercado mais profissional, competitivo e orientado à experiência do consumidor.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Crédito para silos terá juros de 8% em país com gargalo crescente

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Produtores e cooperativas que pretendem construir, ampliar ou modernizar armazéns já conhecem as condições do Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) para o ano agrícola 2026/27. O crédito, porém, ainda não pode ser contratado: o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informa que a data de abertura dos pedidos será comunicada posteriormente às instituições financeiras.

Projetos de armazenagem de grãos com capacidade de até 12 mil toneladas terão taxa prefixada de até 8% ao ano. Nos demais empreendimentos enquadrados no programa, os juros poderão chegar a 9,5% ao ano.

O limite é de R$ 50 milhões por produtor e por ano agrícola para armazenagem de grãos. Para cooperativas de produção, o teto sobe para R$ 200 milhões. Nos projetos destinados a outros produtos financiáveis, o máximo é de R$ 25 milhões. A participação do BNDES pode alcançar 100% dos itens aprovados.

O prazo de pagamento será de até dez anos, com carência máxima de dois anos. As garantias serão negociadas entre o interessado e a instituição financeira credenciada. O programa ficará vigente até 30 de junho de 2027.

Além dos grãos, o PCA permite financiar armazéns e câmaras frias destinados a frutas, tubérculos, bulbos, hortaliças, fibras, açúcar e determinados derivados. Também podem ser apoiadas reformas, ampliações e modernizações, desde que os equipamentos atendam aos critérios estabelecidos pelo banco.

As novas condições são divulgadas em um momento de pressão crescente sobre a infraestrutura. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima a produção brasileira de grãos da safra 2025/26 em 360,8 milhões de toneladas. Já a capacidade útil de armazenagem alcançou 233,8 milhões de toneladas no segundo semestre de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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A diferença entre os dois números, contudo, não representa automaticamente o déficit nacional. A produção ocorre ao longo de diferentes safras, e uma mesma estrutura pode receber e expedir mais de um lote durante o ano. Parte dos grãos também segue diretamente para indústrias, portos e consumidores. Ainda assim, a distância entre o crescimento das colheitas e a expansão dos armazéns revela um gargalo estrutural.

Entre 2010 e 2025, a capacidade estática brasileira cresceu, em média, 2,8% ao ano, enquanto a produção avançou 5% ao ano, segundo levantamento do Observatório Nacional de Transporte e Logística, ligado à Infra S.A. Com base na produção de 2023/24, o estudo calculou um déficit potencial de 88,5 milhões de toneladas.

A situação varia fortemente entre as regiões. Naquele levantamento, o Sudeste apresentava capacidade equivalente a 126,8% da produção regional, beneficiado principalmente pela estrutura existente em São Paulo. O Sul atingia 88,2%. No Centro-Oeste, principal região produtora do país, a proporção caía para 57,9%. Nordeste e Norte apresentavam os menores índices, de 54,2% e 45%, respectivamente.

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Mato Grosso mostra com clareza essa contradição. O Estado possui a maior capacidade instalada do Brasil, com 64,2 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do IBGE. Mesmo assim, por liderar a produção nacional de soja e milho, apresentou no estudo da Infra S.A. a maior necessidade absoluta de armazenagem, estimada em aproximadamente 40,9 milhões de toneladas.

Goiás aparecia com carência próxima de 13 milhões de toneladas. Bahia, Maranhão, Tocantins e Piauí também estavam entre os pontos de maior pressão, refletindo o crescimento da produção em áreas nas quais a infraestrutura não avançou na mesma velocidade. No Sul, apesar da situação comparativamente melhor, Paraná e Rio Grande do Sul ainda registravam insuficiência de capacidade.

Para o produtor, o silo próprio pode reduzir a dependência de armazéns de terceiros, evitar filas durante a colheita e permitir que a venda seja feita em um momento mais favorável. A estrutura também pode diminuir gastos com transporte emergencial e perdas de qualidade.

A decisão exige, porém, um cálculo que vá além da taxa de juros. Construção, secagem, energia, manutenção, seguro, mão de obra, licenciamento e capacidade de utilização ao longo do ano interferem no retorno do investimento. Com as condições já divulgadas, o próximo passo será a abertura efetiva das contratações pelo BNDES.

Fonte: Pensar Agro

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