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Dólar recua em meio a expectativas sobre inflação e decisões do Copom

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O dólar iniciou a terça-feira em queda, após alcançar um novo recorde nominal na véspera, cotado a R$ 6,0820. A desvalorização reflete a análise dos investidores sobre os recentes dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), além da expectativa em torno das decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, previstas para quarta-feira.

Expectativa sobre juros e cenário fiscal

Com a manutenção de uma inflação elevada e sinais de atividade econômica aquecida, o mercado prevê que o Copom deverá elevar novamente a taxa básica de juros (Selic). Paralelamente, aumentam as incertezas sobre a aprovação do pacote de corte de gastos proposto pelo governo. Relatos indicam que o custo político para viabilizar a aprovação no Congresso tem aumentado, envolvendo negociações complexas e demandas adicionais de parlamentares.

A liberação de R$ 3,2 bilhões em emendas PIX foi sinalizada como estratégia do governo para acelerar a tramitação do pacote fiscal. Essa medida se soma à liberação anterior de R$ 7,8 bilhões em emendas impositivas, mas enfrenta desafios devido às novas exigências de transparência impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), como a necessidade de identificação nominal e planos de trabalho detalhados.

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Desempenho do mercado

Às 9h05, o dólar registrava queda de 0,92%, cotado a R$ 6,0255. Na segunda-feira, a moeda norte-americana havia subido 0,18%, acumulando alta de 1,36% no mês e 25,34% no ano.

Enquanto isso, o índice Ibovespa abriu suas negociações às 10h, após encerrar o dia anterior com alta de 1%, aos 127.210 pontos. No acumulado, o índice registrou ganho de 1,23% no mês, mas segue com queda de 5,20% no ano.

Cenário internacional

No exterior, o foco está na divulgação dos dados de inflação ao consumidor nos Estados Unidos, previstos para esta semana. O Federal Reserve (Fed) avalia esses indicadores para ajustar sua política monetária. Na última sexta-feira, o relatório de empregos mostrou a criação de 227 mil vagas em novembro, com a taxa de desemprego subindo para 4,2%.

Apesar das indicações de desaceleração econômica, o Fed pode encontrar dificuldades em alcançar métricas ideais de inflação e crescimento em 2025. Além disso, as recentes declarações do presidente eleito Donald Trump sobre tarifas comerciais e protecionismo alimentam preocupações sobre inflação e impacto global.

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Perspectivas

Com variáveis domésticas e internacionais em jogo, o mercado financeiro segue atento às decisões do Copom e do Fed, bem como às movimentações políticas que definirão o futuro do pacote fiscal brasileiro. Esses fatores continuam a ditar o rumo dos ativos financeiros e das expectativas econômicas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Safra 2026/27: moagem de cana desacelera, açúcar recua e etanol ganha espaço no Centro-Sul

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A safra 2026/27 de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil segue marcada por uma mudança significativa no perfil de produção das usinas. Enquanto a moagem apresentou desaceleração na segunda quinzena de maio e a fabricação de açúcar registrou forte retração, a produção de etanol continua avançando, impulsionada pela elevada competitividade do biocombustível e pela estratégia das usinas de direcionar uma parcela maior da matéria-prima para o setor energético.

Dados divulgados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) mostram que as unidades produtoras da região processaram 41,55 milhões de toneladas de cana na segunda metade de maio, volume 13,08% inferior ao registrado no mesmo período da safra anterior, quando a moagem alcançou 47,80 milhões de toneladas.

Mesmo com o recuo recente, o acumulado da safra até 1º de junho soma 144,71 milhões de toneladas processadas, mantendo o ritmo operacional elevado em comparação aos ciclos anteriores.

Menor moagem reduz produção de açúcar

A desaceleração da colheita impactou diretamente a produção de açúcar. Na segunda quinzena de maio, as usinas do Centro-Sul produziram 2,20 milhões de toneladas do adoçante, uma queda expressiva de 25,62% frente ao mesmo período da safra 2025/26.

No acumulado da temporada, a fabricação de açúcar totaliza 6,84 milhões de toneladas.

Apesar da redução do volume produzido, a qualidade da matéria-prima apresentou melhora. O índice de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) atingiu 125,87 quilos por tonelada de cana na segunda metade de maio, avanço de 1,09% sobre o mesmo período do ciclo anterior. No acumulado da safra, o ATR alcança 119,73 kg por tonelada, crescimento de 2,35%.

Etanol segue em expansão

Em direção oposta ao açúcar, o etanol mantém trajetória de crescimento. A produção do biocombustível alcançou 2,13 bilhões de litros na segunda quinzena de maio, sendo 1,33 bilhão de litros de etanol hidratado e 796 milhões de litros de etanol anidro.

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Desde o início da safra, a produção acumulada soma 7,54 bilhões de litros, alta de 31,55% em relação ao mesmo período do ciclo passado. O destaque continua sendo o etanol hidratado, cuja fabricação cresceu 29%, atingindo 4,96 bilhões de litros.

O avanço do setor também é sustentado pelo aumento da produção de etanol de milho. Somente na segunda quinzena de maio foram produzidos 413,2 milhões de litros a partir do cereal, crescimento de 12,38% na comparação anual. No acumulado da safra, a produção já alcança 1,57 bilhão de litros.

Usinas priorizam biocombustível

Os dados operacionais indicam uma mudança estratégica das unidades produtoras. Ainda em abril, cerca de 59,66% da cana processada foi destinada à fabricação de etanol, percentual superior aos 54,31% observados no mesmo período da safra anterior.

No acumulado do ciclo, o mix destinado ao biocombustível alcançou 61,84%, reforçando a preferência das usinas pelo mercado energético diante das condições mais favoráveis de rentabilidade.

Essa estratégia tem contribuído para a expansão da oferta de etanol e para a redução relativa da produção de açúcar, cenário que vem sendo acompanhado de perto pelos agentes do mercado.

Consumo de etanol cresce no Brasil

A demanda pelo biocombustível também continua aquecida. Em abril, as vendas de etanol pelas unidades do Centro-Sul alcançaram 2,74 bilhões de litros, sendo 1,76 bilhão de litros de hidratado e 985,68 milhões de litros de anidro.

No mercado doméstico, o volume comercializado cresceu mais de 15% em relação ao mês anterior.

Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que o consumo de etanol hidratado atingiu 1,83 bilhão de litros em abril, elevando a participação do combustível renovável para 24,6% do consumo total da frota leve brasileira.

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No Estado de São Paulo, principal mercado consumidor do país, a participação chegou a 44%, o maior nível desde fevereiro de 2025.

Segundo a Unica, o principal fator por trás desse crescimento é a vantagem econômica do etanol frente à gasolina. Em diversos estados produtores, o biocombustível segue abaixo da paridade técnica considerada vantajosa para o consumidor, fortalecendo as perspectivas de aumento do consumo ao longo dos próximos meses.

Mercado de CBios reforça agenda de descarbonização

Outro indicador positivo para o setor é o desempenho do mercado de Créditos de Descarbonização (CBios). Dados da B3 apontam a emissão de 16,93 milhões de créditos em 2026 pelos produtores de biocombustíveis.

Atualmente, o mercado conta com 26,79 milhões de CBios disponíveis para negociação. Somando os créditos já aposentados para cumprimento das metas do programa RenovaBio, cerca de 66% dos títulos necessários para atender integralmente as exigências de 2026 já foram disponibilizados pelo setor.

Perspectivas para a safra

A safra 2026/27 avança com um cenário de menor produção de açúcar e forte expansão do etanol. A combinação entre demanda aquecida pelo biocombustível, maior competitividade frente à gasolina e crescimento do etanol de milho deve continuar influenciando as decisões das usinas ao longo dos próximos meses.

Ao mesmo tempo, o comportamento climático e a evolução da moagem serão fatores decisivos para determinar o equilíbrio entre açúcar e etanol no restante da temporada, em um momento em que o mercado global acompanha atentamente a oferta brasileira.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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