AGRONEGÓCIO
Dólar recua em meio a incertezas sobre tarifas nos EUA
Publicado em
6 de março de 2025por
Da Redação
O dólar opera em queda nesta quinta-feira (6), enquanto os investidores acompanham os desdobramentos das tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre importações do México e do Canadá. O movimento vem na esteira da decisão de Trump, anunciada na véspera, de suspender por 30 dias a cobrança de tarifas sobre automóveis vindos desses países, um dia após a entrada em vigor da medida que impõe taxas a todas as importações dessas nações.
A suspensão das tarifas é vista pelo mercado como um alívio temporário, pois o temor é de que um aumento generalizado nas taxas de importação nos EUA impulsione a inflação global. Trump, no entanto, manteve o tom protecionista ao afirmar que as montadoras devem transferir suas operações para os Estados Unidos para evitar futuras taxações.
Cotação do dólar e desempenho do Ibovespa
Por volta das 10h, o dólar registrava queda de 0,18%, sendo cotado a R$ 5,7458. Na quarta-feira (5), a moeda norte-americana recuou 2,71%, fechando a R$ 5,7559. No acumulado da semana e do mês, a queda é de 2,71%, enquanto no ano a desvalorização atinge 6,86%.
Já o índice Ibovespa, principal referência da Bolsa de Valores brasileira, fechou o último pregão com alta de 0,20%, atingindo 123.047 pontos. No acumulado da semana e do mês, o ganho também é de 0,20%, enquanto no ano o avanço é de 2,30%.
Mercado reage a sinais de flexibilização tarifária
A sinalização de que os EUA podem flexibilizar sua política tarifária trouxe maior otimismo aos mercados, após um dia de forte aversão ao risco global. O Secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, indicou que Trump pode anunciar medidas adicionais de alívio tarifário. A Casa Branca confirmou a suspensão temporária das tarifas sobre automóveis do Canadá e do México, embora a postura protecionista do governo norte-americano siga como fator de preocupação.
Trump também manteve sua posição de que empresas automobilísticas devem transferir suas operações para dentro dos EUA para evitarem futuras taxações. Além disso, foi indicado que novas tarifas recíprocas serão implementadas a partir de 2 de abril, com cobranças escalonadas.
Impacto sobre inflação e juros nos EUA
O temor dos investidores é de que a imposição de tarifas mais altas sobre importações acabe pressionando os custos de produção nos EUA, elevando os preços dos produtos e impactando a inflação. Caso a inflação se intensifique, o Federal Reserve (Fed), banco central norte-americano, pode ser levado a elevar suas taxas de juros para conter o avanço dos preços.
Uma alta nos juros americanos tornaria os títulos do Tesouro dos EUA mais atrativos, levando investidores a migrarem seus recursos para ativos considerados mais seguros. Esse movimento poderia impactar o preço do dólar globalmente, refletindo diretamente no mercado financeiro internacional.
Escalada da guerra comercial
As tarifas de 25% sobre importações do México e do Canadá e de 10% sobre produtos chineses entraram em vigor nesta semana, mas o governo dos EUA adiou temporariamente a aplicação para os dois países vizinhos. Trump justificou a medida citando a entrada de drogas ilegais nos EUA por meio dessas nações.
Diante das novas taxações, México, Canadá e China responderam com medidas de retaliação. O primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, anunciou tarifas de 25% sobre US$ 107 bilhões em produtos americanos, enquanto a China impôs taxas adicionais de 10% a 15% sobre exportações agropecuárias dos EUA e restringiu investimentos de empresas americanas no país.
Pequim também ampliou as investigações sobre dumping por parte de empresas norte-americanas, suspendeu licenças de importação e impediu embarques de madeira serrada vinda dos EUA. O governo chinês incluiu ainda 15 companhias americanas em sua lista de restrição de exportação, proibindo o fornecimento de tecnologias sensíveis.
No México, a presidente Claudia Sheinbaum criticou as tarifas impostas por Washington e prometeu adotar medidas de retaliação.
A escalada da guerra comercial entre as principais economias do mundo segue como um dos fatores de maior influência sobre os mercados globais, trazendo volatilidade e incertezas sobre os próximos passos da política tarifária dos EUA.
Com informações da agência de notícias Reuters
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Safra recorde já não basta para garantir rentabilidade ao produtor
Published
7 horas agoon
20 de setembro de 2026By
Da Redação
A perspectiva de uma nova safra recorde encontra o produtor brasileiro diante de um desafio que cresce na mesma proporção da produção: financiar uma atividade mais tecnológica, mecanizada e intensiva em capital, num ambiente de juros elevados, margens menores e bancos mais seletivos. O avanço do crédito privado amplia as alternativas disponíveis, mas também exige profissionalização da gestão e uma análise mais rigorosa sobre o retorno proporcionado pelo patrimônio investido.
Dados do Banco Central (BC), compilados por entidades do setor, mostram que 23,5% da carteira ativa de crédito rural apresentava algum nível de problema em julho de 2026. Eram R$ 207,5 bilhões em operações inadimplentes, atrasadas, renegociadas ou prorrogadas. O indicador não representa apenas parcelas vencidas, mas revela o aumento do estresse financeiro acumulado depois de safras afetadas pelo clima, custos elevados e preços menos favoráveis.
Ao mesmo tempo, o financiamento bancário tradicional perdeu força. Em 12 meses, o volume de crédito rural concedido sem considerar instrumentos do mercado de capitais recuou 12%, para R$ 181,1 bilhões. A área atendida pelas linhas convencionais de custeio caiu quase 26%, de 34,2 milhões para 25,4 milhões de hectares.
Esse espaço vem sendo ocupado gradualmente por cooperativas, tradings, fornecedores de insumos, fundos de investimento e emissões no mercado de capitais. O estoque dos instrumentos privados de financiamento do agronegócio alcançou R$ 1,34 trilhão em julho, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Somente as Cédulas de Produto Rural (CPRs) somavam R$ 580,8 bilhões, distribuídos em aproximadamente 372 mil títulos.
Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende (foto), a diversificação das fontes de recursos é necessária, mas não pode ser confundida com crédito fácil ou capacidade ilimitada de endividamento.
“O crédito privado será cada vez mais importante para complementar o Plano Safra e o financiamento bancário. O produtor, porém, precisa avaliar o custo efetivo, o prazo, as garantias exigidas e a compatibilidade das parcelas com o fluxo de caixa da propriedade. Trocar uma dívida por outra mais cara, sem corrigir a origem do desequilíbrio, apenas transfere o problema para a safra seguinte”, afirma.
A necessidade de capital aumentou com a transformação da agropecuária brasileira. Produzir em escala passou a exigir máquinas de maior capacidade, agricultura de precisão, armazenagem, irrigação, conectividade, sistemas de gestão, insumos tecnológicos e equipes especializadas. A valorização das terras também elevou o volume de patrimônio imobilizado nas operações.
Essa evolução permitiu ganhos de produtividade e consolidou o Brasil entre os maiores fornecedores mundiais de alimentos, fibras e energia. Mas também tornou as propriedades mais sensíveis ao custo do dinheiro. Quando os juros aumentam e as margens recuam, uma atividade pode apresentar lucro contábil e, ainda assim, não remunerar adequadamente todo o capital empregado.
É nesse ponto que ganha importância o conceito de Valor Econômico Agregado, conhecido pela sigla EVA. O indicador calcula o resultado operacional do negócio depois de descontado o custo de todo o capital utilizado, inclusive recursos próprios, terras quitadas, máquinas e demais ativos.
Uma propriedade pode encerrar o ciclo com resultado positivo no balanço, mas destruir valor se o retorno obtido ficar abaixo do que aquele patrimônio poderia render em uma alternativa de menor risco. A terra própria, por exemplo, não deixa de ter custo econômico porque está quitada. Ela representa capital que poderia ser arrendado, vendido ou aplicado em outro investimento.
“O produtor sempre acompanhou produtividade, custo por hectare e preço de venda. Esses indicadores continuam fundamentais, mas já não são suficientes para medir a saúde econômica do negócio. Também é necessário saber se o resultado remunera a terra, as máquinas, o capital de giro e o risco assumido durante a safra”, diz Rezende.
A aplicação dessa análise não significa abandonar investimentos ou reduzir a produção. O objetivo é identificar quais atividades, áreas e estruturas realmente geram retorno. A avaliação pode mostrar que determinado talhão produz bem, mas possui custo elevado; que uma máquina permanece ociosa; ou que o arrendamento oferece resultado melhor do que a compra de terras financiada.
O mesmo raciocínio vale para a contratação de crédito. Recursos obtidos a juros superiores ao retorno esperado pela atividade diminuem o valor econômico da propriedade, mesmo quando ajudam a ampliar o faturamento. Por isso, crescimento de receita, aumento de área e recorde de produção não significam necessariamente fortalecimento financeiro.
A busca por recursos privados também coloca a governança no centro das negociações. Instituições financeiras e investidores analisam demonstrações contábeis, histórico de produção, previsibilidade de caixa, endividamento, garantias, regularidade ambiental e fundiária, contratos e capacidade de gestão. Quanto maior a qualidade dessas informações, maior tende a ser a possibilidade de acessar diferentes fontes e negociar condições melhores.
“Governança deixou de ser uma preocupação exclusiva das grandes empresas. O produtor que conhece seus números, separa as contas da família e da propriedade, mantém documentos regulares e apresenta informações confiáveis reduz a percepção de risco. Isso melhora sua posição diante dos financiadores e permite comparar propostas sem decidir apenas pela disponibilidade imediata do dinheiro”, acrescenta Rezende.
O modelo de financiamento do agronegócio tende a permanecer híbrido. Crédito rural, recursos obrigatórios, cooperativas, tradings, fornecedores, fundos e mercado de capitais continuarão convivendo, cada um com custos, prazos e riscos diferentes. O desafio será combinar essas fontes sem comprometer parcelas excessivas da produção futura ou oferecer garantias incompatíveis com o valor da operação.
A safra recorde continua sendo uma demonstração da capacidade produtiva brasileira. Para que esse desempenho se transforme em renda, entretanto, o produtor precisará acompanhar não apenas quantas toneladas colhe, mas quanto valor permanece depois de remunerados todos os recursos utilizados. Em uma agricultura intensiva em capital, produzir mais é importante; produzir com retorno econômico tornou-se decisivo.
Fonte: Pensar Agro
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